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Como a inovação aberta se conecta com a metodologia Lean Startup?

Se antes os empreendedores seguiam uma fórmula padronizada para o lançamento de novos negócios, atualmente, é possível perceber um movimento diferente no mercado. A metodologia Lean Startup chega com a proposta de equilibrar e diminuir os riscos e desperdícios, de qualquer natureza, na criação de uma empresa ou modelo de negócio. lea

Organizações inovadoras que buscam integrar boas práticas de gestão com foco na eficiência, a exemplo das Startups, aderem ao movimento Lean. Isso se deve ao fato da metodologia Lean Startup ser considerada uma abordagem com capacidade de transformar profundamente empresas de qualquer setor para que consigam se reinventar e se adaptar em tempos de mudanças exponenciais, promovendo a inovação contínua. 

Em "Por que o movimento lean startup muda tudo", Steve Blank, contextualiza o antes e depois da metodologia. Em um processo tradicional, há, de antemão, um plano de negócios, uma apresentação da ideia para os investidores, a estruturação da equipe, sobretudo da equipe de inovação, o lançamento de um produto e, por fim, um esforço final e gigantesco em sua venda. Tudo isso, sem nenhuma garantia de sucesso. 

Companhias e empresas com diferentes modelos de negócios tem tentado transformar suas formas de atuação, buscando acompanhar o ritmo de mudanças que o mercado vem exigindo. Essa não é uma tarefa fácil, mas com adaptações primordiais pode-se alcançar mudanças de pensamentos tornando os negócios cada vez mais velozes e adaptáveis em um contexto complexo e de incertezas. 

Com a metodologia Lean Startup, passa-se a enfatizar o padrão de gerar negócios adotado por Startups, que consiste em fazer de uma forma enxuta aquilo que é necessário sem desperdício de recursos.

O que é a metodologia Lean Startup?

Identificar problemas e saber como resolvê-los é a premissa da metodologia Lean Startup. O objetivo é, acima de tudo, promover mais eficácia, otimizar custos, reduzir desperdícios com entregas a curto prazo. A metodologia foi baseada no "Lean Thinking", que é um framework mental que busca pensar nos recursos de maneira eficiente e orientada. Potencializando, assim, os resultados a partir de melhorias contínuas. 

A metodologia Lean Startup vai ao encontro da experimentação, da opinião do cliente e de projetos interativos. Isso significa tirar de cena os planejamentos robustos e pormenorizados e a concepção de que, desde o começo, o ponto de partida deve estar ancorado em um produto pronto. 

Por isso mesmo, em contrapartida ao pensamento tradicional, é que se passa a trabalhar com os MVPs, ou os produtos mínimos viáveis, ou seja, com a necessidade de “pivotar”. Incluindo novos processos, tecnologias, e, principalmente, a mentalidade de trabalho da organização e do time.

Princípios da metodologia  Startup Enxuta

No livro A Startup Enxuta, Eric Ries explica que a Lean Startup, ou startup enxuta, tem origem na revolução ocasionada pela manufatura enxuta, um sistema desenvolvido na Toyota conduzido por Taiichi Ohno e Shigeo Shingo. Além disso, o pensamento enxuto tem impactado drasticamente tanto os sistemas de produção quanto as cadeias de suprimento. 

Entre os princípios do lean, estão: 

O autor afirma que o lean é o responsável por apresentar ao mundo que há uma distinção entre as atividades criadoras de valor e desperdício. A metodologia faz com que todos possam analisar sua própria produtividade por uma ótica diferente. Por exemplo, quando se desenvolve algo que ninguém realmente deseja e, por isso, pouco importa se está dentro do orçamento e do prazo pré-estabelecido.

A metodologia Lean Startup é, acima de tudo, uma forma de alcançar o principal objetivo das startups: descobrir, no menor tempo e com maior velocidade possível, qual o produto certo em que se deverá empregar esforços e investimentos. Em outras palavras, o produto que o público deseja e, sendo assim, pagará por ele.

Conexão entre lean startup e inovação aberta


Assim como o lean, a inovação aberta também oferece uma promessa de menor desperdício, redução de tempo e mais agilidade para fazer com que as ideias cheguem ao mercado. A inovação aberta promove a busca de fora do ambiente organizacional por soluções inovadoras para aperfeiçoar os processos internos.

Derivando do caminho “de fora para dentro”, fazendo parcerias ou a partir da colaboração com agentes externos, é possível, como alguns autores chamam: “começar no meio” e não no início.

A metodologia Lean Startup contribui para os processos de inovação aberta porque, como aponta Steve Blank, faz com que as startups parem de agir “na surdina”. Antes, o medo de potenciais concorrentes para uma oportunidade de mercado impedia que ocorresse um verdadeiro processo de feedback entre a empresa e o cliente. Hoje, com a adoção da metodologia lean startup, entende-se que esse processo de feedback é mais valioso do que uma exposição cadenciada e sigilosa.

Esse começar pelo meio, na verdade, quer dizer que a startup ou o inovador pode fazer uso daquilo que já foi desenvolvido e, inclusive, demonstrado por um parceiro-colaborador, em vez de simplesmente começar do zero. Assim, não é preciso reinventar a roda, ou aquilo que existe, é mais “lean” utilizar inovações bem sucedidas.

Nesse contexto, a inovação aberta é um meio para obter soluções mais rapidamente, acelerando o tempo de lançamento de mercado e fazendo com que as startups possam ter acesso ao conhecimento de especialistas que estão em outras organizações e instituições.

Obtendo, dessa forma, a validação do produto e mercado, o compartilhamento de riscos e a soma de expertises. Somando as práticas e processos da inovação aberta com a metodologia lean, há um grande terreno a ser conquistado no que diz respeito a inovar rápido e sem desperdícios.

Um ponto importante é que Lean Startup e inovação aberta não estão restritas ao âmbito da tecnologia, apesar de suas origens. São abordagens que têm sido implementadas por organizações dos mais variados portes e segmentos e transformado a forma como se inova.

Quer saber mais sobre como a inovação aberta e a metodologia Lean Startup se conectam ou ficou com alguma dúvida?

Entre em contato conosco e aproveite para deixar seu comentário e compartilhar suas impressões e perguntas.

 

Organizacao Inovadora

O que as organizações inovadoras têm em comum? Conheça casos reais

A criação de valor de muitos negócios tem como base a inovação. É o que afirma Rodolfo Barrueco, empresário e especialista em inovação e tecnologia. Com a pandemia do novo coronavírus, vimos muitos negócios acelerando a transformação digital e a inovação, fazendo com que as empresas desafiassem diversos conceitos pré-estabelecidos pelo próprio mercado em seus nichos de atuação. É preciso inovar para garantir o futuro. Mas, afinal, qual é o ponto em comum das organizações inovadoras?

A China, por exemplo, já tinha a pauta de inovação presente em muitos setores de negócios. Há diversos modelos de negócios que ainda estão sendo discutidos ao redor do mundo que já estão maduros por lá, como explica o especialista. O que faz com que a oferta de inovação tenha sido ainda mais intensificada. Entre cases de sucesso, temos a Beike, plataforma on-line de locação imobiliária, que oferece um tour virtual com o auxílio de realidade virtual. Durante a pandemia, foram mais de 10 milhões de exibições de propriedades por meio dessa tecnologia para potenciais compradores.

Também há outro caso de destaque, o da plataforma de recrutamento Veryeast.cn. Durante o período de isolamento, a plataforma permitiu que empresas de turismo, que foram bastante impactadas pelo cenário da pandemia, compartilhassem temporariamente seus funcionários com outras organizações, principalmente com aquelas que tiveram um crescimento considerável a partir das necessidades geradas pelo contexto, como as do setor de logística. Fazendo com que, por um lado, houvesse redução de custos e, para as outras empresas, tivesse um ganho com profissionais qualificados e que agregam com novos conhecimentos.

Com tudo isso, vemos surgir outro ponto em comum nas organizações inovadoras. Elas estão abertas para a inovação. Ou seja, muitas têm optado pela inovação aberta, adotando uma abordagem colaborativa e somando os pontos fortes de todos envolvidos para inovar e crescer.

Inovação aberta e organizações inovadoras

Linus Dahlander e Martin Wallin, professores com foco em inovação, apontam a inovação aberta como um movimento dos últimos tempos, em que as empresas passaram a se unir para trabalhar em conjunto, priorizando a criação de valor acima de tudo. Como exemplo recente, durante a pandemia do novo coronavírus, a Siemens, multinacional alemã, abriu sua Rede de Fabricação de Aditivos para quem precisasse de auxílio em projetos de dispositivos médicos.

Já a Scania e o Hospital Universitário de Karolinska, na Suécia, estabeleceram uma parceria para converter reboques em estações de testes móveis, além de direcionar profissionais para localizar, adquirir e entregar equipamentos de proteção individual para profissionais da saúde. Nesses casos, a inovação aberta e a colaboração podem, sim, salvar vidas, e também agregar muito valor para as empresas.

As organizações inovadoras e a inovação aberta possuem um relacionamento com um imenso potencial, independentemente do cenário. A inovação aberta é capaz de ampliar o espaço para que a criação de valor ocorra, com novos parceiros e habilidades complementares ou, ainda, com a descoberta de um potencial oculto de parcerias de negócios.

Quando pensamos em uma crise, como a que estamos passando em 2020 e neste início de 2021, a inovação aberta pode atuar como suporte para as empresas encontrarem formas de solucionar problemas urgentes e, paralelamente, construírem parcerias para colaborações futuras. É uma maneira de fazer com que surjam relacionamentos de confiança que perdurem e que proporcionem trocas estratégicas entre ambos em tempos futuros.

Organizações inovadoras: uma nova realidade

Em "Innovation in a crisis: Why it is more critical than ever", Jordan Bar Am, Laura Furstenthal, Felicitas Jorge e Erik Roth afirmam que priorizar a inovação nos tempos atuais é a chave para desbloquear um movimento de crescimento em um amanhã do pós-crise. Em sua pesquisa, os especialistas constataram que há ações extremamente estratégicas a serem tomadas:

  • adaptação do núcleo para atender mudanças que ocorreram nas necessidades dos clientes;
  • identificação e abordagem rápida de novas áreas de oportunidade que foram criadas em decorrência do cenário de mudança;
  • reavaliação do portfólio de inovação para assegurar a alocação de recursos da melhor forma;
  • construção da base para um crescimento no pós-crise, garantindo a competitividade quando houver um período de recuperação.

Já, no Brasil, observamos empresas que estão tomando os caminhos indicados pelos especialistas e se tornando referência no quesito organizações inovadoras. Em decorrência das demandas surgidas com a pandemia, elas têm acelerado processos e projetos de inovação. Uma lista recente da Forbes trouxe algumas daquelas que têm se destacado, como, por exemplo:

  • Magazine Luiza: grande adepta da digitalização do varejo, a Magazine Luiza anunciou em outubro a aquisição de uma plataforma de cursos voltados para e-commerce e performance digital, a ComSchool. Também adquiriu as startups AiQFome, HubSales e Stoq, assim como a Inloco e o Canaltech. Investe na projeção e exercícios de cenários futuros, tendo como base o Luizalabs, laboratório de tecnologia e inovação da empresa. Foi bastante ágil no início da pandemia, lançando rapidamente o Parceiro Magalu, permitindo que varejistas pudessem utilizar a plataforma para vender. Neste artigo, comento mais sobre a estratégia da Magazine Luiza.
  • Unilever: lançou o programa Futuro Limpo, refletindo o novo propósito da empresa, junto ao investimento de € 1 bilhão para financiar pesquisas relacionadas com a área. A sua estratégia é tornar a sustentabilidade cada dia mais presente no dia a dia das pessoas, inclusive trazendo marcas como a The Vegetarian Butcher (produção de alimentos com base vegetal) para o Brasil. Entre seus diferenciais estão o ambiente colaborativo, o incentivo à experimentação, a utilização de metodologias ágeis e programas de inovação aberta e intraempreendedorismo.

Acompanhar e entender o que as organizações inovadoras estão fazendo é importante para compreender os movimentos do mercado e quais ações são apostas de sucesso. Porém, para aplicá-las em seu próprio negócio, é fundamental analisar a sua estrutura, processos atuais e a liderança. Quer saber mais sobre como colocar em prática ações inovadoras? Continue acompanhando o Blog.

 

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Inovação para empresas: parceria com startups e inovação aberta

Já sabemos que a inovação não anda sozinha. Pelo contrário, anda muito bem acompanhada. Por isso, quando se fala em inovação para empresas, encontrar um parceiro certo pode ser decisivo. E isso está bastante relacionado com aquilo que falei sobre inovação aberta. A colaboração e o ecossistema são fatores-chave para que as organizações possam expandir seus horizontes, seja em soluções, produtos ou no próprio modelo de negócio.

É certo que estamos vivendo um período repleto de transformações, o que inclui a forma que a inovação para empresas é vista e praticada. Da inovação aberta até o método Lean Startup, as grandes empresas mudaram processos e aceleraram o ritmo das inovações e transformações digitais. Com isso, vimos grandes empresas buscando parcerias estratégicas com startups, e o contrário também.

Como funcionam as parcerias entre startups e empresas? 

No auge das interações entre grandes empresas e startups, participei de um levantamento para ajudar a direcionar os esforços de ambos dentro dessas promissoras parcerias. O resultado foi o e-book "Como grandes empresas e startups se relacionam", que continua mais atual do que nunca. Lá, identificamos os principais tipos de relacionamento e como está acontecendo a inovação entre empresas e startups. São eles: 

1. Relacionamentos de Posicionamento

Dentro do "Relacionamento de Posicionamento", estão as interações que têm como objetivo central o fomento do ecossistema a partir da participação das grandes empresas, a identificação e o acompanhamento de tendências e oportunidades, além da aproximação e desenvolvimento de afinidade com a cultura de startups. Por isso, nessa categoria se encontram capacitações e mentorias, matchmaking e conexões, reconhecimento e premiações, assim como os espaços de coworking que promovem o encontro de empresas e startups.

2. Relacionamentos de Plataforma e Parceria

Quando se fala de inovação para empresas dentro do contexto do relacionamento de plataforma e parceria, está sendo visto o cenário no qual as startups passam a ter acesso a recursos das grandes organizações. Dessa forma, as startups conseguem se desenvolver dentro do modelo ou, ainda, utilizar a oportunidade como plataforma. Fazem parte desse relacionamento: vouchers de serviços e tecnologia, licenciamento de PI da grande empresa, acesso a recursos não-financeiros, acesso a base de colaboradores e acesso a base de clientes e canais de vendas. 

3. Relacionamentos de Desenvolvimento de Fornecedores

Em um relacionamento de desenvolvimento de fornecedores, vemos a interação das startups com o objetivo de criar uma nova rede de fornecedores inovadores. Para isso, fazem uso de atividades conjuntas de pesquisa e desenvolvimento, utilizam os recursos das grandes empresas ou, ainda, a própria startup detém uma tecnologia de interesse das grandes empresas. Nisso, encontramos os recursos para P&D e prototipagem, licenciamento de Propriedade Intelectual da startup, contratação de projeto piloto e fornecimento de serviço ou produto inovador. 

4. Relacionamentos de Investimento

Nos relacionamentos de investimento, há uma camada profunda em que a grande empresa se torna sócia da startup. Porém, há uma variação entre nível de participação e controle. Diante disso, há três categorias ou modelos que definem esses níveis: programa de aceleração com equity, investimento com participação acionária minoritária e aquisição e incorporação.  

Inovação para empresas: 3 etapas para a construção da parceria 

Entender quem são os potenciais parceiros e trabalhar em conjunto com eles é uma forma de criar uma forte vantagem competitiva. Ainda mais considerando a necessidade da inovação para empresas. É isso que Andrew Shipilov, Nathan Furr e Tobias Studer Andersson, especialistas em inovação e estratégia, descrevem em "Looking to Boost Innovation? Partner with a Startup".

Se encontrar o parceiro certo pode impulsionar a inovação para empresas, muitas dúvidas também surgem no processo. Como identificar quem são os melhores parceiros? E, principalmente, como fazer com que as parcerias funcionem na prática? Em um projeto recente, os especialistas identificaram quais as boas práticas para responder a essas perguntas. 

  • Primeira etapa: identificar o problema a ser resolvido. Parcerias de sucesso têm um conhecimento prévio e aprofundado do problema do cliente ou do parceiro que precisa ser atacado e resolvido. Mais do que uma suposição. Além disso, a dica é se concentrar naquele problema que é realmente valioso.
  • Segunda etapa: é preciso a conscientização, dos parceiros em potencial, sobre o problema. Se manter na zona de conforto e se limitar aos parceiros conhecidos, confiando somente neles, pode acabar trazendo resultados que não são os ideais para chegar ao objetivo principal. Afinal, eles fornecerão justamente os recursos que já são conhecidos. É, sem dúvidas, reconfortante contar com quem já se conhece previamente. Mas isso limita o espaço de pesquisa e faz com que as soluções inovadoras se tornem mais distantes. 

Os parceiros incomuns trazem recursos que você nem ao menos sabia que precisava. No entanto, cabe aqui um alerta, os parceiros incomuns podem também não saber que precisam de você. Por isso, para que seu ecossistema de inovação tenha tanto os parceiros comuns quanto incomuns, é preciso que os últimos lhe encontrem. 

  • Terceira etapa: é preciso superar diferenças. Os parceiros nem sempre trabalharão em perfeita sintonia em um primeiro momento, é um erro bastante comum acreditar que haverá uma grande sinergia, mas sem considerar divisões culturais e operacionais, além da dissonância entre o nível de conhecimento. Sendo assim, o sucesso está não só nas capacidades, mas no potencial para superar as diferenças. 

Certamente, todas as etapas acima são apenas parte do processo de uma parceria de sucesso. No entanto, abrir os horizontes e encarar as parcerias a partir de um mindset de colaboração pode fortalecer laços e promover a inovação para as empresas. 

Quer conversar mais sobre essa troca entre grandes empresas e startups em prol da inovação aberta? Entre em contato comigo!

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Inovação nos negócios: a relação entre inovação aberta e modelos de negócios

Há mais recursos para promover a inovação nos negócios externamente do que qualquer empresa, independente do porte, seja capaz de criar por conta própria novos modelos de inovação. A partir do momento em que se quebra com uma mentalidade de inovação completamente fechada, as organizações passam a aceitar que não só podem , como devem recorrer a ideias externas, sem perder de vista aquelas que são desenvolvidas internamente. E, por sua vez, começam a analisar com outra perspectiva seus próprios modelos de negócio.

Com isso, a inovação aberta, termo cunhado por Henry Chesbrough, tem se mostrado o caminho a ser adotado em um mundo em que respostas rápidas são essenciais frente a mudanças igualmente velozes. Em “The State of Open Innovation”, Irving Wladawsky Berger, fala sobre como a inovação aberta proposta por Henry Chesbrough transpõe o limite das quatro paredes do escritório. Dessa forma, a inovação nos negócios é gerada, acessando, aproveitando e absorvendo conhecimento externo em toda a empresa, tanto fluindo para dentro quanto para fora

No entanto, não basta somente criar ou identificar conhecimento útil. É necessário uma infraestrutura de inovação que opere em três principais dimensões:

  • Geração: novas descobertas de tecnologias iniciam o processo que, no atual estágio, beneficiarão um pequeno número de primeiros usuários.
  • Disseminação: novas descobertas se espalham por toda organização, iniciando com os grupos de inovação e P&D até a todas as unidades da empresa que as levarão para o mercado.
  • Absorção: novos produtos e serviços são incorporados nas unidades organizacionais e modelos de negócios que possam escalar e sustentar a inovação em toda a economia.

Além disso, entre as recomendações para obter os melhores resultados com a inovação aberta, está a própria inovação do modelo de negócios. É comum que as empresas associem inovação ao desenvolvimento de novas tecnologias na organização, enquanto veem o modelo de negócio como algo fixo. Porém, isso está em processo de mudança. Ter modelos de inovação adaptáveis permite obter mais valor.

A inovação dos modelos de negócios 

Transformação digital e inovação do modelo de negócios são movimentos diferentes. De acordo com Mark Johnson, em "Reinvent Your Business Model", a tecnologia, por si só, não importa o quão transformadora é, não é o bastante para alavancar uma empresa para o futuro. No entanto, o modelo de negócio que está por trás da tecnologia é o que conduzirá ao sucesso ou ao fracasso. 

Como diz Irving Wladawsky Berger, a inovação dos negócios, especificamente dos modelos de negócios, tem sido por um longo período o domínio de startups. Mas não é o suficiente que empresas estabelecidas continuem apenas lançando produtos e serviços tendo como base seus modelos de inovação até então confiáveis. Para sobreviver em um mercado de mudanças rápidas, todas as empresas - seja qual for o tamanho ou experiência de mercado - devem ser capazes de se submeter a um processo contínuo de transformação e renovação.

Para isso, é preciso superar a pouca compreensão do seu próprio modelo de negócios, entender os pontos fortes e limitações, e identificar quando é hora de adotar um novo modelo e o que é preciso fazer para criá-lo. Mark Johnson classifica um modelo de negócios como a representação de como um negócio cria e entrega valor para um cliente enquanto também captura valor para si mesmo, realizando isso repetidamente.

Também afirma que os esforços nos modelos de inovação devem se concentrar na busca de algo grandioso, como mudar o jogo em um mercado existente, criar um mercado totalmente novo ou transformar toda uma indústria.

Os riscos dos modelos de inovação nos negócios 

Quando se pensa em inovação nos negócios, o modelo de negócio é um ponto-chave que pode tanto se tornar um potencializador quanto, mais para a frente, um limitante. Ou seja, é capaz de liberar todo o valor potencial em uma nova inovação, mas, ao mesmo tempo, pode transformar o sucesso dessa modalidade em uma armadilha tênue para a companhia, como explica Henry Chesbrough em “Inovação aberta: como criar e lucrar com tecnologia”. 

Se for eficaz, o modelo de negócio estruturará uma lógica específica própria em relação à geração de valor. Assim, por conseguinte, as oportunidades que aparecem acabam sendo vistas e avaliadas a partir da perspectiva dessa mesma lógica. Isso engloba o público-alvo, o mercado-alvo, o tamanho do mercado, os canais de distribuição, entre outros. Para exemplificar, Chesbrough traz o exemplo de uma grande empresa, Xerox, mas que pode ser aplicado a diversas outras. 

Na ocasião retratada pelo autor, o modelo de negócio da Xerox que obteve sucesso acabou se tornando um impeditivo quando foi necessário reagir a outras tecnologias emergentes. Por ter funcionado tão bem com uma das suas inovações, acabou criando uma lógica interna própria. O que, mais pra frente, acabou não sendo a forma mais adequada para lidar com tecnologias que já não cabiam nesse modelo. 

Por sua vez, empresas com muito menos recursos acabaram se destacando por conta dos seus modelos de negócios. No exemplo compartilhado, as companhias se sobressaíram por aplicar a inovação nos negócios por meio do impulsionamento dos recursos externos. Os modelos de inovação de cada uma determinou os elementos internos necessários para realizar a conexão com tecnologias externas

É comum que, muitas vezes, as empresas sintam que para fazer algo, precisem fazer tudo. E, ao seguir esse pensamento, não conseguem fazer render simultaneamente as inovações de outros e as suas próprias. 

Os modelos de inovação nos negócios

É possível que grandes empresas se reinventam e prosperem com modelos de negócios totalmente diferentes do que aqueles que perseguiam inicialmente. Embora, em tempos iniciais, é comum que diversas companhias dependessem apenas de esforços internos, cada vez mais vemos o quão extensa tem se tornado a parceria com terceiros e o uso de suas tecnologias. É uma evolução que aponta o caminho a ser trilhado por empresas  que buscam superar questões que as impedem de aproveitar as oportunidades oferecidas pela inovação aberta. 

Mesmo grandes e bem sucedidas empresas conseguem aprender novas fórmulas. E é a partir da combinação do modelo de negócios com a inovação aberta que conseguimos encontrar a resposta que permitirá uma contínua inovação nos negócios. 

A sua empresa já começou a repensar no seu próprio modelo? Identificou novos nichos onde pode inovar? Conte a sua experiência aqui nos comentários.

 

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Horizontes da inovação: o que é preciso mudar para inovar

Em "Alquimia do crescimento", Mehrdad Baghai, David White e Stephen Coley, consultores da McKinsey, analisaram empresas que começaram de patamares mais baixos, mas que alcançaram um gráfico positivo de crescimento. Após dois anos de pesquisa, os especialistas chegaram ao que hoje se conhece como sendo os três horizontes de inovação. Na época, a metodologia serviu de embasamento para diferentes estratégias empresariais. E, mesmo sabendo que não há uma receita pronta para obter sucesso, ainda assim é uma estrutura que comprovadamente gerou resultados e, certamente, poderá provocar insights importantes para as organizações. 

De 1999 pra cá, ano de lançamento da obra, os horizontes se tornaram ponto de partida para inovar nas empresas. Steve Blank, explica que eles foram os encarregados de mostrar para a alta administração o que era e como seria uma organização ambidestra. O modelo descreve a inovação em:

  • Primeiro horizonte: as ideias que estão dentro do primeiro dos horizontes de inovação são as responsáveis por possibilitar a inovação contínua dentro de um modelo de negócio existente.
  • Segundo horizonte: dentro dos três horizontes de inovação, é no segundo que as ideias estendem o modelo de negócios existente e os principais recursos a novos clientes, mercados ou alvos.
  • Terceiro horizonte: no horizonte número três, temos a criação de novos recursos e novos negócios com o intuito de tirar proveito ou responder a oportunidades disruptivas ou, ainda, para combater a interrupção. 

No segundo dos três horizontes da inovação, o foco está nas ideias disruptivas que trabalharão em cima de negócios existentes inseridos em modelos no quais há um conhecimento prévio, mesmo que fracionado. É aqui que falamos da construção de negócios emergentes. É quando a inovação faz com que sejam criados negócios internos que, com o passar do tempo, poderão se tornar novas e futuras unidades da organização. Há um potencial imenso no segundo horizonte, contando inclusive com a possibilidade de mudar e transformar a principal fonte de renda da companhia. 

Além disso, o segundo horizonte está exatamente no meio. Mas mais do que uma ordem numérica lógica, é preciso pensar no desenrolar das três etapas. O que significa que ele está entre a melhoria da eficiência operacional e da entrega do valor já existente do primeiro e antecipa as oportunidades e possibilidades que farão parte da visão de futuro do terceiro. É no segundo que ocorre o momento de explorar novas perspectivas, ampliando o negócio atual, como, por exemplo, ao expandir para mercados diferentes. 

Se dentre os três horizontes de inovação, o primeiro é orientado para o core business e o segundo para os negócios emergentes, é no terceiro que encontramos oportunidades inteiramente novas. Por isso, passam a ser trabalhadas ideias e hipóteses, que precisam ser testadas e ter sua viabilidade validada, consolidando a etapa da experimentação. 

Cabe, no entanto, trazer a ressalva de Steve Blank sobre a questão do tempo de cada horizonte. De acordo com o especialista, não há uma limitação quanto a isso. Agora, ideias disruptivas de cada um dos horizontes de inovação têm uma capacidade de rapidez na entrega semelhante. Ainda mais quando pensamos na integração entre os três horizontes e os princípios da inovação aberta.

O que é preciso mudar para a inovação acontecer 

Após conhecer os três horizontes de inovação, ao que você acredita que é possível atribuir o declínio de muitas empresas até então consolidadas? E o sucesso de outras? Henry Chesbrough, em “Inovação aberta: como criar e lucrar com a tecnologia”, explica que a forma com a qual promovemos a inovação de ideias promissoras e, por sua vez, como as lançamos no mercado, não é mais a mesma de pouco tempo atrás, por conta do acontecimento de uma transformação fundamental. Ou seja, saímos de um paradigma de “inovação fechada”, no qual o sucesso está baseado no controle, onde não é possível ter a certeza da capacidade das ideias do outro e “se quiser que algo dê certo, somente fazendo você mesmo”. 

A inovação aberta, de outra maneira, pressupõe que as empresas podem e devem utilizar ideias externas da mesma forma que utilizam as internas, combinando ambas as possibilidades para gerar valor. Nessa linha, Chesbrough destaca alguns dos princípios da inovação aberta:

  • nem todos os melhores profissionais da área trabalham na empresa e está tudo bem, é possível dispor do  conhecimento e experiência deles a partir de trocas e parcerias. O essencial é poder contar com os melhores dentro e fora da organização;
  • P&D externo pode criar valor;  P&D interno é fundamental para conquistar uma porção desse valor;
  • mais do que ser o primeiro a chegar no mercado, o que é realmente útil é construir um modelo de negócio melhor;
  • alcançar o sucesso está relacionado diretamente em fazer o melhor uso tanto das ideias internas quanto das ideias externas;
  • devemos produzir receita pela utilização de nossas patentes por terceiros e devemos adquirir patentes de terceiros sempre que isso fizer sentido e aperfeiçoar o modelo de negócio. 

São princípios que mudam a mentalidade interna, que preconizava a descoberta e produção de produtos e serviços unicamente pela empresa, além do controle da propriedade intelectual, que poderia vir a ser utilizada pela concorrência, gerado lucro a outros.  A nova lógica da inovação está relacionada com a difusão do conhecimento, permitindo o acesso e integrando os conhecimentos externos. 

A partir da convergência entre os horizontes de inovação e os princípios da inovação aberta, cada uma das três etapas tem um acréscimo de valor e novas possibilidades a serem exploradas. Além da potencialização de ideias promissoras, ganha-se agilidade e recursos, fazendo com que a inovação aconteça agora mesmo, com a estrutura que a empresa já possui. 

Caso tenha ficado alguma dúvida sobre os horizontes de inovação e a inovação aberta, entre em contato ou deixe um comentário.

 

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Inovação aberta e plataformas de negócio: como funciona essa combinação

Quando é feita uma comparação entre empresas, é comum pensarmos em uma competição envolvendo os produtos de cada uma. No entanto, em uma era de redes, como explicam Mark Bonchek e Sangeet Paul Choudary em "Three Elements of a Successful Platform Strategy", pensando em termos de competição, quem está no cerne da disputa e se tornou a grande protagonista dos dias atuais são as plataformas de negócio. Se antes, os produtos eram, por si só, o segredo para o sucesso, o diferencial competitivo atualmente é outro. Construa uma plataforma melhor e você estará em vantagem perante a concorrência.

Se buscarmos pelo significado, uma plataforma nada mais é do que uma superfície plana, horizontal, mais alta do que a área adjacente. No âmbito da construção, trata-se justamente de algo que levanta, que permite outras pessoas ficarem em cima. Nos negócios, é possível fazer uma correlação. As plataformas possibilitam elevar e conectar outras empresas e profissionais com um negócio, criando produtos e serviços baseados nela e construindo valor de forma colaborativa. É quando acontece o “plug and play”, em que outros negócios podem se conectar com o seu e gerar valor. 

Assim, os stakeholders possuem formas de compartilhar serviços e insights com mais facilidade e prontidão com as empresas. Dessa maneira, outras organizações, parceiros e os próprios clientes podem colaborar, criar e consumir novos recursos. É uma troca e cocriação com um benefício amplo e coletivo, enriquecendo a oferta das plataformas de negócio. 

Plataformas de inovação e de transação 

O conceito moderno de plataformas de negócio tem  progredido ao longo dos anos. Como aponta David Yoffie, professor na Harvard Business School, no começo, o que despertou o interesse no assunto - tanto acadêmico quanto profissional - foi a discussão sobre o verdadeiro valor do sistema operacional Microsoft Windows. Ou seja, mais do que o produto em si, o crescimento estava atrelado aos aplicativos desenvolvidos por fornecedores independentes. O que deu início às pesquisas sobre plataformas de inovação.

Já no final da década de 90 e nos primeiros anos da década de 2000, Amazon, eBay e outras empresas deram início a um movimento diferente de plataforma de tecnologia, o que chamamos hoje de plataformas de transação. São os descendentes dos bazares físicos que ganharam escalabilidade global por meio da tecnologia. As plataformas de inovação e transação, para David Yoffie, "são animais muito diferentes". E há, ainda, um modelo híbrido, no qual há uma plataforma de transação e inovação operando ao mesmo tempo. 

Cada vez mais, os modelos híbridos têm obtido destaque. Afinal, mesmo em uma plataforma de transação, é possível criar interfaces abertas - como APIs - para que outros construam dentro da sua plataforma. Por exemplo, o Uber e outras plataformas de transação abriram APIs para que terceiros pudessem agregar valor. 

Plataformas de negócio: como promover a colaboração de todos 

Uma das formas encontradas para agregar valor às plataformas de negócio e inovação tem origem na popularização e na adoção de softwares e metodologias no-code. É algo consideravelmente novo e que ainda não foi tão disseminado, mas que mostra que o futuro do desenvolvimento de softwares deve se tornar mais próximo e compreensível para pessoas que tenham pouco ou, até mesmo, quase zero conhecimento técnico específico. 

As plataformas no-code são construídas com características predominantemente visuais e primando pela simplicidade. Dessa forma, conseguem permitir que pessoas que não são necessariamente profissionais da área possam desenvolver aplicativos, jogos digitais ou sites, ampliando o acesso ao processo de criação e às contribuições dos usuários para as próprias plataformas de inovação.

Muitas cabeças pensando em conjunto 

E se a inovação aberta e as plataformas fossem utilizadas em conjunto? É uma prática que vêm sendo disseminada por algumas empresas, agências, órgãos governamentais, entre outros. Eles abrem um desafio, muitas vezes mundial, e as pessoas se candidatam para resolver. Desde 2012, por exemplo, o projeto de inovação aberta da NASA, agência espacial norte-americana, promove o International Space Apps Challenge, considerado atualmente o maior hackathon do mundo. A cada ano, milhares de pessoas são estimuladas a fazerem uso dos dados abertos da NASA para criar respostas e soluções inovadores para os mais diversos desafios enfrentados na Terra e no espaço propostos pela agência.

O Space Apps acontece em um final de semana por ano, envolvendo líderes globais de vários países, que hospedam eventos em que os participantes têm 48 horas para encontrar as soluções para as questões apresentadas pela NASA. Em 2019, os temas envolveram o aumento do nível do mar e missões sustentáveis para Vênus e Marte. Em 2020, participantes do mundo inteiro se reuniram para propor soluções a diversos problemas decorrentes da pandemia do coronavírus. Foi o primeiro hackathon do programa que aconteceu totalmente virtual, por meio de uma plataforma online. 

Outra iniciativa recente, a Design for Emergency, lançada pelo Center for Design da Northeastern University, de Boston, convocou diferentes profissionais de design para propor soluções de combate ao coronavírus. Foram desenvolvidas soluções que vão desde protetores faciais montados pelos próprios usuários até aplicativos que promovem a integração entre comunidade, entidades sociais e poder público. Os projetos foram aceitos e publicados na plataforma aberta da iniciativa e as soluções, sob licença Creative Commons, podem ser aplicadas em qualquer lugar.

Em geral, a participação dos profissionais não se restringe ao campo de formação e atuação, podendo fazer uso de múltiplos conhecimentos em busca de um melhor projeto. Além disso, as metodologias no-code também ajudam bastante na hora de permitir que mais pessoas e empresas possam participar da criação em conjunta de ideias inovadoras. As plataformas cumprem o objetivo de conectar as pessoas e profissionais com as empresas.

As plataformas de negócio aliadas com a inovação aberta em um ambiente propício, além de transformar uma empresa em uma rede digital, permitem que a inteligência e o conhecimento sejam compartilhados e distribuídos, estabelecendo relações de colaboração e a geração de valor. Você acha que é possível fazer mais a partir da combinação de plataformas de negócio e inovação aberta? Compartilhe sua opinião aqui nos comentários!