Complexidade

As complexidades do mundo e a nova fronteira humana

A complexidade é um campo de estudos relativamente recente do conhecimento humano. Basicamente, ele busca prever como determinados sistemas, com características muito especiais, se comportam. O avanço das tecnologias, cada vez mais veloz na sociedade de informação em que vivemos, torna as redes cada vez mais conectadas o que, já há algum tempo, vem alterando lógicas culturais e estruturais para além das fronteiras de países.

Nesse contexto, a pandemia global da Covid-19 e seus impactos deixaram expostos ainda mais as fragilidades socioculturais e, claro, as estruturas empresariais que precisam correr contra o tempo para se adaptarem. Além disso, tem estado, também, cada vez mais evidente o poder dos indivíduos em transformar os desafios do mundo contemporâneo em oportunidades de crescimento, através de quatro unidades mínimas de transformação.

Tais unidades sugerem que é necessário cada indivíduo compreender sistemicamente o novo mundo cada vez mais complexo em que vivemos, buscar proativamente por novos desafios, coragem e humildade para aprender com as dificuldades e, por fim, assumir um compromisso com o protagonismo em relação às mudanças que queremos ver no mundo.

O que significa complexidade?

O termo complexidade tem sido estudado e é denominado de diferentes maneiras: por vezes é chamado de teoria da complexidade, ou estudos de sistemas dinâmicos, ou sistemas adaptativos complexos ou ciência da complexidade. 

Fundamenta-se numa visão interdisciplinar que pode ser aplicada ao comportamento vindo de muitos sistemas, tais como sistemas complexos adaptativos, ou no estudo dos sistemas em rede e sua complexidade. De acordo com Edgar Morin, a complexidade e suas implicações são as bases do pensamento complexo que enxerga o mundo como um todo inseparável e a partir da abordagem multidisciplinar, constrói o conhecimento.

Para o mundo dos negócios, é necessário compreender a equivalência entre tudo isso, junto ao processo da evolução humana, frente às novas tecnologias. Ou seja, transformar fatores e fenômenos inesperados em algo melhor do que era antes — semelhante ao que o conceito de inovação sugere também.

Comprovando, assim, que a sua empresa possui um sistema que, apesar de complexo, é adaptativo, conectado e diverso. Assumindo papéis transformadores e ativos perante às transformações da sociedade. É importante ressaltar que uma pequena mudança de atitude ou posicionamento pode provocar alterações profundas conforme o negócio ou o sistema evolui.

A proposta da complexidade é a abordagem transdisciplinar dos fenômenos, e a mudança de paradigma, abandonando o reducionismo que tem pautado a investigação científica em todos os campos, e dando lugar à criatividade e ao caos.

Transitamos entre um mundo complicado que exige especialistas para um mundo complexo que exige experiência. 

Em 1999, Dave Snowden, então empregado da IBM, criou um modelo denominado CYNEFIN, para ajudar líderes a compreender melhor o ambiente organizacional de que faziam parte e, assim, tomar decisões mais apropriadas.

Baseia-se no contexto predominante em cada ambiente, por meio da natureza da relação entre causa e efeito dos eventos que ali ocorrem. Com base nisso, Dave Snowden identificou quatro tipos diferentes de contextos: Simples; Complicado, Complexo e Caótico. 

O ambiente SIMPLES é caracterizado pela estabilidade. Os problemas são conhecidos por todos, bem como a relação entre causa e efeito. Aqui a dificuldade é categorizar o evento e escolher a resposta apropriada, com base em documentos, procedimentos e manuais de boas práticas.

No contexto COMPLICADO, as causas também são conhecidas, mas a dificuldade é encontrar a melhor solução, devido à necessidade de uma análise mais aprofundada. Neste cenário, aparece o trabalho dos especialistas, ajudando na busca pelas melhores respostas para cada situação. Diferente do contexto simples, onde sempre há uma única solução para cada problema, aqui podem existir várias.

Quando se trata do COMPLEXO, este ambiente é caracterizado pela imprevisibilidade, em que as causas são conhecidas, mas não se conhecem os efeitos oriundos das soluções escolhidas. Esses efeitos começam a ser percebidos ao longo do caminho e, por isso, a necessidade do uso de metodologias e padrões que priorizem o aprendizado por meio da experimentação e a rápida resposta a mudanças.

E por fim, mas não menos importante, tem o ambiente CAÓTICO, onde a palavra de ordem é a sobrevivência. Nesse contexto é impossível determinar qualquer relação entre causa e efeito, simplesmente porque ela muda constantemente, e qualquer busca por padrões e respostas corretas é inútil. A ordem aqui é primeiramente agir e tentar sair da situação caótica do ambiente. 

O autor da Teoria U, C. Otto Scharmer, em uma palestra, comentou:

  • “Você não pode entender um sistema a menos que o altere.” (K.Lewin)
  • “Você não pode mudar um sistema a menos que você transforme a consciência.” (Teoria U – Otto Scharmer)
  • “Você não pode transformar a consciência a menos que faça um sistema ver e sentir a si mesmo.” (Teoria U) e, 
  • “Para fazer tudo isso, precisamos ser o sistema.” (Urubici Pataxó)

Isso resume bem sobre a importância do entendimento dos sistemas complexos no nosso dia a dia e como, mesmo sem perceber, somos adaptativos a essas diferentes situações. 

Como uma empresa pode assumir posição transformadora?

Falamos da era da informação logo no início do artigo, e isso se reflete aqui, principalmente quando falamos de adaptação a realidades diferentes e fluidas. Primeiramente, partimos da ideia de que a liderança da empresa precisa ser cada vez mais humanizada, assumindo riscos em contextos incertos. Para além disso, deve colocar sua equipe como centro das prioridades, compreendendo que abraçar a diversidade e o propósito fomentam ainda mais a aprendizagem dentro do time.

Outro ponto bastante importante a ser ressaltado tem a ver com a preocupação com a saúde mental, tanto de colaboradores quanto de clientes ou gestores. Compreender que situações de extrema adversidades tornam as pessoas cada vez mais vulneráveis. Compreender e normalizar esse fator, é colocar sua equipe no centro.

Não existe mais espaço, também, para empresas e modelos de negócios que não pensam a respeito de seus indicadores e o verdadeiro significado que eles possuem. Saber cruzar

informações de forma que o lucro e impacto se correlacionem, por exemplo. Isso demonstra que a empresa e seus líderes estão atentos ao que o mundo exige quando se fala de mudança e a complexidade exigida pela sociedade.

Conversei justamente sobre esse tema durante o Webinar com André Bello — Co-fundador e conselheiro do Singularity University Brazil Summit e membro do Conselho GAME XP Innovator. Clique no vídeo abaixo e assista.

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