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Cultura Ágil

Cultura ágil: por que devemos adotá-la?

Se formos pensar em grandes revoluções no modelo de gestão das organizações, certamente os métodos ágeis estão entre elas. Desde 2001, quando 17 especialistas de desenvolvimento de softwares lançaram o manifesto ágil, muito se tem discutido sobre o tema, seja em artigos acadêmicos ou comprovadamente com cases de sucesso. E ainda há muito o que se esclarecer sobre a conexão dos métodos com a cultura ágil. 

Também é importante dizer que, por mais que o segmento de tecnologia tenha sido o pioneiro, inclusive com o próprio manifesto, as metodologias ágeis alçaram vôo e estão sendo implementadas em empresas dos mais diferentes tipos. E isso significa incluir novos conceitos e metodologias no vocabulário, como o Scrum e o Kanban, dois dos expoentes da cultura ágil.

Agora, quando falamos em revolução, é realmente uma inversão da maneira de trabalhar que a grande maioria foi condicionada durante a vida inteira. Ou seja, substituir o mindset de controle e comando, assim como a estrutura formal de hierarquia, por valores, princípios e práticas que evidenciam e estimulam o trabalho em equipe e a divisão de responsabilidade e funções de forma igualitária. 

Aqui, não há uma figura de poder lutando pelos interesses da empresa, mas todos os colaboradores partem da mesma visão de crescimento. Por conta dessa quebra do tradicional e do confortável, pois mudanças exigem esforço, é que mais do que pensar em aplicar as metodologias ágeis, é fundamental entender o papel da cultura ágil. Afinal, se trata verdadeiramente de uma mudança de cultura dentro da empresa.

Por que pensar em uma cultura ágil agora?

Se há algo que diferentes especialistas parecem concordar, é que no atual cenário, é preciso agilidade e velocidade para responder ao mercado e, por conta disso, inovar. Em um clima de negócios que não param de evoluir, a capacidade de se mover rapidamente e com eficácia para antever e se beneficiar das mudanças é decisiva

Em “Agile at Scale”, Darrell K. Rigby, Jeff Sutherland e Andy Noble afirmam que analisando os mercados tumultuados de hoje, onde empresas estabelecidas estão lutando contra concorrentes insurgentes e startups, ter uma organização adaptável e em rápida evolução é definitivamente atraente. Mesmo que transformar tal visão em realidade possa ser um desafio, já que é natural surgirem dúvidas sobre como e o que fazer. 

No entanto, os benefícios recompensam os desafios. Os especialistas definem as equipes ágeis como sendo as mais adequadas à inovação. Em outros termos, estão mais preparadas para aplicar lucrativamente a criatividade com o objetivo de melhorar produtos, serviços, processos ou modelos de negócios. 

São equipes multidisciplinares, que ao serem postas diante de um problema, o transformam em partes de módulos, desenvolvem soluções para cada um deles por meio de prototipagem e ciclos de feedbacks. Tudo de forma dinâmica e integrando as soluções no final de forma que faça sentido. Mais do que seguir um plano engessado, o foco está em inovar. E quem faz isso está tanto empoderado quanto comprometido com a geração de valor. 

Como a cultura ágil realmente funciona? 

Em uma cultura ágil, é preciso ter em mente que será necessário deixar de lado as burocracias de cadeia de comando e as diversas camadas de decisão. Como Darrell K. Rigby, Jeff Sutherland e Andy Noble orientam, as equipes são extremamente autônomas. Os líderes orientam sobre onde inovar, mas não ditam o como fazer. A chave da construção está na colaboração equipe-cliente. 

Quando temos uma cultura ágil posta em prática por meio de métodos que geram essa autonomia, empoderamento e colaboração com o cliente, o que se espera é que exista uma responsabilização maior por parte de todos. A eliminação das camadas decisórias faz ainda com que exista maior agilidade e aumenta a motivação dos colaboradores. Além disso, há outros aspectos que compõem empresas com uma cultura ágil:

  • Equipes multidisciplinares que trabalham com autonomia, ou seja, menos burocracia no processo decisório;
  • Para trabalhar de forma autônoma, a equipe é confiável e norteada por direitos de decisão claros e recursos adequados;
  • Os líderes estão focados em apontar onde inovar, não em como fazer. O que os torna livres para se concentrar em outras atividades, como visões de longo prazo, definição de prioridades estratégicas e desenvolvimento de capacidades organizacionais;
  • Os colaboradores têm o apoio dos executivos seniores para remover impedimentos e impulsionar o trabalho da equipe;
  • Há uma grande interação e colaboração entre a equipe e os clientes;
  • O papel dos líderes está em fornecer condições para a equipe desenvolver as soluções e em remover restrições;
  • Há um compromisso com a resolução do problema e com feedbacks para que exista uma constante evolução da própria cultura ágil;
  • A criação dos protótipos e os ciclos de feedbacks ocorrem de maneira rápida;
  • O treinamento dos líderes, dos colaboradores e das equipes é uma das prioridades da empresa; 
  • A cultura ágil trabalha com transparência dentro dos mais diversos níveis de planejamento e ações;
  • É preciso um comprometimento com a aplicação de valores e práticas ágeis.

Como qualquer mudança, a adoção da cultura ágil pode apresentar desafios e exigir tempo de planejamento, porém, cada vez mais se torna relevante diante do que acompanhamos do mercado. Agora, com isso em mente, os próximos passos são planejar a implementação e capacitar lideranças ágeis e inovadoras

 

Liderança_Ágil_e_Inovadora

Liderança ágil e inovadora: como desenvolvê-la nas empresas

Se voltarmos para 2001, vamos encontrar um grupo de 17 profissionais de desenvolvimento de software iniciando algo que até hoje estamos aprendendo como aplicar, isso é, a mentalidade ágil. De lá pra cá, o manifesto ágil ultrapassou a barreira das empresas de tecnologia e se transformou em base para uma cultura que pretende substituir uma gestão de comando e controle, por uma liderança flexível, com poder de adaptação e foco no cliente.

Há uma forte conexão entre a mentalidade ágil e algo que a maior parte das empresas estão em busca, a inovação. Não é novidade, mas é sempre importante ressaltar que inovação e criatividade são grandes aliadas e que a invenção não é a essência da inovação. Se é preciso definir, trata-se mais de encontrar maneiras de realizar atividades que já existem e são conhecidas e sobre a capacidade de se adaptar e dominar novas competências.

No entanto, a principal armadilha que as organizações encontram pelo caminho é a de se encantar com a mentalidade ágil e inovadora, mas procurar implementá-la a partir de rotinas, processos e uma estrutura de comando e controle. Por isso, que ao pensar em criar um ambiente ágil, uma das primeiras ações será a mudança do mindset dos executivos e da liderança.

Como promover uma liderança ágil e inovadora

Uma empresa ágil e inovadora é desenvolvida a partir de líderes com determinadas características. E quais são elas? São líderes criativos, com senso de propósito, inspiradores e motivadores, fazendo com que as pessoas se engajem com os projetos, e que fornecem condições e segurança psicológica para o time cooperar e inovar. Também precisam ser flexíveis e rápidos para se adaptarem às demandas e situações, afinal, um ambiente de mudanças poderá contar com algumas incertezas.

No entanto, os líderes não nascem prontos, muito menos são ágeis e inovadores por apenas vocação. Para alcançar a liderança ágil e inovadora, alguns comportamentos e mentalidades precisam ser trabalhados. Assim, desenvolve-se não só a organização, como se constrói a própria figura do líder. São características e comportamentos como:

  1. Uma cultura de feedback ágil: os feedbacks são o que forjam líderes ágeis e inovadores. E fazem o mesmo com toda a empresa. É preciso entender que não se trata de julgamentos ou que é preciso um momento específico para eles. Isso pode fazer com que não aconteçam ou que se perca o timing. Por essa razão, ciclos curtos e constantes são tão importantes.

A maneira e a hora em que são dados os retornos sobre o que os colaboradores estão fazendo, permitirá que os ajustes aconteçam mais rapidamente, assim como as tomadas de decisões. Para isso, é fundamental construir um canal de comunicação de duas vias, estimulando os colaboradores a também darem feedbacks.

  1. É preciso segurança para inovar: muito se tem falado em segurança psicológica, e isso está bastante relacionado com a inovação. Somente em um ambiente seguro, o colaborador terá confiança para expor suas ideias e procurar por um caminho melhor. E é assim que a inovação começa.

Mais do que seguir a forma que até então tudo era feito. As lideranças devem encorajar os colaboradores a pensarem diferente, fornecer condições para tal e, por fim, estimular que experimentem novas possibilidades.

  1. Conhecimento não se guarda no cofre: se cada um está onde está é porque construiu uma trajetória e adquiriu conhecimento a cada novo passo. Além disso, a multidisciplinaridade só faz sentido quando o conhecimento se expande, há uma troca, e não análises individuais que não se conversam. Tanto a liderança quanto os liderados estão em constante aprendizado. Por isso, compartilhar conhecimento é a base para a empresa que pretende se manter ágil e inovadora.

Aqui cabe ainda mais uma observação. A própria forma como se compartilha o conhecimento diz muito para onde a empresa está indo. Se é feita de uma forma top down, acaba refletindo um mindset e gestão de comando e controle, indo de encontro ao que falamos sobre mentalidade ágil e inovadora.

Se estamos passando por um período de mudanças constantes e uma transformação digital acelerada, uma liderança ágil e inovadora permitirá realizar os ajustes necessários para atravessar as incertezas e prosperar.

A motivação humana e engajadora do time é o que impulsionará as empresas nas tomadas de decisões dinâmicas, na antecipação de problemas e na identificação de oportunidades. É preciso ser ágil. E inovador.