Sustentabilidade Corporativa

O que é e como aplicar a sustentabilidade corporativa na sua organização

A sustentabilidade corporativa é iniciativa adotada por empresas que implementam práticas sustentáveis na rotina organizacional, gerando impacto positivo ao seu entorno. A temática vem sendo amplamente debatida e, nos últimos anos, ganhou ainda mais destaque devido aos incentivos para adotar parâmetros de responsabilidade social corporativa. Desde 2015, por exemplo, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) propõem que práticas relacionadas à sustentabilidade sejam protagonistas nas organizações; assim como os princípios de investimentos responsáveis inaugurados pelas Nações Unidas em 2006. 

As organizações ao redor do mundo são responsáveis por impactar ecossistemas inteiros, além de contribuir para acelerar as mudanças climáticas, desmatamento, e diversas outras questões que precisam ser debatidas em prol de mudanças benéficas para a sociedade como um todo. 

Dessa forma, os modelos de negócios precisaram se reinventar, buscando soluções inovadoras para reduzir impactos ambientais, garantindo uma utilização mais inteligente e estratégica de recursos naturais. Além disso, empresas vêm investindo em recursos de natureza socioeconômica na intenção de um maior aproveitamento de matéria-prima e redução de gastos. Surge, assim, a sustentabilidade corporativa, conceito que propõe ajustar os modelos de negócios das organizações para que se mantenham competitivas no cenário atual. 

Qual o objetivo da sustentabilidade corporativa?  

A sustentabilidade corporativa torna os processos mais dinâmicos a fim de otimizar o uso de recursos, sejam naturais como também humanos. Isso, para que as organizações tornem-se mais relevantes, lucrativas e eficientes levando em consideração o impacto socioambiental causado pelas atividades realizadas.

A iniciativa mostra-se uma ferramenta importante para o sucesso das organizações, porque ajuda não somente a reduzir impactos ambientais, mas também custos de produção, assim como atrair investimentos de interesse social, geração de valor socioeconômico para o negócio e atrair e motivar talentos. Pesquisas mostram que as pessoas tendem a querer cada vez mais comprar de empresas que se mostraram interessadas em incorporar a sustentabilidade corporativa na cultura organizacional. 

Outro ponto importante que circunda ações de sustentabilidade corporativa é o marketing social positivo que a pauta gera em torno do negócio. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos em parceria com Instituto Ayrton Senna, ESPM e Cause revelou que 78% dos brasileiros esperam que as empresas de hoje invistam mais em causas do que costumava-se investir no passado. Outro dado da pesquisa aponta que 84% das pessoas se dizem totalmente favoráveis ao marketing de causa e que isso, inclusive, ajuda a fortalecer as ações que estão em pauta. Para que uma empresa seja considerada “cidadã”, deve em primeiro lugar, adotar iniciativas que contribuem para reduzir impacto socioambiental.

Sustentabilidade corporativa e ESG  

O termo ESG, do inglês Environmental, Social and Governance, diz respeito ao conjunto de práticas e informações socioambientais e de governança que apoiam a tomada de decisão nas organizações para orientar investimentos, ações e projetos priorizando a sustentabilidade corporativa.

Nesse contexto, a sustentabilidade corporativa engloba uma variedade de iniciativas que vão de valor compartilhado, relatórios de sustentabilidade até o ESG. A integração de questões ambientais, sociais e de governança na rotina organizacional é indispensável para investimentos do mercado financeiro. 

Saber comunicar-se com o mercado e parceiros estratégicos que possam ser relevantes para o seu negócio é de extrema relevância. Isso porque, seu negócio se mostra inovador e atento às necessidades do mercado. 

Como tornar-se uma empresa sustentável?  

Existem inúmeras formas práticas para implementar a sustentabilidade corporativa em seu negócio. Lembre-se que o grande objetivo é conscientizar os colaboradores e consumidores de seus produtos ou serviços a respeito do assunto. Sem deixar de pensar em quais ações sua empresa vem tomando para que seja de fato considerada sustentável.

  1. Transparência: Esse é um fator chave e discutido em diversos espectros da empresa.  É importante que a empresa seja sincera não só com o consumidor, mas também com seus funcionários. Segundo Carlo Pereira, diretor-executivo da Rede Brasil do Pacto Global, “Hoje, não há mais espaço para greenwashing, aquela maquiagem de sustentabilidade em que a empresa tem um discurso que finge que se importa com essas questões e na prática é diferente”.
  2. Invista em parceiros estratégicos: Nem sempre seu negócio terá como resolver todos os problemas envolvendo o ambiente ao seu redor, mas inúmeros projetos, iniciativas, associações, organizações já fazem esse importante trabalho! Portanto, vale pensar na possibilidade de investir parte dos recursos da empresa em projetos de impacto socioambiental.
  3. Alinhe sua empresa aos ODS: para alinhar sua empresa aos ODS, deve começar tornando a sua empresa uma signatária do Pacto Global. Para isso, acesse o site oficial da ONU, procure escritórios próximos e assine um termo de compromisso sobre a Agenda 2030, confirmando que a sua empresa está disposta a colaborar com os ODS.
  4. Ecoeficiência: Diminua a quantidade de recursos utilizados na linha de produção, isso reduzirá custos desnecessários, assim como o direcionamento adequado de  dejetos e melhor aproveitamento de matéria prima.
  5. Invista em conhecimento:  Adote a cultura ecofriendly, e incentive colaboradores e parceiros a adotarem práticas sustentáveis, estimulando a sustentabilidade em toda a cadeia de consumo.

Assista o Webinar Modelos de Negócios na Economia Sustentável com base no ESG, em que conversei com Beatriz Arbex sobre boas práticas ESG nos negócios e o movimento que não é apenas uma tendência, mas uma nova realidade. 

 

Deixe seus comentários e suas impressões e experiências vividas neste campo do conhecimento.

 

 

Responsabilidade Social Corporativa

Responsabilidade Social Corporativa: papel das organizações no impacto do seu entorno

Quanto mais refletimos a respeito das novas complexidades dos negócios, novas tecnologias e competitividade do mercado, mais o tema Responsabilidade Social Corporativa (RSC) deve ser evidenciado. Afinal, não se trata apenas de uma iniciativa importante para o desenvolvimento dos negócios, mas também uma maneira de estabelecer relações de maior valor com os principais stakeholders

A questão influencia inclusive na imagem da organização diante do consumidor final. Um estudo da Capgemini Research Institute revela que 79% dos consumidores têm como critério para suas compras a responsabilidade social, inclusão e impacto ambiental das marcas. 

Outro estudo elaborado pela Nielsen aponta que, cada vez mais, os consumidores da chamada geração Z realizam atividades que se preocupam com questões socioambientais no dia a dia. Além, claro, esperam que seus fornecedores também demonstrem preocupação com o futuro.

É a capacidade de uma empresa e suas lideranças adaptarem-se às complexidades do mundo que permitirá o sucesso a médio e longo prazo. Ou seja, um negócio que não está atento às crescentes disparidades sociais no entorno da sua região de atuação, ou não compreende o compromisso que deve assumir com a sociedade, tende a não sobreviver no mercado.

Responsabilidade Social Corporativa: o S em ESG 

Falar em Responsabilidade Social Corporativa está alinhado a um assunto que vem ganhando destaque nos últimos tempos: ESG. Contextualizando, essas três letras representam as palavras: Environmental, Social e Corporate Governance traduzindo para o português Ambiental, Social e Governança.

Compreendendo que todo tipo de negócio gera algum tipo de impacto ao seu redor, o ESG coloca em foco os três assuntos da sigla para que as organizações se preocupem em gerar impacto positivo — ou atue de forma que os impactos negativos sejam mitigados ao máximo. A iniciativa está diretamente associada ao sucesso dos negócios. 

A seguir, entenda melhor sobre o conceito de Responsabilidade Social Corporativa. 

Entenda o que é Responsabilidade Social Corporativa

O conceito de Responsabilidade Social Corporativa é bastante complexo e variado, podendo agregar significados diferentes dependendo do contexto. De qualquer forma, precisamos compreender que o tema perpassa por diversas questões:

  • Relações entre clientes e fornecedores; 
  • Satisfação com o usuário;
  • Desenvolvimento da comunidade ao entorno; 
  • Investimento em tecnologia;
  • Não discriminação de gêneros, raça, preferências sexuais, religiosas, dentro outros; 
  • Desenvolvimento profissional. 

E a lista segue. E quanto maior a preocupação de uma organização com relação aos assuntos ligados à Responsabilidade Social Corporativa, mais maturidade a empresa demonstra com relação a temas importantes ligados à sustentabilidade socioambiental. Isso porque, representa que se compreende o compromisso com a ideia de organização como conjunto de pessoas que interagem com a sociedade. Podemos dizer, assim, que a Responsabilidade Social Corporativa está estritamente ligada ao tipo de relacionamento que uma organização possui com os seus interlocutores.  

Sendo assim, a organização assume a responsabilidade com todas as pessoas envolvidas e impactadas de alguma forma com o negócio, e, consciente do seu papel, adota uma postura com maior responsabilidade social em todas as suas ações e na própria cultura organizacional.

Importante ressaltar também que a Responsabilidade Social Corporativa ocorre apenas quando tais medidas geram impacto direto na receita e resultados da empresa como um todo. 

Por que sua organização deve se comprometer com a Responsabilidade Social Corporativa 

Compreendendo o envolvimento que diferentes partes possuem em uma empresa bem sucedida, preocupar-se com a responsabilidade social tanto no âmbito interno de seu negócio, quanto no externo é o que gera a sinergia necessária para seu desempenho, regional e global. Além do fato do compromisso com o tema atender diferentes necessidades de todas as pessoas envolvidas e impactadas pela empresa.

Comprometer-se com a responsabilidade social auxilia nas métricas e princípios do ESG. Como vivemos em um mundo globalizado e articulado, adotar as práticas de ESG significa contribuir com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pela ONU.

A longo prazo, um empreendedor que está atento a esses assuntos garante a continuidade e sustentabilidade de seu próprio negócio, assim como impacta positivamente a sociedade como um todo. 

Princípios básicos para adotar a Responsabilidade Social Corporativa

Primeiramente falemos da transparência. Ela é a base de toda empresa, em qualquer segmento, quando falamos em responsabilidade corporativa. As partes impactadas pelo seu negócio terem acesso à informação é essencial para a sustentabilidade de qualquer negócio.

Nesse caso, a comunicação clara e assertiva faz-se necessário tanto externamente, para que o mundo ao redor saiba o que vem sendo feito, quanto internamente com os colaboradores, para que todos sintam-se parte de todo impacto positivo gerado pela organização. 

Outro fator, bastante similar à transparência e de extrema importância é a verificabilidade. Isso significa que a empresa, ao ser auditada por qualquer cidadão, governo ou possível investidor, conseguirá comprovar suas atuações socialmente responsáveis. 

A Responsabilidade Social Corporativa tem a ver, também, com estabelecida imagem e o reconhecimento da natureza social das organizações como valor que prevalece sobre qualquer outra consideração do tipo econômico ou técnico.

Além disso, está diretamente ligada à ideia de uma gestão participativa que procura melhoria contínua. Dessa forma, comprova-se que o negócio se constrói preocupando-se em assegurar a viabilidade do projeto empresarial a longo prazo, promovendo uma relação simbólica com o entorno social e com o meio ambiente.

Segundo o economista Jacques Demajorovic, “A noção de desenvolvimento sustentável implica a necessária redefinição das relações sociedade humana-natureza e, portanto, em uma mudança substancial do próprio processo civilizatório”. 

E os benefícios para a sociedade quando as empresas passam a adotar a Responsabilidade Social Corporativa são inúmeros. E os benefícios para a própria empresa, também são vários: 

  • O assunto atrai cada vez mais investidores, clientes e colaboradores; afinal, a empresa passa a ser vista como ‘cidadã’; 
  • Competitivamente, o negócio preocupado com tais questões sai na frente de seus concorrentes, uma vez que além de tudo, a responsabilidade gera mais sustentabilidade para uma marca;
  • Contribuição para redução do impacto socioambiental, reforçando o compromisso com a sociedade e gerando ainda mais credibilidade aos negócios.

Compartilhe sua opinião sobre o tema nos comentários e participe do debate! 

 

Confiança E Protagonismo

Confiança e protagonismo: importância da autonomia nas relações de trabalho

Um bom líder, além de estar atento às necessidades do mercado e manter-se atualizado, deve inspirar confiança aos colaboradores e garantir que as relações de trabalho sejam saudáveis em uma via de mão dupla. O que compreende dar autonomia aos liderados, garantindo que todos tenham capacidade para tomar iniciativas e serem responsáveis pelos acertos e erros. 

Diariamente somos surpreendidos por novas tecnologias e automações em nosso trabalho. Diante de um cenário de incertezas, cada empresa busca compreender qual é  a melhor forma de atuação. Algumas já adotaram um modelo híbrido, outras pensam em  nunca mais voltar ao trabalho presencial.

Independente do que seja decidido por cada empresa, uma coisa é certa: é preciso entender o que fará com que a equipe, líder e liderados, se conectem. Garantindo engajamento, produtividade aliados à saúde do time e promovendo empatia organizacional.

Como garantir autonomia nas relações de trabalho? 

Microgerenciamento e autonomia são palavras que caminham em sentidos completamente opostos, ainda mais no universo corporativo. Pelo contrário, a microgestão é colocada de lado para dar espaço a um modelo de liderança que inspira a criatividade e motiva a inovação

De maneira bem aplicada e através de métodos específicos — tais como as metodologias ágeis, por exemplo — garantem que, mesmo em momentos de exceção, a cultura organizacional inovadora e independência dos liderados sejam fortalecidas.

Aprenda mais a respeito de novos métodos de liderança, clicando aqui

Importante ressaltar que a autonomia e a confiança são aspectos que precisam ser desenvolvidos com o tempo e apenas o bom exemplo vindo dos líderes não é o suficiente. É necessário garantir que os liderados sintam-se preparados para assumir responsabilidades. E, no sentido contrário, que os líderes confiem nos liderados. 

Para tanto, o aprendizado contínuo precisa ser estimulado em sua empresa. Uma pesquisa realizada pelo Linkedin aponta que o principal motivo pelo qual os funcionários se desestimulam com seus trabalhos é pela falta de tempo e espaço para aprender e se desenvolver. 

De acordo com a pesquisa, funcionários que tiram tempo no trabalho para aprender ficam 47% menos estressados, 39% sentem-se mais produtivos e bem-sucedidos, 23% aceitam e sentem-se prontos para abraçar mais responsabilidades e 21% responderam sentirem-se mais confiantes e felizes. 

Mantenha a comunicação fluida

Apesar do futuro do trabalho ser tecnológico, na era digital são as habilidades humanas o grande diferencial de organizações inovadoras. A boa comunicação é uma delas. E quando falamos de comunicação aqui, estamos ressaltando não apenas a capacidade de falar de maneira coesa e clara, mas também de escutar ativamente. 

Uma comunicação fluida possui alguns pilares, dentre eles: clareza, empatia, verdade e transparência. De um lado, gestores que saibam como se posicionar de outro, colaboradores que sintam-se motivados para expor seus objetivos, pontos e incomodações.

Os métodos ágeis facilitam nesse aspecto também. Métodos como o Scrum e OKRs ajudam a garantir que todos estejam na mesma página e que todos saibam quais são suas responsabilidades. Além de manter espaços de fala e escuta, feedbacks e alinhamentos entre todos os times.  

Outro ponto de atenção na comunicação diz respeito à vulnerabilidade. Esses últimos tempos têm demonstrado a necessidade de compreensão do que acontece na vida das pessoas “fora do trabalho”. Se um colaborador não está em um momento da vida pessoal fácil, isso certamente se refletirá no trabalho. 

Uma empresa que se preocupa em inovar, crescer e formar bons líderes, compreende que essas situações são factíveis, normalizando, assim, a vulnerabilidade. Esse movimento ajuda a garantir a confiança entre líderes, liderados e times, pelo simples fato de mostrar-se humano e compreensível. 

O grande valor das competências humanas 

Em meio a tantas transformações tecnológicas e inovações, a parte que mais se destaca em um bom líder e mantém a saúde do negócio são as competências humanas. 

A hiperconexão e os modelos híbridos de trabalho exigem cada vez mais transparência e honestidade nas relações de trabalho. Junto a isso, destaca-se alguns pontos que precisam ser comentados:

  • Inteligência emocional
  • empatia
  • espírito de liderança
  • capacidade de experimentação
  • comunidade
  • colaboração
  • criatividade
  • mindfulness
  • criatividade 

Estar atento às novas tendências é o que assegura o sucesso de uma organização. Assim, a jornada de transformação torna-se parte da cultura organizacional e, consequentemente, permeia as relações de trabalho.

 

Complexidade

As complexidades do mundo e a nova fronteira humana

A complexidade é um campo de estudos relativamente recente do conhecimento humano. Basicamente, ele busca prever como determinados sistemas, com características muito especiais, se comportam. O avanço das tecnologias, cada vez mais veloz na sociedade de informação em que vivemos, torna as redes cada vez mais conectadas o que, já há algum tempo, vem alterando lógicas culturais e estruturais para além das fronteiras de países.

Nesse contexto, a pandemia global da Covid-19 e seus impactos deixaram expostos ainda mais as fragilidades socioculturais e, claro, as estruturas empresariais que precisam correr contra o tempo para se adaptarem. Além disso, tem estado, também, cada vez mais evidente o poder dos indivíduos em transformar os desafios do mundo contemporâneo em oportunidades de crescimento, através de quatro unidades mínimas de transformação.

Tais unidades sugerem que é necessário cada indivíduo compreender sistemicamente o novo mundo cada vez mais complexo em que vivemos, buscar proativamente por novos desafios, coragem e humildade para aprender com as dificuldades e, por fim, assumir um compromisso com o protagonismo em relação às mudanças que queremos ver no mundo.

O que significa complexidade?

O termo complexidade tem sido estudado e é denominado de diferentes maneiras: por vezes é chamado de teoria da complexidade, ou estudos de sistemas dinâmicos, ou sistemas adaptativos complexos ou ciência da complexidade. 

Fundamenta-se numa visão interdisciplinar que pode ser aplicada ao comportamento vindo de muitos sistemas, tais como sistemas complexos adaptativos, ou no estudo dos sistemas em rede e sua complexidade. De acordo com Edgar Morin, a complexidade e suas implicações são as bases do pensamento complexo que enxerga o mundo como um todo inseparável e a partir da abordagem multidisciplinar, constrói o conhecimento.

Para o mundo dos negócios, é necessário compreender a equivalência entre tudo isso, junto ao processo da evolução humana, frente às novas tecnologias. Ou seja, transformar fatores e fenômenos inesperados em algo melhor do que era antes — semelhante ao que o conceito de inovação sugere também.

Comprovando, assim, que a sua empresa possui um sistema que, apesar de complexo, é adaptativo, conectado e diverso. Assumindo papéis transformadores e ativos perante às transformações da sociedade. É importante ressaltar que uma pequena mudança de atitude ou posicionamento pode provocar alterações profundas conforme o negócio ou o sistema evolui.

A proposta da complexidade é a abordagem transdisciplinar dos fenômenos, e a mudança de paradigma, abandonando o reducionismo que tem pautado a investigação científica em todos os campos, e dando lugar à criatividade e ao caos.

Transitamos entre um mundo complicado que exige especialistas para um mundo complexo que exige experiência. 

Em 1999, Dave Snowden, então empregado da IBM, criou um modelo denominado CYNEFIN, para ajudar líderes a compreender melhor o ambiente organizacional de que faziam parte e, assim, tomar decisões mais apropriadas.

Baseia-se no contexto predominante em cada ambiente, por meio da natureza da relação entre causa e efeito dos eventos que ali ocorrem. Com base nisso, Dave Snowden identificou quatro tipos diferentes de contextos: Simples; Complicado, Complexo e Caótico. 

O ambiente SIMPLES é caracterizado pela estabilidade. Os problemas são conhecidos por todos, bem como a relação entre causa e efeito. Aqui a dificuldade é categorizar o evento e escolher a resposta apropriada, com base em documentos, procedimentos e manuais de boas práticas.

No contexto COMPLICADO, as causas também são conhecidas, mas a dificuldade é encontrar a melhor solução, devido à necessidade de uma análise mais aprofundada. Neste cenário, aparece o trabalho dos especialistas, ajudando na busca pelas melhores respostas para cada situação. Diferente do contexto simples, onde sempre há uma única solução para cada problema, aqui podem existir várias.

Quando se trata do COMPLEXO, este ambiente é caracterizado pela imprevisibilidade, em que as causas são conhecidas, mas não se conhecem os efeitos oriundos das soluções escolhidas. Esses efeitos começam a ser percebidos ao longo do caminho e, por isso, a necessidade do uso de metodologias e padrões que priorizem o aprendizado por meio da experimentação e a rápida resposta a mudanças.

E por fim, mas não menos importante, tem o ambiente CAÓTICO, onde a palavra de ordem é a sobrevivência. Nesse contexto é impossível determinar qualquer relação entre causa e efeito, simplesmente porque ela muda constantemente, e qualquer busca por padrões e respostas corretas é inútil. A ordem aqui é primeiramente agir e tentar sair da situação caótica do ambiente. 

O autor da Teoria U, C. Otto Scharmer, em uma palestra, comentou:

  • “Você não pode entender um sistema a menos que o altere.” (K.Lewin)
  • “Você não pode mudar um sistema a menos que você transforme a consciência.” (Teoria U – Otto Scharmer)
  • “Você não pode transformar a consciência a menos que faça um sistema ver e sentir a si mesmo.” (Teoria U) e, 
  • “Para fazer tudo isso, precisamos ser o sistema.” (Urubici Pataxó)

Isso resume bem sobre a importância do entendimento dos sistemas complexos no nosso dia a dia e como, mesmo sem perceber, somos adaptativos a essas diferentes situações. 

Como uma empresa pode assumir posição transformadora?

Falamos da era da informação logo no início do artigo, e isso se reflete aqui, principalmente quando falamos de adaptação a realidades diferentes e fluidas. Primeiramente, partimos da ideia de que a liderança da empresa precisa ser cada vez mais humanizada, assumindo riscos em contextos incertos. Para além disso, deve colocar sua equipe como centro das prioridades, compreendendo que abraçar a diversidade e o propósito fomentam ainda mais a aprendizagem dentro do time.

Outro ponto bastante importante a ser ressaltado tem a ver com a preocupação com a saúde mental, tanto de colaboradores quanto de clientes ou gestores. Compreender que situações de extrema adversidades tornam as pessoas cada vez mais vulneráveis. Compreender e normalizar esse fator, é colocar sua equipe no centro.

Não existe mais espaço, também, para empresas e modelos de negócios que não pensam a respeito de seus indicadores e o verdadeiro significado que eles possuem. Saber cruzar

informações de forma que o lucro e impacto se correlacionem, por exemplo. Isso demonstra que a empresa e seus líderes estão atentos ao que o mundo exige quando se fala de mudança e a complexidade exigida pela sociedade.

Conversei justamente sobre esse tema durante o Webinar com André Bello — Co-fundador e conselheiro do Singularity University Brazil Summit e membro do Conselho GAME XP Innovator. Clique no vídeo abaixo e assista.

Responsabilidade Social Corporativa

Responsabilidade Social Corporativa: papel das organizações no impacto do seu entorno

Quanto mais refletimos a respeito das novas complexidades dos negócios, novas tecnologias e competitividade do mercado, mais o tema Responsabilidade Social Corporativa (RSC) deve ser evidenciado. Afinal, não se trata apenas de uma iniciativa importante para o desenvolvimento dos negócios, mas também uma maneira de estabelecer relações de maior valor com os principais stakeholders

A questão influencia inclusive na imagem da organização diante do consumidor final. Um estudo da Capgemini Research Institute revela que 79% dos consumidores têm como critério para suas compras a responsabilidade social, inclusão e impacto ambiental das marcas. 

Outro estudo elaborado pela Nielsen aponta que, cada vez mais, os consumidores da chamada geração Z realizam atividades que se preocupam com questões socioambientais no dia a dia. Além, claro, esperam que seus fornecedores também demonstrem preocupação com o futuro.

É a capacidade de uma empresa e suas lideranças adaptarem-se às complexidades do mundo que permitirá o sucesso a médio e longo prazo. Ou seja, um negócio que não está atento às crescentes disparidades sociais no entorno da sua região de atuação, ou não compreende o compromisso que deve assumir com a sociedade, tende a não sobreviver no mercado.

Responsabilidade Social Corporativa: o S em ESG 

Falar em Responsabilidade Social Corporativa está alinhado a um assunto que vem ganhando destaque nos últimos tempos: ESG. Contextualizando, essas três letras representam as palavras: Environmental, Social e Corporate Governance traduzindo para o português Ambiental, Social e Governança.

Compreendendo que todo tipo de negócio gera algum tipo de impacto ao seu redor, o ESG coloca em foco os três assuntos da sigla para que as organizações se preocupem em gerar impacto positivo — ou atue de forma que os impactos negativos sejam mitigados ao máximo. A iniciativa está diretamente associada ao sucesso dos negócios. 

A seguir, entenda melhor sobre o conceito de Responsabilidade Social Corporativa. 

Entenda o que é Responsabilidade Social Corporativa

O conceito de Responsabilidade Social Corporativa é bastante complexo e variado, podendo agregar significados diferentes dependendo do contexto. De qualquer forma, precisamos compreender que o tema perpassa por diversas questões:

  • Relações entre clientes e fornecedores; 
  • Satisfação com o usuário;
  • Desenvolvimento da comunidade ao entorno; 
  • Investimento em tecnologia;
  • Não discriminação de gêneros, raça, preferências sexuais, religiosas, dentro outros; 
  • Desenvolvimento profissional. 

E a lista segue. E quanto maior a preocupação de uma organização com relação aos assuntos ligados à Responsabilidade Social Corporativa, mais maturidade a empresa demonstra com relação a temas importantes ligados à sustentabilidade socioambiental. Isso porque, representa que se compreende o compromisso com a ideia de organização como conjunto de pessoas que interagem com a sociedade. Podemos dizer, assim, que a Responsabilidade Social Corporativa está estritamente ligada ao tipo de relacionamento que uma organização possui com os seus interlocutores.  

Sendo assim, a organização assume a responsabilidade com todas as pessoas envolvidas e impactadas de alguma forma com o negócio, e, consciente do seu papel, adota uma postura com maior responsabilidade social em todas as suas ações e na própria cultura organizacional.

Importante ressaltar também que a Responsabilidade Social Corporativa ocorre apenas quando tais medidas geram impacto direto na receita e resultados da empresa como um todo. 

Por que sua organização deve se comprometer com a Responsabilidade Social Corporativa 

Compreendendo o envolvimento que diferentes partes possuem em uma empresa bem sucedida, preocupar-se com a responsabilidade social tanto no âmbito interno de seu negócio, quanto no externo é o que gera a sinergia necessária para seu desempenho, regional e global. Além do fato do compromisso com o tema atender diferentes necessidades de todas as pessoas envolvidas e impactadas pela empresa.

Comprometer-se com a responsabilidade social auxilia nas métricas e princípios do ESG. Como vivemos em um mundo globalizado e articulado, adotar as práticas de ESG significa contribuir com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pela ONU.

A longo prazo, um empreendedor que está atento a esses assuntos garante a continuidade e sustentabilidade de seu próprio negócio, assim como impacta positivamente a sociedade como um todo. 

Princípios básicos para adotar a Responsabilidade Social Corporativa

Primeiramente falemos da transparência. Ela é a base de toda empresa, em qualquer segmento, quando falamos em responsabilidade corporativa. As partes impactadas pelo seu negócio terem acesso à informação é essencial para a sustentabilidade de qualquer negócio.

Nesse caso, a comunicação clara e assertiva faz-se necessário tanto externamente, para que o mundo ao redor saiba o que vem sendo feito, quanto internamente com os colaboradores, para que todos sintam-se parte de todo impacto positivo gerado pela organização. 

Outro fator, bastante similar à transparência e de extrema importância é a verificabilidade. Isso significa que a empresa, ao ser auditada por qualquer cidadão, governo ou possível investidor, conseguirá comprovar suas atuações socialmente responsáveis. 

A Responsabilidade Social Corporativa tem a ver, também, com estabelecida imagem e o reconhecimento da natureza social das organizações como valor que prevalece sobre qualquer outra consideração do tipo econômico ou técnico.

Além disso, está diretamente ligada à ideia de uma gestão participativa que procura melhoria contínua. Dessa forma, comprova-se que o negócio se constrói preocupando-se em assegurar a viabilidade do projeto empresarial a longo prazo, promovendo uma relação simbólica com o entorno social e com o meio ambiente.

Segundo o economista Jacques Demajorovic, “A noção de desenvolvimento sustentável implica a necessária redefinição das relações sociedade humana-natureza e, portanto, em uma mudança substancial do próprio processo civilizatório”. 

E os benefícios para a sociedade quando as empresas passam a adotar a Responsabilidade Social Corporativa são inúmeros. E os benefícios para a própria empresa, também são vários: 

  • O assunto atrai cada vez mais investidores, clientes e colaboradores; afinal, a empresa passa a ser vista como ‘cidadã’; 
  • Competitivamente, o negócio preocupado com tais questões sai na frente de seus concorrentes, uma vez que além de tudo, a responsabilidade gera mais sustentabilidade para uma marca;
  • Contribuição para redução do impacto socioambiental, reforçando o compromisso com a sociedade e gerando ainda mais credibilidade aos negócios.

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