Nossa conversa com Alex Osterwalder

Esta semana tivemos a oportunidade de reencontrar com Alex Osterwalder, o autor do Business Model Generation durante a sua permanência no Forum HSM de Inovação. Foram 2 horas de bate papo, descontraído e informal onde foi possível apresentar o trabalho que estamos realizando em nossas consultorias e nas nossas aulas em diferentes partes do Brasil.

 

 

 

 

 

 

Um aspecto que nos chamou a atenção foi a preocupação de Alex em manter-se atualizado e sempre procurando novos desafios. Ele está bem focado em concluir seu novo livro onde apresentará a importância da proposta de valor como um diferencial de cada negócio. Além disso, a importância de se entender a anatomia da organização. Fez um comparativo com uma sala de cirurgia onde um cirurgião não pode operar apenas com um canivete suíço mas necessita de diferentes ferramentas. Assim é o canvas do modelo de negócio. Oferece uma visão global do processo e não apenas uma parte da organização. Como um clinico geral, é preciso olhar o todo e compreender as relações entre os 9 blocos. Entender o processo como uma anatomia empresarial. E ver como funciona as interações entre as mesmas.

Enfatizou também que o Canvas do Modelo de Negócio é um rascunho, um “blue print” do negócio. Serve como uma base para iniciar a prototipagem e testes de validação em contato com o cliente e que a inovação tecnológica sem um modelo de negócio que seja viável, não vale para nada.

Porque usamos ferramentas do século passado para avaliar negócios atuais? Isso é o mesmo que chegar a uma reunião de negócios e tirar um Morotola tijolão e colocar sobre a mesa. Novos tempos exigem novas formas de pensar e de agir.

O evento também nos proporcionou encontrar vários colegas e ex-alunos ávidos pela reciclagem e aprendizado. Fiquei feliz em rever tantas pessoas que ajudamos a introduzir esse conceito e que veem as suas vidas e atividades profissionais modificadas.

Sobre as novidades e o conceito de modelos de negócios realizaremos mais uma turma na ESPM em São Paulo nos dias 12 a 14 de setembro de 2013. Informações podem ser obtidas neste link. Participe.

[Design Thinking] Tentativa e erro como forma de inovar

As histórias existem porque alguém contou alguma coisa depois que aconteceu. O sentido é dado por quem faz a narrativa. Vivemos o dia a dia e não temos como prever esse movimento aparentemente errático, mas que costuma funcionar.  Tim Brown, da IDEO relata uma experiência onde o design thinking contribuiu para o aterro sanitário das cidades com as embalagens dos produtos de uma pequena empresa situada em Boulder, no Colorado que fabrica produtos para o corpo com o apelo ambiental. Empresa pequena, orçamento restrito, quem não se deparou com essa situação? Mas a história mostra que esse cenário também é ótimo para encontrar uma forma de inovar

A partir das técnicas do design thinking e por analogias como por exemplo que a casca da banana também pode ser um nutriente para a próxima geração de árvores, o grupo que trabalhou com o projeto chegou a solução de transformar as caixas dos sabonetes e dos demais produtos em caixas biodegradáveis porém com sementes de flores selvagens que são incorporadas ao serem lançadas nos aterros sanitários embebem-se de água e em poucos dias começam a florir. Pensando bem, talvez nem as joguem em um aterro sanitário, mas no próprio jardim. Imaginem a plaquinha indicando – flores de caixas de sabonetes ou flores da caixa do meu shampoo.

Pensar como um designer pensaria é uma rápida tradução do termo ―design thinking. Significa olhar para alguma coisa que não esteja na cena, deslocando o olhar do cenário convencional para vislumbrar cenários futuros. Um processo exploratório que pode conduzir a descobertas inesperadas e inovadoras ao longo da sua trajetória, além de identificar novas oportunidades em seus negócios através da compreensão dos desejos das pessoas, gerando valor.

Este exemplo simples é apenas uma amostra do que este método permite descobrir partindo de um ambiente problema e chegando pela experimentação e prototipagem a soluções antes não imaginadas.

O design thinking é uma forma de inovar que gera resultados

As experiências que temos vividos ao longo de 2 anos aplicando design thinking na geração de ideias e de modelos de negócios inovadores tem comprovando que o método funciona. A partir de uma palavra apenas e utilizando-se do duplo diamante proposto pelo Conselho Britânico de Design é feita a pergunta: qual a proposição de valor que podemos entregar ao cliente? Ao término das dinâmicas, iterações e prototipagem os grupos apresentam as propostas de modelos de negócio, com possibilidades reais de serem implantadas. Experiência inenarrável e que só vivendo para saber. Nesses cursos que promovemos temos utilizado a lógica do design como forma prática de buscar a inovação, apoiado no conceito de “aprender fazendo”, com o objetivo final de habilitar aos participantes a replicar a experiência em suas situações específicas.  Associado ao duplo diamante e ao processo do design thinking, nos valemos do processo darwiano de inovação e também utilizamos a Variação Cega e a Retenção Seletiva como forma de gerar muitas ideias e permitir que as mais robustas sobrevivam e se transformem em modelos de negócios viáveis.

Confira o que  Tim Harford em uma de suas palestras no TED aborda sobre o tema: Tentativa, erro e o complexo de Deus. E também comenta as questões da complexidade onde não é possível se ter o controle de qualquer situação. E a grande necessidade de tentar e saber errar para identificar o correto. Uma lição de humildade que ensina que necessitamos variar muito, errar mais ainda para saber o que pode estar correto e nos trazer uma solução para qualquer problema, ou seja, encontrar uma forma de inovar. Algo que tentamos aplicar nos cursos que ministramos em todo o Brasil (veja alguns depoimentos de quem participou) e Clique aqui para assistir ao video citado.

Ficou interessado em desenvolver essa forma de pensar e descobrir formas de inovar? Confira os nossos cursos disponíveis.

 

A importância de um ambiente favorável à inovação

Desde que iniciamos a transição entre uma economia industrial para a economia pós-industrial temos nos deparado com a mudança da forma de trabalho. Na sociedade industrial os trabalhadores se encaixavam nas funções descritas pela área de recursos humanos, de forma clara e padronizada. Na era do conhecimento em que estamos vivendo, das pessoas é exigido não só desempenhar um papel, mas gerar resultados criativos, inovadores e surpreendentes. Nesta era não se vende mais produtos, mas se desenvolve o mercado e os clientes, que esperam cada vez mais serviços novos e melhores.

Para que possa ocorrer uma efetiva gestão do conhecimento, as organizações necessitam construir um ambiente participativo, coordenado e que propicie o compartilhar do conhecimento. Precisam ainda favorecer o aprendizado organizacional, agregar valor aos seus produtos e serviços além de contribuir para a criação do conhecimento organizacional.

Por sua vez, a criação do conhecimento organizacional não pode depender apenas de tecnologia e conhecimentos técnicos. Para que o conhecimento se desenvolva é necessário que a empresa funcione como uma comunidade social com espaço para o surgimento das habilidades específicas de orientação, comunicação e difusão. Essas habilidades são construídas ao longo do tempo e dão à organização o seu caráter específico e indicam o caminho do desenvolvimento.

 A gestão do conhecimento se vale da utilização de determinados métodos e técnicas muitas vezes desconhecidas como tal por aqueles que as adotam. As evidências demonstram que essas práticas estão sendo usadas cada vez com mais frequência  A adoção e implantação de práticas (métodos e técnicas) de gestão do conhecimento podem ser vista como uma fase crítica do movimento empresarial no que tange a integração das empresas à era do conhecimento.

Mas para gerar resultados criativos e inovadores, a forma de organização do trabalho também tem se alterado nas últimas décadas. Ambientes descontraídos, motivadores, amplos e sem controle de tempo são alguns exemplos. Diferente dos ambientes tradicionais com mesas perfiladas, ambientes criativos são caóticos, com uma certa bagunça, muita conversa, muito desenho pelas paredes e muitas ideias em post its espalhados por todos os cantos.

Outro diferencial desse habitat de inovação é que as empresas se agrupam em parcerias, pessoas e ideias se conectam constantemente, em forma de uma grande colmeia, pulam de ambiente para ambiente promovendo uma polenização humana e proporcionando um ambiente propício à inovação, passando de pessoa a pessoa, sem controle ou rigidez.

Universidades e centros de pesquisas estão intimamente ligados aos centros empresariais, provendo especialistas, empreendedores e sonhares e disponibilizando-os às empresas para realizarem pesquisa aplicada, direcionada para a solução de problemas que podem até nem serem conhecidos ao serem inventados.

O conhecimento e as maneiras como este é administrado não faz parte do pensamento comum das pessoas, entretanto inconscientemente é realizado no dia a dia. Cada indivíduo possui experiências, se relaciona com outras pessoas e dispõe de informações estratégicas. A gestão do conhecimento consiste em organizar essas informações, aplicar o conhecimento coletivo e saber quando e como utilizá-lo na forma de resolução de problemas a fim de atingir os objetivos da organização.

Proporcionar este ambiente especial para a criação do conhecimento e promover a inovação é um dos objetivos do Curso Inovação em Modelos de Negócios que realizaremos nos dias 16 a 18 de maio de 2013, em São Paulo em parceria com a ESPM. Momentos de descontração e intercâmbio de experiências estão na pauta do programa que também abordará a evolução do conceito de modelo de negócio, suas representações, características e o seu processo de desenvolvimento. Identificará o processo de desenvolvimento de um modelo de negócios, suas aplicações e possibilidades. Será também abordado o design thinking como forma de gerar novas ideias e consequentemente novos bens & serviços ou negócios e destacará a importância do serviço a ser realizado para o cliente em sintonia com a proposta de valor, gerando modelos de negócios inovadores.

Desta forma, ao final do curso os participantes estarão aptos a desenhar e elaborar modelos de negócios visando à inovação em seus negócios atuais ou na implantação de novos modelos de negócios. Para mais informações acesse nossa página cursos e workshops ou diretamente na página da ESPM.

Qual a sua Tarefa ? A importância das tarefas e o modelo de negócio

Você empreendedor, consultor ou que trabalha para uma empresa, que nos acompanha pode inicialmente indagar o porque do tema Qual a sua Tarefa ? O que isto tem a ver com inovação e muito mais com modelo de negócio ?

Calma! A minha tarefa aqui é justamente esclarecer, compartilhando algumas experiências e conhecimentos.

Como devem ter notado nossa paixão é por inovação e mais precisamente em inovação dos modelos de negócio. Mas por que modelos ? Descrevemos aqui que, hoje em dia somente produtos e tecnologias já não são mais suficientes para garantir bons resultados em sua empresa, por que não dizer na sua vida (empresas são criadas e administradas por pessoas, certo!). Não basta somente uma boa idéia, o interessante é sempre buscar, de  forma constante, caminhos sustentáveis (rentáveis inclusive) para entregar sua proposição de valor. Aqui que começa a história da tarefa, vocês já pararam para pensar o que um dispositivo, que carregamos todos os dias nos ajuda a realizar: o famoso celular.

         Temos o costume de usar o celular para:

         » Nos comunicar no trabalho e na vida pessoal

         » Guardar nomes e números de familiares

   (isto fazíamos quando eram celulares tradicionais),      agora com smartphones podemos também:

          »  Agendar compromissos
          »  Pesquisar na internet
          » Registrar momentos  com  uma foto

 

» Compartilhar pensamentos através das redes sociais

» Jogar enquanto estamos dirigindo no carro no metrô

» Ouvir músicas….

» Etc,etc e etc…a lista é infinita

Notaram algo interessante acima ? (dica: está em itálico). Agendar, Pesquisar, Registrar, Compartilhar, Jogar, Ouvir. São tarefas que gostamos de realizar, que são importantes para as pessoas. Mas pera aí, para todas as pessoas ? Não! Conheço muita gente que prefere utilizar aparelhos mais tradicionais, com tarefas mais básicas, portanto as tarefas, são particulares e muitas vezes dependem de cada contexto da vida das pessoas.

Agora vamos raciocinar o seguinte, eu gosto de ter todas as tarefas acima realizadas e não possuo um celular com tal capacidade, estas tarefas que desejo ter realizadas tornou-se  algo que me atrapalha no meu dia-a-dia, tornou-se um problema, mais precisamente posso , para uma tomada de decisão no meu trabalho, ou  na família por causa de uma viagem não prevista.

Neste momento, as vezes conscientemente ou nem tanto, avaliamos o que existe (na solução atual) ou poderia existir. Se o produto ou serviço me ajuda a resolver estas questões, a eliminar estas barreiras, estes pontos que se tornaram problemas no meu dia-a-dia, posso então imaginar trocar por um celular mais poderoso, tipo , que me ajude a realizar estas tarefas que julgo importantes (muitas vezes chamamos de analise de custo x benefício: ”este bem que adquiro me ajuda a realizar esta tarefa?”, mas muitas vezes agimos por impulso, mas isto é outra história). Mas as opções de bens tipo celular são infinitas, todas me ajudam a ter as tarefas realizadas dentro do contexto mencionado. Portanto, podemos avaliar qual proposição de valor  adicional este produto traz, alguns podem me ajudar a realizar as tarefas de forma , pode me ajudar a ouvir as músicas, de forma bastante, além de muitas outras facilidades. Neste momento que passamos a enxergar mais valor nele (vale a penar conceituar que inovação também é considerado como valor percebido, pelas pessoas, pois teve um impacto positivo em em suas vidas). Quantas vezes paramos para pensar nisto ? Executamos muitas destas tarefas de decisão de forma automática (mas acredito que vale uma pausa para reflexão).

Perceberam a utilização dos  acima ?  Foram propositais, pois o cérebro do ser humano, segundo estudos possuem diferentes formas de aprendizagem (também chamada de cognição), sendo elas auditivas, visuais e sinestésicas. Gosto de ler e você que nos acompanha também, mas grande parte das pessoas gravam as informações através de associação visual.

Com já falamos antes aqui, uma ferramenta bem poderosa justamente é a utilização de pensamento visual, forçar que uma idéia que esteja em nossas mentes seja tangibilizada em formas, desenhos, quadros, com se diz no dito popular: “imagens valem mais do que mil palavras”. Aliás, por isso que a ferramenta criada por Alex Osterwalder em seu livro Business Model Generation, chamado Quadro do Modelo de Negócio é super poderosa, pois é visual e conduz os participantes a serem diretos e de uma forma muito colaborativa.A linguagem é clara e única (se você ainda não participou de um curso, workshop ou oficina venha participar da próxima turma que ocorre na ESPM em São Paulo e na Clear Educação em Florianópolis. Mais detalhes, acesse o link aqui).

Como já mencionamos a busca por inovação é um processo contínuo, o Osterwalder criou, de forma também colaborativa e como protótipo, mais um quadro no início de 2012, que denominou de Quadro de Valor do Cliente. O intuito foi trazer, de forma visual também, como as pessoas trabalham esse processo de decisão entre tarefas X produtos/soluções. Sabe de onde surgiu esta idéia dele ? Quando esteve com diversas empresas de tecnologia do Vale do Silício e percebeu a falta de uma ferramenta visual que ajudasse a clarear o “para que”, para não dizer o “porquê”, um produto existe (ou mesmo que esteja só na idéia ainda) e quais são os produtos e serviços que a empresa pode oferecer para ter as tarefas realizadas. Engenheiros de Tecnologia costumam criar soluções, depois partem para a busca de um problema, o ideal é, entender as tarefas, quais são difíceis de ser realizadas, e quais (sim, eu digo quais) produtos e soluções podem ajudar nesta execução. Mas por que “quais” ? Não se esqueça, conforme mencionado pelo pensador e filósofo francês Edgar Morin, as pessoas estão imersas em sistemas sociais complexos, são muitas variáveis para se levar em consideração na vida do ser humano (podemos facilitar nossa compreensão chamando isto de contexto). Lembrando do nosso exemplo: Eu quero me comunicar com minha  família durante o dia. Vamos então preencher o quadro sugerido por Osterwalder com nosso exemplo de uso do celular:

Sugestão para preenchimento e leitura na seguinte sequência:

Tarefas →Perdas→Remédio→Produtos→Criadores de Ganho→Ganhos

Portanto os produtos e serviços podem ser vários, e não somente um único produto, por isso se você for um empreendedor, principalmente de tecnologia (de internet mais ainda!), faça esta lição de casa, discuta com seus parceiros e preencha o seu Quadro de Valor do Cliente. Te poupará muito tempo e terá uma chance menor de fracasso. Você está criando algo que as pessoas desejam.

Agora se o que você construiu um produto que as pessoas desejam, você precisa validar se existe uma quantidade de pessoas suficientes para sustentar seu negócio. E como posso entregar os produtos e serviços para estes clientes ? É aqui justamente que entra o grande benefício do modelo de negócio, ilustrado na ferramenta do Quadro do Modelo de Negócio, ele te auxiliará, no que o próprio Osterwalder diz :

“no processo de busca de um modelo rentável que ajude  as pessoas a terem as tarefas realizadas”

Agora se você for um consultor, reflita em um breve momento, quais tarefas você está ajudando seus clientes a realizar. Tem um valor enorme para esclarecer ou definir a segmentação de mercado que você trabalha. Mas por que segmentação ? Pois lembra-se da questão contexto, as pessoas executam tarefas e a melhor segmentação é o conjunto de pessoas que compartilham desta mesma necessidade de ter a tarefa completada (inclusive que possam comunicar entre si) e não aquelas famosas divisões por idades, região,sexo,etc.

Agora se você trabalha em alguma empresa, seja em uma área de vendas ou suporte, seja com consumidores finais ou clientes empresariais, pense qual(is) tarefa(s) seu produto está ajudando a ter realizada. Mas podem pensar também qual tarefa seu serviço auxilia em outro departamento. Estamos sempre produzindo (produto ou serviço) para outra(s) pessoa(s).

Por isso a função de buscar tarefas é extremamente importante! Muita inovação pode surgir através desta constante observação.

Qual é a sua Tarefa ? Qual o seu modelo ?

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