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Inovação aberta e plataformas de negócio: como funciona essa combinação

Quando é feita uma comparação entre empresas, é comum pensarmos em uma competição envolvendo os produtos de cada uma. No entanto, em uma era de redes, como explicam Mark Bonchek e Sangeet Paul Choudary em “Three Elements of a Successful Platform Strategy”, pensando em termos de competição, quem está no cerne da disputa e se tornou a grande protagonista dos dias atuais são as plataformas de negócio. Se antes, os produtos eram, por si só, o segredo para o sucesso, o diferencial competitivo atualmente é outro. Construa uma plataforma melhor e você estará em vantagem perante a concorrência.

Se buscarmos pelo significado, uma plataforma nada mais é do que uma superfície plana, horizontal, mais alta do que a área adjacente. No âmbito da construção, trata-se justamente de algo que levanta, que permite outras pessoas ficarem em cima. Nos negócios, é possível fazer uma correlação. As plataformas possibilitam elevar e conectar outras empresas e profissionais com um negócio, criando produtos e serviços baseados nela e construindo valor de forma colaborativa. É quando acontece o “plug and play”, em que outros negócios podem se conectar com o seu e gerar valor. 

Assim, os stakeholders possuem formas de compartilhar serviços e insights com mais facilidade e prontidão com as empresas. Dessa maneira, outras organizações, parceiros e os próprios clientes podem colaborar, criar e consumir novos recursos. É uma troca e cocriação com um benefício amplo e coletivo, enriquecendo a oferta das plataformas de negócio. 

Plataformas de inovação e de transação 

O conceito moderno de plataformas de negócio tem  progredido ao longo dos anos. Como aponta David Yoffie, professor na Harvard Business School, no começo, o que despertou o interesse no assunto – tanto acadêmico quanto profissional – foi a discussão sobre o verdadeiro valor do sistema operacional Microsoft Windows. Ou seja, mais do que o produto em si, o crescimento estava atrelado aos aplicativos desenvolvidos por fornecedores independentes. O que deu início às pesquisas sobre plataformas de inovação.

Já no final da década de 90 e nos primeiros anos da década de 2000, Amazon, eBay e outras empresas deram início a um movimento diferente de plataforma de tecnologia, o que chamamos hoje de plataformas de transação. São os descendentes dos bazares físicos que ganharam escalabilidade global por meio da tecnologia. As plataformas de inovação e transação, para David Yoffie, “são animais muito diferentes”. E há, ainda, um modelo híbrido, no qual há uma plataforma de transação e inovação operando ao mesmo tempo. 

Cada vez mais, os modelos híbridos têm obtido destaque. Afinal, mesmo em uma plataforma de transação, é possível criar interfaces abertas – como APIs – para que outros construam dentro da sua plataforma. Por exemplo, o Uber e outras plataformas de transação abriram APIs para que terceiros pudessem agregar valor. 

Plataformas de negócio: como promover a colaboração de todos 

Uma das formas encontradas para agregar valor às plataformas de negócio e inovação tem origem na popularização e na adoção de softwares e metodologias no-code. É algo consideravelmente novo e que ainda não foi tão disseminado, mas que mostra que o futuro do desenvolvimento de softwares deve se tornar mais próximo e compreensível para pessoas que tenham pouco ou, até mesmo, quase zero conhecimento técnico específico. 

As plataformas no-code são construídas com características predominantemente visuais e primando pela simplicidade. Dessa forma, conseguem permitir que pessoas que não são necessariamente profissionais da área possam desenvolver aplicativos, jogos digitais ou sites, ampliando o acesso ao processo de criação e às contribuições dos usuários para as próprias plataformas de inovação.

Muitas cabeças pensando em conjunto 

E se a inovação aberta e as plataformas fossem utilizadas em conjunto? É uma prática que vêm sendo disseminada por algumas empresas, agências, órgãos governamentais, entre outros. Eles abrem um desafio, muitas vezes mundial, e as pessoas se candidatam para resolver. Desde 2012, por exemplo, o projeto de inovação aberta da NASA, agência espacial norte-americana, promove o International Space Apps Challenge, considerado atualmente o maior hackathon do mundo. A cada ano, milhares de pessoas são estimuladas a fazerem uso dos dados abertos da NASA para criar respostas e soluções inovadores para os mais diversos desafios enfrentados na Terra e no espaço propostos pela agência.

O Space Apps acontece em um final de semana por ano, envolvendo líderes globais de vários países, que hospedam eventos em que os participantes têm 48 horas para encontrar as soluções para as questões apresentadas pela NASA. Em 2019, os temas envolveram o aumento do nível do mar e missões sustentáveis para Vênus e Marte. Em 2020, participantes do mundo inteiro se reuniram para propor soluções a diversos problemas decorrentes da pandemia do coronavírus. Foi o primeiro hackathon do programa que aconteceu totalmente virtual, por meio de uma plataforma online. 

Outra iniciativa recente, a Design for Emergency, lançada pelo Center for Design da Northeastern University, de Boston, convocou diferentes profissionais de design para propor soluções de combate ao coronavírus. Foram desenvolvidas soluções que vão desde protetores faciais montados pelos próprios usuários até aplicativos que promovem a integração entre comunidade, entidades sociais e poder público. Os projetos foram aceitos e publicados na plataforma aberta da iniciativa e as soluções, sob licença Creative Commons, podem ser aplicadas em qualquer lugar.

Em geral, a participação dos profissionais não se restringe ao campo de formação e atuação, podendo fazer uso de múltiplos conhecimentos em busca de um melhor projeto. Além disso, as metodologias no-code também ajudam bastante na hora de permitir que mais pessoas e empresas possam participar da criação em conjunta de ideias inovadoras. As plataformas cumprem o objetivo de conectar as pessoas e profissionais com as empresas.

As plataformas de negócio aliadas com a inovação aberta em um ambiente propício, além de transformar uma empresa em uma rede digital, permitem que a inteligência e o conhecimento sejam compartilhados e distribuídos, estabelecendo relações de colaboração e a geração de valor. Você acha que é possível fazer mais a partir da combinação de plataformas de negócio e inovação aberta? Compartilhe sua opinião aqui nos comentários!