Nós ouvimos e lemos tanto a palavra inovação hoje em dia que, para muitas pessoas, seu conceito e características já se perderam. Essa falta de entendimento abre espaço para os mitos da inovação. Afirmações repetidas por aí que acabam inibindo a ação de pessoas que desejam inovar. 

Afinal, se você acredita que só pessoas criativas conseguem inovar, isso coloca um pré-requisito que talvez nem seja tão forte em você. E adivinha? Não é preciso ser criativo para ter ideias inovadoras. A criatividade como obrigação é um dos mitos da inovação. 

Desse modo, para criar grupos inovadores é preciso quebrar alguns mitos. No artigo abaixo, eu vou citar alguns deles e explicar por que juntar várias pessoas criativas para formar um grupo inovador pode ser uma péssima ideia. 

MITO 1: “grupos inovadores são formados por pessoas criativas”

Nada disso. Não basta juntar as pessoas mais criativas da empresa em um grupo. Isto pode ser a receita certa para o caos. Não para a inovação. E eu não estou dizendo que a criatividade é descartável na inovação, mas é preciso ir além. 

Assim, para criar um grupo com grande potencial inovador é necessário ter um conjunto diverso de perfis: dos mais “quadrados” aos mais “criativos”. Na verdade, com uma leve tendência mais para os “quadrados.” De fato, é necessário ter um certo tipo de diversidade. Mas não a que você pensa. 

MITO 2: “grupos inovadores são formados por alta diversidade”

Não necessariamente. O que importa é que eles tenham diferentes modelos mentais (o nome técnico é motivação cognitiva). Não importa muito se o grupo é formado só por homens, só por mulheres, só por negros ou brancos. O que importa é que seus membros tenham modos diferentes de perceber o mundo. 

Aliás, se o grupo for composto por pessoas de diversas etnias, sexos e credos, mas todos possuírem a mesma formação acadêmica e forem oriundos de um mesmo tipo de universidade, a possibilidade de inovar se reduz drasticamente. 

Portanto, a ideia de que basta juntar características físicas distintas é um dos mitos da inovação. 

MITO 3: “grupos inovadores são ótimos ambientes para trabalhar”

Muito pelo contrário. Grupos inovadores são extremamente estressantes. O clima está sempre a um passo da 3ª Guerra Mundial. As anedotas sobre como Steve Jobs gerenciava as equipes na Apple servem de exemplo de quão estressantes podem ser os ambientes de inovação das empresas.

As mesmas pessoas que criam ideias apaixonantes, geralmente são apaixonadas por suas ideias. A mesma energia inovadora que gera produtos maravilhosos, cria embates titânicos entre os membros do grupo. Isso significa que haverá vários desafios de liderança nesses grupos.

Sem a adoção de condições para a redução de “preconceitos” e controle de conflitos, os grupos inovadores implodem antes de terminar o trabalho. Literalmente.

MITO 4: “grupos inovadores são difíceis de formar”

Não. E existem as escolas de samba para provar que é possível e acessível às mais variadas organizações criarem grupos inovadores frente a condições adversas. De fato, existem diversos tipos de agremiações populares autocráticas que geram soluções inovadoras em diversos aspectos. 

Há muito tempo estão disponíveis processos simples e seguros para identificar o tipo de motivação cognitiva das pessoas. E pesquisas acadêmicas recentes identificaram a mistura ideal entre os diversos tipos de motivação cognitiva que geram grupos mais inovadores.

MITO 5: “grupos inovadores precisam de processos claros e pré-definidos”

Não. Não mesmo. A mistura de diversos tipos de motivação cognitiva gera grupos autocráticos que, por si mesmos, decidem em cada caso se será melhor seguir ou quebrar regras. 

Por possuir diversos modelos mentais, a capacidade de percepção e decisão desses grupos é muito especial. É justamente esta capacidade de decisão que gera ideias inovadoras. 

Para esses grupos basta fornecer uma quantidade limitada de tempo e recursos. Eles saberão como produzir o melhor resultado possível, dada as restrições enfrentadas. Afinal, inovadores gostam de criar suas próprias regras e lógicas, não é?

E então, você concorda com os mitos da inovação apresentados aqui? Consegue citar mais algum? Deixe seu comentário e aproveite para ler também o artigo: Modos de conversão do conhecimento e a relação com a inovação.

Por fim, quero fazer um agradecimento, pois este texto foi elaborado com o auxílio do Denis Russo Burgierman. O conteúdo apresenta alguns dos resultados da minha pesquisa de doutorado em Engenharia e Gestão do Conhecimento. Os experimentos da pesquisa foram realizados na Alemanha, Brasil, Equador, Índia, Itália e Polônia, com o envolvimento de cerca de 150 pessoas de diversas nacionalidades entre os meses de Maio de 2011 e Novembro de 2013.