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Metáforas da inovação: conheça os surfistas das ondas da inovação

Inovação

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Metaforas Onda

Nasci em Florianópolis onde o Surf é um dos esportes mais praticados nas 42 praias contabilizadas na Ilha da Magia. Mas, embora seja um manezinho da Costeira, não entendo nada de Surf. Por outro lado, quanto mais estudo sobre innovation, mas considero o Surf uma das melhores metáforas da inovação.

Afinal, quem não surfou a onda de qualquer fenômeno nos dias atuais?  Design Thinking, metodologias ágeis, Big Data, futuro do trabalho e, por que não, as ondas da inovação? E se apurarmos bem o olhar, podemos dizer também que todas essas áreas estão relacionadas com negócios disruptivos e suas várias metáforas de inovação.

E o conceito de ondas de inovação não é novo. O pai desse discurso é o Joseph Schumpeter. Ele, magistralmente, combina os ciclos de Kondratiev (54 anos), Kuznets (18 anos), Juglar (9 anos) e  Kitchin (40 meses) na forma de ondas. E para ele, o herói de todo o desenvolvimento humano é o empreendedor. Para mim, um surfista. Para Schumpeter, o capitalismo “parece” um processo evolucionário (VaCa RoSa).

Mas o que essa VaCa RoSa tem a ver com as metáforas de inovação?

A resposta é até simples: Não existem diferenças entre os empreendedores de sucesso e os de fracasso.

Schumpeterondas

Durante uma revisão de literatura sobre a importância do erro no processo de inovação, identificamos diversos trabalhos acadêmicos que procuravam descobrir diferenças entre o grupo dos empreendedores de sucesso e os de fracasso. O que os estudos apontam é que não, não existe. Tanto no grupo de sucesso quanto no de fracasso existem os mais variados tipos de pessoas: preparados, despreparados, sortudos, azarados, etc.

Do ponto de vista científico, não é possível estabelecer um padrão “sério” a respeito dos empreendedores responsáveis por um ou outro tipo de iniciativa.

Um trabalho acadêmico muito interessante, desenvolvido pela Professora Saras Sarasvathy, sugere que “talvez” a capacidade de criar redes sociais para apoiar o empreendimento seja um diferencial que contribua para o sucesso. Mesmo assim, apenas contribua e não seja uma capacidade decisiva.

A metáfora da inovação sobre a VaCa RoSa vem daí. Na prática, significa que: as capacidades dinâmicas de uma organização permitem que a empresa consiga:

  • sentir e formatar oportunidades e ameaças;
  • aproveitar oportunidades e 
  • transformar seus ativos tangíveis e intangíveis para manter sua competitividade. 

Dois fatores são fundamentais para que as organizações consigam calibrar as suas capacidades dinâmicas: (a) aptidão “técnica” e (b) aptidão “evolucionária”. É nesta última que entra a “vaca rosa”. Segundo as teorias que embasam as capacidades dinâmicas, as organizações precisam conseguir tomar decisões “imparciais” a partir de cenários com alta carga de incerteza

Quando as oportunidades começam a emergir de fato, as organizações têm pouco tempo para reagir. A melhor estratégia é “ganhar tempo”, antecipando a percepção dessas oportunidades. Embora alguns profissionais possuam as capacidades necessárias para “ler” o ambiente isotrópico, a melhor estratégia é a de incorporar essas habilidades na própria organização. Isso pode ser feito através da adoção da estratégia de Variação Cega e Retenção Seletiva, ou o artifício mnemônico: VaCa RoSa (que é também uma “citação” da Purple Cow ou Vaca Roxa do Seth Godin).

A variação cega (cega como a justiça, imparcial, não-viciada, etc) é uma estratégia para a geração de alternativas através do mapeamento imparcial de cenários e/ou mercados locais, regionais e externos. O Teece é claro: a empresa que falha nessa atividade não consegue acessar as oportunidades tecnológicas e de mercado que emergem.

Por outro lado, para as demais, que precisam continuamente gerar novas propostas   de valor para seus clientes, a adoção desse tipo de estratégia é fundamental. O melhor é que, ao que tudo indica, pelas pesquisas feitas, a VaCa RoSa é mais efetiva do que estratégias mais “racionais” de inovação. Aliás, que de “racional”, de fato, não têm muito. 

Agora vamos voltar as metáforas e ondas da inovação?

1. As ondas da inovação

Onda, onda, olha a onda… Ninguém cria a onda. Ela “nasce” de incontáveis e incontroláveis interações com o vento e com tudo o que toca o mar. Nenhum surfista cria onda nenhuma. Certo? A onda é a onda e pronto. Ela pode ser pequena, média, grande. Pipeline. Pode ser boa para o surf ou não. É algo que não podemos controlar. 

Sim, podemos colocar pedras no fundo de uma arrebentação e melhorar as ondas produzidas. Podemos atuar pontualmente para melhorar as ondas de determinado lugar. Mas essa parte da comparação fica para outro dia, ok?

No caso da onda como metáfora da inovação, ela simboliza a vontade de um contexto social para dirigir seus recursos/energia a determinado setor ou produto (bens ou serviço). O mar, no caso, são os seres humanos, a sociedade. Por incrível que possa parecer, a sociedade é incontrolável. 

Sim,… não é não. Quer um exemplo simples? Já tentou entender como é possível termos colocado um homem na Lua ou no espaço (para os que não acreditam que o homem foi lá) e não conseguimos prever a próxima crise econômica? O que tem o lançamento de foguetes e o movimento dos planetas, de diferente das crises econômicas? A resposta é “pessoas”. A quantidade de pessoas envolvidas é muito maior. Como no caso da inovação. Esse mar de pessoas simplesmente não pode ser controlado como um foguete. Simples. E aí, a metáfora do surf é deliciosa. Embora ela também incorra na chamada “Fallacy of Misplaced Concreteness“, que basicamente é tratar como se fossem objetos “concretos” fenômenos abstratos como a “sociedade”.

2. O surfista das ondas da inovação

Então, como eu ia dizendo… a onda é incontrolável. Mas, pode ser surfada… e pode ser mal ou muito bem surfada. Surfistas ganham prêmios e reconhecimento pelo espetáculo que apresentam ao surfar. Mas eles não saem por aí dizendo que “criaram a onda”. 

Da mesma forma, a melhor das ondas não fará um surfista mediano dar um espetáculo. Mas, se a onda for perfeita, mesmo surfistas iniciantes podem pegar deliciosos jacarés (para quem não é morador de praia com mar agitado, “jacaré” aqui é a capacidade de uma pessoa pegar uma onda no meio do mar e ser levado por ela até a praia/areia). Sem falar no body-surfing que é uma arte à parte.

No caso das ondas da inovação, o surfista é o empreendedor. A onda é a “energia” desse mar de pessoas canalizada em uma “direção”. As manobras do surfista são os produtos criados. E nesse aspecto mora um conceito interessante: as manobras não criam as ondas. Da mesma forma que produtos não criam demandas.

Rockfellers, Fords, Onassis, Gates, Jobs, Zuckerbergs não criaram a onda. Souberam e puderam surfá-la: certo Surfista, em certa praia, na onda certa. Afinal, como todo surfista campeão sabe, o mar e as ondas devem ser, antes de tudo, respeitado e respeitadas com grande humildade. Você pode ser o melhor surfista do mundo. Se o mar não te oferecer “ondas”, nada feito. Daí, a única alternativa é mudar de praia.

3. A Praia

E a praia? Bom, a praia é o nicho de atuação. Cada uma com sua série de ondas característica. Que pode estar “craudeada” (crowded) ou só ter você. Aliás, o prazer de surfar a onda perfeita em uma praia deserta deve ser fenomenal. Sabemos de históricos inovadores que descobriram “picos” maravilhosos. Mas encontrar uma praia “nova” com ondas perfeitas é uma aventura bastante arriscada.

4. A Inovação

É isso. Juntando esses três elementos (Onda, Surfista e Praia) é possível entender um pouco melhor a dinâmica da inovação. E então fica clara a dificuldade de se prever quem será o próximo inovador “bilionário”. Para que isso ocorra, é necessária a coincidência desses três fatores: a Praia ideal, a Onda perfeita e o Surfista capaz. E isso, de certa forma, nos liberta da obrigação de criar ondas. Que, além de tudo, é inútil. Mas entender como as ondas se formam, saber atravessar a arrebentação, começar a remar na hora certa, entender quais manobras são mais indicadas para cada tipo de onda, etc faz uma enorme diferença. Tanto para ondas do mar quanto para as ondas da inovação.

Acredito que já dá para entender a semelhança entre a inovação e o Surf. Lamento não conhecer mais a respeito de surf… Aliás, se você tiver alguma dica de palavras e conceitos ligados ao mundo do surf que possam ser aplicados aos passos-e-repassos das ondas da inovação deixe um comentário explicando.  Ficarei feliz em saber.

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