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publicado em 10/03/2010 por Maria Augusta Orofino  

Brechó da Louvação

Sempre tenho o hábito de me liberar e libertar de pertences, objetos, livros e tudo que preenche a vida quando no curso de uns dois anos não tenha sido utilizado. Quando criança fazia isso com as minhas coisas e depois passei a fazer para todos da minha casa. Era o dia da faxina. Normalmente acontecia em dezembro, quando as aulas acabavam e por alguns dias tudo era jogado no chão dos quartos, tirado dos armários, feitos os repasses do que ainda podia ser aproveitado e aquilo que não tinha serventia era doado.

Por volta dos anos 90, surgiu os programas de qualidade total e junto o famoso 5S. Fiz muito cincoesse na minha empresa e consequentemente, na minha vida. Procurei sempre manter meu portfólio, os relatórios principais e significativos além dos back-ups no computador. Mas o resto, era resto e como tal, descartado.

Quando minha filha foi morar nos Estados Unidos, a familia que a recebeu trabalhava com o que chamamos de “mercado de pulgas” ou “brechós”. No seu retorno, nossas arrumações e cincoesses agregaram a experiência adquirida e passamos a “vender” por preços simbólicos aquilo que outrora tinha sido importante. Assim, fizemos grandes brechós em diferentes momentos, todos carregados de emoção e muita alegria. Essa vivência permite um exercício ao desapego, à libertação e crescimento. É um processo de abertura, também. Porque ao expor os objetos, durante o processo de separação e seleção do que vai e do que fica, muitos pontos da nossa vida são analisados e avaliados. É interessante porque surge a emoção, refletimos na pessoa que nos presentou, agradecemos o quanto aquilo nos ajudou etc.

Em um dos meus grandes brechós, conheci um rapaz que trabalhava em uma feira de artesanto nos arredores de Florianópolis, chamado Marcelus. Na ocasião eu residia em uma casa enorme com uma sala ampla e todos os objetos ficavam expostos no chão da sala. Quando ele foi ao local para comprar o que lhe interessava, ele conheceu a minha coleção de miniaturas e ficou apaixonado. Queria levar tudo e eu comentei que ainda não estava preparada para me libertar disso e que quando ocoresse eu o chamaria. Passados sete anos desse episódio, eu tomo a decisão de fazer um novo brechó e desta vez, a coleção de miniaturas está inclusa. Para quem me conhece, inclusive neste blog eu já falei das mesma, sabe qual o significado desse gesto. Procurei pelo Marcelus, mas o telefone mudou. Fui na tal feirinha e não o encontrei. Se alguém ao ler este post,  o reconhecer, por favor me avise. Ou ainda, quem tiver interesse, entre em contato. Recomendo essa experiência. Nos deixa mais leves, sem grandes bagagens e no mínimo, é divertido.

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Categoria: Augusta
Tags:brechó, Coleção, miniaturas, Mudanças
publicado em 9/03/2010 por Maria Augusta Orofino  

Louvar as mudanças

Mudar o padrão
Mudar o estilo
Mudar a cabeça
Mudar de idéia
Mudar o cenário
Mudar de vida
Mudar de amor
Mudar de emprego
Mudar de rumo
Mudar de carro
Mudar as chaves
Mudar de equipamento
Mudar os móveis
Mudar a decoração
Mudar de assunto
Mudar de empresa
Mudar a empresa
Mudar o ritmo
Mudar os planos
Mudar de lugar
Mudar de endereço

Estou fazendo a louvação pelas mudanças que acontecem na minha vida. Louvo o que deve ser deixado de lado. Hoje me inspiro na canção de Gil e Torquato Neto, e em minha ancestralidade que me ensinou a agradecer. Agradecer a vida. Agradecer as oportunidades. Simplesmente agradecer e deixar o ruim de lado.

Louvação

Vou fazer a louvação
Louvação, louvação
Do que deve ser louvado
Ser louvado, ser louvado
Meu povo, preste atenção
Atenção, atenção
Repare se estou errado
Louvando o que bem merece
Deixo o que é ruim de lado
E louvo, pra começar
Da vida o que é bem maior
Louvo a esperança da gente
Na vida, pra ser melhor
Quem espera sempre alcança
Três vezes salve a esperança!
Louvo quem espera sabendo
Que pra melhor esperar
Procede bem quem não pára
De sempre mais trabalhar
Que só espera sentado
Quem se acha conformado

Vou fazendo a louvação
Louvação, louvação
Do que deve ser louvado
Ser louvado, ser louvado
Quem ‘tiver me escutando
Atenção, atenção
Que me escute com cuidado
Louvando o que bem merece
Deixo o que é ruim de lado
Louvo agora e louvo sempre
O que grande sempre é
Louvo a força do homem
E a beleza da mulher
Louvo a paz pra haver na terra
Louvo o amor que espanta a guerra
Louvo a amizade do amigo
Que comigo há de morrer
Louvo a vida merecida
De quem morre pra viver
Louvo a luta repetida
Da vida pra não morrer

Vou fazendo a louvação
Louvação, louvação
Do que deve ser louvado
Ser louvado, ser louvado
De todos peço atenção
Atenção, atenção
Falo de peito lavado
Louvando o que bem merece
Deixo o que é ruim de lado
Louvo a casa onde se mora
De junto da companheira
Louvo o jardim que se planta
Pra ver crescer a roseira
Louvo a canção que se canta
Pra chamar a primavera
Louvo quem canta e não canta
Porque não sabe cantar
Mas que cantará na certa
Quando enfim se apresentar
O dia certo e preciso
De toda a gente cantar

E assim fiz a louvação
Louvação, louvação
Do que vi pra ser louvado
Ser louvado, ser louvado
Se me ouviram com atenção
Atenção, atenção
Saberão se estive errado
Louvando o que bem merece
Deixando o ruim de lado

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Categoria: Augusta
Tags:Louvação, Mudanças, vida
publicado em 7/03/2010 por Maria Augusta Orofino  

Clarice Lispector

O poema Eu Sei, mas não devia de Clarice Lispector desperta uma alerta para o nosso dia a dia, quando nos acostumamos a um estado letárgico e negamos a mudança. Sentimos preguiça em alterar o que não nos agrada, nos habituamos com o mau humor do companheiro, nos equivamos das mudanças no ambiente de trabalho, nos escondemos do barulho das crianças enfiando a cara no computador, nas redes de relacionamentos virtuais, nas redes sociais. Mudar é inerente ao processo da vida. Mudam-se as estações, mudamos de ano, mudamos de estado…

Compartilho neste post o texto do poema citado, convidando a quem o ler a encarar a realidade dos fatos de sua vida. A ter a coragem para enfrentar as mudanças. Assim eu faço, assim eu recomendo.

Eu sei que a gente se acostuma.
Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor.
E porque não tem vista logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E porque não olha pra fora, logo se acostuma a aceder cedo a luz.
E à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora.
A tomar café correndo porque está atrasado.
A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem.
A comer sanduíche porque não dá para almoçar.
A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado.
A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone. Hoje não posso ir.
A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.
A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita.
E a lutar para ganhar dinheiro com que pagar.
E a pagar mais do que as coisas valem.
E, a saber, que cada vez pagará mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma à poluição.
Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.
À luz artificial de ligeiro tremor.
Ao choque que os olhos levam na luz natural.
Às bactérias da água potável.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer.
Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá.
Se a praia está contaminada a gente molha só os pés e sua no resto do corpo.
Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se o trabalho está duro a gente se consola pensando no fim de semana.
E se no fim de semana não há muito que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Acostuma-se para evitar feridas, sangramentos, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida.
Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesmo.

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Categoria: Augusta
Tags:Clarice Lispector, idéias em movimento, Inteligência Competitiva, Procrastinação
publicado em 2/03/2010 por Maria Augusta Orofino  

Gavetas da vida

Existem textos e mais textos que têm a capacidade extraordinária de traduzirem o nosso pensamento.

Hoje recebi uma indicação da minha filha Marina para ler a coluna de Eliane Brum, na Revista Época na internet. O título chama-se “Escrivaninha de Xerife”  e a autora começa dizendo…  “Minha nova vida precisa de gavetas e da coragem de assumir as cicatrizes” e ao longo do texto aborda  a trajetória de sua vida, suas mudanças, a coragem para inovar e enfrentar desafios. Compartilho o link do artigo, dizendo que esse artigo é um daqueles que eu gostaria de ter escrito.

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Categoria: Augusta
Tags:Eliane Brum, Mudanças, vida
publicado em 1/03/2010 por Maria Augusta Orofino  

Virtudes

Os conceitos que aqui são apresentados, é uma adaptação livre dos preceitos Sulfi e da Escola ARICA.  Viver algo tão simples e tão complexo nos assegura a harmonia e equilibrio internos. Este gesto tem reverberações imprecionantes no nosso entorno, podendo alterar posturas e relacionamentos. A mudança é um ato solitário e interno. É preciso ter a coragem para encarar o vazio inexorável da vida e mudar. Porque o que está dificil está errado.

AÇÃO – é a direção da própria energia para a auto-realização e para o bem estar da humanidade.

INOCÊNCIA – é a resposta fresca a cada momento, sem julgamentos nem expectativas.

SOBRIEDADE – é o senso da medida, nem mais nem menos do que o necessário.

CORAGEM – é a aceitação de que como seres humanos, temos todos a mesma oportunidade de atingirmos a completa realização interna.

DESAPEGO – é a identificação somente com a própria natureza verdadeira.

SERENIDADE – é a confiança emocional de um ser humano em paz consigo mesmo.

HUMILDADE – é a aceitação dos limites da nossa própria capacidade como seres humanos.

VERACIDADE – é a aceitação honesta de si mesmo.

EQUANIMIDADE – é o estado de viver em completa harmonia com o que nos rodeia.

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Categoria: Augusta, Complexidade
Tags:Filosofia, Resiliência, Virtudes
publicado em 28/02/2010 por Maria Augusta Orofino  

Disneylandia, muito além de um parque de diversões

Essa música, composta por Arnaldo Antunes e interpretada por Jorge Drexler, retrata as relações internacionais, os intercâmbios culturais, as interações diárias que vivemos com todos os povos, a impermanência e necessidade de mudança, as inúmeras possibilidades, o nosso dia a dia. Evidencia ainda de uma forma sutil, os preconceitos, as barreiras, a prepotência do maior sobre o menor. Serve como uma reflexão para um entendimento dos ambientes complexos que permeiam as organizações humanas, onde a flexibilização e internacionalização tornam-se prementes e necessárias.

Disneylandia
Interpretação Jorge Drexler/ Composição Arnaldo Antunes  | Titãs

Hijo de inmigrantes rusos casado en Argentina con una pintora judía, se casa por segunda vez con una princesa africana en Méjico.
Música hindú contrabandeada por gitanos polacos se vuelve un éxito en el interior de Bolivia.
Cebras africanas y canguros australianos en el zoológico de Londres.
Momias egipcias y artefactos incas en el Museo de Nueva York.
Linternas japonesas y chicles americanos en los bazares coreanos de San Pablo.
Imágenes de un volcán en Filipinas salen en la red de televisión de Mozambique.

Armenios naturalizados en Chile buscan a sus familiares en Etiopía.
Casas prefabricadas canadienses hechas con madera colombiana.
Multinacionales japonesas instalan empresas en Hong-Kong y producen con materia prima brasilera para competir en el mercado americano.
Literatura griega adaptada para niños chinos de la Comunidad Europea.
Relojes suizos falsificados en Paraguay vendidos por camellos en el barrio mejicano de Los Ángeles.
Turista francesa fotografiada semidesnuda con su novio árabe en el barrio de Chueca.

Pilas americanas alimentan electrodomésticos ingleses en Nueva Guinea.
Gasolina árabe alimenta automóviles americanos en África del Sur.
Pizza italiana alimenta italianos en Italia.Niños iraquíes huídos de la guerra no obtienen visa en el consulado americano de Egipto para entrar en Disneylandia.

Acesso ao YouTube Disneylandia

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Categoria: Complexidade
Tags:Arnaldo Antunes, Disneylandia, Jorge Drexler
publicado em 26/02/2010 por Maria Augusta Orofino  

Preta, queres estes cadernos de desenho?

Este “post” é um resgate de uma crônica que escrevi para compor um livro escrito por uma tia minha em homenagem ao meu avô materno. O livro chamado “Um homem comum também tem a sua história”, foi escrito e coordenado por Maria do Carmo Rodrigues Hickel em 2000, ano em que João Baptista Rodrigues, meu avô, completaria 100 anos.

Segue o texto …

Lembrar do Vovô pensando em Itaguaçú, ou lembrar-se dele em uma canoa, não é uma boa recordação. Como menina, irmã de dois “rapazi” mais velhos, nunca tive espaço nas temporadas de verão. As memórias que tenho da casa de Itaguaçú são aquelas em que pegávamos um “carro de praça” preto, passávamos pela velha Ponte Hercílio Luz ainda com o chão de madeira onde podia se avistar o mar embaixo, seguindo pela estrada de chão batido até a Praia de Itaguaçú. No corpo, o maiô já vestido para não atrapalhar o pessoal da casa e na mão uma sacola de sanduíches com frutas e na outra o invariável “tarro de leite com mate gelado”. Evidente que quem levada o “farnel” eram o pai e a mãe. A mim cabia auxiliar na arrumação das bolsas e ajudar na preparação do mate (era feito com o pó a granel, coado e depois colocado para gelar – um ritual de todos os dias do verão). Quando chegávamos à praia, se corria direto para o mar ficando até a hora do almoço.

Lembrar do Vovô naquela casa, é lembrar-se da hora do banho onde ele ficava reclamando do tempo que se usava a água e isso era medido pelo lado de fora, porque como não havia captação da água usada (na porta do banheiro tinha uma fenda que fazia a água escoar, caindo diretamente no chão de terra batida), ele ficava do lado de fora com uma enxada cavando uns valinhos para a água seguir o curso que ele mesmo dava. As meninas também não podiam entrar na canoa, pegar nos caniços ou jogar crapô com ele. Tudo isto era reservado para os “rapazi”. Rapariga pequena não tinha vez. Nossa família por ser muito grande fazia seu lanche separado do almoço da Vovó, embaixo de uma árvore imensa que havia no quintal. Somente na hora de cortar a melancia que meu avô aparecia e fazia aquilo com uma maestria e tanto. Cortava primeira as pontas da melancia, virava a fruta para ficar de pé, cortava fatia a fatia (super retas porque quem corta fatia torta vai ter filha de perna torta), depois dava uma pancadinha fazendo com que todas caísse em harmonia. E sabiamente o miolo sobrava, parte que ele sorvia sozinho.

Lembrar do Vovô com admiração e saudades, é pensar nele na casa da Mauro Ramos. No período de março a novembro ele se transformava para nós. Era o avó aventureiro, arteiro e companheiro. Que cuidava da gente quando o meus pais viajavam ou participavam de algum retiro de casais. Foi quem primeiro nos levou para visitar o aterro da beira mar norte, quem nos contava as estórias ou que fazia lindos desenhos nos cadernos da escola.

Lembrar do Vovô, é lembrar daquela escrivaninha que ele tinha na sala de casa, com uma porta sanfonada que sumia atrás do próprio móvel. Pessoa bem sucedida profissionalmente, sempre guardei grande admiração pela sua trajetória profissional dentro do Banco do Brasil. Quando ele abria aquela escrivaninha, um mundo novo abria-se para mim. Gostava de ver aquelas papeladas e principalmente seus cadernos de desenho. Desde pequena, por diversas vezes ele me mostrou aqueles desenhos e ao mesmo tempo, demonstrava sutilmente a decepção por não ter aprimorado aquele talento – “Homem direito não podia ser pintor ou desenhar” – Tinha uma família para criar e um nome a zelar. Quem pintava não era bem visto. Paixão maior sempre guardei por um quadro que ficava emoldurado na sala principal da casa que retratava um menino vestido com a farda de um soldado francês – o famoso “Zuavo”. Pintado com o legítimo “crayon” inglês e onde todas as sombras e perspectivas foram feitas com miolo de pão, neste quadro em preto e branco e conseguia ver os olhos azuis do garoto. Aos quinze anos de idade, meu avô ganhou um prêmio máximo em Santa Catarina, das mãos do governador, como o melhor desenho de um concurso de ele havia participado.

Anos mais tarde, quando a casa de Itaguaçú já não era mais habitada e servia de depósito (famoso Quem tem põe – quem não tem tira), eu e o pai fomos levar uns cacarecos para lá guardar e avistamos dentro de um dos armários o tal quadro. Metida como sempre, peguei o quadro e pendurei no hall de entrada da nossa casa na Altamiro Guimarães. Como ele era o dono do quadro, fui até a casa da Mauro Ramos e disse o ocorrido. Lembro nitidamente. Estávamos tomando café na cozinha, ele emocionado pediu que o acompanhasse, subiu até a sala que tinha a tal escrivaninha, abriu e pegou os dois cadernos de desenho e perguntou-me – “Preta, queres também os cadernos de desenho?”. A emoção foi maior do que sinto agora. Dei um abraço apertado e prometi guardar para sempre. Diante de tal presente, não pude guardar tudo comigo. Separei os dois desenhos que mais gostava e dividi irmãmente com os meus irmãos, ficando cada um dos sete filhos da Dilma com dois desenhos do Vovô.

Quando meu avô já tinha seus 78 anos, pintou-me uma aquarela. Era um riachinho com umas árvores tipo chorão caindo na beira d’água, e me deu de presente. Essa foi a nossa cumplicidade. Um segredo que divido agora com quem nos lê. Quanto ao quadro do “Zuavo”, guardo comigo até hoje na sala da minha casa. De tempos em tempos, contrato um restaurador para mantê-lo em ordem em função da sua idade, hoje com quase 100 anos. 

 

 

 

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Categoria: Augusta
Tags:Familia, Memoria
publicado em 25/02/2010 por Maria Augusta Orofino  

As lições que sabemos de cor

Beto Guedes e Ronaldo Bastos cantaram essa frase dizendo que as lições sabemos de cor, só nos resta aprender, na música Sol de Primavera.

Assim é a nossa vida e o nosso dia a dia. Sabemos o que temos que fazer, temos consciência das nossas responsabilidades e obrigações. Mas porque caímos sempre nas mesmas armadilhas que a mente nos impõe? Porque sempre retornamos ao local do crime e ficamos a remoer aspectos que nos causam tanta dor e sofrimento? Porque insistimos com assuntos que tanto nos prejudicam? Porque teimamos em manter relacionamentos que não nos agregam nem sorriso no rosto?

A vida tem alguns paralelos. Como na vida escolar, se não aprendemos a lição, vamos repetir a matéria, fazer uma segunda chamada, repetir a prova, assim também é a na vida diária. Vamos repetir e repetir o assunto até que ele seja apreendido e conhecido “de cor”.

Este post não tem um fim acadêmico ou científico razão pela qual não vou buscar fundamentos na gestalt terapia, ou na filosofia ou mesmo em outras escolas da psicologia humana. É apenas um pensar livre. Como diz Millor Fernandes: livre pensar, é só pensar.

Quando eu me deparo com esses círculos ou situações que teimam em voltar a minha mente, eu vou direto às perguntas para as minhas respostas. Algo como ter lançado uma flecha dentro de uma floresta e depois procurar onde caiu para que eu coloque o alvo. Às vezes, quando envolve outras pessoas, posso parecer insistente ou chata, mas na verdade quero apenas as perguntas para apaziguar a minha mente. Essa insistência persistente trás resultados e isso é que leva ao aprendizado.

Nesta semana vivi momentos que me trouxeram a tona essa questão. Resgatava um contato com uma pessoa que há muito tempo não tinha noticias. Insisti, bati, cavei até que tive uma resposta. Pode ser que a resposta não tenha me agradado, mas não importa. O que realmente significa prá mim, é a pacificação da minha mente. Saber que aquele assunto não tem mais solução, e desta forma, resolvido está. E ponto final. Tiro o assunto da cabeça, jogo fora o que não será mais necessário, guardo as coisas boas e sigo a minha vida.

Evidente que isso não acontece do nada.  Assim como na escola formal onde devemos ter cadernos, canetas, livros e exercícios, a escola da vida tem algumas técnicas também. Ela me ensinou algumas práticas de meditação, alguns mantras poderosos, cheiros e incensos, além de algumas orações que aprendi no convívio com minha mãe que são verdadeiros bálsamos para uma alma ferida ou machucada.

Clarissa Pinkola Estés, autora de “Mulheres que correm com os lobos, tem um livro chamado “A Ciranda das Mulheres Sábias”. Um livro fininho, aparentemente insignificante, mas como tudo na vida, guarda grandes ensinamentos. Ela coloca: … embora a película externa da alma seja magoada, arranhada ou chamuscada, ela se regenera de qualquer modo. Repetidas vezes, a pele da alma retorna ao seu estado primitivo e intacto”.

Essa é a forma que a vida nos dá para aprenderemos as lições. Saber pelo coração, aprender pela alma.  

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Categoria: Augusta
Tags:Clarissa Pinkolas Estés, Liçoes da vida, Resiliência
publicado em 24/02/2010 por Maria Augusta Orofino  

Procrastinação

Eu não vou me ater neste post a falar do que se trata procrastinação, porque estaria adiando o fato de querer compartilhar uma animação gráfica que explica muito bem do que isso se trata. Apenas listo algumas dicas para evitar essa coisa que pode ser também chamada de “empurrar com a barriga“.

  • Não deixe para depois.
  • Organize-se em metas e prazos e comemore as vitórias obtidas.
  • Tire do caminho o que te faz dispersar a atenção.
  • Elimine ou monitore seus acessos à internet e redes sociais.
  • Faça uma lista diária das atividades que devem ser cumpridas em sequencia por prioridade.
  • Esqueça a perfeição e dê preferência para a conclusão
  • Organize as atividades por tipos correlatos – ligações e contatos telefônicos, visitas em locais próximos, estudos e pesquisa, atividades em casa ou na rua e assim por diante.
  • Aceite o erro e a possibilidade de acerto em outra ocasião.
  • Faça, realize, tire do caminho, risque da lista, desove, tire da pauta, encerre o expediente.
  • Desfrute da felicidade e alegria em ter algo realizado, concluído, finalizado.

Compartilho o link para uma animação  ou  [http://vimeo.com/9553205] – filme realizada pelo Royal College of Art em 2007, com enredo, animação e direção de Johnny Kelly e Audio/Voz de Bryan Quinn.  Brilhante. Fantástico.

An investigative and exploratory hands-on gloves-off study into the practice of putting things ‘off”. Sometimes the only way to get something done is to do two dozen other things first.

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Categoria: Complexidade, Gerenciamento de projetos
Tags:planejamento de vida, Procrastinação, Procrastination, Tempo
publicado em 23/02/2010 por Maria Augusta Orofino  

Palavras de Gentileza

O MOTIVO DO POST

Durante uns 3 anos mantive um contato muito próximo com uma pessoa a quem considero muito. Foram palavras animadoras, textos inteligentes, trocas emocionantes, momentos especiais. Por razões que desconheço, essa pessoa a quem tenho um grande apreço, me repudiou e tornou-se agressivo. Adotou uma postura defensiva e ameaçadora. Pensei muito nessas situações que ocorrem quase que diariamente. Por que nos tornamos agressivos? Por que nos sentimos ameaçados e esquecemos as palavras de gentileza?

Ao pensar em palavras de gentileza, automanticamente veio a minha mente a música de Marisa Monte. Resolvi compartilhar nesse espaço tanto a música, como a história que deu origem a ela. Este post é uma mensagem que registro como um simbolismo ao que foi excluido da minha vida ontem. Ao muro erguido por essa pessoa que citei. Registro meu perdão pela tinta cinza que foi pintada sobre toda a nossa vivência e sobre os nossos escritos. Resta o amor que nunca se apaga e meu sentimento de compaixão.  

A ORIGEM INSPIRADORA DA MÚSICA

Essa música foi feita em homenagem a José Datrino, chamado Profeta Gentileza.  

No dia 17 de dezembro de 1961, na cidade de Niterói, houve um grande incêndio no circo “Gran Circus Norte-Americano”, o que foi considerado uma das maiores tragédias circenses do mundo. Neste incêndio morreram mais de 500 pessoas, a maioria, crianças. Na antevéspera do Natal, seis dias após o acontecimento, José acordou alegando ter ouvido “vozes astrais”, segundo suas próprias palavras, que o mandavam abandonar o mundo material e se dedicar apenas ao mundo espiritual. O Profeta pegou um de seus caminhões e foi para o local do incêndio. Plantou jardim e horta sobre as cinzas do circo em Niterói, local que um dia foi palco de tantas alegrias, mas também de muita tristeza. Aquela foi sua morada por quatro anos. Lá, José Datrino incutiu nas pessoas o real sentido das palavras Agradecido e Gentileza. Foi um consolador voluntário, que confortou os familiares das vítimas da tragédia com suas palavras de bondade. Daquele dia em diante, passou a se chamar “José Agradecido”, ou simplesmente “Profeta Gentileza”.

O Profeta Gentileza  tornou-se conhecido a partir  de 1980 por fazer inscrições peculiares sob um viaduto na cidade do Rio de Janeiro, por onde andava com uma túnica branca e longa barba.  Com o decorrer dos anos, os murais foram danificados por pichadores, sofreram vandalismo, e mais tarde cobertos com tinta de cor cinza. A eliminação das inscrições foi criticado e posteriormente com ajuda da prefeitura da cidade do Rio de Janeiro, foi organizado o projeto Rio com Gentileza, com o objetivo restaurar os murais das pilastras. Começaram a ser recuperadas em janeiro de 1999. Em maio de 2000, a restauração das inscrições foi concluída e o patrimônio urbano carioca foi preservado.

A LETRA DA MÚSICA

Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
A palavra no muro
Ficou coberta de tinta

Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
Só ficou no muro
Tristeza e tinta fresca

Nós que passamos apressados
Pelas ruas da cidade
Merecemos ler as letras
E as palavras de Gentileza

Por isso eu pergunto
À você no mundo
Se é mais inteligente
O livro ou a sabedoria

O mundo é uma escola
A vida é o circo
Amor palavra que liberta
Já dizia o Profeta

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Categoria: Augusta
Tags:Filosofia, Marisa Monte, Sabedoria
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Quem é Maria Augusta Orofino

Sou um ser em busca de aperfeiçoamento constante, aberta à mudança. Estudei Administração na ESAG e conclui em 1982. Sou especialista auto-didata em comunicação e marketing e atualmente sou mestranda em Engenharia e Gestão do Conhecimento, na UFSC. leia mais

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