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Inovação aberta: prepare-se para as novas formas de trabalho

Por que, mais do que em qualquer outra hora, agora é o momento da inovação aberta? Não só a transformação digital foi acelerada durante a pandemia do novo coronavírus. Outro movimento bastante exemplar passou a acontecer, empresas que antes se fechavam em si, começaram a se unir e trabalhar abertamente de uma forma nunca vista anteriormente. Além disso, passaram a colocar acima de tudo, inclusive da oportunidade de aumentar seus lucros e a capacidade de criar valor. 

É assim que Linus Dahlander e Martin Wallin abordam o tema em “Why Now Is the Time for Open Innovation. Os autores trazem o exemplo da Siemens, multinacional alemã, que abriu sua rede de fabricação de aditivos para a produção de equipamentos médicos. Outro caso é o da Scania, no qual cerca de 20 especialistas de compras e logística da empresa estão ajudando o Hospital Universitário Karolinska a adquirir equipamentos de proteção para profissionais de saúde. Os reboques da Scania também foram convertidos em estações móveis de teste.

São iniciativas que além de salvar vidas, podem modificar inteiramente a forma que as empresas operam e o futuro do trabalho. Embora, em muitos casos, não sejam o modus operandi padrão em circunstâncias consideradas normais. No entanto, testemunhar ações como aquelas que estão acontecendo ao redor do mundo por conta do atual contexto, comprova o gigantesco potencial da inovação aberta e da ampliação de espaços para criação de valor. 

Mas, afinal, o que é inovação aberta?

A forma como muitos dos negócios atuais estão operando não conseguirá garantir sua sobrevivência por um longo período. As mudanças estão acontecendo em alta velocidade no outro lado da janela e nem sempre todos estão preparados para reagir ao que está acontecendo. Pelo contrário, uma da primeiras reações instintivas tende a ser, justamente, a proteção e a defesa. Ou seja, construir um ambiente seguro e sem riscos.

O que muitas empresas podem acabar se esquecendo é que focar na proteção e na defesa impedirá que se tire o melhor daquilo que está acontecendo, do que as mudanças estão provocando. O cenário inverso está em olhar para aquilo que as organizações que são referência estão fazendo e adotar mecanismos semelhantes. E é aqui que entra a inovação aberta.

Se há alguém que entende de inovação aberta, certamente é Henry Chesbrough, já que o próprio termo foi lançado em sua obra “Open Innovation: The New Imperative for Creating and Profiting from Technology”. Em 2009, em entrevista, o especialista explicou sobre o que é inovação aberta. Ele começou ressaltando que o modelo anterior, a chamada inovação fechada, era baseada na autossuficiência. E o que isso significa? Algo que ainda se vê atualmente, faz-se muito por conta própria e sem falar com mais ninguém.

Porém, basta olhar para o lado que nos deparamos com novos conhecimentos. É papel das empresas fazerem um bom uso das ideias externas. Por mais que a tentação de fazer tudo sozinho possa ser grande, pois a confiança e a vulnerabilidade são matérias novas na grade curricular dos profissionais, não é algo necessário e nem uma ótima estratégia. Pois, cada vez mais é fundamental trabalhar mais árduo e com maior rapidez para recuperar investimentos. A inovação aberta funciona para poupar recursos, tempo e dividir riscos.

Uma das das ressalvas de Henry Chesbrough, entretanto, é que a inovação aberta deve funcionar sempre como uma via de mão dupla. Não basta servir apenas para a entrada de ideias na empresa, ela deve operar, inclusive, na saída delas. Fazendo com que as ideias de cada organização saiam pela porta da frente e possam ser utilizadas em outros negócios do mercado. 

O papel dos ecossistemas de inovação 

Os ecossistemas de inovação são ambientes colaborativos, compostos por startups, incubadoras, aceleradoras, governo, universidades e outros agentes. Eles têm proporcionado interação entre empresas e setores, fazendo com que haja um crescimento acelerado e estimulando a cooperação, promovendo trocas e construindo redes. Se há colaboração, a tendência é que as empresas que estão em sinergia possam superar os desafios e adquirir vantagens competitivas com maior rapidez. 

Se a inovação trabalha em uma progressão que combina elementos internos e externos, é importante que exista um alinhamento com o ecossistema de inovação. Assim, há uma promoção das ideias “de dentro” da empresa, a partir de experimentação e prototipagem, mas também um acompanhamento das ideias que estão “fora”, se permitindo guiar por práticas de quem está na ponta. 

É natural que exista um receio de compartilhar ideias e projetos e isso pode travar a inovação aberta e a colaboração necessária aos ecossistemas de inovação. Porém, se tem visto o quanto empresas como IBM e Intel, por exemplo, tem trabalhado em parceria com pesquisadores e universidades. Isso quer dizer que há sim uma abertura para parceiros, que em contrapartida auxiliam na criação da valor, mas mantendo aquilo que permite a rentabilidade e sustentabilidade do negócio.

Se há uma grande lição na inovação aberta é o equilíbrio no compartilhamento. É preciso colaborar, ser aberto para criar valor, mas também se manter fechado quando é necessário guardar uma parte para si. Passada pela fase de reconhecimento de valor, as organizações, em geral, se encontram mais preparadas para analisar onde devem se manter fechadas. Sendo assim, não significa que não existe um modelo fechado, mas que ele está dentro de um modelo de inovação aberta. 

Ainda temos muito para falar sobre inovação aberta, principalmente ao olhar para o presente e planejar os próximos passos. Novas formas de inovar permitirão flexibilidade e agilidade necessárias para se adaptar ao que o mercado e as pessoas demandarão no futuro. É uma nova forma de trabalhar e precisamos estar preparados para isso. Vamos conversar mais sobre isso? Deixe sua opinião nos comentários!

 

Canvas e Alex Osterwalder

Business Model Generation: nossa conversa com Alex Osterwalder

Esta semana tivemos a oportunidade de reencontrar com Alex Osterwalder, o autor do Business Model Generation durante a sua permanência no Forum HSM de Inovação. Conversamos por 2 horas  de forma descontraída e informal. Nesse bate-papo foi possível apresentar o trabalho que estamos realizando em nossas consultorias e nas nossas aulas em diferentes partes do Brasil.

Um aspecto que nos chamou a atenção foi a preocupação de Alex em manter-se atualizado e sempre procurando novos desafios. Ele está bem focado em concluir seu novo livro onde apresentará a importância da proposta de valor como um diferencial de cada negócio.

Além disso, a importância de se entender a anatomia da organização. Fez um comparativo com uma sala de cirurgia onde um cirurgião não pode operar apenas com um canivete suíço mas necessita de diferentes ferramentas. Assim é o canvas do modelo de negócio. Oferece uma visão global do processo e não apenas uma parte da organização. Como um clinico geral, é preciso olhar o todo e compreender as relações entre os 9 blocos. Entender o processo como uma anatomia empresarial. E ver como funciona as interações entre as mesmas.

Enfatizou também que o Canvas do Modelo de Negócio é um rascunho, um “blue print” do negócio. Serve como uma base para iniciar a prototipagem e testes de validação em contato com o cliente e que a inovação tecnológica sem um modelo de negócio que seja viável, não vale para nada.

Porque usamos ferramentas do século passado para avaliar negócios atuais? Isso é o mesmo que chegar a uma reunião de negócios e tirar um Morotola tijolão e colocar sobre a mesa. Novos tempos exigem novas formas de pensar e de agir.

O evento também nos proporcionou encontrar vários colegas e ex-alunos ávidos pela reciclagem e aprendizado. Fiquei feliz em rever tantas pessoas que ajudamos a introduzir esse conceito e que veem as suas vidas e atividades profissionais modificadas.

Sobre as novidades e o conceito de modelos de negócios realizaremos mais uma turma na ESPM em São Paulo nos dias 12 a 14 de setembro de 2013. Informações podem ser obtidas neste link. Participe.