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Como é o novo líder ágil no contexto pós-normal

Não há dúvidas, um dos efeitos positivos da crise do coronavírus foi acelerar processos de transformação digital que já estavam ocorrendo ou tirá-los do papel. E, para algo assim acontecer, é preciso que haja um esforço coletivo e mudanças em diferentes patamares, adicionando ainda uma velocidade que muitos não estavam acostumados. Para fazer todos remarem juntos no mesmo barco, comunicando a mensagem de forma clara, foi preciso uma  liderança atuante. Após todos esses aprendizados, é natural que a própria liderança esteja mudada. Mas como será esse novo líder ágil? 

Daniel Pacthod e Michael Park, da McKinsey, respondem que para não abandonar o progresso acelerado que as empresas conquistaram, é preciso um foco renovado nas pessoas e em suas capacidades. Para isso, o novo líder ágil precisará estar atento a determinadas questões no pós-normal: 

  • as capacidades essenciais para a construção de uma cultura de adaptabilidade;
  • equipes ágeis e capacitadas para se aproximarem do cliente;
  • reconhecer que muito pode ser feito imediatamente e virtualmente por pequenas equipes e com menos ciclos;
  • trazer o propósito da empresa para os colaboradores;
  • tratar os talentos como seu principal recurso;
  • liderança alinhada com a cultura;
  • tecnologias que permitem agilidade e melhoram a experiência do cliente;
  • estar preparado para as necessidades que os colaboradores terão a partir de uma nova forma de trabalho

E, aqui, entra um ponto bastante relevante: como fazer com que os colaboradores se relacionem bem com as novas tecnologias necessárias ao pós-normal. 

Um novo mundo de máquinas pensantes

Qual a importância da tecnologia para o novo líder ágil? Por meio dela é que muitas decisões foram tomadas durante a crise, além da adoção de plataformas que permitiram estabelecer a conexão líder-liderado. Para termos um panorama do futuro, o Simplilearn reuniu em um clipe a opinião de diversos líderes e grandes influenciadores da indústria tecnológica sobre inteligência artificial (IA) entre eles Bill Gates, Tim Cook, Elon Musk, Sundar Pichai, e Jeff Bezos. Há uma previsão de que até 2035, a IA aumentará o crescimento econômico em média 1,7% em 16 segmentos. Também a produtividade no trabalho subirá em 40% ou mais.

O primeiro passo do novo líder ágil é ampliar a percepção sobre inteligência artificial. Para Olaf Groth e Mark Nitzberg, especialistas no assunto, grandes descobertas que chamam atenção do público são importantes, porém, é preciso ir além e entender como as aplicações de IA estão entrando nas rotina das pessoas e tomando decisões por elas. De acordo com eles, atualmente, são transferidas inúmeras decisões para as máquinas, muitas vezes sem as pessoas saberem ou entenderem os efeitos.

Otimizar o relacionamento entre inteligência humana e máquina, impactará nos interesses econômicos, sim, mas também no bem-estar do indivíduo. Há um verdadeiro potencial na criação de locais de trabalho mais significativos, proporcionando mais realizações. No entanto, para isso, será fundamental uma reflexão profunda e multidisciplinar sobre como a inteligência artificial influencia os valores humanos, bem como outras tecnologias. 

Na análise de Olaf Groth e Mark Nitzberg, as pessoas entregam grande parte da suas decisões aos dados. E, na maioria das vezes, é ótimo poder confiar mais em evidências científicas para entender nosso mundo e como percorrê-lo. A questão está quando se vai longe demais, pressupondo que dados e algoritmos produzem uma história completa e não maculada por deficiências intelectuais ou preconceitos. O novo líder ágil não pode ficar cego  pelos dados “sujos”, acreditando serem originais.

A saída está na conscientização. Ou seja, na compreensão do controle de dados e em como as decisões terceirizadas para máquinas podem apresentar oportunidades ou desafios.

Novo líder ágil: nova realidade, novas habilidades

A pandemia fez necessário o aprendizado em inúmeras áreas, como apontam Kevin Sneader e Shubham Singhal, de novas tecnologias até uma infinidade de outras inovações. Como o trabalho remoto, foi um dos protagonistas do período de crise. A partir disso, será possível um entendimento maior daquilo que, se adotado permanentemente, trará benefícios econômicos e de bem-estar no pós-normal. É uma oportunidade para as empresas otimizarem seu desempenho por meio de inovações.

Mas, pensando na atuação do novo líder ágil, quais são as habilidades incorporadas na pandemia que deverão continuar? Em “The Top Three Leadership Skills Needed Post-Pandemic”, Tammy Homegardner descreve três elementos que farão diferença na liderança em um mundo pós-normal:

1. Construção de equipes fortes e coesas, mesmo remotamente: a flexibilização do local mudou o fluxo de trabalho. Mas, mesmo com espaços reduzidos e trabalhos híbridos ou completamente remotos, os colaboradores devem se sentir conectados e valorizados. 

Exercer uma comunicação eficaz e consistente deve ser um aprendizado contínuo sobre a maneira que as pessoas gostam de se comunicar ou recebem melhor as mensagens, garantindo a conexão entre todos e o cumprimento das tarefas com qualidade e no tempo adequado, independente de onde a equipe se encontra. 

2. Navegar e gerenciar mudanças de forma rápida e adequada: sem perder o foco da tarefa maior que tem em mãos. Navegar por mudanças tecnológicas, logísticas e culturais, para promover ambientes de trabalho onde as pessoas se sentem seguras, protegidas e reconhecidas.

3. Permanecer culturalmente sensível e emocionalmente consciente: o novo líder ágil deve permanecer adaptável e flexível, fazendo com que as operações aconteçam mesmo em ambientes dinâmicos e em mudanças. Para isso, o foco está em percorrer emoções individuais e coletivas com compaixão e empatia. 

Para navegar por um cenário de transformações constantes, lidando com inovações tecnológicas, mas sem perder de vista as pessoas, é preciso que exista um investimento nesse novo líder ágil. 

Aprender a aprender, se capacitar e aplicar os conhecimentos serão as peças-chave em um contexto pós-normal. Quer conversar mais sobre isso? Deixe um comentário!

 

Quais são os modelos de negócios inovadores que surgiram na pandemia

A pandemia do coronavírus fez com que as empresas precisassem repensar diversos pontos que sustentavam seus negócios. Diante dos bloqueios, do distanciamento e de outras normas que alteraram o que, até então, era rotineiro, muitas delas precisaram fechar fisicamente suas portas e lidar com as novas prioridades e contexto dos seus consumidores. Essencialmente, o mundo não era mais o mesmo. Por sua vez, a maneira de fazer negócios e os interesses do público também sofreram mudanças. Por isso, modelos de negócios inovadores se fizeram não só necessários, mas urgentes. 

Foi preciso entender qual era o valor que estava sendo gerado e se ele era condizente com aquilo que os consumidores necessitavam e queriam. Já que todos estavam refletindo tanto sobre o que consumiam quanto a respeito da forma como consumiam. Também os próprios colaboradores e processos internos tiveram que ter uma atenção especial, pois foi fundamental reorganizar a estrutura e enxergar as equipes e suas ofertas a partir de um novo olhar.

Com isso, muito se fez, muito se criou. Inclusive, modelos de negócios inovadores. Conheça um pouco mais daquilo que surgiu, foi transformado ou acelerado em virtude da pandemia.

Modelos de negócios inovadores: empresas que se reinventaram 

Replanejar e adotar modelos de negócios inovadores se mostraram duas habilidades primordiais para as empresas durante a pandemia do coronavírus. Mais do que inovar, em muitos casos, foi preciso mudar radicalmente. Reajustando ou transformando completamente. Fato é que muitos precisaram passar por um processo de reconstrução. E alguns negócios fizeram isso muito bem, com criatividade. 

1. Hotel de luxo sem sair de casa 

Proporcionar a experiência de estar em um hotel, porém, sem precisar entrar em um avião e viajar. Ou, até mesmo, sem sair de casa. Entre os modelos de negócios inovadores que surgiram na pandemia, está a mudança realizada pelo Mandarin Oriental Hotel Group, um dos exemplos citados em “5 businesses that pivoted to new business models creatively during the pandemic”, da Fortune. Criativamente, eles utilizaram das instalações e serviços que já possuíam e redirecionaram para uma nova necessidade que surgiu diante de um novo público. Assim, em vez de focar em atrair os turistas, eles se concentraram em pessoas da sua própria cidade.

Assim, se você quer dar uma pausa na rotina e passar um período aproveitando as comodidades de um hotel de luxo, não precisa percorrer grandes distâncias. Se houver um hotel do grupo na cidade, basta fazer o check-in em um programa específico e usufruir de benefícios como café da manhã, garrafas de vinho e créditos em compras.

Além disso, caso não queira nem se hospedar, em alguns locais, a pessoa pode simplesmente ligar e solicitar o serviço de quarto em sua própria casa. Eles levam comida, suprimentos de spa e outras mercadorias. É uma nova experiência de um hotel de luxo.

2. Uma nova forma de fazer eventos

O setor de produção de eventos foi um dos que tiveram um grande impacto durante a pandemia do coronavírus. Com as recomendações de distanciamento em vigor, diversas empresas precisaram pensar em novas soluções e pivotar seus negócios. Um exemplo é a Festalab, startup de São Paulo, com foco na produção de eventos. A solução da startup se propõe a organizar tudo virtualmente, com direito a convite e confirmação de presença.

No entanto, a pandemia derrubou em cerca de 80% a receita da Festalab. Para sobreviver ao momento e diversificar as ofertas, eles elaboraram novas linhas de receita. Fizeram uma parceria com uma plataforma de videoconferência para organizar festas online, trazendo para o digital tudo o que era antes feito no físico. 

Outro exemplo é a mobLee, startup catarinense especializada em criar aplicativos para eventos corporativos e feiras de negócios. Por conta do isolamento, a startup desenvolveu uma plataforma online em que os participantes conseguem assistir mesas redondas e palestras, participar do happy hour e fazer networking, como em uma rede social fechada. Tudo 100% virtual. 

3. Tecnologia antiviral 

Entre as startups brasileiras, um dos cases de sucesso é a Insider Store que, durante a pandemia, pivotou sua atividades. Anteriormente, os dois sócios focavam na venda de camisetas e moda íntima antibacterianas. No entanto, por conta da demanda de peças que também pudessem auxiliar no combate ao coronavírus e passassem mais segurança aos usuários, a startup desenvolveu uma linha de máscaras e camisetas antivirais. 

As peças são produzidas com tecidos tratados com íons de prata que conseguem inativar vários tipos de vírus em até 5 minutos, com uma eficácia de 99,9%.  

Novas formas de ver e se organizar 

Em “How Businesses Have Successfully Pivoted During the Pandemic”, Mauro F. Guillén,  professor da Wharton School, avalia que muitas empresas estão lidando com a crise se baseando em modelos de negócios inovadores que conduzem à sobrevivência de curto prazo, juntamente com resiliência e crescimento de longo prazo. Por isso, pivotar tem se mostrado um movimento que consegue criar valor para consumidor e organização.

Neste sentido, utiliza como exemplo o Spotify, líder em streaming de música. Na teoria, com os ouvintes em casa e procurando por entretenimento, parecia um negócio que possuía tudo que era preciso para funcionar em meio a pandemia. Porém, a empresa sueca precisou superar o seguinte problema: o que era gerado a partir dos anúncios escutados pelos usuários gratuitos. 

Com a pandemia, muitos anunciantes cortaram seus orçamentos. A saída do Spotify foi a oferta de conteúdo original, no formato podcast. Artistas e usuários fizeram o upload de milhares de podcasts somente em um mês, além da empresa assinar acordos exclusivos de podcasts com celebridades e realizar curadoria de playlists. 

Mas, nem todos os pivôs ou testes são bem-sucedidos. Para que eles funcionem, Guillén recomenda três condições:

  • alinhamento da empresa com tendências de longo prazo criadas ou intensificadas pelo contexto, como trabalho remoto, distanciamento social e uso aprimorado de tecnologia; 
  • ser uma extensão natural de capacidades existente da empresa, consolidando uma intenção estratégica;
  • oferecer um caminho sustentável para a lucratividade, que preserva e aumenta o valor da marca para os consumidores.

Com isso, é possível fortalecer modelos de negócios inovadores que prosperarão frente a particularidades de uma nova realidade, como o home office ou “anywhere”, inteligência artificial e novas tecnologias, distanciamento e introspecção do consumidor e outras características que a pandemia influenciará no pós-normal

Quer saber mais sobre modelos de negócios inovadores e como as empresas podem construí-los? Deixe um comentário ou entre em contato! 

 

Conheça as novas formas de trabalho do pós-normal

A crise do coronavírus desafiou as empresas a encontrar maneiras diferentes de servir e gerar valor para seus clientes e comunidades. A pandemia proporcionou transformações nas organizações e na sociedade que, olhando para o ano anterior, pareciam impossíveis de acontecer em tão pouco tempo. Foi preciso remodelar pensamentos consolidados sobre espaço, tempo e valores. Entre muitas outras mudanças, construímos novas formas de trabalho, que certamente perdurarão ou impactarão o que acontecerá no pós-normal. 

Em “Beyond coronavirus: The path to the next normal”, Kevin Sneader e Shubham Singhal, da McKinsey & Company, explicam que a pandemia do coronavírus vai muito além de ser uma crise de proporções imensas – é também uma reestruturação iminente da ordem econômica global. Embora ninguém possa dizer quando a crise passará completamente, é certo que a aparência do pós-normal, o que encontraremos do outro lado, não será o “mesmo normal” dos anos anteriores.

Mas, em algum momento, as crises diminuem. Inevitavelmente, é o que acontecerá também com esta. Embora não se saiba necessariamente o quando, já há mudanças ocasionadas pelo cenário que podem ser identificadas como uma tendência do pós-normal.

Foi fundamental acelerar o que já estava acontecendo e buscar novas formas de realizar as mais diferentes atividades. Em meio a tudo isso, as organizações estão constatando que é possível, sim, trabalhar de outras maneiras, mesmo nessa situação, e ajudar suas equipes, seus clientes e as comunidades onde estão inseridas. São lições aprendidas que direcionarão o futuro e as novas formas de trabalho do pós-normal.

As novas formas de trabalho e a resiliência

Indubitavelmente, a resiliência dentro das empresas se tornou um ponto de destaque em todo esse cenário. E, independente de quando e onde a crise terminará definitivamente, a resiliência será algo que continuará sendo importante nas novas formas de trabalho. Por isso, ao pensar nas mudanças que farão parte do pós-normal, há três características organizacionais que merecem atenção:

  • Mindset de ecossistema: as empresas, todas elas, podem contar com o suporte de uma rede de pessoas externas – fornecedores e parceiros – que atuam juntos na criação de valor. Porém, as empresas de sucesso elevam as parcerias em um nível superior, fazendo delas uma extensão de si mesmas. Com isso, podem arriscar mais, pensar em mais oportunidades e, por consequência, aprofundar conexões e relacionamentos de confiança. É a partir disso que elas obtêm conhecimento, talentos e dados.
  • Tomadas de decisão baseadas em dados: mais do que nunca, os fatos e percepções estão sendo utilizados para orientar as tomadas de decisão. No entanto, há ainda a necessidade de obter plataformas que permitam acesso a dados estratégicos. Reunir, organizar, interpretar e agir com base em dados e análises é e será uma diferencial competitivo que fará parte das novas formas de trabalho.
  • Aprenda como aprender: as novas formas de trabalho no pós-normal são diferentes, assim como muitos dos colaboradores serão também diferentes a partir da vivência de cada um no decorrer da crise. Por isso, é preciso que as empresas trabalhem com seus times a habilidade de aprender como aprender. Ou seja, como se adaptar e mudar rapidamente. 

3 características das novas formas de trabalho pós-normal

Escritórios menores, mudanças na arquitetura, reposicionamento de salas, surgimento de coworkings e hubs regionais, que permitirão que as pessoas possam trabalhar perto de suas casas. São apenas algumas das tendências que estão se delineando entre as novas formas de trabalho. 

Com isso, não só as empresas, mas também a comunidade e outros negócios viverão um novo momento. Locais que antes funcionavam com um propósito, como os hotéis, poderão ser remodelados para atender a necessidade de novos locais de trabalho remoto. Outros negócios, como cafés e restaurantes, otimizarão ainda mais seus espaços para atender pessoas que precisam de espaços de trabalho. Não é mais home office, é anywhere. 

Dentro disso, há elementos que estarão presentes nestas novas formas de trabalho, de maneira imediata ou ainda em processo de construção.

1. O espaço não será mais o mesmo: o home office, que nasceu ou tomou maiores proporções devido ao cenário e necessidades das empresas, certamente provocará mudanças no pós-normal.

Por conta do trabalho remoto, será preciso que líderes passem a olhar para novos ângulos dos seus times. A organização das novas formas de trabalho impactará na comunicação, no fortalecimento da cultura e na própria hierarquia, que deverá permitirá uma aproximação maior, mesmo com a distância territorial.

No entanto, há uma oportunidade para coworkings ofereceram a estrutura necessária para esses trabalhadores remotos. Seja, como dito acima, a partir da remodelação de negócios locais, ou com a criação de hubs regionais que permitam morar perto do trabalho e eliminem a necessidade de transporte.

2. A importância de pertencer: em “Returning to work in the future of work”, os especialistas da Deloitte apontam que o cenário da crise nos lembrou sobre o quanto as pessoas são motivadas quando conseguem conectar suas contribuições profissionais com um propósito e missão maiores. Os colaboradores desejam contribuir quando conseguem entender como seus talentos e contribuições impactam em objetivos maiores do que eles.

Nas novas formas de trabalho pós-normal, as organizações deverão se certificar de que estão proporcionando conexões claras entre os indivíduos, os objetivos da equipe e a missão da organização. O senso de pertencimento virá de uma conexão mais profunda, com ligações visíveis do impacto no negócio e na sociedade como um todo.

3. Resiliência e adaptabilidade em foco: a resiliência aparece aqui novamente como ponto de destaque. Na crise, as empresas puderam compreender que é mais importante saber o que os colaboradores são capazes de fazer do que entender o que eles fizeram anteriormente. A resiliência e a adaptabilidade entraram em foco à medida em que os colaboradores e as equipes precisaram assumir novos papéis e funções e puderam, inclusive, contribuir para a criação de oportunidades em outros setores e campos.

No pós-normal, incentivar e oferecer oportunidades para que os colaboradores possam desenvolver seu potencial será fundamental para alcançar o sucesso. Mais do que habilidades e certificações existentes, abraçar uma orientação futura, indo além do hoje, para criar valor no amanhã. 

Outro ponto importante é o desenvolvimento e a capacitação das lideranças para as novas formas de trabalho no pós-normal. A educação será o melhor caminho para se preparar para desafios e aproveitar as oportunidades que a nova realidade nos trará.

 

Pós-normal: o que será das relações de trabalho pós-Coronavírus

O primeiro caso de Covid-19 foi registrado oficialmente no dia 8 de dezembro de 2019 na cidade de Wuhan, na China, que conta com uma população de cerca de 11 milhões de habitantes. Menos de um mês depois, a Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu o primeiro alerta para uma forte pneumonia que estava infectando pessoas a uma velocidade assustadora em todas as províncias do país. Era um anúncio para mundo pós-normal e, salvo as reportagens nos jornais e os tantos memes compartilhados nas redes sociais, ninguém previu as proporções que o novo vírus tomaria.

Na mesma época, empresas no mundo ocidental — inclusive no Brasil — estão entre relatórios e reuniões para fazer o balanço do ano anterior e projeções para o futuro. Tudo isso, claro, sem contar nas confraternizações de final de ano e nas férias coletivas.

Embora o vírus se alastrasse pelas fronteiras globais, fazendo muitas vítimas ao redor do velho mundo, demorou-se a perceber de que um dia chegaria ao Brasil e modificaria o dia a dia das organizações e das famílias. A OMS declarou o Coronavírus como uma pandemia no dia 11 de março de 2020. Um mês depois, mais de um terço da população mundial estava isolada de alguma forma. Em números absolutos, essa proporção representa quase 3 bilhões de pessoas.

Uma pandemia traz inseguranças que podem ser transformadas em oportunidades

Uma pandemia é uma epidemia de grandes proporções, que afeta muitas pessoas ao redor do mundo. Não é a primeira, provavelmente não será a última e, embora houvesse um alerta sobre a possibilidade deste infortúnio, poucos países estavam preparados para contê-lo. Aliás, por si só a palavra gera uma angústia que beira ao pânico, deixando claro as diferenças com as pandemias que surgiram no passado.

Agora temos tecnologias de ponta que podem ser utilizadas para monitorar ou fazer triagem de pacientes para evitar a sobrecarga dos hospitais. Também temos computadores, internet e facilidade de informação. Neste último caso, tanto o excesso quanto a falta de informações confiáveis são nocivas e podem conduzir a população a histeria: acabar com o estoque de comida, materiais de limpeza e remédios são apenas alguns exemplos.

Neste ponto o sociólogo italiano Domenico De Masi foi enfático ao afirmar que “todo o alarmismo, todo o exagero, toda a subestimação é terrível porque confunde as ideias e nos faz perder um tempo precioso.” Ele alertou também que os dados e os fatos devem prevalecer sobre as opiniões e que o bem-estar é uma conquista irrenunciável.

No meio de tantas mudanças, tivemos que nos adaptar com rapidez. Planejar a alimentação para evitar sair desnecessariamente, encontrar novos processos que possibilitem o trabalho remoto, utilizar a tecnologia de maneira mais eficaz e aprender a gerenciar o tempo para não passar os dias apenas trabalhando ou consumindo notícias que levam à ansiedade.

Para o sociólogo, uma maneira de se preparar para o mundo pós-normal que virá ao final da pandemia é mudar a lógica mercadológica: viver de forma mais racional e proveitosa no mundo contemporâneo. É tempo de colaboração não apenas entre as pessoas, mas também entre os países. E, embora muitos estejam fechando as suas fronteiras, para que a solução chegue, precisamos trabalhar em conjunto. “Afinal, deter a globalização é como se opor a força da gravidade”, ressaltou.

O Covid-19 isolou pessoas, mas acelerou a inovação nas empresas

A pandemia do Coronavírus não apenas acelerou a transformação digital nas empresas, mas também nos obrigou a refletir sobre a forma como utilizamos o nosso tempo livre. No fim, é também uma corrida contra o tempo: achatar a curva de contaminação, organizar o dia para trabalhar na medida e viver o tempo presente para não debilitar a saúde mental.

No fim, temos uma lista extensa de perguntas:

  • Como será o mundo pós-coronavírus?
  • Como lidaremos com a saúde?
  • Seremos pessoas mais espiritualizadas?
  • Como voltar a ocupar os espaços públicos e privados sem medo?
  • Como ficam as relações de trabalho no mundo pós-normal?

Não há respostas concretas para nenhuma dessas perguntas. Não conseguimos prever novos padrões de comportamentos ou fazer projeções econômicas e ambientais porque estamos diante de uma situação completamente nova. Dessa forma, não podemos trabalhar com suposições. Como lembrou Nassim Taleb no livro A Lógica do Cisne Negro: “a indução é uma armadilha, porque ao tomar como referência apenas fatos conhecidos, excluímos da previsão o que não conhecemos, o que nos coloca em situação de grande vulnerabilidade.”

Mas de que mundo pós-normal estamos falando?

O trabalho remoto veio para ficar, mesmo que muitas pessoas não tenham se adaptado. No meio de uma pandemia é até difícil colocar toda a culpa nas particularidades de trabalhar em casa ou falta de métodos de produtividade. Afinal, você não está trabalhando de casa, você está em isolamento social causado por uma pandemia, dentro de casa.

E como venho falando por aqui e também em meu Linkedin. Tudo foi feito às pressas. O isolamento social foi decretado, as empresas flexibilizaram a sua jornada garantindo assim a segurança dos colaboradores. Quem já tinha habilidade para trabalhar de forma remota saiu na frente, já as empresas mais tradicionais tiveram uma adaptação mais abrupta.

Definir processos, entregas, canais de comunicação, buscar novos métodos de organização e preparar a liderança para gerir uma equipe 100% remota. A tarefa não foi nada fácil e ainda está em ajustes, afinal a sociedade industrial nos habituou a ter um local de trabalho com chefes, colegas e separar tudo isso da vida pessoal com famílias e amigos.

Já faz um tempo que o mundo físico se confunde com um mundo online e que não é mais possível separar a vida profissional da pessoal. No entanto, com a pandemia, tudo isso fico ainda mais latente. É trabalhar de casa com cachorro, filhos e obra do vizinho. É estar online para reuniões, repasses e entregas. Tudo ao mesmo tempo.

Há quem tenha se sentido com tempo sobrando, já que economizou o trajeto de ida e volta para o trabalho, mas existem centenas de pessoas que ficaram mais cansadas porque estão trabalhando muito mais. Pode ser problema de organização, sim, mas também pode ser falha de uma liderança que ainda não conseguiu desapegar da metodologia fordista de comando e controle. Prova disso é que o artigo mais visualizado do meu Linkedin em 2020 tem como título: Como adotar hábitos saudáveis para evitar o burnout no Home Office

O mundo pós-normal, portanto, engloba todas as questões que ficaram ainda mais evidente com o coronavírus. Envolve cenários complexos, caóticos, disruptivos e mudanças bruscas. Conseguiu se enxergar na definição?

No pós-normal valoriza-se muito mais as soft skills e poder de adaptação

O pós-normal convida as empresas a investirem em uma liderança ambidestra. Ou seja, em trabalhar com equipes focadas em inovação, mas também manter um time focado na eficácia operacional, de forma a extrair o melhor dos dois mundos. Nós já falamos disso por aqui em:

O ponto é que o mercado de trabalho no futuro exige que tanto a liderança quanto os colaboradores sejam criativos, flexíveis, tenham alto poder de adaptação e estejam dispostos a colaborar uns com os outros de modo a entregar valor para o cliente e promover a inovação na organização.

Neste cenário, as habilidades técnicas que sempre asseguraram a rapidez e eficiência dos processos deixam de ser protagonistas, dando lugar as chamadas soft skills para que o trabalhador esteja apto a viver no mundo pós-normal. Afinal, a palavra da vez é Learning Agility (LA).

O LA que começou a ser estudado na Universidade de Columbia tem como premissa básica que precisamos aprender, inovar e se adaptar às atividades com uma velocidade cada vez maior, focando em nossa transformação e desenvolvimento. Da mesma forma, espera-se que a aplicação desse aprendizado também seja feita de forma veloz. E, mais uma vez, precisamos bater na tecla de que essa aprendizagem e adaptação ágil também se intensificou com a pandemia da Covid-19.

Abaixo, conheça alguns pilares do Learning Agility extraída do artigo The Five Dimensions Of Learning-Agile Leaders  escrito por Kevin Cashman para Forbes:

  • Agilidade mental: capacidade de resolver problemas complexos e assumir riscos;
  • Agilidade com mudança: uma skill intrinsecamente relacionada com à flexibilidade e à forma de se adaptar a novos cenários;
  • Agilidade com resultados: saber tomar decisões focadas em performance mesmo em momento de crise;
  • Agilidade em autoconhecimento: reconhecer suas forças e fraquezas de forma trabalhar neles para seguir evoluindo e se desenvolvendo;
  • Agilidade com pessoas: saber compreender e se relacionar com outras pessoas, sempre visando como potencializar o desempenho coletivo.

O autor ressalta ainda que “Learning Agility é a chave para desbloquear nossa proficiência em adaptação. É saber o que fazer quando você não sabe o que fazer.” Trabalhar esses cinco pontos é com certeza algo essencial para permanecer no mercado de trabalho do mundo pós-normal, que exigirá cada vez mais o espírito de colaboração, no lugar da competição.

Pandemia, tendências e o trabalho no futuro

Os otimistas acreditam que estamos diante de uma grande transformação econômica, social e também de consciência ambiental. Já os pessimistas acreditam que é preciso repensar o consumo para que a natureza não se volte contra a humanidade. Inclusive, há quem acredite que os efeitos da Covid-19 durarão cerca de 2 anos.

Por outro lado,  o virologista Átila Iamarino disse em reportagem a BBC Brasil  que “o mundo mudou com a disseminação do Coronavírus e a preocupação dos governos e das empresas devem ser de se preparar para a nova realidade.”

Como falamos no início do texto, é difícil prever padrões em um cenário de tantas incertezas, mas especialistas alertam que a pandemia que deve marcar o final do século XX será responsável por uma revisão de valores e hábitos, entre eles:

  • Busca por propósito e revisão de crenças e valores;
  • Mudanças nos hábitos de consumo;
  • Transformação dos comércios em ambientes mais arejados e aconchegantes;
  • Novos modelos de negócios para restaurantes, grandes eventos e serviços essenciais;
  • Aumento no número de empresas 100% remotas;
  • Busca por novos conhecimentos;
  • Expansão do mercado de educação online.

Você percebeu que mais de uma vez a palavra educação, transformação e desenvolvimento aparecem no texto? No pós-normal há esta necessidade de preparar a liderança para conduzir a inovação e guiar os colaboradores por este novo mundo. A sua empresa já iniciou esta preparação? Deixe sua opinião nos comentários!

 

Cultura organizacional e liderança: qual o papel do líder na cultura da empresa?

Se antes já falávamos sobre a relevância da cultura organizacional para o crescimento de uma empresa, no momento pós-pandemia será quase que uma estratégia de sobrevivência!  Soma-se a isso ainda o desenvolvimento das lideranças para conduzir todas as transformações que estão por vir, tanto no dia a dia das empresas quanto no cotidiano dos clientes e colaboradores.

E é claro que a cultura está em pauta há tempos, afinal com o avanço da tecnologia foi necessário repensar as organizações para que não sofressem os efeitos da disrupção digital. Os números estão em vários relatórios especializados, como este da Real World Leadership, realizada pelo Korn Ferry Institute que afirma que  72% dos executivos entrevistados dizem que a cultura é extremamente importante para o desempenho organizacional.

Em um momento de muitas transformações, a cultura da empresa dá o norte para a organização, possibilitando que líderes e colaboradores permaneçam alinhados, caminhando rumo ao desenvolvimento e ao crescimento no pós-normal.

liderança inovadora

Os cientistas têm chamado de pós-normal o período após a pandemia da Covid-19, quando as empresas ao redor do globo voltarem a operar e vislumbrar algum cenário de estabilidade. Por isso, refletir a cultura organizacional e capacitação da liderança neste momento de transição deve estar no topo da  lista de prioridades.

No cenário pós-normal, as empresas que se adaptarem e inovarem sairão à frente, ganhando destaque no mercado e retendo seus talentos. Portanto,  o artigo de hoje apresenta qual é a relação da cultura organizacional com a liderança e como o desenvolvimento do líder pode impulsionar a transformação e o crescimento em uma empresa.

O verdadeiro papel do líder na empresa

Antes de mais nada, é importante que o líder reconheça a importância da cultura organizacional para a empresa e, de fato, proporcione uma construção coletiva baseada no diálogo com a equipe. Ao apenas impor regras e não adaptá-las à realidade dos funcionários, o líder estará somente replicando um modelo antigo e que, hoje, já não faz mais sentido.

Ouvir os funcionários para entender quais são as suas necessidades é fundamental para construir a cultura organizacional, tarefa que deve ser realizada junto a todas às áreas envolvidas. Tendo essas informações em suas mãos, as áreas poderão pensar conjuntamente em ações para desenvolver os talentos e mantê-los engajados.

Os 4 pilares do desenvolvimento de uma liderança

  • Contexto. O desenvolvimento deve sempre levar em conta o momento e as atuais questões da empresa.
  • Desenvolvimento completo. As forças e motivações individuais devem ser combinadas às necessidades organizacionais, alinhando os valores, as crenças e a personalidade da pessoa à nova cultura.
  • Tratar o desenvolvimento como uma jornada. Não basta apenas dar um treinamento ou uma palestra. É importante construir uma história repleta de experiências e desenvolvimento reunidas de maneira convincente. Assim, o líderes irão visualizar uma verdadeira jornada com começo, meio e fim.
  • Propósito bem definido. É fato que as pessoas costumam se inspirar quando há mais de um objetivo a ser seguido, mas é preciso que haja um propósito. Ou seja, o valor entregue para o cliente final é o que motiva um time. Deixando o propósito bem claro, a liderança estará pronta para promover a transformação cultural.

Ainda de acordo com o estudo do Korn Ferry Institute, as três principais estratégias que devem ser utilizadas na preparação desta liderança inovadora são:

  1. Comunicação
  2. Desenvolvimento de liderança
  3. Incorporação da mudança cultural no objetivo de gerenciamento.

Cultura organizacional: erros que são evitados com a capacitação da liderança

1. Não aproveitar as experiências

É importante que as lideranças sejam capacitadas também olhando para o passado, a fim de não repetir os mesmos erros cometidos. Afinal, ser resistente às mudanças e persistir em modelos antigos não é saudável para os negócios, seja em termos financeiros ou quando falamos da reputação no mercado.

2. Não adaptar-se às mudanças

Outra situação que é bastante comum aos líderes (e que está relacionada ao item anterior) é  liderar uma empresa inovadora como se fosse uma organização tradicional. Nessa situação, é fundamental desenvolver líderes capazes de impulsionar a inovação, criando uma cultura colaborativa e orientada para o desempenho. O desenvolvimento da liderança pode ajudar a transformar a organização rapidamente e criar um ambiente no qual novas ideias e inovação possam florescer.

3. Falta de comunicação

A mudança da cultura organizacional deve sempre ser bem comunicada. Isso refletirá no nível de colaboração e no desempenho da equipe e, consecutivamente, no desenvolvimento da empresa como um todo. Com o aumento da prática do trabalho remoto, ter um diálogo aberto e desenvolver a empatia com os colaboradores é ainda mais essencial do que antes.

4. Expectativas irreais

Outro ponto importante que a liderança precisa ter em mente sobre a cultura organizacional, é que a mudança não acontece da noite para o dia. Após ser pensada e apresentada aos colaboradores, é fundamental trabalhar a implementação aos poucos, deixando bem claro os passos que serão seguidos até que o objetivo seja alcançado.

5. Não dar o exemplo

Será por meio das suas ações, comunicações e valores incorporados, que os líderes darão o exemplo a ser seguido pelos demais funcionários. Caso não o faça, é normal que a mudança não aconteça conforme se esperava.

Podemos dizer que não é possível  mudar uma cultura organizacional sem desenvolver os líderes para adotar a mudança, pois o papel da liderança é criar uma cultura organizacional envolvente e que impacte a equipe. E isso, precisa acontecer por meio da capacitação.

Você quer ter uma equipe capacitada para agir mesmo nas adversidades causadas pelas transformações pelas quais estamos passando? Confira a série de webinars que preparamos!