Administração do tempo: qual a importância do método de trabalho?

“Administração do tempo é uma denominação infeliz. Deveríamos chamá-la de administração da vida.” A afirmação é de Christian Barbosa no livro A tríade do tempo, uma das obras referências quando o assunto é produtividade sem estresse. Tudo isso porque ele utilizou a própria história para mostrar como fazer uma gestão de tempo eficaz é uma questão de sobrevivência na sociedade moderna.

Christian começou a empreender aos 15 anos. Foi o primeiro brasileiro certificado pela Microsoft e, antes dos 19 anos, esperava a chegada do primeiro filho, administrava uma empresa, estava na faculdade e vivia toda a montanha-russa das empresas pontocom no final dos anos 90. Toda essa rotina fez com ele que desenvolvesse uma gastrite que logo se transformaria em um câncer.

Desde estão, estuda e presta consultoria sobre administração do tempo para evitar que mais pessoas cometam os mesmos erros e acabem doentes. Para ele, a administração do tempo não pode se transformar em mais um fardo na vida das pessoas. Saber gerenciar o tempo, portanto, é sobre fazer escolhas. Definir prioridades e utilizar esse tempo economizado para aplicar em atividades que dão prazer e estejam alinhados com os sonhos e os propósitos de cada um.

Administração de tempo é sobre equilíbrio das esferas da vida

Todos fomos presenteados com 24 horas em nossos dias e temos o livre arbítrio de fazer o que bem entendermos com esse tempo. No entanto, dividir a vida em pequenas partes como, por exemplo, vida pessoal, profissional, família, saúde, etc, é um grande erro. Afinal, precisamos equilibrar essa equação durante 24 horas, o que inclui dormir pelo menos 8 horas para se manter saudável.

Na prática, isso significa que esses vários papéis se sobrepõem não apenas na vida particular de cada um como também nas intersecções das agendas. Ninguém é produtivo sozinho, é preciso encontrar um “encaixe” na rotina da família, dos amigos, no Google Agenda dos colegas de trabalho, do médico, um horário na academia que funcione para você e por aí vai.

Por que a metodologia de trabalho é importante para a produtividade?

Porque gerenciar o tempo é sobre tomar decisões e construir hábitos. Ou seja, você pode passar a vida encontrando culpados pelos quilinhos a mais (ou a menos!), por não receber um aumento, se atrasar para compromissos importantes ou ficar sempre alguns minutos a mais no escritório. O contrário disso é tomar as rédeas da situação, assumir o controle e começar a praticar atividades que corroborem com o propósito da sua vida. Para quê você quer mais tempo?

Uma metodologia nada mais é do que seguir um caminho que já deu certo para alguém que definiu um processo e começou a replicar em um modelo que funcione. É como escovar os dentes. Existe a sua forma de fazer e existe a maneira com que os dentistas recomendam. Colocar as orientações desses profissionais em prática pode ser exaustiva no começo, mas chegará o momento em que tudo estará automatizado e você executará sem perceber.

Outro exemplo prático do porquê uma metodologia de trabalho é importante é na delegação de tarefas. Em tese, para delegar é essencial estabelecer o tempo que a tarefa deve ser realizada e acompanhar o andamento do trabalho. No entanto, não é comum que cada pessoa se preocupe apenas com a sua agenda e esqueça de fazer ou acompanhar a tarefa. O resultado disso quase sempre é um trabalho de qualidade inferior e/ou clientes insatisfeitos. Ao aplicar uma metodologia de trabalho na delegação de tarefas é possível quebrar a delegação das mesmas em várias pequenas atividades com mais de um responsável, como, por exemplo:

  • Definir qual trabalho será delegado;
  • Mapear os conhecimentos necessários para executar a tarefa;
  • Encontrar um colaborador apto para realizar o trabalho;
  • Definir KPIs e planos de desenvolvimento;
  • Acompanhe a execução das atividades;
  • Ofereça feedbacks durante e ao final da tarefa;
  • Otimize o fluxo de atividades.

Trabalhando com esses repasses muito bem mapeados existem mais chances da tarefa ser executada sem erros. O mundo é colaborativo e por mais que cada pessoa esteja mais preocupada com a sua agenda, vivemos em sociedade e trabalhamos em equipe. É fundamental ter processos bem definidos de colaboração para que uma organização funcione e entregue valor para o cliente.

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Quais técnicas de administração de tempo podem gerar produtividade?

Existem muitas literaturas sobre o tema e é difícil definir qual realmente funciona. Afinal, cada pessoa age de um jeito diferente: há pessoas que ainda usam planners e agendas de papel; outras que não abrem mão de aplicativos e demais tecnologias.

No entanto, gosto de técnicas que consideram o equilíbrio da vida pessoal, das relações e o uso do tempo “economizado” para ser aplicado em atividades ligadas ao propósito e bem-estar de cada pessoa. Hoje, vou falar sobre o GTD (Getting Things Done), que em português significa “Fazendo as coisas acontecerem” e você pode encontrar mais informações no livro base “A arte de fazer acontecer” de David Allen.

A premissa básica da técnica é manter tudo o que for prioritário sobre controle. Dessa forma, é possível capturar e organizar todas as fontes de informação, como e-mails, mensagens, notas de reuniões, entre outros. Se você tem dificuldades de definir o que é prioritário, Christian Barbosa divide o tempo em uma tríade com três tipos de atividades:

  1. Atividades importantes: tudo o que é importante, tem significado e traz resultado em curto médio ou longo prazo. O que é importante tem tempo para ser feito e pode esperar horas, dias, semanas, meses e até mesmo anos, se você definir bem qual é o seu propósito.
  2. Atividades urgentes: são todas as tarefas para as quais o tempo é curto ou já se esgotou. Na maioria das vezes são atividades estressantes e que surgem em cima da hora e sem previsibilidade.
  3. Atividades circunstâncias: são tarefas desnecessárias e que gastam o tempo de forma inútil. Pode ser tanto a ida a um evento social que você não tinha vontade ou retrabalhos, que causam frustrações.

Agora que você já conhece uma forma de priorizar as suas atividades, vamos aos passos principais da metodologia GTD:

Tire as ideias da cabeça

David Allen é enfático ao afirmar que a mente serve para ter ideias, não para armazená-las. Dessa forma, nada de deixar a cabeça fervilhando de ideias. Coloque-as no papel e sinta automaticamente o alívio surgindo. Algo preocupa você? Passe para o papel ou para um bloco de notas no computador. E não precisa ser necessariamente uma lista de tarefas a fazer, tampouco se atenha em separar anotações da vida profissional ou pessoal.

Chegará o momento em que você conseguirá desenvolver técnicas para decidir o que captar ou o que escrever. Tirar as ideias da cabeça e colocá-las no papel é uma forma de gerenciar os excessos de informações, tanto no trabalho quanto nas atividades cotidianos, como ir ao médico ou fazer supermercado.

Deixe a cabeça mais livre para fluir. Provavelmente, as melhores ideias sobre o seu trabalho não aparecem na hora do expediente, concorda? Então, tome nota sempre.

Defina as próximas ações

Aprenda a distribuir várias pequenas atividades dentro de uma tarefa. Você pode colocar na agenda “Enviar invite de reunião”. No entanto, é necessário antes definir a pauta, encontrar uma sala e verificar a disponibilidade dos participantes. Caso a reunião seja on-line, é preciso verificar ainda se há equipamentos disponíveis. A premissa de Allen é que, se você colocar uma tarefa genérica, ela pode ser facilmente esquecida ou postergada.

Outro ponto que merece destaque é a regra dos 2 minutos. Se uma atividade leva apenas esse tempo para ser concluída, faça na hora.

Crie listas-chave

Fazer listas está totalmente ligado ao primeiro item: ocupar a cabeça com assuntos mais relevantes e não precisar lembrar de tudo que necessita ser feito. Para ter uma boa administração de tempo, faça listas-chave: listas das próximas ações, listas de assuntos a tratar, listas de “aguardando”, listas de projetos em andamento. Se você preferir pode utilizar o Kanban, uma metodologia ágil bastante difundida e que sempre falo em meus cursos. E em termos práticos, disponibilizado no aplicativo chamado Trello.

Esvazie a caixa de entrada diariamente

Você pode, além de esvaziar a caixa de entrada diariamente, criar o hábito de classificar as demandas como urgentes ou importantes. Se existem muitos e-mails para serem lidos, por exemplo, crie uma pasta chamada de backlog e vá reduzindo as pendências aos poucos.

O mesmo serve para informações em papéis, em documentos de bloco de notas ou Google Drive. Capture, organize e acesse e/ou atualize essas informações sempre que for preciso.

Faça revisões semanais

Tire um tempo na semana para verificar o que já foi feito, o que depende de outras pessoas e quais tarefas merecem atenção. Faça isso também com questões pessoais, como pagamento de contas ou práticas de exercícios físico.

Quando falamos em administração de tempo no trabalho em equipe é essencial que essas revisões ocorram também. Metodologias ágeis, como o Scrum, recomendam que essas reuniões tenham no máximo quinze minutos se forem diárias e 1h se forem semanais.

Integre vida pessoal com o Trabalho

Como falamos ao longo do texto, não existe separação de vida pessoal e profissional. O GTD também pode ser utilizado para fazer a administração de tempo em todos os campos da sua vida. Capture, organize e priorize todas as atividades-chave. Seja a ida ao mercado depois do expediente, a aula de inglês na hora do almoço ou o happy hour com o pessoal do escritório.

Quando tudo isso é gerenciado de forma integrada, traz harmonia e equilíbrio para a vida das pessoas.

Se você quiser saber mais sobre administração do tempo e produtividade, confira nosso infográfico 10 dicas para ser produtivo no Home office.

 

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Ambidestria organizacional: qual o caminho para a excelência operacional

O gestor de qualquer empresa, independentemente de seu porte, deve estar atento não só aos processos internos, mas também precisa acompanhar um pouco de tudo que acontece na concorrência. Só assim, será possível manter o negócio crescendo, oferecendo produtos ou serviços que sejam competitivos no mercado. 

E quem acompanha as tendências, sabe que já passou do tempo em que a inovação era vista como um “algo a mais” ou um diferencial. Hoje, o investimento nessa área é quase que obrigatório para quem não quer ficar para trás. Mas, é neste momento que surgem muitas dúvidas e equívocos: ao pensar em criar uma nova estrutura, muitas empresas acabam abandonando todos os processos antigos e deixam de tirar proveito do que já estava dando certo. 

Para ajudar com este problema, surge o conceito de ambidestria organizacional. Mas agora, você deve estar se perguntando, o que é ambidestria organizacional? Como é utilizada? Quais são os benefícios?

Aqui apresentamos algumas respostas para essas e muitas outras perguntas. Confira a seguir:

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O que é ambidestria organizacional?

Para entender o que é ambidestria organizacional, você precisa saber que, essencialmente, uma empresa ambidestra possui o foco voltado para dois pontos principais: a inovação e a excelência operacional.

Porém, encontrar o equilíbrio entre essas duas áreas para que ambas evoluam sem complicações é o grande desafio na maioria das empresas. Soma-se a ele a necessidade de prever também no planejamento, quais serão os objetivos a longo e a curto prazo para cada projeto e acompanhar as tendências do mercado e a concorrência, sem deixar de lado as metas de vendas, é claro. 

Tendo isso em mente, é o momento de começar a organizar a casa, definindo quais pessoas serão designadas para cada projeto, onde serão alocados, como serão executados e por quanto tempo. 

Para compreender o que é ambidestria organizacional e como colocá-la em prática, também é preciso entender que existem diferentes caminhos. Estes dependem do modelo de negócio de cada empresa, do mercado e do momento econômico em que ela está inserida e também do seu estágio de desenvolvimento.

Outro ponto importante é ter em mente que, com o passar do tempo e o desenvolvimento da área de inovação, esta pode ser integrada à unidade regular da empresa, gerando mudanças na estrutura e nas equipes. Por isso, se você está pensando em implementar esse modelo de gestão no seu negócio, não deixe de considerar todas essas variáveis!

Abaixo, reunimos as principais informações sobre os três diferentes modelos de gestão ambidestra que podem ser encontrados. Com eles, além de entender de uma forma melhor o que é a ambidestria e como ela pode ser aplicada, você conseguirá identificar qual deles é o mais indicado para o seu negócio. 

Já sabe o que é ambidestria organizacional? Veja as três diferentes maneiras de implementá-la


Ambidestreza estrutural

Nesse modelo, os dois projetos acontecem separadamente mas ao mesmo tempo. As equipes, voltadas para as unidades de eficiência e inovação, atuam de maneiras diferentes e são lideradas de acordo com o objetivo final. 

Nesse caso, é necessário também prever os momentos de integração entre as equipes para que exista a troca dos conhecimentos adquiridos ao longo do processo e também a união de aprendizados. Com as equipes em sintonia, torna-se mais fácil otimizar as entregas finais.

Ambidestreza cíclica

A principal característica desse formato de ambidestria organizacional é a definição dos períodos em que cada projeto será priorizado. Assim, inovação e excelência receberão total atenção em momentos diferentes.

O respeito e cumprimento dos prazos é fundamental para que esse modelo dê certo. Por isso, é muito importante criar o planejamento tendo em vista o tempo real que será gasto em cada ciclo.

A ambidestria cíclica é o modelo de gestão mais complexo entre os três, pois devido a quebra no modelo operacional tradicional, exige também muita maturidade e experiência dos colaboradores. Por outro lado, as principais vantagens são: evitar a ruptura de linhas de raciocínio e a divisão dos esforços, garantindo maior interação entre todos os membros da equipe.

Ambidestreza simultânea

Nesse modelo de gestão mais dinâmico, os processos acontecem ao mesmo tempo e na mesma unidade. A diferença dele é que existem dois lideres, cada um preparado para uma estratégia. Eles deverão tomar conjuntamente as decisões que envolvem tanto a produção como o desenvolvimento da empresa. Para isso, é preciso que os profissionais envolvidos conheçam bem as rotinas e processos da empresa, estejam constantemente informados, estudando melhorias e testando novos produtos e serviços. Tudo isso sem deixar de lado a qualidade nas entregas obrigatórias e de rotina.

Agora que você já sabe o que é ambidestria organizacional e quais são os diferentes formatos que podem ser implementados, compartilhe suas impressões conosco! Você acha que a implementação desse modelo de gestão é o que está faltando na sua empresa? Qual você considera ser a maneira ideal de executar os projetos? Deixe sua opinião aqui nos comentários. 

 

Ambidestria e inovação: como os dois conceitos contribuem para o futuro do mercado

No primeiro artigo sobre ambidestria e inovação falamos como a disrupção digital obrigou as empresas a repensarem não apenas seus modelos de negócio, mas também a forma de liderar e repaginar os vários processos internos. Para que isso aconteça de forma gradual, empresas que já operavam focadas na eficácia operacional passaram a investir também em novas ideias e diversificação dos produtos e serviços.

Na prática, organizações que investiram em ambidestria e inovação trabalham com dois tipos de inovação para entregar valor de duas formas sem onerar a empresa:

Inovação incremental: voltadas para os projetos de melhorias contínuas para desenvolver os processos organizacionais e que não geram grandes impactos no modelo de negócio. Esse tipo de inovação é bastante utilizado para manter ou melhorar a percepção de um produto em um mercado que já existe. Ela é, portanto, mais barata e menos arriscada.

Inovação radical ou disruptiva: é um processo mais complexo e nada discreto. Uma vez que vencer a disrupção digital requer assumir riscos e estar disposto a investir um pouco mais em recursos para ter um retorno maior no futuro. Ela costuma redefinir a rota da empresa. Um bom exemplo de inovação radical é clássica “oceano azul”, no qual a empresa não precisa brigar por uma parcela de mercado, já que cria um mercado totalmente novo para comercializar seu produto e/ou serviço.

É fácil pensar que empresas investem em inovação incremental por ser mais fácil de executar e menos onerosa para as organizações. Mas, a disrupção digital já mostrou para o que veio e, é justamente por isso que quem apostou em ambidestria trabalha tanto com inovação incremental quanto radical. Como essas empresas entregam o melhor dos dois mundos tendem a ser mais competitivas do que as concorrentes?

E se você está pensando que a gestão ambidestra é exclusiva de empresas de tecnologia, continue a leitura do artigo e veja os resultados das vinícolas brasileiras que resolveram apostar neste tipo de gestão.

Ambidestria e inovação nas vinícolas brasileiras

Seth Godin foi enfático ao proferir a frase “O trabalho não é chegar ao status quo; o trabalho é reinventar o status quo”. Se você é amante de vinhos deve pensar que é um produto já consolidado e que não precisa de muito esforço para entregar valor ao cliente final, correto?

Sim e não. Sim, porque de fato é um produto com boa penetração de mercado, mas em tempos de mudanças exponenciais e disrupção, a inovação veio para quebrar as regras. Ou seja, os executivos precisam criar estratégias para continuarem competitivos no mercado sem perder de vista o ambiente altamente inovador e transformador que o mercado vem passando. Quem não modernizar a produção e/ou a gestão pode não mais existir em 20 anos como vimos acontecer com várias empresas que já foram líderes de mercado.

No artigo Comportamento Estratégico e Ambidestria: um estudo aplicado junto às empresas vinícolas brasileiras  os pesquisadores analisaram dados de mais de 150 empresas do setor para medir o impacto da gestão ambidestra no resultado da empresa. Entre as várias hipóteses levantadas no estudo foi identificado que no setor há quem acredite nos efeitos positivos da ambidestria e inovação nos números da empresa, mas também os que são céticos em relação a esses ganhos.

Quem acredita na ambidestria como promotora do negócio apontou questões, como:

  • Os produtos e serviços que são oferecidos aos clientes são mais bem caracterizados como inovadores e estão constantemente mudando e ampliando sua área de aplicação;
  • Uma das metas mais importantes da empresa é a dedicação e o compromisso com a garantia de que pessoas, recursos e equipamentos necessários para desenvolver novos produtos/serviços e novos mercados estejam disponíveis e acessíveis;
  • Uma dos pontos que protege a empresa de outros concorrentes é o fato de ser capaz de desenvolver novos produtos/serviços e novos mercados de maneira consistente;
  • Os procedimentos que a organização usa para avaliar seu desempenho são mais bem descritos como descentralizados e participativos, encorajando todos os membros da organização a se envolverem.

Por outro lado; quem é reativo em relação a ambidestria e a inovação tem opiniões como:

  • O crescimento ou a diminuição da demanda se deve muito provavelmente à prática de responder às pressões do mercado, tendo poucos riscos.
  • As competências e habilidades que os funcionários da empresa possuem podem ser mais bem caracterizadas como fluidas: as habilidades estão relacionadas às demandas de curto prazo do mercado;
  • O gerenciamento da empresa tende a se concentrar em atividades ou funções de negócio que mais necessitam de atenção, dadas as oportunidades ou problemas que enfrenta atualmente.

A conclusão deste trabalho é que os gestores que olham a ambidestria e a inovação de forma positiva pensam a organização com foco na entrega de valor para o cliente final. Portanto, tendem a apostar em inovações incrementais para continuarem competitivas no mercado.

Já os céticos pensam a organização de dentro para fora e estão mais dispostos a atuar de forma reativa. Ou seja, uma das metas mais importantes da empresa é a dedicação e o compromisso com a proteção contra ameaças críticas, tomando todas as iniciativas necessárias.

Não precisamos ressaltar que a percepção de investir em uma liderança inovadora e apostar em inovações, sejam elas incrementais ou radicais é o primeiro passo para a empresa reduzir os efeitos da disrupção digital. Isso pode acontecer tanto em um mercado totalmente ligado a tecnologia, como foi o caso da Kodak e da Nokia, como também em indústrias tradicionais e com boa aceitação de mercado como a de vinhos e outras bebidas.

O mercado cervejeiro também se transforma a cada dia

Você quer ver como não precisamos ir muito longe? O consumo de cerveja artesanal no Brasil disparou nos últimos anos. Não precisa beber muita cerveja para perceber que, aos poucos, as gôndolas de supermercados foram tomadas por rótulos coloridos e garrafas de diferentes estilos e graduações alcoólicas. E da mesma forma que as grandes empresas foram impactadas pelas startups de garagem, as gigantes do ramo de bebidas se viram ameaçadas por cervejeiros que começaram a produção em casa ou em sociedade com amigos e foram ganhando cada vez mais mercado.

Hoje, podemos ver grandes marcas apostarem em produtos puro malte, em diferentes estilos e até migrado para diferentes tipos de produtos. Tudo isso para continuarem competitivas em seus respectivos mercados.

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Empresas Exponenciais: como trazer o pensamento startup para dentro das organizações

Empresas Exponenciais são organizações que crescem de forma mais rápida do que empresas convencionais porque estão baseadas em tecnologias avançadas. Elas pensam grande e buscam desenvolver estratégias e negócios de maneira escalável. Para tanto, trabalham com o propósito de simplificar a vida dos seus clientes e é justamente por isso que em torno delas giram uma série de clientes apaixonados e promotores orgânicos dos negócios.

Um bom exemplo disso é o TED, uma empresa inovadora em educação corporativa que mudou a forma de apresentar palestras. Quem nunca assistiu a um TED  após o outro e compartilhou os links nas redes sociais com os amigos?

Do outro lado dessas organizações que se conectam com pessoas e fazem de tudo para oferecer a melhor experiência para os clientes estão as empresas tradicionais. Elas consideram a inovação de dentro para fora, com grandes investimentos em Pesquisas e Desenvolvimento (P&D) quando querem inovar. Normalmente se pautam pelo passado, criando desafios de crescimento pelo que já conseguiram, enquanto que empresas exponenciais miram o futuro e trabalham com cenários prospectivos desafiadores com crescimento não em 10% mais em 10x.

Esse processo é oneroso e demorado, além de ser pautado em proteger os serviços já estabelecidos, uma vez que estão há anos gerando receita para a empresa. Contudo, enquanto o P&D trabalha intensamente nessas organizações, uma startup nasce com pensamento lean, baseada em experimentação, com pouco recurso e com o foco em descobrir os erros da operação o mais rápido possível para corrigi-los e otimizá-los logo em seguida.

No entanto, se são as startups que se transformam em empresas exponenciais que crescem 10 vezes mais e que, consequentemente, revolucionam o mercado, atraem seguidores apaixonados e operam com o tripé: processo, pessoas e cultura, onde as empresas tradicionais estão errando para ficar para trás? Confira abaixo!

O que não fazer para seguir o exemplo das empresas exponenciais?

Disrupção e modelo de negócio

Como falamos anteriormente, as empresas tradicionais quando pensam em inovar focam em P&D, mas dificilmente modificam o modelo de negócio. Ao longo dos anos, vimos várias empresas estabelecidas perderem mercado porque não modernizaram as operações. Aqui, podemos citar a Kodak, a Nokia e os produtos de entretenimento como CDs, DVDs e aluguel de filmes.

O que podemos aprender com esses exemplos é que as organizações não podem pensar de forma linear e replicar estratégias que já deram certo antes para prever a aceleração e escalada de um negócio.

Quer saber mais sobre Disrupção digital? Leia o artigo que publicamos anteriormente: Cultura da inovação: como se preparar para a disrupção digital

Burocracia e riscos

Burocracia é o tipo de palavra que lembra situações negativas. Autenticar documentos no cartório, juntar muitos documentos para alugar um apartamento e não por acaso é um termo vinculado a repartições públicas.

A tecnologia se moderniza a cada dia ao mesmo tempo que várias ideias são tiradas do papel e se transformam em uma startup que pode se transformar em uma empresa exponencial. Há espaço para burocracia com a disrupção batendo na porta? Não há. Exemplo disso foi a revolução que a Quinto Andar vem fazendo no que se refere ao aluguéis de imóveis. Processo simples, direto e sem intermediários, tornando-se uma empresa avaliada em US$ 1 bilhão, sendo considerada um dos "unicórnios" brasileiros.

Por outro lado, é difícil romper padrões de mercados. Assumir riscos e reduzir burocracias, dar autonomia para experimentação, portanto. Grandes empresas que já foram líderes de mercado têm dificuldade de inovar, pois, mexer em time que está ganhando é difícil. É romper com a sua própria estrutura. O caminho mais estratégico neste cenário seria abrir mão de uma parcela da receita, investir em inovação e recuperar (e crescer de forma acelerada) mais lá na frente.

Qual o diferencial das empresas exponenciais, então? Elas começaram pequenas e com pouco recurso. É mais fácil assumir riscos e testar várias hipóteses. Reduza os papéis. Simplifique. Confie. Dê autonomia, com certeza a mudança acontecerá.

Otimizações

Ainda falando sobre dificuldade em romper barreiras e assumir riscos, também notamos que as organizações tradicionais preferem a zona de conforto das otimizações: melhorar um produto, agregar um serviço adicional ou até mesmo um novo acessório. O inverso disso seria pensar em algo novo, totalmente fora da caixa e jogar de forma mais rápida no mercado para medir a aceitação, reparar os erros e otimizar quando preciso.

As empresas que promovem deslocamento humano são campeãs em trabalhar com otimizações. No meio de tanto acessórios e mudanças de design de automóveis surgiu a 99, o Uber e até os patinetes que além de mais econômicos, ainda prometem desafogar o trânsito. Nessas histórias distantes, quem cresceu e quem reduziu as vendas?

P&D é demorado e oneroso

O processo de Pesquisa e Desenvolvimento é um estágio muito importante dentro do processo da inovação. No entanto, pendente de muitas variáveis e é demorado. Exige tempo, dinheiro e uma grande equipe. O processo ágil e exponencial considera etapas menores, com pequenas apostas em contato direto com o mercado e com os clientes.  Dentro do pensamento lean e de startups, precisamos testar logo, verificar os erros e acertos, identificar o aprendizado e corrigir o rumo.

Para isso, recomenda-se o uso frequente de novas metodologias ágeis como o Design Thinking, prototipações rápidas, Provas de Conceitos (POCs) e MVP (mínimo produto viável)  para validação das ideias.

Como começar a mudança sem prejudicar a receita?

As corporações tradicionais esbarram em padrões de mercado que elas mesmas criaram, mas é possível promover a mudança e trazer o pensamento de startup para dentro dessas organizações sem prejudicar o dia a dia e a receita? Claro que sim! Muitas empresas têm optado por um modelo híbrido de gestão no qual aproveitam o melhor dos dois mundos.

Ou seja, elas replicam a eficácia operacional que deu resultado por anos ao mesmo tempo que abrem espaço para o teste e a inovação. Isso pode acontecer tanto por meio da criação de setores focados em inovação, criatividade, desenvolvimento de novas ideias e colaboração como também no investimento em laboratórios de inovação, fora da organização.

Para saber mais sobre este modelo híbrido, conhecido como ambidestria, acompanhe a série de posts que publicaremos ao longo das próximas semanas. O primeiro deles foi: O que é Ambidestria? Por que a sua empresa deve ficar de olho neste conceito