Plataformas: você está pronto para investir em uma?

Em um mercado tão baseado na oferta de produtos, pode parecer estranho falar que é preciso procurar por um novo viés. Mas, quem quiser continuar prosperando, terá que urgentemente voltar seu olhar para as plataformas. São elas que serão o futuro dos negócios, como afirma Marshall Van Alstyne, professor da Boston University. Para conseguir entender com clareza, pense que o Uber é mais valioso que a BMW, uma marca tradicional e consolidada. Outro dado impressionante: o Facebook tem um valor 2 vezes superior ao da Disney. A magia está nas plataformas.

Como que gigantes de diferentes mercados estão sendo rapidamente superados por novas empresas? A resposta do professor americano é simples: todos os negócios que estão crescendo foram estabelecidos em cima de plataformas. Aqueles que estão ficando para trás são construídos em cima de produtos. E, por melhor que um determinado produto seja, a plataforma sempre sairá campeã. Tendo isso em vista, o presente começa a fazer sentido e o futuro fica mais claro: o segredo está no gerenciamento de plataformas e na mudança do modelo de negócio.

Falar sobre é bastante diferente de fazer e, de fato, colocar em prática pode não ser tão simples. Afinal, é fundamental parar de avaliar o mercado por conta dos produtos de uma marca. A mudança para o conceito de plataformas rompe barreiras e deve ser feita cuidadosamente, com o auxílio de uma consultoria profissional. Não estamos discutindo sobre um processo novo, mas um foco completamente diferente de um negócio. Hoje, por exemplo, a inovação não está em um design mais bonito, como salienta Alstyne, mas na interação com o cliente, na criação de um ecossistema próprio.

O novo valor das plataformas

Em “Ubernomics e a eficiência das plataformas digitais”, são elencados três pilares para o sucesso das plataformas, com foco no case do Uber. O público preza por: qualidade, valor e conveniência. E, o mais curioso, é que analisando profundamente, estamos tratando de uma empresa que, basicamente, desenvolveu um aplicativo, uma plataforma. Não há carros ou motoristas próprios. O que há, na verdade, é a conexão. Novamente, a possibilidade de interação entre quem precisa ir e quem pode levar, os passageiros e os motoristas.

Agora, pensando em fatores econômicos, a análise sobre plataformas resume o serviço do Uber como: eficiente. Ou seja, dão um ótimo resultado com menos consumo ou desperdício de recursos. Entre as diversas vantagens levantadas: menor tempo de espera, menor tempo de chegada ao destino, menor consumo (de combustível), veículos circulando com mais pessoas (diminuição do tráfego sem clientes ou passageiros), priorização do conforto e bom atendimento, valor considerado adequado pelo serviço oferecido e a garantia social, por meio da qualificação, da qualidade do motorista.

Os erros da mudança para plataformas

Voltando para o especialista Marshall Van Alstyne, há alguns cenários que o professor identifica como grandes erros das empresas, principalmente quando tentam inovar sem planejamento e acabam eliminando o efeito de rede, tão valorizado pelas plataformas. Por isso, quando a IBM produziu contratos específicos do uso do Watson houve uma adesão bem abaixo do normal, pois entre as cláusulas constava a apropriação pela empresa do que fosse criado pelo usuário. Fica a primeira lição: antes de monetizar, garanta seu ecossistema.

Na ânsia de inovar e aderir as plataformas, muitas vezes as empresas não colocam a qualidade em primeiro lugar. Erro grave. Como reforça Alstyne, de nada adianta estruturar uma base, crescer e acabar por oferecer algo que fará os usuários fugirem. Exemplo de uma estratégia inteligente, o Facebook garantiu a retenção e interação das pessoas ao abrir a possibilidade dos desenvolvedores ofertarem seus jogos casuais. E, quando houve games que começaram a desagradar o público, a plataforma expulsou as empresas que não agregam valor.

O caminho para o sucesso das plataformas

O sucesso da migração para plataformas envolve determinados fatores-chave: consultoria organizacional, planejamento e treinamentos. A partir disso, será possível vencer os desafios, como o apontado por Steve Mezak, fundador e CEO da Accelerance, Inc., a adesão dos usuários nas plataformas. Para garantir bons resultados, o especialista ainda dá dicas do que evitar:

  1. Filtragem ineficaz: os participantes devem receber das plataformas aquilo que eles consideram relevante. É recomendável pensar em processos de curadoria.
  2. Falta de foco central nas interações: o excesso de informações dispersas pode, igualmente, diluir a presença dos usuários nas plataformas.
  3. Usabilidade e design não-amigáveis: as plataformas precisam ser intuitivas, pois em um mundo cada vez mais dinâmico, as pessoas não têm tempo a perder com opções confusas e que não fornecem a informação de forma fácil.
  4. Atrair o participante errado: receber o tipo errado de participante é atrair o público que não terá adesão a sua plataforma. É o mesmo que tentar vender um valor para quem não precisa ou não quer.

Todos os pontos acima podem ser evitados e superados quando se tem um treinamento adequado para a virada nos negócios. Uma consultoria será capaz de estabelecer planos e metas para o investimento em plataformas. Está preparado?

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