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Design organizacional e inovação: como os dois conceitos se relacionam?

O design organizacional está intimamente ligado ao modo que as empresas se portam diante dos desafios da inovação. E vamos falar sobre como isso funciona na prática. Mas agora, antes de entrarmos na relação entre os dois conceitos, pare e pense: qual seria sua reação se alguém dissesse que a sua empresa já possui os recursos para inovar muito mais do que está sendo feito hoje e ainda ganhar velocidade e agilidade? 

Pedro Waengertner, CEO e cofundador da ACE, em seu livro  “A estratégia da inovação radical”, diz que é justamente essa situação que ele mais se depara sempre que se encontra com empresários. Mas, então, qual seria a grande dificuldade? A questão está nas estruturas que não favorecem que a inovação ocorra. A forma com que os colaboradores trabalham, a autonomia que têm ou não e, até mesmo, a maneira com que sua performance é mensurada. 

Não raro, mesmo em um grupo de pessoas com alta capacidade de entendimento, curiosidade e entusiasmo, nem sempre encontramos os objetivos da empresa como a principal preocupação. Acabam que projetos individuais se sobressaem. Ou, ainda, nem todos os colaboradores possuem uma visão clara do seu desempenho, pois sua performance está atrelada com metas qualitativas que são associadas com objetivos abstratos. E é essa a maneira que grande parte das pessoas está acostumada a trabalhar. 

É aqui que entra o design organizacional, na maneira das empresas repensarem sua estrutura e funcionamento para criar circunstâncias que estimulem a inovação. 

Entendendo o design organizacional 

É possível pensar no design organizacional como o desenho que mostra como acontecem as relações e, principalmente, o modelo hierárquico adotado. Waengertner diz que se consegue até mesmo sentir o design da organização. Para isso, propõe que: feche os olhos e relembre as empresas que já teve contato. Visualize os corredores, como era a organização das mesas e as expressões faciais daqueles que encontrou. Tudo isso não gerou uma sensação de como era o clima e o funcionamento das organizações? 

As percepções geradas nesse exercício de visualização são o que o especialista chama de sintomas do design organizacional. 

E por que isso é tão importante? Muitas empresas quando procuram inovar, priorizam uma mudança do ambiente físico, inspiradas nas sedes do Google, Facebook ou outro escritório famoso. Entram pufes, mesas de jogos e entretenimento, além de novas cores para compor o visual. No entanto, sabemos que isso não responde verdadeiramente a pergunta sobre o que torna uma empresa inovadora. 

Entendendo que o design organizacional é o conjunto de “processos, estruturas, pessoas e modelo de liderança utilizados em determinada empresa”, a forma como tais fatores é combinada é que determinará o comportamento da empresa frente aos desafios da inovação. 

Otimizando estruturas para inovar 

Não existe uma receita mágica para estruturar uma empresa, afinal, existem diversos modelos de negócios, produtos e mercados com suas próprias particularidades. Contudo, em “A estratégia da inovação radical”, há um desmembramento dos fatores “processos, pessoas, estruturas e modelos de liderança”, que pode servir como um guia para que a organização consiga otimizar cada um deles com foco em inovação. Vamos ver mais na sequência:

1. Processos:

  • Em uma empresa tradicional: o cerne dos processos está na rigidez e na pouca variabilidade. 
  • Em uma estrutura para inovação: deve-se entender que a inovação trabalha com o incerto e com experimentação, mas que exige métodos claros. 

2. Pessoas:

  • Em uma empresa tradicional: novamente, há uma rigidez nas funções e na compartimentalização das atividades. Como resultado, há pouca ou nenhuma autonomia e tudo funciona dentro de uma hierarquia.
  • Em uma estrutura para inovação: vemos times multidisciplinares trabalhando em conjunto, inclusive, com troca de papéis. 

3. Estruturas:

  • Em uma empresa tradicional: criação de silos e departamentos com limites tão claros que dificultam a comunicação entre áreas. 
  • Em uma estrutura para inovação: times pequenos e com diferentes especializações organizados através de metas da organização, podendo ser refeitos e criados de acordo com projetos e objetivos. 

4. Modelo de liderança:

  • Em uma empresa tradicional: modelo top-down, com desenho clássico de presidência, diretoria, gerência e operacional. A liderança está focada em supervisionar e garantir os processos. 
  • Em uma estrutura para inovação: modelo bottom-up, com autonomia da equipe que está na ponta para tomar decisões sobre o projeto. A liderança tem o papel de estruturar o time e garantir as melhores condições para obter os resultados.

Quando as empresas passam a focar no design organizacional como meio para alcançar um nível elevado de inovação, os resultados podem ser surpreendentes. Entretanto, é fundamental que exista comprometimento da liderança e planejamento para organizar as mudanças. Não é saudável querer mudar os processos mais importantes primeiros. A dica é inovar em processos de apoio antes de tudo. 

Descentralização 

Outro assunto que está relacionado com o design organizacional e mudanças para inovação é a descentralização. Vemos que somente dando autonomia para quem está na ponta é que a organização adquirirá a velocidade que precisa para reagir às necessidades do mercado. E, para isso, é preciso cortar etapas e camadas decisórias. 

Um exemplo de descentralização é o que ocorre no Spotify. Lá foi adotado o modelo de squads, onde times pequenos e multidisciplinares têm autonomia para a tomada de decisão. Dentro disso, existem chapters, que reúnem pessoas com competências em comum, como o marketing e vendas. E ainda há as guildas, com aqueles que possuem os mesmos interesses, como o atendimento ao cliente. 

É um modelo que diversas outras empresas passaram a estudar e aplicar. Mas isso, não significa que deve ser reproduzido totalmente em um primeiro momento. Empresas de grande porte podem realizar outros tipos de mudanças que envolvam a descentralização. 

Para realizar tais mudanças e estimular a inovação, há uma verdade máxima: é indispensável o apoio completo e irrestrito da liderança. Mais do que isso, o líder deve ser o exemplo. Olhar para a liderança, para a estrutura e para as pessoas é o que fará diferença na hora de repensar sobre o design da sua organização. Quer mais informações sobre design organizacional e inovação? Entre em contato conosco!

 

 

Liderança ágil: como uma equipe ágil opera muito além da tecnologia

O manifesto ágil foi criado em 2001 por 17 especialistas de desenvolvimento de softwares como Kent Beck, Martin Fowler e Jeff Sutherland. Desde então, os princípios desse acordo ultrapassaram as barreiras da engenharia de software e chegaram a empresas de diferentes segmentos por meio das metodologias ágeis, colocando livros sobre o tema na lista dos mais vendidos, transformando a forma de fazer negócio e criando uma liderança ágil, focada em crescimento.

A mentalidade ágil se tornou uma cultura que envolve valores, princípios e práticas  que juntas têm como missão substituir a gestão focada no comando e controle, por uma liderança flexível, focada no cliente e com alto poder de adaptação.

No entanto, por mais que metodologias como o Scrum — que tem como foco o trabalho criativo e adaptável na solução de problemas complexos — ou o Kanban — que visa reduzir prazos e gerenciar a quantidade de trabalho em andamento — ainda é comum que líderes apliquem o ágil com mentalidade de comando e controle. O que nos leva a crer que colocar em prática tais metodologias exige que haja uma mudança no mindset dos executivos, principalmente dos C-Levels.

Para tanto, se uma empresa quer crescer de forma acelerada, entregar valor para o cliente e criar um ambiente que seja de fato ágil é preciso investir em uma liderança inovadora que atinja os vários níveis de gestão da organização. Este é o assunto deste artigo.

Qual a diferença entre equipe ágil e liderança ágil?

Uma equipe ágil está focada em devolver soluções inovadoras para ampliar o valor entregue ao cliente, o mais rápido possível utilizando ferramentas como Scrum e Kanban. Já uma liderança ágil precisa fazer com o que a mentalidade e as metodologias ágeis sejam aplicadas, garantindo que as equipes ágeis sejam incluídas nos setores-chave, que haja experimentação, decisões descentralizadas e flexibilidade, mas sem perder de vista as operações que sempre garantiram integridade dos negócios.

Uma liderança ágil exige que os executivos criem sistemas equilibrados que ofereça ao mesmo tempo estabilidade e agilidade. Ou seja, atuar de forma ambidestra ao buscar padronizar operações e investir em inovações. Buscar esse equilíbrio não é tarefa fácil. Além de variar de empresa para empresa, não se pode correr o risco de ficar obsoleto ao continuar replicando processos ou tornar a organização caótica ao querer mudar rápido demais.

É por isso que o primeiro passo da liderança ágil deve ser criar métricas para determinar o quão ágil a organização é, até que ponto pode ser e qual o tempo necessário para analisar e reavaliar se as metodologias ágeis têm levado a empresa para o caminho correto.

E as estatísticas das aplicações das metodologias ágeis são de fato animadoras. O artigo Embracing Agile da Harvard Business Review (maio, 2016) mostrou que os números podem chegar a um aumento de 50% no lançamento de novos produtos, 40% mais leads para o departamento de marketing e 60% a mais de candidatos recrutados pelo Recursos Humanos.

No entanto, o artigo The Agile C-suite a new approach to leadership for the team at the top (maio, 2020) — no qual este artigo é inspirado — apontou que, quando os executivos seniores de uma empresa estão focados em tornar uma organização ágil, os líderes quadruplicam o tempo gasto com estratégias e reduzem o tempo gasto no gerenciamento de operações pela metade. Por outro lado, a gestão de talentos aumenta cerca de 30 e 35%.

Tudo isso porque a mentalidade e liderança ágil permite que os executivos deleguem algumas de suas atividades para os seus subordinados para que se concentrarem em tarefas estratégicas que somente eles podem realizar. A chave para o sucesso aqui é que os executivos entrevistados para o artigo conseguiram perceber que uma hora gasta revisando o trabalho de gerentes operacionais experientes cria menos valor incremental do que uma hora investida em inovação.

O ágil exige que os executivos sejam humildes

Inovar exige aprendizado e testes constantes e isso não é novidade. Contudo, você deve conhecer um executivo brilhante, autoconfiante, inteligente e que acha que não precisa aprender mais muitas coisas, além  de estar acostumado a ditar ordens. Essa postura é  contrária à cultura de inovação. Comunicar de forma constante e transparente, descentralizar decisões, dar autonomia para a equipe e realizar avaliações contínuas,  este é o caminho a ser trilhado por um líder inovador.

É por isso que a liderança ágil é desafiadora para os executivos, uma vez que eles precisam compartilhar todo o seu conhecimento e reforçar a confiança de cada colaborador e não apenas para tomar decisões sozinhos, mas também para seguirem motivados e entregando valor para os clientes.

Líderes ágeis e inovadores sabem que uma boa ideia pode vir de qualquer pessoa, criam ciclos de feedbacks constantes e se auto avaliam constantemente para que consigam encontrar formas de levar a equipe para outro nível. Afinal, uma empresa é feita por pessoas e são essas pessoas que se dedicam todos os dias para que os resultados sejam atingidos.

Abaixo, confira algumas dicas para tornar a liderança ágil e focada no bom relacionamento com a equipe:

Feedback Rápido

Não demore a dar feedbacks, principalmente quando o que está em jogo são projetos novos. Não espere as finais das sprints para que isso aconteça e repense as reuniões longas. Ou seja, dê feedbacks sempre que necessário e em qualquer lugar.

Mudando um pouco a forma de dar retornos sobre as atividades para os colabores, as tomadas de decisões tendem a ser mais rápidas e o ajuste nas atividades também. Esse ciclo de feedbacks curtos e constantes são capazes de corrigir erros e fazer com que todos operem na mesma página.

Por fim, a liderança ágil precisa deixar um canal de comunicação aberto para que os subordinados também se sintam à vontade para fazer o mesmo.

Compartilhamento de  conhecimento

Um líder ou um executivo sênior não chegou nesta posição à toa, portanto é importante que compartilhem o conhecimento. É claro que não estamos dizendo que a liderança ágil deva fazer palestras com ppts  ou compartilhar conhecimento de maneira top-down. Muito pelo contrário, como foi comentado anteriormente, executivos também têm muito a aprender e é a troca que faz com que a  gestão do conhecimento dentro de uma organização seja mais rica e eficaz.

Compartilhe dicas de livros ou artigos relevantes nos canais de comunicação da empresa e crie essa cultura de troca de conhecimento. Pode ser no café, em um happy hour ou até mesmo separando um pequeno tempo na agenda dos colaboradores para estudar sobre algo novo.

Otimize as reuniões

Se a ideia é aproveitar melhor o tempo para que possa sobrar cada vez mais espaço para investir em estratégia, transforme as reuniões em sessões de trabalho. A liderança ágil deve esquecer os formatos longos e sem pautas nos quais cada um fala a sua opinião e ao final não se chega a lugar nenhum.

Uma liderança ágil deve transformar uma reunião longa em uma sessão de trabalho. Nela, o foco é na decisão. Mesmo que haja conflitos e opiniões divergentes, essas reuniões devem ter uma pauta mais flexível e todos devem sair delas cientes de suas responsabilidades, prazos e qual o objetivo dessas tarefas para o bom andamento dos projetos.

À liderança ágil compete motivar seu time de forma humana e engajadora, levando em consideração que a cada dia as mudanças serão mais rápidas e dinâmicas, exigindo celeridade na tomada de decisão para antever prováveis problemas e identificar novas oportunidades para inovação.

Conheça o nosso programa de capacitação de lideranças ágeis e inovadoras. Faça um contato e agende uma conversa conosco.