Sempre tenho o hábito de me liberar e libertar de pertences, objetos, livros e tudo que preenche a vida quando no curso de uns dois anos não tenha sido utilizado. Quando criança fazia isso com as minhas coisas e depois passei a fazer para todos da minha casa. Era o dia da faxina. Normalmente acontecia em dezembro, quando as aulas acabavam e por alguns dias tudo era jogado no chão dos quartos, tirado dos armários, feitos os repasses do que ainda podia ser aproveitado e aquilo que não tinha serventia era doado.
Por volta dos anos 90, surgiu os programas de qualidade total e junto o famoso 5S. Fiz muito cincoesse na minha empresa e consequentemente, na minha vida. Procurei sempre manter meu portfólio, os relatórios principais e significativos além dos back-ups no computador. Mas o resto, era resto e como tal, descartado.
Quando minha filha foi morar nos Estados Unidos, a familia que a recebeu trabalhava com o que chamamos de “mercado de pulgas” ou “brechós”. No seu retorno, nossas arrumações e cincoesses agregaram a experiência adquirida e passamos a “vender” por preços simbólicos aquilo que outrora tinha sido importante. Assim, fizemos grandes brechós em diferentes momentos, todos carregados de emoção e muita alegria. Essa vivência permite um exercício ao desapego, à libertação e crescimento. É um processo de abertura, também. Porque ao expor os objetos, durante o processo de separação e seleção do que vai e do que fica, muitos pontos da nossa vida são analisados e avaliados. É interessante porque surge a emoção, refletimos na pessoa que nos presentou, agradecemos o quanto aquilo nos ajudou etc.
Em um dos meus grandes brechós, conheci um rapaz que trabalhava em uma feira de artesanto nos arredores de Florianópolis, chamado Marcelus. Na ocasião eu residia em uma casa enorme com uma sala ampla e todos os objetos ficavam expostos no chão da sala. Quando ele foi ao local para comprar o que lhe interessava, ele conheceu a minha coleção de miniaturas e ficou apaixonado. Queria levar tudo e eu comentei que ainda não estava preparada para me libertar disso e que quando ocoresse eu o chamaria. Passados sete anos desse episódio, eu tomo a decisão de fazer um novo brechó e desta vez, a coleção de miniaturas está inclusa. Para quem me conhece, inclusive neste blog eu já falei das mesma, sabe qual o significado desse gesto. Procurei pelo Marcelus, mas o telefone mudou. Fui na tal feirinha e não o encontrei. Se alguém ao ler este post, o reconhecer, por favor me avise. Ou ainda, quem tiver interesse, entre em contato. Recomendo essa experiência. Nos deixa mais leves, sem grandes bagagens e no mínimo, é divertido.

