Estratégia Empresarial: de Peter Drucker à escola empreendedora, o que mudou?

Quando Peter Drucker, conhecido como pai da administração moderna, escreveu frases como “A administração é um processo operacional composto por funções como planejamento, organização, direção e controle”, não imaginava que décadas depois não apenas a estrutura organizacional mudaria como também o empreendedorismo seria ensinado e vivenciado no ensino básico, criando programas como  a “escola empreendedora.”

Um  termo que  evoluiu bastante ao longo das últimas décadas foi a palavra Estratégia. O verbete tem sido utilizado para descrever tudo o que é importante dentro de uma empresa de forma que é descrita de uma maneira e utilizada de outra. Henry Mintzberg, no livro Safari da Estratégia, afirma que “estratégia é um padrão, um comportamento coerente ao longo do tempo, que vai além da definição de visão, competências e capacidades”.

Para ele, formular estratégias nas organizações tem quatro grandes vantagens:

  • Estratégia direcionadora: identifica o rumo da organização para que mantenha uma linha coesa;
  • Reunindo esforços: conduz as atividades da equipe em uma única direção;
  • Estabelecendo a organização: faz com que os colaboradores entendam os pilares da empresa e consiga diferenciá-la das outras;
  • Estimula a correlação: o objetivo da estratégia aqui é simplificar a forma com que a empresa está inserida no mercado em que atua e definir uma forma para que possa se movimentar.

É claro que cada tipo de estratégia também traz desvantagens e vários pontos de atenção. E como essa formulação não é algo simples, Mintzberg concluiu que os especialistas sobre o tema só conseguem enxergar uma parte da complexidade do assunto. Assim, surgiram as 10 escolas de formulação estratégica.

As 10 escolas de formulação estratégica de Mintzberg

As escolas são organizadas em três grupos de naturezas distintas: prescritiva, descritiva e integrativa. As primeiras focam na forma com que as estratégias devem ser reformuladas e não como surgem ou se formam. Nas escolas de natureza prescritiva o destaque vai para  o planejamento formal, são elas:

  • Escola Design - cujo o processo de formulação é a concepção
  • Escola de Planejamento - cujo o processo de formulação é formal
  • Escola de Planejamento - cujo processo de formulação é analítico

Já as escolas de natureza descritivas estão focadas em explicar como as estratégias são de fato formuladas e como os líderes e outros stakeholders da empresa se envolvem neste processo. São elas:

  • Escola empreendedora: cujo processo de formulação é visionário
  • Escola Cognitiva: cujo processo de formulação é mental
  • Escola de Aprendizado: cujo processo de formulação é emergente
  • Escola de Poder: cujo processo de formulação é de negociação
  • Escola Cultural: cujo processo de formulação é coletivo
  • Escola Ambiental: cujo processo de formulação é reativo

Por fim, a Escola de configuração é de natureza integrativa e seu processo de formulação é o transformador.

Hoje, vamos focar nas estratégias de duas escolas: a Escola Empreendedora e a Escola de Aprendizado. Confira abaixo:

Escola Empreendedora

Na Escola Empreendedora o desenho da estratégia é todo conduzido por um líder, que pode ser o principal executivo da organização. Cabe a esse profissional a responsabilidade de não apenas guiar sua equipe, mas também de incluir novos elementos para os processos por meio da sua intuição, julgamento, sabedoria e experiência.

Como o pensamento central da escola empreendedora é a visão do líder, Mintzberg sugeriu que essa estratégia é flexível e a alinhada aos valores dessa liderança. É claro que concentrar toda a gestão do conhecimento de uma empresa em uma única pessoa pode trazer riscos à organização. No entanto, é preciso ressaltar que a escola empreendedora funciona muito bem para empresas pequenas e que contam com uma estrutura simples.

É preciso ter muito claro que, à medida que à organização cresce, a visão desse líder deve ir perdendo relevância tanto nas atividades diárias quanto no planejamento estratégico. Tudo isso sem contar que ele pode inspirar colaboradores a reforçar a cultura da empresa.

O ponto de atenção na escola empreendedora é que centralizar a estratégia em um único executivo pode fazer com que ele perca o foco em algumas decisões importantes. Mas, o pesquisador também apontou uma solução prática para quando a empresa liderada desta forma começar a perder o prumo: basta trocar de líder.

Além disso, é de fundamental importância que uma empresa com uma formação como a da escola empreendedora tenha em mente que o crescimento é o seu principal objetivo. Assim, a visão do líder vai saindo de cena aos poucos.

Escola de Aprendizado

A Escola de Aprendizado é de natureza questionadora, trazendo perguntas do tipo: quem criou a estratégia de fato? Qual a área da organização esta estratégia foi formulada? O criador estava ciente do alcance do seu trabalho? É realmente importante separar o planejamento da execução?

São muitas perguntas e com respostas complexas. Tudo isso porque a Escola de Aprendizado veio para colocar o indivíduo no centro da ação. Estratégias são pensadas por pessoas sozinhas ou em grupo e, na maioria dos casos, este desenho foi criado a partir do aprendizado desses indivíduos no cotidiano da empresa. Ou seja, qualquer time dentro da organização é capaz de contribuir para a formulação estratégica. É claro que os executivos também estão inseridos neste grupo.

Mintzberg alertou para o fato de que essa escola defende o fracasso. Não que a empresa não queira crescer. O ponto central é que, uma vez que estratégias são pensadas por pessoas, pessoas podem falhar. Portanto, a formulação estratégica não pode separar a ideia de sucesso ou de fracasso, e vice-versa.

Outro ponto que merece destaque na Escola de Aprendizado é que os líderes atuam como gestores do conhecimento adquirido nesses processos. Em outras palavras, cabe a ele identificar esses pontos de melhorias e estimular os colaboradores para que possam contribuir ativamente para a formulação estratégica da organização.

Por outro lado, a principal crítica a essa escola é que as empresas podem até obter sucesso baseadas apenas em estratégias que nasceram do aprendizado diário da equipe. Mas, este movimentado é limitado e para crescer de forma sustentável precisa traçar uma estratégia mais clara e articulada.

E você, ficou alguma dúvida sobre a escola empreendedora ou a de aprendizado? Escreva nos comentários e vamos bater um papo!

Responsabilidade Social Corporativa

Responsabilidade Social Corporativa: papel das organizações no impacto do seu entorno

Quanto mais refletimos a respeito das novas complexidades dos negócios, novas tecnologias e competitividade do mercado, mais o tema Responsabilidade Social Corporativa (RSC) deve ser evidenciado. Afinal, não se trata apenas de uma iniciativa importante para o desenvolvimento dos negócios, mas também uma maneira de estabelecer relações de maior valor com os principais stakeholders

A questão influencia inclusive na imagem da organização diante do consumidor final. Um estudo da Capgemini Research Institute revela que 79% dos consumidores têm como critério para suas compras a responsabilidade social, inclusão e impacto ambiental das marcas. 

Outro estudo elaborado pela Nielsen aponta que, cada vez mais, os consumidores da chamada geração Z realizam atividades que se preocupam com questões socioambientais no dia a dia. Além, claro, esperam que seus fornecedores também demonstrem preocupação com o futuro.

É a capacidade de uma empresa e suas lideranças adaptarem-se às complexidades do mundo que permitirá o sucesso a médio e longo prazo. Ou seja, um negócio que não está atento às crescentes disparidades sociais no entorno da sua região de atuação, ou não compreende o compromisso que deve assumir com a sociedade, tende a não sobreviver no mercado.

Responsabilidade Social Corporativa: o S em ESG 

Falar em Responsabilidade Social Corporativa está alinhado a um assunto que vem ganhando destaque nos últimos tempos: ESG. Contextualizando, essas três letras representam as palavras: Environmental, Social e Corporate Governance traduzindo para o português Ambiental, Social e Governança.

Compreendendo que todo tipo de negócio gera algum tipo de impacto ao seu redor, o ESG coloca em foco os três assuntos da sigla para que as organizações se preocupem em gerar impacto positivo — ou atue de forma que os impactos negativos sejam mitigados ao máximo. A iniciativa está diretamente associada ao sucesso dos negócios. 

A seguir, entenda melhor sobre o conceito de Responsabilidade Social Corporativa. 

Entenda o que é Responsabilidade Social Corporativa

O conceito de Responsabilidade Social Corporativa é bastante complexo e variado, podendo agregar significados diferentes dependendo do contexto. De qualquer forma, precisamos compreender que o tema perpassa por diversas questões:

  • Relações entre clientes e fornecedores; 
  • Satisfação com o usuário;
  • Desenvolvimento da comunidade ao entorno; 
  • Investimento em tecnologia;
  • Não discriminação de gêneros, raça, preferências sexuais, religiosas, dentro outros; 
  • Desenvolvimento profissional. 

E a lista segue. E quanto maior a preocupação de uma organização com relação aos assuntos ligados à Responsabilidade Social Corporativa, mais maturidade a empresa demonstra com relação a temas importantes ligados à sustentabilidade socioambiental. Isso porque, representa que se compreende o compromisso com a ideia de organização como conjunto de pessoas que interagem com a sociedade. Podemos dizer, assim, que a Responsabilidade Social Corporativa está estritamente ligada ao tipo de relacionamento que uma organização possui com os seus interlocutores.  

Sendo assim, a organização assume a responsabilidade com todas as pessoas envolvidas e impactadas de alguma forma com o negócio, e, consciente do seu papel, adota uma postura com maior responsabilidade social em todas as suas ações e na própria cultura organizacional.

Importante ressaltar também que a Responsabilidade Social Corporativa ocorre apenas quando tais medidas geram impacto direto na receita e resultados da empresa como um todo. 

Por que sua organização deve se comprometer com a Responsabilidade Social Corporativa 

Compreendendo o envolvimento que diferentes partes possuem em uma empresa bem sucedida, preocupar-se com a responsabilidade social tanto no âmbito interno de seu negócio, quanto no externo é o que gera a sinergia necessária para seu desempenho, regional e global. Além do fato do compromisso com o tema atender diferentes necessidades de todas as pessoas envolvidas e impactadas pela empresa.

Comprometer-se com a responsabilidade social auxilia nas métricas e princípios do ESG. Como vivemos em um mundo globalizado e articulado, adotar as práticas de ESG significa contribuir com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pela ONU.

A longo prazo, um empreendedor que está atento a esses assuntos garante a continuidade e sustentabilidade de seu próprio negócio, assim como impacta positivamente a sociedade como um todo. 

Princípios básicos para adotar a Responsabilidade Social Corporativa

Primeiramente falemos da transparência. Ela é a base de toda empresa, em qualquer segmento, quando falamos em responsabilidade corporativa. As partes impactadas pelo seu negócio terem acesso à informação é essencial para a sustentabilidade de qualquer negócio.

Nesse caso, a comunicação clara e assertiva faz-se necessário tanto externamente, para que o mundo ao redor saiba o que vem sendo feito, quanto internamente com os colaboradores, para que todos sintam-se parte de todo impacto positivo gerado pela organização. 

Outro fator, bastante similar à transparência e de extrema importância é a verificabilidade. Isso significa que a empresa, ao ser auditada por qualquer cidadão, governo ou possível investidor, conseguirá comprovar suas atuações socialmente responsáveis. 

A Responsabilidade Social Corporativa tem a ver, também, com estabelecida imagem e o reconhecimento da natureza social das organizações como valor que prevalece sobre qualquer outra consideração do tipo econômico ou técnico.

Além disso, está diretamente ligada à ideia de uma gestão participativa que procura melhoria contínua. Dessa forma, comprova-se que o negócio se constrói preocupando-se em assegurar a viabilidade do projeto empresarial a longo prazo, promovendo uma relação simbólica com o entorno social e com o meio ambiente.

Segundo o economista Jacques Demajorovic, “A noção de desenvolvimento sustentável implica a necessária redefinição das relações sociedade humana-natureza e, portanto, em uma mudança substancial do próprio processo civilizatório”. 

E os benefícios para a sociedade quando as empresas passam a adotar a Responsabilidade Social Corporativa são inúmeros. E os benefícios para a própria empresa, também são vários: 

  • O assunto atrai cada vez mais investidores, clientes e colaboradores; afinal, a empresa passa a ser vista como 'cidadã'; 
  • Competitivamente, o negócio preocupado com tais questões sai na frente de seus concorrentes, uma vez que além de tudo, a responsabilidade gera mais sustentabilidade para uma marca;
  • Contribuição para redução do impacto socioambiental, reforçando o compromisso com a sociedade e gerando ainda mais credibilidade aos negócios.

Compartilhe sua opinião sobre o tema nos comentários e participe do debate! 

 

Modelo plataforma multilateral: saiba mais sobre esse negócio altamente escalável

Modelo plataforma multilateral é um modelo de negócio que promove o encontro entre consumidores e empresas dispostas a fechar uma relação comercial, tendo a plataforma como facilitadora desta transação. O multilateral vem justamente do fato de que nesta relação os dois lados são beneficiados: tanto os clientes que solucionam uma necessidade ao adquirir um produto ou contratar um serviço, quanto as empresas que lucram ao fechar uma venda.

Tudo isto sem contar no rendimento gerado para o empresário que investiu no modelo plataforma multilateral. Essas organizações são conhecidas pelo seu caráter altamente escalável e por gerar unicórnios no mundo das startups: Uber, Rappi e 99 são alguns exemplos.

O segredo do sucesso no modelo plataforma multilateral está justamente em diminuir o atrito na transação comercial: prospectar o cliente, negociar preços, criar ofertas, entre outros. Sai na frente quem consegue promover o melhor ambiente (sites e aplicativos) para que consumidores e vendedores interajam, pois um grupo não existe sem o outro.

O modelo plataforma multilateral versus modelos de negócio tradicionais

O modelo de negócio no qual se promove o encontro entre alguém interessado em vender com alguém interessado em comprar é antigo. Aqui no blog, já contamos como uma plataforma de negócio é similar a estrutura de marketplaces e shopping centers. No entanto, gerenciar um modelo plataforma multilateral não é a mesma coisa que administrar um shopping center. As regras em empresas de base tecnológica e nas startups são diferentes dos modelos mais tradicionais: um empresário mais tradicional jamais venderia um produto abaixo do preço de custo, mas quando o objetivo de uma startup é aumentar o efeito de rede, vale inclusive “pagar” para ter um cliente.

Você já se perguntou de onde vem os cupons de frete grátis de empresas como o Rappi ou os créditos que são gerados sempre que um amigo utiliza o seu código de compartilhamento para fazer a primeira viagem com a Uber? Todas essas ações têm o objetivo de aumentar o efeito de rede, pois no modelo plataforma multilateral quanto mais usuários ativos (consumidores e motoristas, no caso do Uber) maiores são as chances do negócio escalar e se transformar em novo unicórnio, ou seja, ser avaliada no mercado por mais de US$ 1 bilhão.

3 empresas brasileiras que decolaram com plataformas multilaterais

99

A 99 foi a primeira startup brasileira a ser avaliada em mais de US$ 1 bilhão no mercado. A escalada da principal concorrente da Uber no Brasil em direção ao reino das startups unicórnios ocorreu depois do aporte de US$ 1 bilhão que recebeu da plataforma chinesa Didi Chuxing. Aliás, os investidores chineses estão apostando suas fichas no mercado tecnológico brasileiro. Isso tem ocorrido não apenas pelo potencial das empresas, mas também pela fácil aceitação do brasileiro em novas tecnologias.

Os serviços de alimentação, transportes e fintechs são os que ganham mais destaque no mercado brasileiro. Além da 99, também temos a Cabify como plataformas digitais envolvendo passageiros e motoristas. Já a Yellow, embora não utilize o modelo plataforma multilateral é uma forte candidata a se tornar um unicórnio, graças as suas bicicletas e patinetes amarelos, que além de ser acessível ainda ajuda a fugir do trânsito das grandes cidades.

Movile e Ifood

O ano de 2018 foi intenso para a Movile não apenas por adentrar no mundo das startups unicórnios como também por outra empresa do seu grupo de holding receber um aporte de US$ 500 mil e entrar também para o grupo mítico. No entanto, engana-se quem acredita que a história da Movile é recente.

Com mais de 20 anos de mercado, a empresa iniciou seus serviços como Intraweb e explorava o mercado de ringtones. Foi a disrupção digital da Apple que fez com que a empresa revisse o seu modelo de negócio e procurasse aplicativos para investir: até chegar na fórmula do sucesso, empregou recursos sem sucesso em aplicativos de música e até de vídeos de comédia.

Hoje, o foco da Movile é o mobile e investe em plataformas como iFood, SpoonRocket e Sympla, além de ser proprietária da PlayKids, Wavy e Rappido. A empresa conta com 15 escritórios, espalhados na América Latina (Brasil, Colômbia, Argentina e Peru), Estados Unidos, México e França.

O valor movimentado mensalmente pelas empresas do grupo chega a US$ 1 bilhão. Nesta entrevista para o Estadão Fabrício Bloisi, CEO da Movile, foi enfático ao afirmar que “É pensar pequeno falar em se tornar unicórnio, o mercado brasileiro tem potencial para desenvolver empresas de tecnologia que valem cerca de US$ 100 bilhões. Da mesma forma que acontece nos EUA e na China”.

Cargo-X

A Cargo-X cresceu 750% em um ano e o segredo para o sucesso da Uber dos caminhões foi perceber o potencial do mercado. A maioria das produtos no Brasil é transportado via estrada e existia um gargalo gigantesco no setor, uma vez que 40% dos caminhões rodam vazios a maior parte do tempo. Isso acontece porque o motorista entrega uma carga em alguma região e não tinha outro produto para transportar de volta.

Os empresários encontraram a brecha e investiram em um modelo plataforma multilateral para conectar caminhoneiros e empresários por meio de um aplicativo com geolocalização e de fácil usabilidade. Esse encontro gerou economia para ambos os lados: os motoristas, que ampliaram a capacidade de carga, reduzindo a carga ociosa e gerando mais receita no final do mês; e os empresários, que conseguiram otimizar a logística e economizar até 20% com transporte de mercadorias.

Para a empresa esse crescimento foi a combinação de seis grandes fatores. Além do potencial do mercado e da economia gerada para os dois grupos, a empresa também abriu 15 escritórios em locais estratégicos - ao chegar no Centro Oeste, ganhou novos clientes e ampliou o seu valor de mercado. Tudo isso sem contar nas rodadas de investimentos que recebeu para aumentar sua área de atuação. Os principais aportes vieram da Goldman Sachs, Oscar Salazar e Qualcomm Ventures.

Outros pontos que a empresa gosta de destacar são o respeito aos motoristas e aumento da segurança de quem utiliza a plataforma. Já são mais 11 mil caminhoneiros utilizando o aplicativo e esse número não para aumentar.

Todo esse crescimento faz com que a empresa seja uma forte candidata a se tornar uma startup unicórnio que utiliza o modelo plataforma multilateral para entregar valor aos clientes.

E você conhece outra empresa que utiliza o modelo plataforma multilateral e que tem se destacado no mercado? Deixe sua opinião nos comentários!

Conectividade - autor: Nopporn

Crescimento exponencial não acontece por acaso: 4 dicas para acelerá-lo

As empresas exponenciais chegaram ao mercado para quebrar padrões e obter um crescimento exponencial sem precedentes. Internamente, podem escalar sem necessariamente aumentar suas estruturas. Externamente, relacionam-se com diversos players e também os escalam para a sobrevivência de seu próprio negócio. Apenas essas peculiaridades já significam um grande avanço para a economia atual (e uma ousada estratégia para se manter).

O fato é que estamos diante de empresas altamente disruptivas. São assim consideradas porque criaram uma nova forma de fazer negócio ou mudaram as regras vigentes. Quebraram barreiras. Mudaram a forma de pensar. Você lembra como foi o processo de fotografia: passamos da visão analógica para a era digital, tiramos a foto do papel e colocamos em dispositivos móveis, compartilhando no momento que se desejar.

E o que aconteceu com velho rolo de filmes com 36 poses? Está hoje no lixo ou em caixinhas de recordações. Assim aconteceu com os filmes que assistimos, com a compra da passagem aérea, com o táxi que pegamos, com a forma de pedir comida em casa. Atualmente, fazemos todas essas atividades de forma totalmente diferente de 10 anos atrás.

Mas o que as empresas disruptivas e inovadoras têm de diferente?

São empresas que encontraram uma oportunidade de negócio, investiram em desenho de processos, modernizaram a área de recursos humanos e criaram uma sólida cultura de inovação entre a equipe. Tudo isso sem contar que os negócios inovadores são orientados a dados e utilizam essa informações de forma estratégica para criar valor para o negócio. Unindo essas frentes  à maneira como constroem ecossistemas complementares para realimentar seus modelos de negócios, temos um formato disruptivo de criar e conduzir empresas.

O mix de informação, colaboração e DNA inovador faz com que essas organizações cheguem ao crescimento exponencial, que explicando de forma simplificada é crescer cerca de dez vezes mais do que os concorrentes. Uma empresa que chega nesse patamar também se torna referência na área de atuação, além de conquistar uma audiência apaixonada e que atua de forma espontânea como promotora do negócio. Você já viu um usuário da Apple mudar facilmente de dispositivo eletrônico? Tenho certeza que a resposta foi negativa.

4 dicas para acelerar o crescimento exponencial da sua empresa

1. Desbravar e correr riscos para alcançar o crescimento exponencial

Comentei certa vez aqui no blog que nem tudo são flores na trajetória de empresas inovadoras. Manter-se em um ambiente ainda muito conservador com um modelo de negócio diferenciado é nadar contra a maré. Também é cutucar mercados altamente competitivos, como o exemplo da fintech brasileira Nubank, que bate de frente com instituições financeiras tradicionais. O surgimento da Nubank alvoroçou o mercado financeiro brasileiro resultando em grandes transformações digitais das instituições que lideram o mercado.

Não ter a propriedade do produto ou serviço, como em um mercado tradicional, é correr riscos e isso não é necessariamente ruim, muito pelo contrário.  A relação entre colaboração e confiança substitui modelos fechados e controlados. O ecossistema de players, times por demanda e redes globais tomam o lugar do quadro de funcionários padrão. Ou ainda, no controle exigido por plataformas de negócios, como as de hospedagens, transporte e pedidos online, que reúnem milhões de membros e fornecedores.

2. Crie uma base de confiança e autonomia para a equipe de projetos

Criar uma base de confiança e autonomia para as equipes de projetos é fundamental para o negócio fluir adequadamente. Pense na quantidade de projetos do Google e no volume de parceiros que a gigante das buscas precisa gerenciar em vários países. Aliás, o Google é apenas um dos negócios da holding Alphabet. Veja a quantidade de negócios que a Alphabet reúne:

crescimento exponencial

Você acha que o Google ou negócios plataformas que se transformaram em unicórnios como a Uber, o Rappi e a 99 teriam ido muito longe sem dar autonomia e confiar na equipe?

3. Crie uma rede de colaboração

O crescimento exponencial não é resultado apenas do valor entregue ao consumidor/usuário. Com um ecossistema que escala e é escalável, o negócio precisa ser atrativo para todos continuarem dentro da organização. O modelo depende, portanto, de uma rede. Diferentemente de um sistema tradicional que atua, geralmente, com demanda e oferta em via única. Isso sim é correr riscos!

Mas como fazer acontecer? Acredito que os principais caminhos para o sucesso de uma organização exponencial são: ser uma “fonte aberta”, livrando-se dos gargalos produtivos, e criando um relacionamento baseado na empatia e colaboração com suas redes:

  • Essas empresas trabalham com o acessível e por isso trocaram os sistemas lineares pelo exponencial;
  • Trocaram o físico pela tecnologia;
  • Reduziram espaços de escritórios para globalizar digitalmente;
  • Validam ideias com seu ecossistema;
  • Criam a partir da expertise de suas redes e entregam itens relevantes para o momento;
  • Não temem a automação de processos e tem como aliados muitos robôs que agilizam os processos sem necessariamente demitir pessoas.

Quer saber mais? Confira o artigo: Futuro do trabalho: tem espaço para todas as profissões no futuro?

4. Quebre as hierarquias

Empresas exponenciais têm a inovação e a agilidade em seu cerne. Esqueçam os processos burocráticos e engessados, afinal é necessário de espaço para a criatividade. Como ser criativo para desenvolver novos produtos, testar ideias e implementar mudanças em um ambiente cheio de pontos de contato e hierarquia?

Aqui o segredo para acelerar o crescimento exponencial é descentralizar as decisões, mas investir em comunicação transparente. Tudo isso sem contar que toda a equipe precisa conhecer as metas e objetivos dos projetos que estão inseridas. Nas empresas exponenciais flexibilidade e confiança ganham o lugar do “chefe acima de tudo”.

Quer saber mais sobre o perfil comportamental dos líderes que estão promovendo o crescimento exponencial nas organizações? Confira o artigo: Liderança inovadora: o que é e quais as habilidades necessárias?

O crescimento exponencial não vem por acaso e não acabará instantaneamente. Enquanto o consumidor tiver insatisfação, expectativa ou desejos, terá sempre uma empresa inovadora para pensar soluções. Todos os lados têm a ganhar com isso.

E você quer saber mais como acelerar o crescimento da sua empresa? Entre em contato e vamos bater um papo!

Plataforma de negócios online: como uma empresa do tipo plataforma gera lucro?

Uma plataforma é uma área plana horizontal, mas também pode ser um local para facilitar o embarque e o desembarque de passageiros em ônibus, metrô ou avião. A informação é do dicionário Aurélio que ainda se refere ao verbete como uma configuração específica de um sistema operacional. No entanto, quando falamos de plataforma de negócios online, a definição é uma só: plataformas de negócios conectam pessoas com interesse de comprar um produto ou serviço com profissionais ou empresas que oferecem esse produto ou serviço.

Nesta relação todos os envolvidos saem ganhando e o grande desafio dos negócios que têm a plataforma como base é estimular as transações entre os dois lados. Quem nunca recebeu um sms da Rappi um pouco antes da hora do almoço? Essas mensagens costumam oferecer um cupom de desconto para comprar em algum restaurante que faz parte do marketplace da empresa ou ainda oferecer frete ou algum produto grátis na hora de fechar uma compra.

Junta a fome com a vontade de comer, não é mesmo? Principalmente naqueles dias corridos em que enfrentar a fila do restaurante a quilo não é uma opção. Você abre o aplicativo, insere o código do cupom, escolhe o restaurante, o prato e em menos de uma hora o pedido está na mesa.

De “Delivery de tudo” ao plano de dominar o serviço de entrega no Brasil

Embora o exemplo utilizado acima seja sobre um cupom de desconto que chegou um pouco antes do almoço, a Rappi não é um serviço de entrega de comida. O diferencial do negócio é justamente oferecer o maior mix de produtos possível na grande vitrine da plataforma de negócio online. Por meio de filtros, é possível fazer o supermercado do mês, comprar remédios e até adquirir cartões presentes de lojas de departamentos ou itens de sexshop.

O cliente escolhe a loja, fecha o pedido, o estabelecimento prepara o produto de acordo com as preferências do consumidor para, depois de pronto, um entregador levá-lo até o endereço selecionado. Esse profissional funciona como um parceiro direto do aplicativo e precisa além da moto ou bicicleta, contar com um celular com serviço de geolocalização para que o consumidor possa rastrear a entrega. A compra pode ser fechada com dinheiro ou cartão de crédito, diretamente no aplicativo.

Toda esta comodidade rendeu para a startup colombiana duas rodadas de investimento em pouquíssimo tempo. Em outubro de 2018, recebeu um aporte de U$ 392 milhões, elevando o valor da plataforma para mais de U$ 1 bilhão e colocando a Rappi no reino das empresas unicórnios. Já em maio de 2019, o montante investido foi de US$ 1,2 bilhões: somente o banco japonês Softbank foi responsável por US$ 1 bilhão desses novos recursos.

O plano de expansão dos empreendedores Felipe Villamarín, Sebastián Mejía e Simon Borrero e também dos investidores é aumentar o efeito de rede, que garante a escalabilidade dos negócios plataforma. Inclusive, um dos grandes desafios da Rappi é continuar competitiva no mercado brasileiro, no qual empresas como a Ifood (que antes estava com o recorde de maior investimento em startups da América Latina com o aporte de US$ 500 milhões em 2018) e a Uber Eats, que é uma plataforma de negócios online vinculada ao unicórnio Uber. A espanhola Glovo deixou o mercado brasileiro, depois de um ano de atuação, pois percebeu que com a alta competitividade do setor seriam necessários muito mais investimento.

Como as plataformas de negócio online ganham dinheiro?

Nós já falamos por aqui que negócios plataformas não dizem respeito apenas a tecnologia, mas sim a um novo modelo de negócio que cria valor ao colocar em contato produtores e consumidores. No caso das empresas que funcionam como “delivery de tudo”, precisam criar relações sólidas com os três principais pilares do negócio: os consumidores, os comerciantes e os entregadores.

A renda das plataformas de negócio online são geradas a partir do fechamento dos pedidos dos usuários. Quanto mais estabelecimentos e mais compras fechadas, maior é a receita, já que o aplicativo ganha uma porcentagem em cima dessas vendas.  O grande desafio das plataformas de negócio é justamente aumentar o efeito de rede, ou seja, ampliar o número de usuários, tanto de consumidores quanto de estabelecimentos e entregadores.

Mas o que é esse efeito de rede que gera escala, afinal?

Explicando de forma bem resumida, o efeito de rede é o valor que a quantidade de usuários confere a um negócio. Um exemplo clássico são as redes sociais: o Orkut reinou durante muito tempo, o Facebook foi ganhando aderência e outras redes surgiram, como o twitter, o Google + e o Instagram. Em algum momento o Facebook ultrapassou o Orkut até que a migração de usuários de uma rede para outra foi tão grande que o Orkut saiu de cena. O Google + nem sequer deslanchou, justamente pela baixa utilização dos usuários.

E  o que tudo isso tem a ver com plataformas de negócio online? Simples, a maioria das empresas cria um fluxo linear de compra e venda (seja online ou em lojas físicas), já os negócios plataformas dependem de fatores externos para criar escala e gerar renda (o tripé: consumidor, estabelecimentos e entregadores). Uma boa prática para que isso aconteça é prospectar consumidores e estabelecimentos externos, além de criar um aplicativo de fácil usabilidade e que permita que as relações comerciais aconteçam de forma sustentável e saudável.

Neste esforço em potencializar o efeito de rede, a estratégia de vendas deve caminhar lado ao lado do departamento de marketing da empresa. A Rappi costuma enviar mensagens próximo a hora do almoço, o Uber Eats oferece entrega grátis e cupons de desconto para os usuários Vips, o iFood já é case de sucesso em personalização da experiência do cliente.

No fim, em se tratando de plataformas de negócios online, ganha destaque quem desenvolve estratégias de negócio para se diferenciar do concorrente e principalmente consegue resolver um problema do seu cliente de forma ágil e inovadora. E você, está pronto para investir neste novo modelo de negócio?