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Inovação se faz com pessoas! Como construir um mindset colaborativo

O que vem primeiro, a confiança ou a colaboração? Quando se pensa na construção de um mindset colaborativo, as relações humanas entram em foco mais do que nunca. Se um líder pede para sua equipe eliminar barreiras, compartilhar conhecimento e inovar em conjunto, é preciso entender o que fará com que cada um se conecte com o próximo e, principalmente, acredite no objetivo daquilo que está sendo proposto. Por isso, para responder a pergunta, deve-se ir pelo caminho do meio. Ambos acontecem ao mesmo tempo. 

Em entrevista para a CBN Professional, sobre “Como construir relações de confiança no ambiente de trabalho”, Pedro Mello e Ricardo Vandré explicam que aquilo que vem antes, na verdade, é a clareza de que todos estão no mesmo barco, que a equipe inteira conhece os propósitos e intenções da organização. E, o ápice disso, é quando ocorre uma confluência entre a razão de ser do colaborador e o propósito da empresa. A partir disso, quando há clareza do caráter, das competências e habilidades das pessoas, sobretudo dos líderes, é que se começa a estabelecer uma relação de ação comportamental de confiança e um mindset colaborativo.

Essencialmente, a confiança se estabelece com a prática e a continuidade. Além disso, é na confiança, ou até mesmo na falta dela, que se fundamentam os bons conflitos, assim como o medo de enfrentar os conflitos. Também a colaboração, da mesma forma que a falta de engajamento. Ou seja, é o primeiro alicerce para que exista, de fato, um pensamento coletivo de criação e inovação. E pode ser o que falta para a organização prosperar. 

Então, se o mindset colaborativo está intrinsecamente ligado com a confiança, como os líderes podem estabelecer esse tipo de relação com os colaboradores? De início, já é indispensável que a empresa forneça um ambiente propício para tal. E parte dos líderes e C-levels proporcionar as condições necessárias para todos estabelecerem relações de confiança. Depois, há algo que pode parecer simples, mas que é de suma importância, é fundamental que as equipes se conheçam, partilhem histórias, virtudes, valores e talentos.

O ser humano deve estar em primeiro lugar. E isso significa entender que não se poder colocar uma barreira entre a vida pessoal e a profissional. Para um mindset colaborativo, não se deve pedir que as pessoas assumam personalidades diferentes daquelas que elas têm fora do trabalho. Se há o pior cenário, em que muitos temem que os problemas externos poderão prejudicar os resultados da empresa, é preciso entender que eles estarão ali de qualquer maneira, com consentimento ou não. E há, por sua vez, o contrário, o melhor cenário. Nele, o colaborador traz suas virtudes pessoais, como amorosidade e fidelidade, para suas relações na organização. 

Como inovar com um mindset colaborativo

Com o desenvolvimento das relações de confiança e a visão do colaborador como indivíduo, todas as empresas podem construir um mindset colaborativo. E, sendo assim, somar os esforços e talentos individuais em prol do coletivo. E como utilizar a colaboração para inovar? Em “3 Ways to Build a Culture of Collaborative Innovation”, Kate Isaacs e Deborah Ancona apontam três práticas que valem ser analisadas e adaptadas para cada caso. 

1. Criar ferramentas que permitam uma comunicação estratégica sobre inovação. As boas ideias e insights que farão diferença no futuro não cabem somente a um setor específico. Elas podem vir de todos os lugares da empresa. No entanto, é possível que determinadas pessoas e equipes precisem de ajuda para a construção do seu argumento. E é papel da organização estruturar os meios para que o time possa inovar e estruturar suas propostas.

Para isso, podemos nos apropriar de um conjunto de perguntas utilizados pela Defense Advanced Research Projects Agency, agência governamental norte-americana inovadora com foco na segurança nacional. São elas:

  • O que você pretende fazer? Articule os objetivos sem utilizar jargões.
  • Como isso é feito atualmente e quais são os limites impostos?
  • O que há de novidade em sua abordagem que conduzirá ao sucesso?
  • Se alcançar o sucesso, qual a diferença que fará?
  • Quais são os riscos?
  • Qual o preço a se pagar e o tempo que precisará?
  • Quais são os testes que permitirão analisar sua hipótese?

São perguntas que permitem que todos os colaboradores elaborem suas propostas inovadoras e as apresentem com clareza. Com isso, a intenção é estimular que exista uma construção colaborativa a partir das contribuições da empresa inteira, e não somente de um departamento de inovação.

2. Verificar e refinar ideias coletivas constantemente. A adoção de um mindset colaborativo requer uma análise contínua das ideias inovadoras. Por isso, comitês anuais de avaliação não são uma boa prática. É fundamental que a empresa possa revisar, refinar e validar constantemente. Para tanto, entra aqui novamente a clareza. No caso, deixar claro a partir de quais critérios serão analisadas as inovações propostas, tendo como base diretrizes simples e entendidas pela equipe.

3. Romper barreiras que impedem a inovação de acontecer. Em diversos casos, os líderes são aqueles que designam os novos projetos que devem ir para frente e quem fará parte de cada iniciativa. Porém, há lugares em que a liderança age de uma maneira diferente. O que significa que os líderes têm o papel principal de servir a quem está inovando. Ou seja, abrir caminho para os projetos promissores e obter os recursos para as equipes inovarem.

Com as três práticas acima, é possível impulsionar o mindset colaborativo e permitir que todos os colaboradores tenham a oportunidade de estruturar propostas, entender com clareza as diretrizes quanto a isso e, em especial, possuam as condições necessárias e o apoio para superar barreiras que impeçam a inovação. 

A construção do mindset colaborativo, como vimos, envolve uma série de fatores. Nem todos podem ser enfrentados com técnicas formais, muito menos com aquelas tradicionais ou que replicam crenças limitantes, sejam do líder ou do colaborador, ou mesmo algo específico da época e da sociedade. Por conta disso, estimular o autoconhecimento da liderança é um ponto-chave. Nem todas as respostas estão no exterior.

Importante dizer, que colocar o indivíduo no centro das atenções não significa tirar o foco do resultado. Em um ambiente de confiança, com clareza de propósito e valores, os resultados acontecem naturalmente. Cabe ainda ao líder treinar o seu olhar para ir além do automático e identificar as habilidades e potencialidades de cada um. 

O que falta para sua organização construir um mindset colaborativo? Vamos continuar nossa conversa sobre o assunto!

 

Empresas Exponenciais: como trazer o pensamento startup para dentro das organizações

Empresas Exponenciais são organizações que crescem de forma mais rápida do que empresas convencionais porque estão baseadas em tecnologias avançadas. Elas pensam grande e buscam desenvolver estratégias e negócios de maneira escalável. Para tanto, trabalham com o propósito de simplificar a vida dos seus clientes e é justamente por isso que em torno delas giram uma série de clientes apaixonados e promotores orgânicos dos negócios.

Um bom exemplo disso é o TED, uma empresa inovadora em educação corporativa que mudou a forma de apresentar palestras. Quem nunca assistiu a um TED  após o outro e compartilhou os links nas redes sociais com os amigos?

Do outro lado dessas organizações que se conectam com pessoas e fazem de tudo para oferecer a melhor experiência para os clientes estão as empresas tradicionais. Elas consideram a inovação de dentro para fora, com grandes investimentos em Pesquisas e Desenvolvimento (P&D) quando querem inovar. Normalmente se pautam pelo passado, criando desafios de crescimento pelo que já conseguiram, enquanto que empresas exponenciais miram o futuro e trabalham com cenários prospectivos desafiadores com crescimento não em 10% mais em 10x.

Esse processo é oneroso e demorado, além de ser pautado em proteger os serviços já estabelecidos, uma vez que estão há anos gerando receita para a empresa. Contudo, enquanto o P&D trabalha intensamente nessas organizações, uma startup nasce com pensamento lean, baseada em experimentação, com pouco recurso e com o foco em descobrir os erros da operação o mais rápido possível para corrigi-los e otimizá-los logo em seguida.

No entanto, se são as startups que se transformam em empresas exponenciais que crescem 10 vezes mais e que, consequentemente, revolucionam o mercado, atraem seguidores apaixonados e operam com o tripé: processo, pessoas e cultura, onde as empresas tradicionais estão errando para ficar para trás? Confira abaixo!

O que não fazer para seguir o exemplo das empresas exponenciais?

Disrupção e modelo de negócio

Como falamos anteriormente, as empresas tradicionais quando pensam em inovar focam em P&D, mas dificilmente modificam o modelo de negócio. Ao longo dos anos, vimos várias empresas estabelecidas perderem mercado porque não modernizaram as operações. Aqui, podemos citar a Kodak, a Nokia e os produtos de entretenimento como CDs, DVDs e aluguel de filmes.

O que podemos aprender com esses exemplos é que as organizações não podem pensar de forma linear e replicar estratégias que já deram certo antes para prever a aceleração e escalada de um negócio.

Quer saber mais sobre Disrupção digital? Leia o artigo que publicamos anteriormente: Cultura da inovação: como se preparar para a disrupção digital

Burocracia e riscos

Burocracia é o tipo de palavra que lembra situações negativas. Autenticar documentos no cartório, juntar muitos documentos para alugar um apartamento e não por acaso é um termo vinculado a repartições públicas.

A tecnologia se moderniza a cada dia ao mesmo tempo que várias ideias são tiradas do papel e se transformam em uma startup que pode se transformar em uma empresa exponencial. Há espaço para burocracia com a disrupção batendo na porta? Não há. Exemplo disso foi a revolução que a Quinto Andar vem fazendo no que se refere ao aluguéis de imóveis. Processo simples, direto e sem intermediários, tornando-se uma empresa avaliada em US$ 1 bilhão, sendo considerada um dos “unicórnios” brasileiros.

Por outro lado, é difícil romper padrões de mercados. Assumir riscos e reduzir burocracias, dar autonomia para experimentação, portanto. Grandes empresas que já foram líderes de mercado têm dificuldade de inovar, pois, mexer em time que está ganhando é difícil. É romper com a sua própria estrutura. O caminho mais estratégico neste cenário seria abrir mão de uma parcela da receita, investir em inovação e recuperar (e crescer de forma acelerada) mais lá na frente.

Qual o diferencial das empresas exponenciais, então? Elas começaram pequenas e com pouco recurso. É mais fácil assumir riscos e testar várias hipóteses. Reduza os papéis. Simplifique. Confie. Dê autonomia, com certeza a mudança acontecerá.

Otimizações

Ainda falando sobre dificuldade em romper barreiras e assumir riscos, também notamos que as organizações tradicionais preferem a zona de conforto das otimizações: melhorar um produto, agregar um serviço adicional ou até mesmo um novo acessório. O inverso disso seria pensar em algo novo, totalmente fora da caixa e jogar de forma mais rápida no mercado para medir a aceitação, reparar os erros e otimizar quando preciso.

As empresas que promovem deslocamento humano são campeãs em trabalhar com otimizações. No meio de tanto acessórios e mudanças de design de automóveis surgiu a 99, o Uber e até os patinetes que além de mais econômicos, ainda prometem desafogar o trânsito. Nessas histórias distantes, quem cresceu e quem reduziu as vendas?

P&D é demorado e oneroso

O processo de Pesquisa e Desenvolvimento é um estágio muito importante dentro do processo da inovação. No entanto, pendente de muitas variáveis e é demorado. Exige tempo, dinheiro e uma grande equipe. O processo ágil e exponencial considera etapas menores, com pequenas apostas em contato direto com o mercado e com os clientes.  Dentro do pensamento lean e de startups, precisamos testar logo, verificar os erros e acertos, identificar o aprendizado e corrigir o rumo.

Para isso, recomenda-se o uso frequente de novas metodologias ágeis como o Design Thinking, prototipações rápidas, Provas de Conceitos (POCs) e MVP (mínimo produto viável)  para validação das ideias.

Como começar a mudança sem prejudicar a receita?

As corporações tradicionais esbarram em padrões de mercado que elas mesmas criaram, mas é possível promover a mudança e trazer o pensamento de startup para dentro dessas organizações sem prejudicar o dia a dia e a receita? Claro que sim! Muitas empresas têm optado por um modelo híbrido de gestão no qual aproveitam o melhor dos dois mundos.

Ou seja, elas replicam a eficácia operacional que deu resultado por anos ao mesmo tempo que abrem espaço para o teste e a inovação. Isso pode acontecer tanto por meio da criação de setores focados em inovação, criatividade, desenvolvimento de novas ideias e colaboração como também no investimento em laboratórios de inovação, fora da organização.

Para saber mais sobre este modelo híbrido, conhecido como ambidestria, acompanhe a série de posts que publicaremos ao longo das próximas semanas. O primeiro deles foi: O que é Ambidestria? Por que a sua empresa deve ficar de olho neste conceito

 

transformação cultural

Transformação cultural: por que a mudança no mindset é o primeiro passo para a transformação digital?

Você já deve ter ouvido falar muito sobre mindset. Sobre “o mindset da empresa”, o “mindset da equipe”, um “mindset de empreendedor” e assim por diante. Mas qual é o significado isso? Além da definição do termo, que diz respeito aos valores e predisposições de um grupo ou de uma pessoa para adotar determinado padrão de comportamento, o mindset está intimamente ligado com a transformação cultural e a transformação digital. Em “Mindset: A nova psicologia do sucesso”, Carol Dweck traz dois tipos de mindset que precisam ser compreendidos, pois é a partir do entendimento de cada um deles que se torna factível uma verdadeira mudança. Veremos mais na sequência.

Seguindo o pensamento de Dweck, a transformação cultural pode ser associada ao mindset quando se fala, por exemplo, da diferença entre ouvir opiniões de sábios sobre assuntos que exigem expertise e, por sua vez, entender como e de qual forma a assimilação desses pontos de vista podem ser aplicados a você. A opinião que cada um adota de si, de acordo com as pesquisas levantadas pela publicação, é um fator determinante para a nortear a vida da pessoa. Uma simples crença começa a ter grande  poder a partir da concepção de qualidades imutáveis, no qual nos deparamos com o primeiro tipo de mindset, o mindset fixo. Aqui há um pensamento fixo, imutável, no qual há uma constante necessidade de provar o próprio valor.

Transformação digital e o mindset de crescimento

Existe ainda mais um tipo de mindset identificado por Carol Dweck. Nele, não há uma pré-determinação de qualidades que irão acompanhá-lo para sempre. Ou, como é explicado no livro “Mindset”, a inteligência, a personalidade e o caráter, assim como demais características, não devem ser consideradas como cartas de um baralho, no qual cada um recebe as suas e deverá viver sempre tentando convencer a si e aos outros “jogadores” que tem um belíssimo jogo em mãos, mas com medo, em seu íntimo, de ter apenas poucas e fracas combinações. Trata-se apenas do começo. Cada um recebe suas cartas, mas estará livre para desenvolvê-las. É o chamado mindset de crescimento.

No mindset de crescimento, bastante importante para a transformação cultural, se dá justamente a oportunidade de mudar, de evoluir. Ele está arraigado na crença de que cada pessoa consegue cultivar qualidades básicas a partir dos esforços particulares. Mais do que acreditar que é possível se tornar qualquer coisa, como um gênio em diferentes artes, o cerne da questão está no verdadeiro potencial que, por sua vez, é desconhecido. Por isso, não há nada fixo, pois não é possível antever o que alguém conseguirá alcançar após períodos que envolvem “paixão, esforço e treinamento”.

Da transformação cultural para a transformação digital

Entender se há um mindset digital é também estar aberto para o mindset de crescimento. E, para que se chegue até a transformação digital, é fundamental que exista uma transformação cultural. São eventos interligados. A questão da adaptação, trazida pelo mindset de crescimento, no âmbito digital se torna mais clara como quando abordada pelos especialistas da Deloitte no artigo “Achieving digital maturity”. Na publicação, coloca-se como uma premissa do mundo atual, a capacidade de integrar-se com ambientes de mercado cada vez mais digitais, aproveitando-se das tecnologias digitais.

Mas como prosseguir para o mindset digital? A partir de uma pesquisa global que envolveu mais de 3.500 gerentes e executivos, MIT Sloan Management Review e Deloitte elencaram cinco práticas de quem está fazendo uma transformação cultural em prol de uma transformação digital. São elas:

  1. a implementação de mudanças sistêmicas na forma de organizar e desenvolver forças de trabalho estimula a inovação no local de trabalho e cultiva culturas e experiências digitais;
  2. trabalhar com horizontes de planejamento estratégico mais longos é um diferencial de organizações mais maduras digitalmente, com 30% olhando para cinco anos ou mais contra 13% das organizações com menor maturidade digital;
  3. dimensionar pequenos experimentos digitais em iniciativas que tenham impacto no negócio, descobrindo de forma perspicaz e disciplinada como financiar tais empreendimentos para que não enfraqueça diante das necessidades de investimento mais imediatas;
  4. ser um ímã de talento, fazendo com que os colaboradores e executivos sintam que há espaço para o desenvolvimento de suas habilidades digitais;
  5. assegurar que os líderes tenham a visão necessária para liderar uma estratégia digital e disposição para comprometer recursos para alcançar essa visão.

A importância da transformação cultural para a transformação digital está relacionada com a estratégia de negócios, principalmente para se manter a par das evoluções e revoluções demandadas pelo ambiente que está sendo estruturado e desenvolvido pela tecnologia. Quer saber mais como mudar o mindset para alcançar esse objetivo? Continue nos acompanhando ou entre em contato.