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Conheça as novas formas de trabalho do pós-normal

A crise do coronavírus desafiou as empresas a encontrar maneiras diferentes de servir e gerar valor para seus clientes e comunidades. A pandemia proporcionou transformações nas organizações e na sociedade que, olhando para o ano anterior, pareciam impossíveis de acontecer em tão pouco tempo. Foi preciso remodelar pensamentos consolidados sobre espaço, tempo e valores. Entre muitas outras mudanças, construímos novas formas de trabalho, que certamente perdurarão ou impactarão o que acontecerá no pós-normal. 

Em "Beyond coronavirus: The path to the next normal", Kevin Sneader e Shubham Singhal, da McKinsey & Company, explicam que a pandemia do coronavírus vai muito além de ser uma crise de proporções imensas - é também uma reestruturação iminente da ordem econômica global. Embora ninguém possa dizer quando a crise passará completamente, é certo que a aparência do pós-normal, o que encontraremos do outro lado, não será o "mesmo normal" dos anos anteriores.

Mas, em algum momento, as crises diminuem. Inevitavelmente, é o que acontecerá também com esta. Embora não se saiba necessariamente o quando, já há mudanças ocasionadas pelo cenário que podem ser identificadas como uma tendência do pós-normal.

Foi fundamental acelerar o que já estava acontecendo e buscar novas formas de realizar as mais diferentes atividades. Em meio a tudo isso, as organizações estão constatando que é possível, sim, trabalhar de outras maneiras, mesmo nessa situação, e ajudar suas equipes, seus clientes e as comunidades onde estão inseridas. São lições aprendidas que direcionarão o futuro e as novas formas de trabalho do pós-normal.

As novas formas de trabalho e a resiliência

Indubitavelmente, a resiliência dentro das empresas se tornou um ponto de destaque em todo esse cenário. E, independente de quando e onde a crise terminará definitivamente, a resiliência será algo que continuará sendo importante nas novas formas de trabalho. Por isso, ao pensar nas mudanças que farão parte do pós-normal, há três características organizacionais que merecem atenção:

  • Mindset de ecossistema: as empresas, todas elas, podem contar com o suporte de uma rede de pessoas externas - fornecedores e parceiros - que atuam juntos na criação de valor. Porém, as empresas de sucesso elevam as parcerias em um nível superior, fazendo delas uma extensão de si mesmas. Com isso, podem arriscar mais, pensar em mais oportunidades e, por consequência, aprofundar conexões e relacionamentos de confiança. É a partir disso que elas obtêm conhecimento, talentos e dados.
  • Tomadas de decisão baseadas em dados: mais do que nunca, os fatos e percepções estão sendo utilizados para orientar as tomadas de decisão. No entanto, há ainda a necessidade de obter plataformas que permitam acesso a dados estratégicos. Reunir, organizar, interpretar e agir com base em dados e análises é e será uma diferencial competitivo que fará parte das novas formas de trabalho.
  • Aprenda como aprender: as novas formas de trabalho no pós-normal são diferentes, assim como muitos dos colaboradores serão também diferentes a partir da vivência de cada um no decorrer da crise. Por isso, é preciso que as empresas trabalhem com seus times a habilidade de aprender como aprender. Ou seja, como se adaptar e mudar rapidamente. 

3 características das novas formas de trabalho pós-normal

Escritórios menores, mudanças na arquitetura, reposicionamento de salas, surgimento de coworkings e hubs regionais, que permitirão que as pessoas possam trabalhar perto de suas casas. São apenas algumas das tendências que estão se delineando entre as novas formas de trabalho. 

Com isso, não só as empresas, mas também a comunidade e outros negócios viverão um novo momento. Locais que antes funcionavam com um propósito, como os hotéis, poderão ser remodelados para atender a necessidade de novos locais de trabalho remoto. Outros negócios, como cafés e restaurantes, otimizarão ainda mais seus espaços para atender pessoas que precisam de espaços de trabalho. Não é mais home office, é anywhere. 

Dentro disso, há elementos que estarão presentes nestas novas formas de trabalho, de maneira imediata ou ainda em processo de construção.

1. O espaço não será mais o mesmo: o home office, que nasceu ou tomou maiores proporções devido ao cenário e necessidades das empresas, certamente provocará mudanças no pós-normal.

Por conta do trabalho remoto, será preciso que líderes passem a olhar para novos ângulos dos seus times. A organização das novas formas de trabalho impactará na comunicação, no fortalecimento da cultura e na própria hierarquia, que deverá permitirá uma aproximação maior, mesmo com a distância territorial.

No entanto, há uma oportunidade para coworkings ofereceram a estrutura necessária para esses trabalhadores remotos. Seja, como dito acima, a partir da remodelação de negócios locais, ou com a criação de hubs regionais que permitam morar perto do trabalho e eliminem a necessidade de transporte.

2. A importância de pertencer: em "Returning to work in the future of work", os especialistas da Deloitte apontam que o cenário da crise nos lembrou sobre o quanto as pessoas são motivadas quando conseguem conectar suas contribuições profissionais com um propósito e missão maiores. Os colaboradores desejam contribuir quando conseguem entender como seus talentos e contribuições impactam em objetivos maiores do que eles.

Nas novas formas de trabalho pós-normal, as organizações deverão se certificar de que estão proporcionando conexões claras entre os indivíduos, os objetivos da equipe e a missão da organização. O senso de pertencimento virá de uma conexão mais profunda, com ligações visíveis do impacto no negócio e na sociedade como um todo.

3. Resiliência e adaptabilidade em foco: a resiliência aparece aqui novamente como ponto de destaque. Na crise, as empresas puderam compreender que é mais importante saber o que os colaboradores são capazes de fazer do que entender o que eles fizeram anteriormente. A resiliência e a adaptabilidade entraram em foco à medida em que os colaboradores e as equipes precisaram assumir novos papéis e funções e puderam, inclusive, contribuir para a criação de oportunidades em outros setores e campos.

No pós-normal, incentivar e oferecer oportunidades para que os colaboradores possam desenvolver seu potencial será fundamental para alcançar o sucesso. Mais do que habilidades e certificações existentes, abraçar uma orientação futura, indo além do hoje, para criar valor no amanhã. 

Outro ponto importante é o desenvolvimento e a capacitação das lideranças para as novas formas de trabalho no pós-normal. A educação será o melhor caminho para se preparar para desafios e aproveitar as oportunidades que a nova realidade nos trará.

 

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Inovação nos negócios: a relação entre inovação aberta e modelos de negócios

Há mais recursos para promover a inovação nos negócios externamente do que qualquer empresa, independente do porte, seja capaz de criar por conta própria. A partir do momento em que se quebra com uma mentalidade de inovação completamente fechada, as organizações passam a aceitar que não só podem, como devem recorrer a ideias externas, sem perder de vista aquelas que são desenvolvidas internamente. E, por sua vez, começam a analisar com outra perspectiva seus próprios modelos de negócio.

Com isso, a inovação aberta, termo cunhado por Henry Chesbrough, tem se mostrado o caminho a ser adotado em um mundo em que respostas rápidas são essenciais frente a mudanças igualmente velozes. Em “The State of Open Innovation”, Irving Wladawsky Berger, fala sobre como a inovação aberta proposta por Henry Chesbrough transpõe o limite das quatro paredes do escritório. Dessa forma, a inovação nos negócios é gerada, acessando, aproveitando e absorvendo conhecimento externo em toda a empresa, tanto fluindo para dentro quanto para fora

No entanto, não basta somente criar ou identificar conhecimento útil. É necessário uma infraestrutura de inovação que opere em três principais dimensões:

  • Geração: novas descobertas de tecnologias iniciam o processo que, no atual estágio, beneficiarão um pequeno número de primeiros usuários.
  • Disseminação: novas descobertas se espalham por toda organização, iniciando com os grupos de inovação e P&D até a todas as unidades da empresa que as levarão para o mercado.
  • Absorção: novos produtos e serviços são incorporados nas unidades organizacionais e modelos de negócios que possam escalar e sustentar a inovação em toda a economia.

Além disso, entre as recomendações para obter os melhores resultados com a inovação aberta, está a própria inovação do modelo de negócios. É comum que as empresas associem inovação ao desenvolvimento de novas tecnologias dentro da organização, enquanto veem o modelo de negócio como algo fixo. Porém, isso está em processo de mudança. Ter modelos de negócios adaptáveis permite obter mais valor de inovações tecnológicas.

A inovação dos modelos de negócios 

Transformação digital e inovação do modelo de negócios são movimentos diferentes. De acordo com Mark Johnson, em "Reinvent Your Business Model", a tecnologia, por si só, não importa o quão transformadora é, não é o bastante para alavancar uma empresa para o futuro. No entanto, o modelo de negócio que está por trás da tecnologia é o que conduzirá ao sucesso ou ao fracasso. 

Como diz Irving Wladawsky Berger, a inovação dos negócios, especificamente dos modelos de negócios, tem sido por um longo período o domínio de startups. Mas não é o suficiente que empresas estabelecidas continuem apenas lançando produtos e serviços tendo como base seus modelos até então confiáveis. Para sobreviver em um mercado de mudanças rápidas, todas as empresas - seja qual for o tamanho ou experiência de mercado - devem ser capazes de se submeter a um processo contínuo de transformação e renovação.

Para isso, é preciso superar a pouca compreensão do seu próprio modelo de negócios, entender os pontos fortes e limitações, e identificar quando é hora de adotar um novo modelo e o que é preciso fazer para criá-lo. Mark Johnson classifica um modelo de negócios como a representação de como um negócio cria e entrega valor para um cliente enquanto também captura valor para si mesmo, realizando isso repetidamente.

Também afirma que os esforços de inovação do modelo de negócios devem se concentrar na busca de algo grandioso, como mudar o jogo em um mercado existente, criar um mercado totalmente novo ou transformar toda uma indústria.

Os riscos dos modelos de negócio 

Quando se pensa em inovação nos negócios, o modelo de negócio é um ponto-chave que pode tanto se tornar um potencializador quanto, mais para a frente, um limitante. Ou seja, é capaz de liberar todo o valor potencial em uma nova inovação, mas, ao mesmo tempo, pode transformar o sucesso dessa modalidade em uma armadilha tênue para a companhia, como explica Henry Chesbrough em “Inovação aberta: como criar e lucrar com tecnologia”. 

Se for eficaz, o modelo de negócio estruturará uma lógica específica própria em relação à geração de valor. Assim, por conseguinte, as oportunidades que aparecem acabam sendo vistas e avaliadas a partir da perspectiva dessa mesma lógica. Isso engloba o público-alvo, o mercado-alvo, o tamanho do mercado, os canais de distribuição, entre outros. Para exemplificar, Chesbrough traz o exemplo de uma grande empresa, Xerox, mas que pode ser aplicado a diversas outras. 

Na ocasião retratada pelo autor, o modelo de negócio da Xerox que obteve sucesso acabou se tornando um impeditivo quando foi necessário reagir a outras tecnologias emergentes. Por ter funcionado tão bem com uma das suas inovações, acabou criando uma lógica interna própria. O que, mais pra frente, acabou não sendo a forma mais adequada para lidar com tecnologias que já não cabiam nesse modelo. 

Por sua vez, empresas com muito menos recursos acabaram se destacando por conta dos seus modelos de negócios. No exemplo compartilhado, as companhias se sobressaíram por aplicar a inovação nos negócios por meio do impulsionamento dos recursos externos. Os modelos de negócios de cada uma determinou os elementos internos necessários para realizar a conexão com tecnologias externas

É comum que, muitas vezes, as empresas sintam que para fazer algo, precisem fazer tudo. E, ao seguir esse pensamento, não conseguem fazer render simultaneamente as inovações de outros e as suas próprias. 

Os modelos de inovação nos negócios

É possível que grandes empresas se reinventam e prosperem com modelos de negócios totalmente diferentes do que aqueles que perseguiam inicialmente. Embora, em tempos iniciais, é comum que diversas companhias dependessem apenas de esforços internos, cada vez mais vemos o quão extensa tem se tornado a parceria com terceiros e o uso de suas tecnologias. É uma evolução que aponta o caminho a ser trilhado por empresas  que buscam superar questões que as impedem de aproveitar as oportunidades oferecidas pela inovação aberta. 

Mesmo grandes e bem sucedidas empresas conseguem aprender novas fórmulas. E é a partir da combinação do modelo de negócios com a inovação aberta que conseguimos encontrar a resposta que permitirá uma contínua inovação nos negócios. 

A sua empresa já começou a repensar no seu próprio modelo? Identificou novos nichos onde pode inovar? Conte a sua experiência aqui nos comentários.

 

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Horizontes da inovação: o que é preciso mudar para inovar

Em "Alquimia do crescimento", Mehrdad Baghai, David White e Stephen Coley, consultores da McKinsey, analisaram empresas que começaram de patamares mais baixos, mas que alcançaram um gráfico positivo de crescimento. Após dois anos de pesquisa, os especialistas chegaram ao que hoje se conhece como sendo os três horizontes de inovação. Na época, a metodologia serviu de embasamento para diferentes estratégias empresariais. E, mesmo sabendo que não há uma receita pronta para obter sucesso, ainda assim é uma estrutura que comprovadamente gerou resultados e, certamente, poderá provocar insights importantes para as organizações. 

De 1999 pra cá, ano de lançamento da obra, os horizontes se tornaram ponto de partida para inovar nas empresas. Steve Blank, explica que eles foram os encarregados de mostrar para a alta administração o que era e como seria uma organização ambidestra. O modelo descreve a inovação em:

  • Primeiro horizonte: as ideias que estão dentro do primeiro dos horizontes de inovação são as responsáveis por possibilitar a inovação contínua dentro de um modelo de negócio existente.
  • Segundo horizonte: dentro dos três horizontes de inovação, é no segundo que as ideias estendem o modelo de negócios existente e os principais recursos a novos clientes, mercados ou alvos.
  • Terceiro horizonte: no horizonte número três, temos a criação de novos recursos e novos negócios com o intuito de tirar proveito ou responder a oportunidades disruptivas ou, ainda, para combater a interrupção. 

No segundo dos três horizontes da inovação, o foco está nas ideias disruptivas que trabalharão em cima de negócios existentes inseridos em modelos no quais há um conhecimento prévio, mesmo que fracionado. É aqui que falamos da construção de negócios emergentes. É quando a inovação faz com que sejam criados negócios internos que, com o passar do tempo, poderão se tornar novas e futuras unidades da organização. Há um potencial imenso no segundo horizonte, contando inclusive com a possibilidade de mudar e transformar a principal fonte de renda da companhia. 

Além disso, o segundo horizonte está exatamente no meio. Mas mais do que uma ordem numérica lógica, é preciso pensar no desenrolar das três etapas. O que significa que ele está entre a melhoria da eficiência operacional e da entrega do valor já existente do primeiro e antecipa as oportunidades e possibilidades que farão parte da visão de futuro do terceiro. É no segundo que ocorre o momento de explorar novas perspectivas, ampliando o negócio atual, como, por exemplo, ao expandir para mercados diferentes. 

Se dentre os três horizontes de inovação, o primeiro é orientado para o core business e o segundo para os negócios emergentes, é no terceiro que encontramos oportunidades inteiramente novas. Por isso, passam a ser trabalhadas ideias e hipóteses, que precisam ser testadas e ter sua viabilidade validada, consolidando a etapa da experimentação. 

Cabe, no entanto, trazer a ressalva de Steve Blank sobre a questão do tempo de cada horizonte. De acordo com o especialista, não há uma limitação quanto a isso. Agora, ideias disruptivas de cada um dos horizontes de inovação têm uma capacidade de rapidez na entrega semelhante. Ainda mais quando pensamos na integração entre os três horizontes e os princípios da inovação aberta.

O que é preciso mudar para a inovação acontecer 

Após conhecer os três horizontes de inovação, ao que você acredita que é possível atribuir o declínio de muitas empresas até então consolidadas? E o sucesso de outras? Henry Chesbrough, em “Inovação aberta: como criar e lucrar com a tecnologia”, explica que a forma com a qual promovemos a inovação de ideias promissoras e, por sua vez, como as lançamos no mercado, não é mais a mesma de pouco tempo atrás, por conta do acontecimento de uma transformação fundamental. Ou seja, saímos de um paradigma de “inovação fechada”, no qual o sucesso está baseado no controle, onde não é possível ter a certeza da capacidade das ideias do outro e “se quiser que algo dê certo, somente fazendo você mesmo”. 

A inovação aberta, de outra maneira, pressupõe que as empresas podem e devem utilizar ideias externas da mesma forma que utilizam as internas, combinando ambas as possibilidades para gerar valor. Nessa linha, Chesbrough destaca alguns dos princípios da inovação aberta:

  • nem todos os melhores profissionais da área trabalham na empresa e está tudo bem, é possível dispor do  conhecimento e experiência deles a partir de trocas e parcerias. O essencial é poder contar com os melhores dentro e fora da organização;
  • P&D externo pode criar valor;  P&D interno é fundamental para conquistar uma porção desse valor;
  • mais do que ser o primeiro a chegar no mercado, o que é realmente útil é construir um modelo de negócio melhor;
  • alcançar o sucesso está relacionado diretamente em fazer o melhor uso tanto das ideias internas quanto das ideias externas;
  • devemos produzir receita pela utilização de nossas patentes por terceiros e devemos adquirir patentes de terceiros sempre que isso fizer sentido e aperfeiçoar o modelo de negócio. 

São princípios que mudam a mentalidade interna, que preconizava a descoberta e produção de produtos e serviços unicamente pela empresa, além do controle da propriedade intelectual, que poderia vir a ser utilizada pela concorrência, gerado lucro a outros.  A nova lógica da inovação está relacionada com a difusão do conhecimento, permitindo o acesso e integrando os conhecimentos externos. 

A partir da convergência entre os horizontes de inovação e os princípios da inovação aberta, cada uma das três etapas tem um acréscimo de valor e novas possibilidades a serem exploradas. Além da potencialização de ideias promissoras, ganha-se agilidade e recursos, fazendo com que a inovação aconteça agora mesmo, com a estrutura que a empresa já possui. 

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