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publicado em 9/08/2010 por Maria Augusta Orofino  

Meu pai, um depoimento

Ontem foi o dia dos pais e pensei muito em escrever um novo post sobre esse homem maravilhoso que foi meu pai e com quem convivi por um curto espaço de tempo. Nesta semana que passou fui recepcionada por um velho amigo dele – Dr. João Jannis e hoje tive a grata surpresa de receber este depoimento, que copio na integra neste espaço. Fica assim feita a homenagem devida. Dr. Jannis, muito obrigado.

Miguel Espera em Deus Manganelli Orofino. O conheci, não posso precisar a data, porém de uma coisa tenho certeza, primeiro de nome, depois pessoalmente. Membro de uma família importante o nome Orofino fazia parte dos comentários da sociedade local quando se mencionava retidão, honestidade. posição e outros qualificativos pertinentes às famílias de bem. Sempre bem trajado, terno e gravata, fino, de olhar altivo e de fidalgo porte, trazia consigo um sorriso meigo num cumprimento, ao apertar suas mãos macias à dos seus amigos. As primeiras lembranças dêle que tenho não sei bem ao certo, Catedral Metropolitana, igreja do Colégio Catarinense, barraquinha do Espírito Santo, procissões, sei lá. O tempo passou, formei-me em Odontologia e nossos destinos se cruzaram. Encontreio-o em 1967 quando ingressava no quadro da saúde do INSS no prédio da propria entidade defronte ao teatro Álvaro de Carvalho, quando era radiologista no segundo turno das 12 às l6 horas. O destino mais uma vez neste mesmo ano nos colocava lado a lado, quando do meu ingresso na UFSC à rua Esteves Junior defronte ao novo prédio do INSS. Assim surgiu a minha amizade com o doutor Miguel, “nomeou-me” seu priodontista e de tôda a sua família.Quando de sua ida aos EE.UU.foi obsequiado com uma assinatura do “Journal of Periodontogy”, a principal revista do mundo em periodontia, a qual me fazia entrega mensalmente e então após a leitura doava-a a Biblioteca da nossa faculdade. Certa feita dirigindo-se a mim disse-me que precisava de um favôr, o que eu depois de dizer sim, perguntei-lhe qual seria. Leva-lo a Blumenau, pois tinha um compromisso religioso e seu carro estava em uma oficina. Dois dias após partimos numa manhã de sol, foram ótimas horas de convívio, pois tive aulas de patologia, religião e um muito bom diálogo. Lembro-me que após o seu compromisso que não foi demorado, fomos almoçar no restsurante Gruta Azul, um dos melhores da cidade. Sentamo-nos, fizemos o nosso pedido e conversávamos enquanto aguardavamos a comida. Após alguns minutos fomos servidos. Eis que se não quando, levanta-se o professor Miguel, e ereto em pose, com a cabeça um pouco levantada para o alto, faz o sinal da cruz, e a curvando encostava no queixo as suas mãos postas de encontro ao peito. Profere uma oração. Embora aquilo me pegasse de surpresa, estava acostumado tambem a fazer orações, mas só que em casa, nunca em público e, mais rápido do que o nosso vento sul, em frações de segundos um pouco atrasado, levantei-me e até um pouco sem jeito, não envergonhado, acompanhei-o fazendo o sinal da cruz, orando até o mestre se sentar. Olhou-me de soslaio, como que entendendo a minha situação e alguns minutos depois em meio a conversa disse-me, Jannis, não precisas me chamar de doutor Miguel, podes me chamar de Miguel, coisa que nunca fiz, nem poderia fazer. Hoje após todos êsses anos quando vou para a minha casa de praia na Cachoeira do Bom Jesus o que faço semanalmente durante, todos êsses anos ao passar por lá, olho a montanha e me lembro da fatídica noite chuvosa Não me deixo levar pelos pensamentos, oro. Saudades do meu professor Miguel Espera em Deus Manganelli Orofino.

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Categoria: Augusta
Tags:Familia, Memoria, vida
publicado em 21/07/2010 por Maria Augusta Orofino  

“Beije mais e tuite menos”

Recebi esse post através da Knowtec e achei bem interessante. É aquele texto que eu gostaria de ter escrito, por isso disponibilizo neste blog. O autor é Bob Herbert  e foi publicado na Folha de S. Paulo com o título “Tente beijar mais e tuitar menos “.

Eu estava indo de Washington para Nova York quando um carro colou atrás de mim -voando. Eu vi pelo retrovisor que a motorista falava no celular. Dias depois, eu conversava com um cara que costuma ir de Nova York a Nova Jersey. Ele apoia seu laptop na frente do carro para assistir DVDs enquanto dirige. “Eu só faço isso no trânsito. Não tem problema”, diz.

Além das questões óbvias de segurança, por que alguém quer ou precisa falar ao telefone ou assistir a filmes enquanto dirige? Odeio soar como se fosse do século passado, mas qual o problema em só ouvir rádio? As maravilhas da tecnologia estão nos engolindo. Não as controlamos; elas nos controlam.

Nós temos celulares, Blackberrys, Kindles e iPads, e estamos mandando e-mails e mensagens de textos, batendo papo e tuitando. Tudo isso é parte do que eu acho ser um dos aspectos mais esquisitos da nossa cultura: o ritmo frenético que exige que façamos, no mínimo, duas ou três coisas a todo momento desde que acordamos. Por que ser multifuncional é considerado um talento?

Poderíamos facilmente achar que isso é uma inabilidade neurótica que nos impede de nos concentrarmos por mais de três segundos. Chega desse comportamento hiperativo, dessa tecnotirania e desse ritmo frenético que não para. Precisamos desacelerar e respirar. Não me oponho aos excepcionais avanços dos últimos anos. Não quero voltar para a máquina de escrever e ao papel carbono. Só acho que deveríamos tratar a tecnologia como qualquer outra ferramenta. Deveríamos controlá-la, moldando-a aos nossos propósitos.

Vamos deixar um pouco de lado nossos gadgets e passar o tempo sendo nós mesmos. Um dos problemas da nossa sociedade é que temos uma tendência, em meio a toda loucura que nos cerca, de perder de vista o que é verdadeiramente humano em nós -aquelas coisas bem especiais, a maior parte não material, que nos preenchem, dão sentido às nossas vidas, nos engrandecem e que nos permitem abraçar mais facilmente aqueles a nossa volta.

Há um personagem em uma peça de August Wilson que diz que todo mundo tem uma canção dentro de si e que você corre risco de perder essa canção. Se você perde o contato e esquece como cantá-la, você está sujeito a ficar frustrado e insatisfeito.

Não acho que ficamos em contato com nossas canções ao tuitar ou digitar mensagens em nossos Blackberrys ou acumular amigos no Facebook. Precisamos reduzir os limites de velocidade de nossas vidas e saborear a viagem. Deixe o celular em casa de vez em quando. Tente beijar mais e tuitar menos. E pare de falar tanto. Ouça.

As outras pessoas também têm o que dizer. Quando elas não dizem, aquele silêncio glorioso dirá mais do que você jamais imaginou. Isso é quando você começará a ouvir a sua canção. Isso é quando os seus melhores pensamentos aparecerão, e você realmente será você.

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Categoria: Augusta
Tags:Afeto, Felicidade, Sabedoria
publicado em 20/07/2010 por Maria Augusta Orofino  

Bar do Chico no Campeche

Derrubaram o Bar do Chico, mas ele voltará!…
Por Elaine Tavares – jornalista

No raiar da manhã de uma sexta-feira de muito frio vieram os homens e as máquinas. Não avisaram ninguém. Em minutos, derrubaram o Bar do Chico, ponto cultural da comunidade do Campeche, que está na praia desde 1981. Lugar que é reconhecido pelas pessoas que vivem no bairro como espaço coletivo  de encontro e lazer. É, porque o Campeche, até hoje, sequer uma praça tem. Os espaços coletivos são os que a própria comunidade cria e o Bar do Chico era um deles.

Seu Chico é um homem simples, pescador, que nasceu e viveu toda sua vida no Campeche. Do mar, tirou o sustento dos 13 filhos que criou. Mas, quando no início dos anos 80, os barcos industriais começaram a varrer o mar, tirando o pão da boca dos pescadores artesanais, ele precisou se virar. Naqueles dias não havia quase nada no Campeche, a não ser os ranchos de pesca que acolhiam as canoas e os homens. Então, do rancho nasceu o bar e, logo em seguida, o lugar virou o coração do Campeche.

O Bar do Chico estava na beira da praia, feito de madeira e palha. Lugar simplesinho, como Chico. Não havia cercas, era território liberado para as famílias que vinham à praia, para as crianças pegarem uma sombra, para o uso gratuito do banheiro nestes tempos em que se paga para tudo. No bar do Chico as gentes celebravam o começo do ano, o meio do ano, a chegada do verão, da primavera, das tainhas, o carnaval. Era a praça coletiva.

Então, deu que o filho do Chico, Lázaro, se fez vereador. Homem sério, decidido, resoluto, do lado dos empobrecidos, dos sem casa, sem terra, sem nada. Incomodou demais. Angariou inimigos. Sem ter como atingi-lo, os políticos que se acham donos da cidade, decidiram se vingar no pai.

Começou a perseguição ao Bar do Chico. A alegação é de que o mesmo estava construído nas dunas e isso não podia ser. Mas, por outro lado, por toda a parte, as dunas do Campeche iam sendo tomadas e não havia ninguém querendo destruir nada. Só o Bar do Chico.

É que o Campeche é um bairro chato demais. Aqui as pessoas participam da vida da cidade, elas fazem reuniões, brigam com a prefeitura, apresentam propostas, não aceitam a especulação, enfrentam empresários, fazem o diabo. As gentes do Campeche são incomodativas demais.  Então, precisava um baque, um golpe só, para quebrar a espinha, a alma forte das famílias pescadoras.

Por quase vinte anos pairou a ameaça de derrubada. Mas, o povo nunca permitiu. Quando se anunciava a vinda, lá estava a comunidade, vigiando. Então, nesta sexta, vieram sem aviso. E quebraram a espinha do Campeche. Na manhã de sábado, na sede da Rádio Comunitária, as pessoas chegavam aos borbotões. Vinham chorando, indignadas, iradas, resolutas, aquilo não ficaria assim. Ninguém estava imóvel. O golpe não vingara. Não se quebrara a espinha, não se destruíra a alma. Pelo contrário. O que assomava era a velha e renovada força popular. “Reconstruiremos!”, diziam…

O Bar do Chico caiu. E todos sabem por quê. Por outro lado, enquanto a tal da “justiça” cristaliza uma vingança em cima de um homem velho e de uma comunidade guerreira, a Casan (estatal que cuida da água e do esgoto) premia os invasores privados das dunas com a passagem de rede de esgoto nas suas casas. O mesmo estado que derruba o espaço comunitário e livre do Campeche, é o que arranca 16 milhões de reais dos cofres públicos para construir um molhe na Praia da Armação, unicamente para salvar as propriedades privadas de famílias que invadiram a beira do mar. A justiça que derruba o coração do Campeche é a mesma que permite que o famoso jogador de tênis, Guga, desfrute privadamente das dunas e da praia do Campeche. A prefeitura derruba o Bar do Chico ao mesmo tempo em que libera a construção de casas no Morro do Lampião. Ou seja, para os ricos tudo, para as comunidades nada.

O que aconteceu nesta sexta-feira no Campeche não é nada de novo. É o  estado e a justiça, instrumentos de uma classe, usando seu poder sobre quem lhes incomoda. A prefeitura, incomodada com os entraves ao plano diretor que o Campeche sempre põe, quis dar  uma lição às gentes. Um cala a boca. Não vai conseguir.

O povo do Campeche quer seu espaço de volta e vai reerguê-lo com as próprias mãos, a menos que cada casa, cada hotel, cada condomínio, cada espaço privado seja também demolido. Se não for assim, o Bar do Chico vai viver outra vez. Ah, vai…

E o primeiro momento de reconstrução acontece neste sábado, dia 24, a partir das três horas da tarde. O Campeche está convidando toda a cidade para vir ajudar.  Aqui não vai acontecer como no poema, no qual eles vem, pisam o nosso jardim e ninguém diz nada. Aqui, quando alguém pisa no jardim do vizinho, as gentes se levantam. Hoje pisaram no jardim do Campeche. Pois vão conhecer a força do povo!

Ato Público:  Dia 24 de julho. 15h. Em frente ao bar do Chico.  Traga seus instrumentos de trabalho.
 
Rádio Comunitária Campeche, 98.3FM
Travessa Iracema das Chagas Pires, No 80
Campeche, Florianópolis / SC
Fone: (48) 3237 2022
www.radiocampeche.com.br

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Categoria: Augusta
Tags:Bar do Chico Campeche, Resistência
publicado em 2/07/2010 por Maria Augusta Orofino  

União de pessoas pela paixão

Dentro dos comerciais e idéias em movimento que assisti nos último meses, destaco os comerciais do HSBC. Uma idéia simples e coloquial mas com um grande propósito. Os filmes são produzidos em três pontos do planeta com culturas bem distintas: cidade do México, fronteira entre Brasil e Argentina e Praça Vermelha em Moscou. Ao som da música Hey boy, hey girl cantado por Louis Prima e Keely Smith, diferentes raças e culturas são unidas pela mesma paixão. Duas pequenas traves e um bola de futebol, colocadas aleatoriamente em pontos de convergências de público e pedestres, tornam um grande elo de ligação entre as pessoas. Dá vontade de estar no local e sair jogando aquela bola.

A chamado do comercial enfatiza que o potencial do mundo está nas pessoas e que a instituição acredita que quando milhões de pessoas têm a mesma paixão, as oportunidades aparecem. Eu diria que nem precisa milhões de pessoas, basta que tenhamos sintonia com o grupo que as mesmas oportunidades surgirão. É só acreditar. Click aqui para acessar o link dos filmes.

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Categoria: Empreendedorismo, propaganda
Tags:idéias em movimento, midia, propaganda
publicado em 1/07/2010 por Maria Augusta Orofino  

O que faz você feliz?

Lançado em agosto de 2009, o comercial do Grupo Pão de Açúcar com a narração de Gilberto Gil perguntando  “O que faz você feliz também faz alguém feliz?”  é lindo. A cada momento que escuto ou vejo na TV fico emocionada por isso resolvi colocar aqui para compartilhar. Pesquisei na web e achei o “release” da rede de supermercado que reproduzo abaixo, com algumas adaptações. Desejo àqueles que também lerem tenha a mesma sensação: Sejam felizes.

Na comunicação, o foco está na relação das pessoas e o mundo que as cerca e que também é representada na nova logomarca com os morrinhos do Pão de Açúcar interligados. “Durante dois anos perguntamos aos nossos clientes sobre felicidade e as respostas seguiram evoluindo até a constatação de não é possível ser feliz sozinho. Buscamos retratar isso na nossa nova campanha”, declara Fabiano Ferreira, diretor de marketing do Grupo Pão de Açúcar.

Entre as novidades, a campanha segue declamada e não mais cantada, como nas versões anteriores. E quem embala os comerciais institucionais é o cantor Gilberto Gil. “Acompanhamos as mudanças e a forma como o consumidor vem entendendo a felicidade. Para marcar essa evolução trouxemos uma nova voz declamando o nosso jingle”, diz Eduardo Romero, diretor executivo da PA Publicidade, agência responsável pela campanha.

Nesta nova fase a marca também resgata o slogan “A receita para ser feliz é sua. Alguns dos ingredientes estão no Pão de Açúcar”. “Queremos reforçar que a rede Pão de Açúcar está presente no dia a dia do cliente oferecendo a melhor experiência de compra e atendimento diferenciado”, finaliza João Edson Gravata, diretor de operações da rede Pão de Açúcar.

Para apresentar a versão “O que faz você feliz também faz alguém feliz?”.foram criados filmes institucionais de 60”, 30” e 15”, spots para rádio interna, material PDV e anúncios que serão utilizados ao longo do ano para fortalecer o elo emocional com os consumidores e destacar a felicidade presente no cotidiano, nas coisas simples da vida.

O que faz você feliz?

Abrir a janela, comer na panela
viajar pela rua, o mundo da lua
Correr para o abraço, que eu desembaraço,
ou é andar descalço que faz você feliz?
Será que é cuidar da gente,
cuidar do planeta,
fazer diferente, fazer melhor?
Ficar na cama (só mais um pouquinho!)
Comer um bolinho, fazer um carinho,
Se espreguiçar?
É isso que faz você feliz?
Ou é… adivinhar desejo, estalinho de beijo
amar de paixão, arroz com feijão,
uma bela salada, miolo de pão?
Talvez…
a macarronada, brincar de nada,
fazer de tudo, fazer o que você sempre quis…
Me diz: o que faz você feliz
também faz alguém feliz?

Pão de Açúcar. Lugar de gente feliz.

FICHA TÉCNICA

Filme: Institucional Pão de Açúcar
Anunciante: Pão de Açúcar
Agência: P.A. Publicidade
Diretor Geral: Eduardo Romero
Diretores de Criação: Ari Fidelis, Rose Ferraz e Marcelo Prista
Criação: Ari Fidelis, Rose Ferraz, Ilson Igreja, Lucila Lico, Marcio Araújo, Renato Silva e Rodolfo Antonucci
Atendimento: Leda Cichello, Daniel França e Guilherme Leite
Planejamento: Fabiane Vasconcellos, Fernando Pieratti e Juliana Meirelles
Mídia: Cecília Chagas, Ricardo Lopes e Maria do Carmo Ramos de Oliveira
RTV: Nelcy Alves e Carlos Jardim
Operações: Patrícia Sant’Anna
Produção: Antonio Lima, Marcelo Adalardo e Ariane Souza
Promoções: Patrícia Sant’anna, Samantha Portella e Berenice da Silva
Aprovação cliente: Fabiano Ferreira, João Edson Gravata e Silvana Balbo
Fotos: JR Duran
Produtora do Filme: Film Planet
Diretor do Filme: Flávia Moraes
Diretor de fotografia: Lucio Kodato
Pós-produção: equipe Film Planet
Produção de som: MCR
Praça: Nacional

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Categoria: Augusta, Sustentabilidade
Tags:Felicidade, vida
publicado em 24/06/2010 por Maria Augusta Orofino  

Dia de São João

Hoje faz 110 anos da data de nascimento de meu avô. Quando criança era um dia de festa. Dia de São João. Dia do aniversário do meu avô. Cedo quando acordávamos já se sabia que não importava que dia da semana fosse, teríamos festa a noite. Durante o dia a casa era preparada pelos meus tios e tias. Bandeirinhas eram colocadas em todas as partes da casa e no quintal. Balão de papel de seda com 16 gomos era meticulosamente montado em uma época em que nada era proibido. Como eu era pequena, tudo se agigantava. Era enorme. Minha mãe preparava um bolo de milho com côco especialmente para ele. Não era para a festa. Era para o meu avô. No inicio da noite, nós colocávamos os trajes típicos ou as “roupas de jeca”. Tudo a caráter. Com direito a chapéu de palha e trancinha nos cabelos com fitas coloridas de diferentes cores e seguíamos para a festa.

A casa do meu avô ficava no centro de Florianópolis, na av. Mauro Ramos em frente a antiga Escola Técnica (perto dos Canudinhos) como ele costumava chamar. Centro da cidade, mas ali ele tinha uma casa com uma pequena chácara, com muitas árvores frutiferas e bichos de várias espécies. Ali ele fazia uma fogueira, cozinhava o pinhão na brasa e o milho verde era preparado em uma lata grande, também no quintal. Ao chegarmos na festa, ganhávamos um kit festa junina que consistia em uma caixa de fósforos coloridos (chamávamos – fosfrinho de cor – que brilhavam quando acessos (algo como essas velinhas de aniversário de hoje em dia) e umas caixinhas de estalhinhos (umas trouxinhas que faziam barulho quando jogadas ao chão). Para os adultos tinha foguete, busca-pé, vulcaozinho e outros mais. A música era especial, em discos da época. A comida era toda voltada para uma típica festa junina. Nada além disso. Mesa farta e saborosa com muita “bergamota”. Se estive doce, ele comentava em tom humorado: “Maio mijou em cima”.

A criançada ficava na rua, normalmente noite seca sem chuva, brincando com os fogos, com as estripulias e esperando a hora de soltar o balão. Meu avô cuidava do fogo do pinhão e do milho verde além da fogueira. A vizinhança aparecia não se sabe da onde no momento de soltar o balão. O processo acontecia no meio da avenida Mauro Ramos, hoje uma das maiores da cidade e grande área de escoamento de veículos. Mas naquela época era somente nossa. O momento era de confraternização e muita alegria. A noite terminava e tinhamos que voltar pra casa e guardar tudo até o ano seguinte.

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Categoria: Augusta, Organização de eventos
Tags:Familia, Festa em familia, Festa Junina
publicado em 21/06/2010 por Maria Augusta Orofino  

Geração de novas ideias

Qualquer pessoa pode aprimorar seu talento para a criação de novas idéias. Esta é a tese do Dr. Lassi Liikkanen, especialista em cognição do Instituto de Tecnologia da Informação de Helsinque, na Finlândia. Para isso, segundo ele, basta um pouco de técnica e bastante esforço. De acordo com o pesquisador, o básico para que as pessoas possam aumentar a sua criatividade é melhorar o seu conhecimento sobre o tema no qual elas querem adquirir novas  ideias. Mas há também uma série de métodos e técnicas de geração de ideias, a adoção de uma atitude correta e muito esforço.

Em sua pesquisa, Liikkanen modelou um processo de geração de ideias. Para ele, criar ideias significa que uma pessoa processa as informações memorizadas e combina essas informações de novas maneiras. Ele defende que, se a pessoa obtém informações mais aprofundadas sobre o tema, seu potencial de criatividade aumenta. Quanto mais uma pessoa souber sobre o assunto ou puder aprender com os outros, maiores chances ela terá de fazer novas combinações de conhecimentos.  Em segundo lugar, se deve estudar diferentes métodos e técnicas voltados para a geração de ideias. Entre esses métodos, os mais conhecidos são brainstorming, TRIZ, seis chapéus do pensamento, cinética e análise morfológica. Para tanto, para usar cada um dos métodos de forma eficiente faz-se necessário conhecer bem a técnica, ou não se alcançará um nível ótimo de resultados.

Os diferentes métodos de geração de ideias servem a diferentes tipos de necessidades, por isto é preciso testar para descobrir qual funciona melhor para a pessoa ou para a situação específica em que se está procurando exercer a criatividade.

Em terceiro lugar, é necessário fazer uma boa dose de esforço para gerar ideias. A criação de ideias não é diferente de outros trabalhos, diz o pesquisador: se você trabalhar bastante, obterá mais resultados. E se há muitos resultados, é mais provável que você encontre bons resultados no meio deles. Além disso, ler sobre o assunto e criar protótipos – exercícios simulados – pode ser uma boa tática para aperfeiçoar o processo de geração de ideias.

Um indivíduo “gerador de ideias” deve também ter a atitude correta. Se você acha que só há uma solução correta para cada problema, isto irá limitar consideravelmente a sua capacidade de ter ideias inovadoras. A capacidade de tolerar a incerteza faz parte da criação de ideias, lembra Liikkanen. A tolerância à incerteza não garante a criatividade, mas é uma condição essencial para ela. Você deve lembrar-se que a criação de novas ideias é apenas a primeira etapa do ciclo de vida de uma ideia. Uma boa ideia deve ser apoiada e fortalecida.

O estudo completo, em inglês, pode ser visto no endereço http://lib.tkk.fi/Diss/2010/isbn9789526030258/

Fonte: Adaptado de Diário da Saúde - acesso em 21/06/2010

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Categoria: Augusta
Tags:Criatividade, Ideias
publicado em 15/06/2010 por Maria Augusta Orofino  

Auto-ajuda, ajuda?

Extraído do site Diário da Saúde em 15/06/2010

Uma pesquisa realizada na Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, revelou que as pessoas que se questionam se conseguirão executar uma tarefa geralmente saem-se melhor do que aqueles que dizem a si mesmos que vão se sair bem. A descoberta desafia praticamente toda a literatura de auto-ajuda ligada à área dos negócios, da administração e da profissionalização, que aposta em uma autoconfiança exacerbada. Existem poucas pesquisas na área desse “falar consigo mesmo”, embora todos sejam conscientes de uma voz interior que nos fala sempre. Também na literatura, o diálogo interno muitas vezes influencia a forma como as pessoas motivam e determinam seu próprio comportamento.

Os cientistas testaram os dois tipos de motivação – o questionamento sobre a própria capacidade e a certeza do sucesso – em 50 participantes, incentivando-os explicitamente a gastar um minuto imaginando se seriam capazes de completar uma tarefa ou, no caso do segundo grupo, dizendo-lhes que conseguiriam. Na realização da tarefa, o primeiro grupo, que questionou sua capacidade para a tarefa, saiu-se significativamente melhor do que o grupo que apostou na autoconfiança. Em outro experimento, a orientação explícita dos cientistas foi substituída pelo ato de escrever uma frase – “Eu conseguirei” ou “Será que conseguirei?”. A seguir foi realizada a mesma tarefa. Novamente, o grupo que expressou a dúvida em sua frase saiu-se melhor.

A equipe da professora Dolores Albarracin suspeita que o resultado está relacionado com uma formação inconsciente da pergunta “Será que conseguirei?” e seus efeitos sobre a motivação. Ao fazer uma pergunta a nós mesmos, ficaríamos mais propensos a elaborar nossa própria motivação. Segundo a cientista, as descobertas podem ter implicações nas áreas cognitiva, social, clínica, da saúde e da psicologia desenvolvimental, bem como em clínicas, estabelecimentos educacionais e em ambientes de trabalho. “Estamos voltando a nossa atenção para o estudo científico de como a linguagem afeta a auto-regulação,” diz Albarracin. “Os métodos experimentais estão nos permitindo investigar o discurso interior das pessoas, tanto os explícitos quanto os implícitos, e como o que as pessoas dizem a si mesmas determinam o seu comportamento.” Os resultados desafiam paradigmas tradicionais adotados desde as mensagens de serviço público até a literatura de auto-ajuda, que buscam motivar as pessoas rumo a comportamentos mais produtivos e mais saudáveis. “A ideia popular é que a auto-afirmação reforça a capacidade das pessoas em cumprir seus objetivos,” comenta Albarracin. “Parece, no entanto, que, quando se trata de realizar um comportamento específico, fazer perguntas é uma maneira mais promissora de alcançar seus objetivos.”

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Categoria: Complexidade, Inteligência Competitiva
Tags:auto ajuda, Neurociencia
publicado em 11/06/2010 por Maria Augusta Orofino  

Na falta de um namorado, procure um amante

Eu recebi este texto por email, e absolutamente não sei de quem é autoria. Caso alguém identifique, peço me comunicar para que os devidos créditos sejam atribuidos. Achei apropriado considerando que dia 12 de junho é comemorado o dia dos namorados. Segue o texto.

Muitas pessoas vêem ao meu consultório para me contar que estão tristes ou que apresentam sintomas típicos de insônia, apatia, pessimismo, crises de choro ou as mais diversas dores. Elas me contam que suas vidas transcorrem de forma monótona e sem perspectivas, que trabalham apenas para sobreviver e que não sabem como ocupar seu tempo livre. Enfim, são várias as maneiras que elas encontram Para dizer que estão simplesmente perdendo a esperança. Antes de me contarem tudo isto, elas já haviam visitado outros consultórios, onde receberam as condolências de um diagnóstico firme: ‘Depressão’, além da inevitável receita do antidepressivo do momento. Assim, após escutá-las atentamente, eu lhes digo que elas não precisam de nenhum antidepressivo; digo-lhes que elas precisam de um AMANTE! É impressionante ver a expressão dos olhos delas ao receberem meu conselho. Há as que pensam: ‘Como é possível que um profissional se atreva a sugerir uma coisa dessas?’ Há também as que, chocadas escandalizadas, se despedem e não voltam nunca mais.

Àquelas, porém, que decidem ficar e não fogem horrorizadas, eu explico o seguinte: AMANTE é ‘aquilo que nos apaixona’. É o que toma conta do nosso pensamento antes de pegarmos no sono e é também aquilo que, às vezes, nos impede de dormir. O nosso AMANTE é aquilo que nos mantém distraídos em relação ao que acontece a nossa volta. É o que nos mostra o sentido e a motivação da vida. Às vezes encontramos o nosso amante em nosso parceiro, outras, em alguém que não é nosso parceiro, mas que nos desperta as maiores paixões e sensações incríveis. Também podemos encontrá-lo na pesquisa científica ou na literatura, na música, na política, no esporte, no trabalho, na necessidade de transcender espiritualmente, na boa mesa, no estudo ou no prazer obsessivo do passatempo predileto… Enfim, é ‘alguém’ ou ‘algo’ que nos faz ‘namorar’ a vida e nos afasta do triste destino de ‘ir levando’. E o que é ‘ir levando’? Ir levando é ter medo de viver. É o vigiar a forma como os outros vivem, é o se deixar dominar pela pressão, perambular por consultórios médicos, tomar remédios multicoloridos, afastar-se do que é gratificante, observar decepcionado cada ruga nova que o espelho mostra, é se aborrecer com o calor ou com o frio, com a umidade, com o sol ou com a chuva. Ir levando é adiar a possibilidade de desfrutar o hoje, fingindo se contentar com a incerta e frágil ilusão de que talvez possamos realizar algo amanhã. Por favor, não se contente com ‘ir levando’ procure um amante, seja também um amante e um protagonista da sua vida.

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Categoria: Augusta
Tags:amante, Vocação
publicado em 9/06/2010 por Maria Augusta Orofino  

Tempo

Estou passando por um momento de descompressão
Me sinto compelida a nada fazer e permitir um intervalo entre tempos
Algo como ocorre na música, assim também é na vida
Não tenho vontade de fazer nada
Quero ficar quieta, sem falar ao telefone
Sem receber pessoas
Permitir entrar o vazio e nele fazer morada.
O momento requer uma pausa
Uma abertura para o novo
Um dar-se conta que sei que nada sei
Cansei da supremacia, da auto-confiança, de ter certeza de tudo
Quero ouvir o vento soprar na janela
Quero sentir o afago da chuva
Quero espaço para encontrar meu próprio ser.

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Categoria: Augusta
Tags:poema, Tempo, vida
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Quem é Maria Augusta Orofino

Sou um ser em busca de aperfeiçoamento constante, aberta à mudança. Estudei Administração na ESAG e conclui em 1982. Sou especialista auto-didata em comunicação e marketing e atualmente sou mestranda em Engenharia e Gestão do Conhecimento, na UFSC. leia mais

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