A Dinâmica da Espiral: desenvolvimento humano nas organizações

A Dinâmica da Espiral é um importante estudo sobre como a evolução da humanidade acontece, com aplicabilidade em diferentes meios, especialmente para a resolução de conflitos e no desenvolvimento humano nas organizações. 

A teoria explica a complexidade do mundo e a natureza das mudanças ao nosso redor. É baseada em 50 anos de estudo sobre desenvolvimento humano, proposta pelo professor Don Edward Beck, fundador do International Institute of Values and Culture e presidente do The Spiral Dynamics Group.  

O conceito básico da Dinâmica da Espiral está centrado no fato de que a natureza humana não é fixa e que todos possuímos uma inteligência adaptável e complexa. Beck considera a espiral infinita, definindo os níveis de consciência que ainda estariam por vir, ligados ao futuro da humanidade. 

A Espiral Dinâmica mapeia oito estágios do nosso desenvolvimento, determinando padrões na evolução da consciência humana. Beck atribuiu cores para caracterizar a maneira de pensar, agir e de sistema de oito valores que se tornaram a base de sua teoria. 

Os oito níveis de consciência que marcam nossa subsistência e existência se aplicam para uma pessoa ou para toda uma sociedade. Na teoria, as cores são atribuídas a cada nível de consciência. 

O primeiro nível da espiral, de acordo com Beck, é o da subsistência (representado pelas cores Bege, Roxo, Vermelho, Azul, Laranja e verde) e o segundo é o da existência (representado pelas cores Amarelo e Turquesa), quando os problemas essenciais já estão resolvidos e nos lançamos em um processo de colaborar com o mundo que nos cerca

Compreenda o conceito da Dinâmica da Espiral 

A Dinâmica da Espiral determina que a evolução humana pode ser representada na forma de uma estrutura dinâmica, como uma espiral ascendente, que mapeia o sistema de pensamento conforme ele atinge cada vez mais altos níveis de complexidade. Nas organizações a teoria é aplicada para interpretar e resolver problemas estruturais e, assim, promover o desenvolvimento pessoal e profissional. Empresas como Southwest Airlines e IBM, colocam a teoria em prática pelo fato de auxiliar no diagnóstico da cultura da companhia e mapear diferenças internas para inovar os processos, potencializando o crescimento sustentável.

No momento em que as empresas pensam em um desenho organizacional em espiral, cada tarefa é direcionada ao profissional que melhor se envolveria e entregaria aquela atividade. Aproveitando, assim, o melhor potencial de cada pessoa. De acordo com Darrel Gooden, em entrevista para a Nortus:

"Alguém que possua conhecimentos sobre a Dinâmica da Espiral olharia para a organização a partir de três planos: X, para o desenho das tarefas, Y para o desenho dos sistemas que coordenarão essas tarefas, e Z, que seria o nível executivo que enxerga X e Y e os integra." 

Seria o oposto de contratar um colaborador e colocá-lo em uma função específica, acrescenta o teórico. Em uma cultura organizacional pensada a partir da Espiral Dinâmica , compreende-se que o modo como as empresas mantêm a estrutura da organização é algo que tem sido considerado ultrapassado, justamente porque nem sempre esse modelo tradicional reflete a melhor forma de impulsionar os talentos e potencializar o crescimento sustentável de pessoas e organizações. Ao aplicar a Dinâmica da Espiral, a função passa a ser pensada a partir do ser humano, considerando qual o melhor papel de cada um nos mais diversos contextos.

Beck formulou ainda cinco ideais que devem ser comuns tanto para empresas, governos e pessoas, independente do seu nível de desenvolvimento. São eles: 

1) ter propósito nobre em relação à vida; 

2) buscar a elegância e a funcionalidade; 

3) entender que lucro é, sim, importante; 

4) não se descuidar da responsabilidade social; 

5) apostar na ecologia.

 

Níveis de desenvolvimento humano apresentados na Espiral Dinâmica

Se a dinâmica espiral divide cada tipo de comportamento em cores, tanto pessoas quanto empresas, por exemplo, poderiam se encaixar em determinado espectro, a depender de sua evolução tanto pessoal quanto profissional. Os principais níveis são:

Independente de quais sejam os valores de uma organização, a teoria explica que é importante que o líder esteja sempre dois níveis acima das outras pessoas, dessa forma, ele será capaz de ajudar a conduzi-las para os próximos níveis. Por exemplo, se a empresa como um todo tem seus valores no nível Azul* (tendo a ordem e a estabilidade um elevado grau de importância para todos), então os líderes executivos deveriam estar focando no Laranja ou no Verde. 

Pensando nisso, compreende-se o quanto é importante que as organizações olhem para as possibilidades de inovar e melhorar os processos organizacionais, buscando um ambiente de trabalho que prioriza a colaboração, sem que talentos sejam desperdiçados. 

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Comunicação e convivência híbrida

“Sem comunicação não dá! Não dá para aprender, não dá para inovar, vender, engajar e, principalmente, não dá para conviver.”

Novas formas de trabalho, como o modelo híbrido, tem desafiado organizações, impondo a necessidade de ágil adaptação. Nesse contexto, a comunicação é um fator determinante para organizações que desejam ser mais inovadoras e colaborativas com capacidade de lidar com problemas complexos de frente para manterem-se diferenciadas. 

Sabemos o quanto a comunicação ficou ainda mais dificultada a partir do momento em que quase a totalidade das empresas passaram a trabalhar de forma remota. Afinal, perdemos aqueles momentos espontâneos de encontrar com as pessoas, resolver problemas com conversas rápidas, encontros para um cafezinho ou no elevador. Agora, mais do que nunca, precisamos nos comunicar.

Um estudo coordenado por Ethan Bernstein, professor de comportamento organizacional da Harvard Business School sobre as implicações de trabalhar sem estar em um escritório, avaliou como positiva a experiência de trabalho remoto durante a pandemia, com ganhos organizacionais e também de aprendizados individuais. Por outro lado, a pesquisa evidenciou os impactos negativos dessa experiência, como a perda do cultivo de relacionamentos paralelos entre colegas e também de inovação à medida que ideias surgem no contato presencial.

Se, mesmo no modelo de trabalho tradicional a comunicação já era um problema recorrente, agora a comunicação no ambiente de trabalho entra em um nível ainda mais complexo. Com muitas empresas adotando o modelo de trabalho híbrido, ou seja, parte das pessoas trabalhando da empresa e parte ainda em home office, como fazer para manter todos alinhados? Como o formato de trabalho híbrido ampliou ou dificultou a comunicação e integração entre times? 

É sobre o tema comunicação e convivência híbrida que Vânia Bueno comunicadora há 40 anos e mentora para líderes, equipes e organizações — trata no webinar sobre o papel das organizações para que a convivência no ambiente de trabalho híbrido seja repensada. 


Comunicação é tudo o que falamos e não falamos

Vânia evidenciou que o mal estar, assim como o stress e o cansaço das pessoas dentro das organizações está atribuído muito mais à qualidade do ambiente onde elas executam as atividades do que com relação às tarefas que elas executam de fato.

Nesse sentido, quando pensamos em comunicação e convivência híbrida, precisamos lembrar que a boa comunicação contagia e reflete não apenas no dia a dia de trabalho, mas também na produtividade, conforto, liberdade e intimidade entre as pessoas. Cada ação comunicativa abre janelas ou constrói muros, não há na comunicação um ponto neutro, há sempre algum efeito. 

Em um ambiente de trabalho, a comunicação é uma corresponsabilidade partilhada por todos — sejam líderes e liderados. Todos na empresa fazem parte dela, não apenas o setor de comunicação e marketing. Tomar consciência de que estamos nos comunicando o tempo todo é o primeiro e mais importante passo para uma organização que está se preparando para esta nova forma de trabalhar.   

Sendo assim, é necessário despertar um interesse genuíno em elevar a comunicação para um outro patamar de prioridade dentro das organizações. Em geral fazemos comunicação de forma muito espontânea, mas comunicar-se de forma positiva e apropriada é muito mais difícil do que parece. Ainda mais se considerarmos que comunicar-se não é apenas falar ou escrever, mas também as formas de comportamento. Não à toa a questão sempre aparece quando se trata de soluções e caminhos de melhoria dentro das organizações. 

“Sem comunicação não dá! Não dá para aprender, não dá para inovar, vender, engajar e, principalmente, não dá para conviver. A escola e a vida me ensinaram que praticar comunicação consciente e responsável é chave para solucionar e prevenir a maior parte dos desgastes que cultivamos dia após dia. Nada fácil. Falo por mim. Aprendi que comunicação tem muito mais a ver com comportamento do que com retórica. Mais sobre ser do que parecer. E que compreender e ser compreendido é peleja para a vida toda.” Vânia Bueno. 

No trabalho híbrido, construir essa lógica de pensamento demonstra-se ainda mais necessária. Se a intenção é manter um ambiente de trabalho eficiente, saudável e sem furos de comunicação é necessário dar a devida relevância ao assunto. E sabe aqueles momentos espontâneos de corredor? Pois é, eles precisam ser inseridos também para o ambiente digital como parte obrigatória da rotina de trabalho.

Só assim, em trabalho remoto ou híbrido, é possível manter um time alinhado em um cenário de macrotransição em que as mudanças são profundas, abrangentes e irreversíveis. Sem dúvida, os negócios que vão criar maior impacto são aqueles que possuem colaboradores com propósitos alinhados e que sentem que o seu trabalho importa para o mundo.

Boa práticas no trabalho híbrido para implementar a inovação comportamental nas organizações

A Nova Teoria da Comunicação, de Gregory Bateson, defende que comunicação é sinônimo de comportamento. “Todo comportamento comunica. Como não existe forma contrária ao comportamento (não-comportamento), também não existe não-comunicação. Então, é impossível não se comunicar”. 

Por isso, algumas boas práticas são primordiais para um ambiente de trabalho híbrido saudável. Destaco, as principais: 

Autonomia e confiança são de extrema importância e estão diretamente relacionadas à comunicação. Isso porque, é através de uma comunicação fluida, clara, empática e transparente que gestores podem se posicionar e, de outro lado, colaboradores sintam-se motivados para expor seus objetivos, pontos e desafios. 

Ao incentivar o protagonismo do colaborador trabalhando de qualquer lugar, os colaboradores são motivados a seguir aprendendo com os desafios com espaço para serem criativos e vulneráveis. Para que isso seja viável, é preciso estimular a comunicação aberta, clara e síncrona entre todo o time, combinando os diferentes formatos de execução de tarefas — online e offline — tornando os processos mais dinâmicos e otimizados, tanto dentro quanto fora do ambiente de trabalho.

Desenvolver senso de pertencimento é outra boa prática que deve ser implementada ao adaptar os processos internos e a cultura organizacional a essa nova realidade. Por sermos seres sociais, precisamos fazer parte de um grupo. Para isso, é necessário promover liberdade com responsabilidade que possibilita manter equipes com pessoas realizadas e conectadas entre si e com a organização;

É comprovado que quando há sensação de pertencimento, o engajamento dos colaboradores torna-se muito mais elevado. Em contrapartida, uma pesquisa feita pela Gallup aponta que 85% das pessoas no mundo se sentem desengajadas ou insatisfeitas em seu local de trabalho.

Esse dado reflete a necessidade de repensarmos a nossa convivência, seja no ambiente presencial como no digital. E a comunicação é imprescindível para implementar boas práticas no modelo de trabalho híbrido. 

Como sua organização está se adaptando aos novos formatos de trabalho? Compartilhe sua opinião sobre o tema nos comentários e participe do debate.

 

Modelo de trabalho híbrido: entenda o que é e como implementar

De uma semana para outra, a maioria dos trabalhadores ao redor do mundo saíram dos escritórios onde passavam de 8 a 10 horas de seus dias para trabalharem a partir de suas casas. Com isso, o formato de trabalho tradicional passou por adaptações, fator que impulsionou o modelo de trabalho híbrido como uma forte tendência no mercado corporativo

O fenômeno foi tão interessante e, de certa forma revolucionário, que os espaços dentro de casa ganharam importância e significados totalmente diferentes. A sala de estar passou a ser parte escritório, parte lazer; já o quarto foi dividido entre espaço de descanso e espaço de trabalho. Ambientes de trabalho, como espaços de coworkings tornaram-se alternativas para flexibilização da jornada de trabalho. 

Praticamente todas as estruturas e modelos de trabalho, dos mais inovadores aos mais tradicionais, construídos e testados ao longo de décadas, foram desafiados.  E todas essas mudanças trouxeram reflexões sobre o futuro do trabalho: qual a melhor forma de seguir trabalhando? No formato presencial, totalmente remoto ou híbrido? Qual formato funciona para cada empresa? 

Uma pesquisa divulgada no Harvard Business Review, mostrou que durante o período de home office houve um aumento de foco e produtividade em 6% comparado ao modelo presencial, em empresas como a Microsoft, por exemplo. No entanto, o mesmo estudo identificou que 49% das pessoas relataram estar trabalhando mais, 54% que se sentiam sobrecarregados e 39% mais exaustos.

É possível manter os colaboradores alinhados a respeito da cultura da empresa, produtivos e felizes? Na intenção de responder essa questão, inúmeras empresas e pesquisadores do setor avaliam o modelo de trabalho híbrido como uma alternativa viável. Nem 100% digital, nem 100% presencial. O desafio agora é implementar esse novo comportamento dentro da realidade de cada empresa. 

Assista ao Webinar Comunicação e Convivência Híbrida para adaptar a cultura organizacional às novas formas de trabalho, onde converso com Vânia Bueno sobre esse assunto.

O que é trabalho híbrido? 

Tradicionalmente, uma equipe de trabalho híbrido é composta por colaboradores que trabalham no escritório e aqueles que trabalham de forma totalmente remota. Entretanto, essa definição vem se expandindo conforme a realidade do trabalho também se altera. 

Nesse caso, uma equipe de trabalho híbrido é composta por pessoas que podem escolher de onde querem trabalhar, possuem mais flexibilidade para decidir estar alguns dias no escritório e outros no formato remoto, sem que isso influencie negativamente na produtividade e, consequentemente, nos resultados. Pelo contrário, empresas que adotaram o sistema de trabalho híbrido constataram aumento da produtividade. Isso porque, proporcionar autonomia e bem-estar é essencial quando se trata do futuro do trabalho, e tendem a aumentar de 15% a 30% a produtividade dos colaboradores.

De acordo com uma pesquisa realizada pelo IDC Brasil a pedido do  Google Workspace, o formato híbrido passou a ser amplamente discutido e a ganhar cada vez mais força e adesão de profissionais e empresas no Brasil e no mundo. A pesquisa mostra que dentre os profissionais cujas empresas já definiram um formato de trabalho pós-pandemia, 43% relatam que o formato escolhido foi o híbrido. Já dentre os profissionais cujas empresas ainda não definiram um formato de trabalho pós-pandemia, o formato sugerido é o híbrido, com 59% das respostas.

Para líderes, a grande preocupação que surge é justamente conseguir gerenciar a equipe, tanto online como offline, adaptando a cultura organizacional para essa nova forma de trabalhar e buscando otimizar os processos para alcançar melhores resultados.

Mas, mesmo diante do desafio de implementar o formato híbrido, o mercado é favorável ao novo modelo de trabalho. Uma outra pesquisa da Microsoft, apontou que 97% das lideranças empresariais esperam trabalhar de forma híbrida no longo prazo. 

Como aderir ao trabalho híbrido na minha empresa?

Antes de mais nada é importante compreender que o modelo híbrido hoje não é regulamentado por nenhuma legislação. Isso significa que não existem regras estabelecidas que se deve seguir. Entretanto, como esse modo de trabalhar mistura dois conceitos já existentes e maduros, existem inúmeras recomendações.

Tanto o trabalho remoto como o presencial possuem prós e contras, a recomendação para o híbrido é de que se possa aproveitar o melhor de cada um deles, mantendo assim um time feliz, alinhado e produtivo. A tecnologia, nesse contexto, mostra-se ferramenta fundamental, mas não a única responsável em transformar as relações de trabalho. A cultura de colaboração precisa fazer parte da empresa. 

  1. Incentive seu time a incluir em seus dias de trabalho em casa outras prioridades além do próprio trabalho; por exemplo tempo para condicionamento físico, hobbies, alongamento; 
  2. Proponha intervalos entre uma reunião e outra. Trabalhando de casa, sem necessidade de deslocamento e outras adversidades, muitas pessoas passaram a ser mais produtivas. Passou a se fazer uma reunião seguida da outra sem intervalos! O ideal é que se tenha ao menos 15 minutos de intervalo entre uma outra; 
  3. Mantenha a comunicação transparente e afetiva. Todas essas mudanças que ocorreram tão rapidamente nos últimos tempos deixaram grande parte das pessoas cansadas, ansiosas e estressadas. Normalize na cultura da sua empresa que nem todos os dias são bons;
  4. Quando estiverem no escritório, priorize relacionamentos e trabalho colaborativo, isso ajuda a aproximar o time;
  5. Implemente metodologias ágeis que otimizem o trabalho remoto e híbrido dentro do próprio time e com outros setores da empresa;
  6. Oferecer flexibilidade aos membros do time impacta positivamente na retenção de talentos;
  7. Promova uma cultura prioritariamente remota para que as pessoas sejam capazes de realizar seu trabalho com sucesso de qualquer lugar;
  8. Implemente uma cultura baseada em resultados para uma equipe em trabalho home office e híbrido, definindo expectativas claras sobre quais tarefas os funcionários têm que concluir e quais responsabilidades você precisa que eles cumpram;
  9. Ofereça e peça feedback com regularidade a partir do agendamento recorrente de reunião individual com todos os colaboradores;
  10. Utilize ferramentas de produtividade e colaboração para todas as formas de trabalho que contribuam com aumento da produtividade de pessoas e organizações.

Se você se interessa pelo assunto e quer que sua empresa seja um local saudável e inovador para se trabalhar, você pode fazer o Workshop in Company de gestão de equipes em trabalho remoto como um primeiro passo para adaptar sua organização ao futuro do trabalho.

 

Aprendizagem autodirigida: fomentar o aprendizado impacta na retenção de talentos

O aprendizado é uma jornada de longo prazo. Durante quase toda nossa vida, somos direcionados a aprender o que é exigido pela sociedade. No caso da aprendizagem autodirigida, o aprendiz escolhe o que deseja aprender e aprimorar em seu dia a dia. Trata-se de uma educação não convencional que faz com que se busque as próprias oportunidades de desenvolvimento, bem diferente de como estamos habituados a aprender. 

O conceito de aprendizagem autodirigida vai de encontro ao que se acreditava até pouco tempo atrás, quando, teoricamente, um profissional após se formar em uma graduação ou especialidade passava a estar "apto" para trabalhar na área escolhida durante toda a vida.

Além disso, a ideia incentiva que os aprendizes tenham liberdade para empreender em suas próprias investigações e descobertas. Dedicando tempo e energia em conexões, aprendizados e redes que fazem sentido com o que ele quiser. Não ao que lhe é "imposto" como necessário. 

O assunto é rico e cheio de possibilidades para você, como indivíduo, e para o estímulo de talentos em sua empresa.  Para que você possa se aprofundar no tema, te convido a assistir do webinar que fiz junto com Alex Bretas sobre o assunto.

Por que aprendizagem autodirigida?

Antes de apresentar o conceito de aprendizagem autodirigida, explico neste artigo o porquê utilizar a aprendizagem autodirigida para furar a bolha da zona de conforto, tanto como indivíduo ou nos grupos aos quais você pertence.

“Aprendizes autodirigidos assumem total responsabilidade por suas educações, carreiras e vidas”, afirma Blake Boles, no livro A Arte da Aprendizagem Autodirigida — com prefácio e tradução de Alex Bretas.

Um aprendiz autodirigido é antes de mais nada um atento às possibilidades que estão ao seu redor e que podem levá-lo mais longe. Colocando-o em lugares onde ele realmente quer estar — sem algo ou alguém ter dito que aquele era o local ‘ideal’.

Esse é o principal porquê da aprendizagem autodirigida: proporcionar um modelo mental de busca por objetivos através do conhecimento, onde se tem motivação e liberdade para considerar todas as possibilidades e seguir apenas com aquelas que fazem sentido para a realidade do indivíduo.

Por esse motivo, pode-se definir a aprendizagem autodirigida como a atitude de buscar conhecimento, por conta própria, de maneira estruturada e, sobretudo, emocional. Uma vez que o aprendiz autodirigido busca construir conhecimento apenas em pontos em que se tem desejo de ir mais longe e se aprofundar.

Como a aprendizagem autodirigida impacta na performance de seus colaboradores?

Em tempos em que novas formas de trabalho surgem e a educação à distância é facilitada pelas tecnologias, a aprendizagem autodirigida — ou, self learning — é um modelo mental que pode ser aplicado para gerar mais motivação e empoderar pessoas na busca por novos conhecimentos.

Não há regras ou espaços definidos para usar a aprendizagem autodirigida, mas fato é que ela pode (e deve) ser fomentada na realidade de um líder ou organização que busca novas formas de motivar seu time e, sobretudo, trazer mais know-how de forma orgânica para sua equipe.

As principais vantagens da aprendizagem autodirigida para organizações e líderes são:

Além de desenvolver processos claros e se adaptar rápido a novos contextos, um líder ágil deve estimular o seu próprio protagonismo e de seus colaboradores: criando um espaço aberto para ideias e testes, com uma comunicação clara e empática.

A aprendizagem autodirigida conversa inteiramente com esse conceito. Principalmente, por esse processo de aprendizagem rejeitar tiranias e imposições. Lideranças que promovem esse tipo de aprendizagem se destacam pois ganham credibilidade ao acreditar em um futuro promissor de sua equipe com o conhecimento. Trocando o “impor” pelo “sugerir”, o “faça” pela explicação do raciocínio por trás de determinado objetivo.

Um exemplo de como aplicar a aprendizagem autodirigida na sua rotina enquanto líder ágil: 

Você precisa que seus analistas entendam as novas diretrizes da LGPD. Em vez de impor nas demandas, você pode convidar um especialista para explicar a importância dessa nova lei e, a partir desse ponto, mapear os colaboradores mais curiosos e interessados pelo tema para criar uma squad do tema. Neste período, você deixará claro suas expectativas (sem impor!) e fornecerá os recursos necessários para esse estudo.

Os ambientes de aprendizagem autodirigidas criam um sentimento de pertencimento e estes aprendizes, uma vez que eles acabam por não gastar tempo em lugares onde se sentem constantemente entediados ou desengajados. Em resumo, a produtividade e liberdade de um liderado, torna-se cada vez mais relevante.

Além disso, podemos considerar a pluralização de ideias e novas formas de se desenvolver o trabalho, a criação de comunidades em torno do conhecimento — que direciona energia para coisas positivas e relevantes para o dia a dia de trabalho, gerando habilidades a curto prazo. Dentre inúmeras outras portas que esse sistema de aprendizado permite. 

É fundamental oferecer um espaço de escuta ativa e de trocas em que o colaborador se sinta acolhido por parceiros de jornada e mentores, assim como disponibilizar espaços de expressão em que ele possa compartilhar o que está descobrindo e espaços de aplicação em que ele possa manipular concretamente a realidade com o que descobriu. Além disso, é imprescindível valorizar e reconhecer o talento não só pelo resultado de sua aprendizagem, mas também (e sobretudo) pelo processo vivido.

 

Liderança ágil e inovadora: como desenvolvê-la nas empresas

Se voltarmos para 2001, vamos encontrar um grupo de 17 profissionais de desenvolvimento de software iniciando algo que até hoje estamos aprendendo como aplicar, isso é, a mentalidade ágil. De lá pra cá, o manifesto ágil ultrapassou a barreira das empresas de tecnologia e se transformou em base para uma cultura que pretende substituir uma gestão de comando e controle, por uma liderança flexível, com poder de adaptação e foco no cliente.

Há uma forte conexão entre a mentalidade ágil e algo que a maior parte das empresas estão em busca, a inovação. Não é novidade, mas é sempre importante ressaltar que inovação e criatividade são grandes aliadas e que a invenção não é a essência da inovação. Se é preciso definir, trata-se mais de encontrar maneiras de realizar atividades que já existem e são conhecidas e sobre a capacidade de se adaptar e dominar novas competências.

No entanto, a principal armadilha que as organizações encontram pelo caminho é a de se encantar com a mentalidade ágil e inovadora, mas procurar implementá-la a partir de rotinas, processos e uma estrutura de comando e controle. Por isso, que ao pensar em criar um ambiente ágil, uma das primeiras ações será a mudança do mindset dos executivos e da liderança.

Como promover uma liderança ágil e inovadora

Uma empresa ágil e inovadora é desenvolvida a partir de líderes com determinadas características. E quais são elas? São líderes criativos, com senso de propósito, inspiradores e motivadores, fazendo com que as pessoas se engajem com os projetos, e que fornecem condições e segurança psicológica para o time cooperar e inovar. Também precisam ser flexíveis e rápidos para se adaptarem às demandas e situações, afinal, um ambiente de mudanças poderá contar com algumas incertezas.

No entanto, os líderes não nascem prontos, muito menos são ágeis e inovadores por apenas vocação. Para alcançar a liderança ágil e inovadora, alguns comportamentos e mentalidades precisam ser trabalhados. Assim, desenvolve-se não só a organização, como se constrói a própria figura do líder. São características e comportamentos como:

  1. Uma cultura de feedback ágil: os feedbacks são o que forjam líderes ágeis e inovadores. E fazem o mesmo com toda a empresa. É preciso entender que não se trata de julgamentos ou que é preciso um momento específico para eles. Isso pode fazer com que não aconteçam ou que se perca o timing. Por essa razão, ciclos curtos e constantes são tão importantes.

A maneira e a hora em que são dados os retornos sobre o que os colaboradores estão fazendo, permitirá que os ajustes aconteçam mais rapidamente, assim como as tomadas de decisões. Para isso, é fundamental construir um canal de comunicação de duas vias, estimulando os colaboradores a também darem feedbacks.

  1. É preciso segurança para inovar: muito se tem falado em segurança psicológica, e isso está bastante relacionado com a inovação. Somente em um ambiente seguro, o colaborador terá confiança para expor suas ideias e procurar por um caminho melhor. E é assim que a inovação começa.

Mais do que seguir a forma que até então tudo era feito. As lideranças devem encorajar os colaboradores a pensarem diferente, fornecer condições para tal e, por fim, estimular que experimentem novas possibilidades.

  1. Conhecimento não se guarda no cofre: se cada um está onde está é porque construiu uma trajetória e adquiriu conhecimento a cada novo passo. Além disso, a multidisciplinaridade só faz sentido quando o conhecimento se expande, há uma troca, e não análises individuais que não se conversam. Tanto a liderança quanto os liderados estão em constante aprendizado. Por isso, compartilhar conhecimento é a base para a empresa que pretende se manter ágil e inovadora.

Aqui cabe ainda mais uma observação. A própria forma como se compartilha o conhecimento diz muito para onde a empresa está indo. Se é feita de uma forma top down, acaba refletindo um mindset e gestão de comando e controle, indo de encontro ao que falamos sobre mentalidade ágil e inovadora.

Se estamos passando por um período de mudanças constantes e uma transformação digital acelerada, uma liderança ágil e inovadora permitirá realizar os ajustes necessários para atravessar as incertezas e prosperar.

A motivação humana e engajadora do time é o que impulsionará as empresas nas tomadas de decisões dinâmicas, na antecipação de problemas e na identificação de oportunidades. É preciso ser ágil. E inovador.

Se você gostou do artigo e quer saber mais sobre liderança inovadora, leia também: Liderança de resultados: como aprender, adaptar e ensinar para crescer.

Tipos de liderança: qual líder promoverá a transformação cultural?

As metodologias ágeis se tornaram assunto comum nas rodas de negócios, painéis, eventos e até no cafezinho. Esse modelo surgiu nas empresas de desenvolvimento de software, mas logo se tornou uma maneira de implementar um mindset digital nos mais diversos segmentos. A adaptação das organizações, porém, passa também por novos tipos de liderança, que vão encabeçar essas mudanças.

Mais do que adotar processos, a mentalidade ágil exige uma cultura baseada em valores, princípios e práticas que substituam a gestão focada no comando e no controle. Por isso, a transformação precisa começar nos gestores. Em especial nos executivos C-level.

A seguir, você vai entender um pouco melhor quais são as características necessárias para esses líderes e quais tipos de liderança se destacarão nas empresas. Além de conseguir identificar qual é o seu padrão de liderança atual e como mudá-lo, se necessário. Continue a leitura e saiba mais.

3 tipos de liderança para promover transformação

1 - Liderança inovadora

O primeiro perfil que costuma promover mudanças culturais nas empresas é o de liderança inovadora. Esses gestores costumam fomentar o pensamento criativo e valorizam aqueles profissionais que encontram novas formas de resolver problemas. Eles confiam nas novas ideias e fazem apostas, mesmo que elas tenham chances de dar errado.

Além disso, esses líderes geralmente têm uma boa capacidade de vender suas ideias (e do seu time) para o restante da organização, com um pitch assertivo e dados relevantes.  Assim, ele consegue arranjar espaço para inovação, mesmo em ambientes um pouco relutantes.

2 - Liderança ambidestra

Mas a inovação também depende de um equilíbrio entre eficiência nos serviços e flexibilidade. Afinal, a empresa precisa garantir a satisfação dos clientes e o retorno financeiro para continuar investindo na descoberta de novas possibilidades.

Para isso, existe outro tipo de gestão: a liderança ambidestra. Executivos com esse perfil costumam equilibrar os dois pólos, refinando, selecionando e implementando o que já está dando certo, ao mesmo tempo em que experimentam e alteram variáveis para encontrar formas mais eficazes de trabalhar.

Para isso funcionar, a gestão precisa priorizar o equilíbrio entre esses dois esforços, dividindo bem o tempo e as tarefas para cada um. Da mesma forma, deve ser tolerante a erros ao longo da implementação dessa nova rotina. Afinal, eles são normais e existirão.

3 - Liderança ágil

Existe ainda a  liderança ágil. Líderes desse tipo costumam trabalhar para que metodologia ágil seja aplicada, com experimentação, decisões descentralizadas e flexibilidade. Esses executivos costumam trabalhar lado a lado com métricas precisas, utilizadas para identificar o desempenho do time e perceber quando processos podem ser otimizados.

Os indicadores, inclusive, precisam ser bem adaptados diante da realidade da empresa. Como em todo modelo de gestão, não adianta apenas replicá-los de uma organização para outra. É preciso ter clareza para interpretar dados e direcionar os esforços aos objetivos do negócio. Tudo com ambidestria para equilibrar os resultados.

Aliás, a verdade é que os três tipos de liderança que você viu nessa lista não são excludentes. Um executivo que busca gerir bem seu time e preparar a empresa para a transformação cultural deve reunir características desses três perfis. Assim como deve respeitar suas próprias características de gestão, adaptando aqueles comportamentos que atrapalham as mudanças na corporação.

Abaixo você verá um pouco mais sobre tipos de liderança comuns e como eles podem se adaptar ao mindset digital para incorporar as características que listamos.

Tipos de liderança comuns e como elas podem se adaptar

Liderança democrática

A liderança democrática é uma das que encontra mais facilidade para se adaptar às metodologias ágeis. Afinal, esses líderes já estão acostumados a dividir as decisões com o time e compartilhar responsabilidades.

Mas se você está nessa categoria, preste atenção: essa é uma forma de gerir equipes que exige bastante das suas habilidades de comunicação. Isso porque você precisa deixar todos cientes do que acontece na empresa. Além de ter que apostar em feedbacks rápidos, para que o time evolua constantemente.

Liderança autoritária

Por outro lado, as lideranças autoritárias são aquelas que enfrentam mais dificuldade para se adaptar à nova mentalidade de trabalho.

Como você viu, a transformação na cultura organizacional passa por uma gestão mais flexível e com menos controle. Então se você é do tipo que gosta de microgerenciamento, pode ser difícil mudar. Contudo, com a ajuda de boas métricas de acompanhamento, você pode dormir com mais tranquilidade de noite.

Liderança pragmática

Entre os tipos de liderança, existem ainda os pragmáticos. Esses gestores costumam se dar bem em cargos de direção, pois são racionais e bastante direcionados por dados. No entanto, na cultura digital é preciso lembrar que o foco ainda está nas pessoas.

Então se você possui essas características, precisa focar bastante no seu time para conseguir manter o equilíbrio e inspirar os profissionais.

Liderança carismática

Já a liderança carismática costuma ser muito praticada. Afinal, esses profissionais se destacam por falar bem em público e ter um discurso  engajador. Essas qualidades são sempre bem-vindas e inspiram muitos colaboradores. Mas precisam acompanhar uma mudança real na cultura e não apenas na forma de se portar.

Em resumo, você não precisa mudar sua forma de trabalhar para promover uma transformação cultural na sua empresa. Porém, é importante estar sempre em evolução, testando e aprendendo com a sua equipe sobre as melhores formas de estabelecer essa nova dinâmica.

Se você gostou de saber mais sobre os tipos de liderança, leia também  artigo Liderança de resultados: como aprender, adaptar e ensinar para crescer.