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Plataforma de negócios online: como uma empresa do tipo plataforma gera lucro?

Uma plataforma é uma área plana horizontal, mas também pode ser um local para facilitar o embarque e o desembarque de passageiros em ônibus, metrô ou avião. A informação é do dicionário Aurélio que ainda se refere ao verbete como uma configuração específica de um sistema operacional. No entanto, quando falamos de plataforma de negócios online, a definição é uma só: plataformas de negócios conectam pessoas com interesse de comprar um produto ou serviço com profissionais ou empresas que oferecem esse produto ou serviço.

Nesta relação todos os envolvidos saem ganhando e o grande desafio dos negócios que têm a plataforma como base é estimular as transações entre os dois lados. Quem nunca recebeu um sms da Rappi um pouco antes da hora do almoço? Essas mensagens costumam oferecer um cupom de desconto para comprar em algum restaurante que faz parte do marketplace da empresa ou ainda oferecer frete ou algum produto grátis na hora de fechar uma compra.

Junta a fome com a vontade de comer, não é mesmo? Principalmente naqueles dias corridos em que enfrentar a fila do restaurante a quilo não é uma opção. Você abre o aplicativo, insere o código do cupom, escolhe o restaurante, o prato e em menos de uma hora o pedido está na mesa.

De “Delivery de tudo” ao plano de dominar o serviço de entrega no Brasil

Embora o exemplo utilizado acima seja sobre um cupom de desconto que chegou um pouco antes do almoço, a Rappi não é um serviço de entrega de comida. O diferencial do negócio é justamente oferecer o maior mix de produtos possível na grande vitrine da plataforma de negócio online. Por meio de filtros, é possível fazer o supermercado do mês, comprar remédios e até adquirir cartões presentes de lojas de departamentos ou itens de sexshop.

O cliente escolhe a loja, fecha o pedido, o estabelecimento prepara o produto de acordo com as preferências do consumidor para, depois de pronto, um entregador levá-lo até o endereço selecionado. Esse profissional funciona como um parceiro direto do aplicativo e precisa além da moto ou bicicleta, contar com um celular com serviço de geolocalização para que o consumidor possa rastrear a entrega. A compra pode ser fechada com dinheiro ou cartão de crédito, diretamente no aplicativo.

Toda esta comodidade rendeu para a startup colombiana duas rodadas de investimento em pouquíssimo tempo. Em outubro de 2018, recebeu um aporte de U$ 392 milhões, elevando o valor da plataforma para mais de U$ 1 bilhão e colocando a Rappi no reino das empresas unicórnios. Já em maio de 2019, o montante investido foi de US$ 1,2 bilhões: somente o banco japonês Softbank foi responsável por US$ 1 bilhão desses novos recursos.

O plano de expansão dos empreendedores Felipe Villamarín, Sebastián Mejía e Simon Borrero e também dos investidores é aumentar o efeito de rede, que garante a escalabilidade dos negócios plataforma. Inclusive, um dos grandes desafios da Rappi é continuar competitiva no mercado brasileiro, no qual empresas como a Ifood (que antes estava com o recorde de maior investimento em startups da América Latina com o aporte de US$ 500 milhões em 2018) e a Uber Eats, que é uma plataforma de negócios online vinculada ao unicórnio Uber. A espanhola Glovo deixou o mercado brasileiro, depois de um ano de atuação, pois percebeu que com a alta competitividade do setor seriam necessários muito mais investimento.

Como as plataformas de negócio online ganham dinheiro?

Nós já falamos por aqui que negócios plataformas não dizem respeito apenas a tecnologia, mas sim a um novo modelo de negócio que cria valor ao colocar em contato produtores e consumidores. No caso das empresas que funcionam como “delivery de tudo”, precisam criar relações sólidas com os três principais pilares do negócio: os consumidores, os comerciantes e os entregadores.

A renda das plataformas de negócio online são geradas a partir do fechamento dos pedidos dos usuários. Quanto mais estabelecimentos e mais compras fechadas, maior é a receita, já que o aplicativo ganha uma porcentagem em cima dessas vendas.  O grande desafio das plataformas de negócio é justamente aumentar o efeito de rede, ou seja, ampliar o número de usuários, tanto de consumidores quanto de estabelecimentos e entregadores.

Mas o que é esse efeito de rede que gera escala, afinal?

Explicando de forma bem resumida, o efeito de rede é o valor que a quantidade de usuários confere a um negócio. Um exemplo clássico são as redes sociais: o Orkut reinou durante muito tempo, o Facebook foi ganhando aderência e outras redes surgiram, como o twitter, o Google + e o Instagram. Em algum momento o Facebook ultrapassou o Orkut até que a migração de usuários de uma rede para outra foi tão grande que o Orkut saiu de cena. O Google + nem sequer deslanchou, justamente pela baixa utilização dos usuários.

E  o que tudo isso tem a ver com plataformas de negócio online? Simples, a maioria das empresas cria um fluxo linear de compra e venda (seja online ou em lojas físicas), já os negócios plataformas dependem de fatores externos para criar escala e gerar renda (o tripé: consumidor, estabelecimentos e entregadores). Uma boa prática para que isso aconteça é prospectar consumidores e estabelecimentos externos, além de criar um aplicativo de fácil usabilidade e que permita que as relações comerciais aconteçam de forma sustentável e saudável.

Neste esforço em potencializar o efeito de rede, a estratégia de vendas deve caminhar lado ao lado do departamento de marketing da empresa. A Rappi costuma enviar mensagens próximo a hora do almoço, o Uber Eats oferece entrega grátis e cupons de desconto para os usuários Vips, o iFood já é case de sucesso em personalização da experiência do cliente.

No fim, em se tratando de plataformas de negócios online, ganha destaque quem desenvolve estratégias de negócio para se diferenciar do concorrente e principalmente consegue resolver um problema do seu cliente de forma ágil e inovadora. E você, está pronto para investir neste novo modelo de negócio?