O carro azul, a Kodak e modelos de negócios

Pense em um carro azul de determinada marca que a partir desse momento na sua frente sempre aparecerá carros da cor azul da marca selecionada. Decida-se por fazer uma viagem para determinado local que todas as mídias estarão falando desse lugar específico. Quantas vezes nos deparamos com essa situação: não conhecemos um assunto alguém evidencia tal tema no nosso meio ou entorno e, de repente, todos parecem falar disso. Assim foi para mim com o termo “modelos de negócios”.

Nunca tinha ouvido falar ou lido nada a respeito. Há alguns anos, por conta de um tema que procurava para elaborar minha dissertação de mestrado, me sugeriram estudar sobre modelos de negócios:

— Modelos o quê? Não seria planos de negócios?, respondi.

— Não, são modelos de negócios mesmo.

Eu não sabia do que se travava, mas entrei de cabeça nas pesquisa e estudo sobre o assunto. O meu empenho foi tanto que, em apenas um mês, já tinha o mapa do processo, os principais artigos e pesquisadores de destaque nesta área. Passei a usar as redes sociais para encontrar o que procurava e a cada dia agregava mais uma pessoa, mais um artigo, mais um pesquisador.  Fantásticas descobertas que culminaram com a publicação de uma dissertação, originaram vários artigos, workshops ministrados e muita, muita conversa sobre tema. Hoje, posso dizer que os modelos de negócios não apenas fazem parte da minha rotina, mas também oriento gestores e empresas a modernizarem seus processos.

Mas de que modelos de negócios estamos falando?

Os anos noventa foram marcados pelo surgimento de um novo espaço conceitual decorrente da pulverização e acessibilidade à internet. Todo esse avanço tecnológico resultou em significativas transformações na sociedade: comunicação, relacionamentos, comportamento de compra e, claro,  na forma de realizar negócios. Esse novo espaço conceitual trouxe a exigência de mudanças na forma de organizar os negócios, pois os critérios adotados na era industrial já não podiam ser considerados nesta nova era do conhecimento.

Era preciso modernizar os negócios para que as empresas continuassem competitivas a medida que as ferramentas tecnológicas transformavam cada dia mais os hábitos de consumo. Dessa forma, várias empresas começaram a fazer transações baseadas em um ambiente virtual. Foi exatamente neste período que o termo “modelo de negócio” entrou para agenda das empresas, afinal era um ambiente novo e com processos diferentes do que o mercado já estava acostumado.

É claro que, com o passar do tempo, muitos negócios surgiram no meio digital. As pessoas começaram a vender em sites, redes sociais, email, entre outros. Mas o que ficou muito claro é que qualquer negócio tem um tipo específico de modelo. Alguns formam padrões. Outros abrem mercados e se posicionam como inovados. No entanto, não há o que se discutir: para toda empresa existe um modelo de negócios.

Conheça algumas empresas com modelos de negócios inovadores

É o caso da Xerox que criou um novo modelo de negócio, ao iniciar a comercialização de máquinas copiadoras, cedendo os equipamentos e ganhando na venda dos tonners e papeis especiais. Ou da Nespresso, que desenvolveu um mercado doméstico para o café expresso, e por meio da patente de um sachê, fideliza seus clientes.

Mohamed Yunus criou um novo modelo de negócio quando implantou o serviço de microcrédito para população de baixa renda pelo Grameen Bankem em Bangladesh. Podemos citar ainda a abertura de um mercado totalmente novo quando o Google lançou o Google Ads, permitindo que empresas usassem a internet como proposição de valor ao cliente.

Assim, de acordo com o autor Alex Osterwalder modelos de negócios descrevem a lógica de como uma organização cria, captura e entrega valor aos seus clientes.  Ou podemos dizer de outra forma: é a representação dos processos de uma empresa de como esta oferece valor aos seus clientes, obtém seu lucro e se mantém de forma sustentável ao longo de um período de tempo.

A inovação nas empresas não acontecem por acaso

A inovação em um modelo de negócio não surge ao acaso. É algo que deve ser administrado e monitorado, estruturado em processo e utilizado para alavancar o potencial criativo de uma organização. Requer habilidade e destreza para lidar com incertezas e com opiniões contrárias.

O surgimento de uma boa solução requer tempo, dedicação e uma equipe plenamente motivada. Para tanto, existem técnicas e uma linguagem que pode ser estudada e aplicada no dia a dia. Alex Osterwalder, num processo de co-criação com mais 470 praticantes da metodologia ao redor do mundo, disponibilizou e tem difundido no que chamamos de Canvas, um quadro que apresenta nove blocos e que representa os processos organizacionais.

A partir da prática do design thinking, é possível criar, modelar e idealizar modelos de negócios inovadores. Há um ano venho apresentando isso em cursos, palestras e workshops entre São Paulo e Florianópolis. Além disso, também de adoto a mesma metodologia em processos de diagnóstico organizacional, como identificação de processos internos na empresa e até mesmo como base para o planejamento organizacional. E posso afirmar que funciona. Os resultados são surpreendentes e motivadores.

E o que dizer da Kodak x Fujifilm? Bem, isso é tema para um workshop, mas basicamente a Kodak não mudou o seu modelo de negócio vindo a quebrar enquanto que a Fuji (não mais só filmes) alterou completamente seu modelo, incorporando outras variáveis, inclusive cosméticos, e permanece competitiva e lucrativa desbancando o império da concorrente Kodak.  E você, vai ficar esperando também a concorrência suplantar a sua empresa?

Conheça as nossas próximas turmas de cursos sobre modelos de negócios e participe. O resultado é surpreendente.

 

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