Ambidestria organizacional: qual o caminho para a excelência operacional

O gestor de qualquer empresa, independentemente de seu porte, deve estar atento não só aos processos internos, mas também precisa acompanhar um pouco de tudo que acontece na concorrência. Só assim, será possível manter o negócio crescendo, oferecendo produtos ou serviços que sejam competitivos no mercado. 

E quem acompanha as tendências, sabe que já passou do tempo em que a inovação era vista como um “algo a mais” ou um diferencial. Hoje, o investimento nessa área é quase que obrigatório para quem não quer ficar para trás. Mas, é neste momento que surgem muitas dúvidas e equívocos: ao pensar em criar uma nova estrutura, muitas empresas acabam abandonando todos os processos antigos e deixam de tirar proveito do que já estava dando certo. 

Para ajudar com este problema, surge o conceito de ambidestria organizacional. Mas agora, você deve estar se perguntando, o que é ambidestria organizacional? Como é utilizada? Quais são os benefícios?

Aqui apresentamos algumas respostas para essas e muitas outras perguntas. Confira a seguir:

liderança inovadora

O que é ambidestria organizacional?

Para entender o que é ambidestria organizacional, você precisa saber que, essencialmente, uma empresa ambidestra possui o foco voltado para dois pontos principais: a inovação e a excelência operacional.

Porém, encontrar o equilíbrio entre essas duas áreas para que ambas evoluam sem complicações é o grande desafio na maioria das empresas. Soma-se a ele a necessidade de prever também no planejamento, quais serão os objetivos a longo e a curto prazo para cada projeto e acompanhar as tendências do mercado e a concorrência, sem deixar de lado as metas de vendas, é claro. 

Tendo isso em mente, é o momento de começar a organizar a casa, definindo quais pessoas serão designadas para cada projeto, onde serão alocados, como serão executados e por quanto tempo. 

Para compreender o que é ambidestria organizacional e como colocá-la em prática, também é preciso entender que existem diferentes caminhos. Estes dependem do modelo de negócio de cada empresa, do mercado e do momento econômico em que ela está inserida e também do seu estágio de desenvolvimento.

Outro ponto importante é ter em mente que, com o passar do tempo e o desenvolvimento da área de inovação, esta pode ser integrada à unidade regular da empresa, gerando mudanças na estrutura e nas equipes. Por isso, se você está pensando em implementar esse modelo de gestão no seu negócio, não deixe de considerar todas essas variáveis!

Abaixo, reunimos as principais informações sobre os três diferentes modelos de gestão ambidestra que podem ser encontrados. Com eles, além de entender de uma forma melhor o que é a ambidestria e como ela pode ser aplicada, você conseguirá identificar qual deles é o mais indicado para o seu negócio. 

Já sabe o que é ambidestria organizacional? Veja as três diferentes maneiras de implementá-la


Ambidestreza estrutural

Nesse modelo, os dois projetos acontecem separadamente mas ao mesmo tempo. As equipes, voltadas para as unidades de eficiência e inovação, atuam de maneiras diferentes e são lideradas de acordo com o objetivo final. 

Nesse caso, é necessário também prever os momentos de integração entre as equipes para que exista a troca dos conhecimentos adquiridos ao longo do processo e também a união de aprendizados. Com as equipes em sintonia, torna-se mais fácil otimizar as entregas finais.

Ambidestreza cíclica

A principal característica desse formato de ambidestria organizacional é a definição dos períodos em que cada projeto será priorizado. Assim, inovação e excelência receberão total atenção em momentos diferentes.

O respeito e cumprimento dos prazos é fundamental para que esse modelo dê certo. Por isso, é muito importante criar o planejamento tendo em vista o tempo real que será gasto em cada ciclo.

A ambidestria cíclica é o modelo de gestão mais complexo entre os três, pois devido a quebra no modelo operacional tradicional, exige também muita maturidade e experiência dos colaboradores. Por outro lado, as principais vantagens são: evitar a ruptura de linhas de raciocínio e a divisão dos esforços, garantindo maior interação entre todos os membros da equipe.

Ambidestreza simultânea

Nesse modelo de gestão mais dinâmico, os processos acontecem ao mesmo tempo e na mesma unidade. A diferença dele é que existem dois lideres, cada um preparado para uma estratégia. Eles deverão tomar conjuntamente as decisões que envolvem tanto a produção como o desenvolvimento da empresa. Para isso, é preciso que os profissionais envolvidos conheçam bem as rotinas e processos da empresa, estejam constantemente informados, estudando melhorias e testando novos produtos e serviços. Tudo isso sem deixar de lado a qualidade nas entregas obrigatórias e de rotina.

Agora que você já sabe o que é ambidestria organizacional e quais são os diferentes formatos que podem ser implementados, compartilhe suas impressões conosco! Você acha que a implementação desse modelo de gestão é o que está faltando na sua empresa? Qual você considera ser a maneira ideal de executar os projetos? Deixe sua opinião aqui nos comentários. 

 

Ambidestria e inovação: como os dois conceitos contribuem para o futuro do mercado

No primeiro artigo sobre ambidestria e inovação falamos como a disrupção digital obrigou as empresas a repensarem não apenas seus modelos de negócio, mas também a forma de liderar e repaginar os vários processos internos. Para que isso aconteça de forma gradual, empresas que já operavam focadas na eficácia operacional passaram a investir também em novas ideias e diversificação dos produtos e serviços.

Na prática, organizações que investiram em ambidestria e inovação trabalham com dois tipos de inovação para entregar valor de duas formas sem onerar a empresa:

liderança inovadora

Inovação incremental: voltadas para os projetos de melhorias contínuas para desenvolver os processos organizacionais e que não geram grandes impactos no modelo de negócio. Esse tipo de inovação é bastante utilizado para manter ou melhorar a percepção de um produto em um mercado que já existe. Ela é, portanto, mais barata e menos arriscada.

Inovação radical ou disruptiva: é um processo mais complexo e nada discreto. Uma vez que vencer a disrupção digital requer assumir riscos e estar disposto a investir um pouco mais em recursos para ter um retorno maior no futuro. Ela costuma redefinir a rota da empresa. Um bom exemplo de inovação radical é clássica “oceano azul”, no qual a empresa não precisa brigar por uma parcela de mercado, já que cria um mercado totalmente novo para comercializar seu produto e/ou serviço.

É fácil pensar que empresas investem em inovação incremental por ser mais fácil de executar e menos onerosa para as organizações. Mas, a disrupção digital já mostrou para o que veio e, é justamente por isso que quem apostou em ambidestria trabalha tanto com inovação incremental quanto radical. Como essas empresas entregam o melhor dos dois mundos tendem a ser mais competitivas do que as concorrentes?

E se você está pensando que a gestão ambidestra é exclusiva de empresas de tecnologia, continue a leitura do artigo e veja os resultados das vinícolas brasileiras que resolveram apostar neste tipo de gestão.

Ambidestria e inovação nas vinícolas brasileiras

Seth Godin foi enfático ao proferir a frase “O trabalho não é chegar ao status quo; o trabalho é reinventar o status quo”. Se você é amante de vinhos deve pensar que é um produto já consolidado e que não precisa de muito esforço para entregar valor ao cliente final, correto?

Sim e não. Sim, porque de fato é um produto com boa penetração de mercado, mas em tempos de mudanças exponenciais e disrupção, a inovação veio para quebrar as regras. Ou seja, os executivos precisam criar estratégias para continuarem competitivos no mercado sem perder de vista o ambiente altamente inovador e transformador que o mercado vem passando. Quem não modernizar a produção e/ou a gestão pode não mais existir em 20 anos como vimos acontecer com várias empresas que já foram líderes de mercado.

No artigo Comportamento Estratégico e Ambidestria: um estudo aplicado junto às empresas vinícolas brasileiras  os pesquisadores analisaram dados de mais de 150 empresas do setor para medir o impacto da gestão ambidestra no resultado da empresa. Entre as várias hipóteses levantadas no estudo foi identificado que no setor há quem acredite nos efeitos positivos da ambidestria e inovação nos números da empresa, mas também os que são céticos em relação a esses ganhos.

Quem acredita na ambidestria como promotora do negócio apontou questões, como:

  • Os produtos e serviços que são oferecidos aos clientes são mais bem caracterizados como inovadores e estão constantemente mudando e ampliando sua área de aplicação;
  • Uma das metas mais importantes da empresa é a dedicação e o compromisso com a garantia de que pessoas, recursos e equipamentos necessários para desenvolver novos produtos/serviços e novos mercados estejam disponíveis e acessíveis;
  • Uma dos pontos que protege a empresa de outros concorrentes é o fato de ser capaz de desenvolver novos produtos/serviços e novos mercados de maneira consistente;
  • Os procedimentos que a organização usa para avaliar seu desempenho são mais bem descritos como descentralizados e participativos, encorajando todos os membros da organização a se envolverem.

Por outro lado; quem é reativo em relação a ambidestria e a inovação tem opiniões como:

  • O crescimento ou a diminuição da demanda se deve muito provavelmente à prática de responder às pressões do mercado, tendo poucos riscos.
  • As competências e habilidades que os funcionários da empresa possuem podem ser mais bem caracterizadas como fluidas: as habilidades estão relacionadas às demandas de curto prazo do mercado;
  • O gerenciamento da empresa tende a se concentrar em atividades ou funções de negócio que mais necessitam de atenção, dadas as oportunidades ou problemas que enfrenta atualmente.

A conclusão deste trabalho é que os gestores que olham a ambidestria e a inovação de forma positiva pensam a organização com foco na entrega de valor para o cliente final. Portanto, tendem a apostar em inovações incrementais para continuarem competitivas no mercado.

Já os céticos pensam a organização de dentro para fora e estão mais dispostos a atuar de forma reativa. Ou seja, uma das metas mais importantes da empresa é a dedicação e o compromisso com a proteção contra ameaças críticas, tomando todas as iniciativas necessárias.

Não precisamos ressaltar que a percepção de investir em uma liderança inovadora e apostar em inovações, sejam elas incrementais ou radicais é o primeiro passo para a empresa reduzir os efeitos da disrupção digital. Isso pode acontecer tanto em um mercado totalmente ligado a tecnologia, como foi o caso da Kodak e da Nokia, como também em indústrias tradicionais e com boa aceitação de mercado como a de vinhos e outras bebidas.

O mercado cervejeiro também se transforma a cada dia

Você quer ver como não precisamos ir muito longe? O consumo de cerveja artesanal no Brasil disparou nos últimos anos. Não precisa beber muita cerveja para perceber que, aos poucos, as gôndolas de supermercados foram tomadas por rótulos coloridos e garrafas de diferentes estilos e graduações alcoólicas. E da mesma forma que as grandes empresas foram impactadas pelas startups de garagem, as gigantes do ramo de bebidas se viram ameaçadas por cervejeiros que começaram a produção em casa ou em sociedade com amigos e foram ganhando cada vez mais mercado.

Hoje, podemos ver grandes marcas apostarem em produtos puro malte, em diferentes estilos e até migrado para diferentes tipos de produtos. Tudo isso para continuarem competitivas em seus respectivos mercados.

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Lean Canvas: como modelar uma plataforma de negócios multilateral

Indicado para startups e ideias em desenvolvimento, o método Lean Canvas é uma variação do Business Model Canvas.  Se antes o modelo buscava renovar as formas de criar e analisar modelos de negócio, o Lean Canvas surge com o propósito de compreender as fundamentações de um empreendimento de sucesso.

Esses fundamentos  passam pela proposta de valor, os canais de atuação e o relacionamento com o cliente. Confira neste artigo como o Lean Canvas  tem auxiliado empreendedores a construir novos negócios e conheça exemplos de sucesso que abraçaram e exploraram esse modelo.

O conceito por detrás da ferramenta

O Lean Canvas é considerada uma adaptação do modelo Business Model Canvas e foi criado pelo engenheiro elétrico Ash Maurya. Maurya desenvolveu o modelo a partir da leitura do best seller Business Model Generation, que o levou a questionamentos como:

  • O que se deu na trajetória até o sucesso de empresas como Apple e Skype?
  • O que aconteceu com essas empresas antes de adotarem o modelo Business Model Canvas?

Esses questionamentos levaram a criação de um modelo com foco no desenvolvimento de startups.   Isso significa que o Lean Canvas leva em consideração o aprendizado inicial e o desenvolvimento da ideia com base nos conceitos vistos no Business Model Canvas.

Business Model Canvas x Lean Canvas

A principal diferença entre os dois modelos está na estrutura. Enquanto o Business Model Canvas possui é composto por oito conceitos, o Lean Canvas foi reduzido a quatro:

1. Problema

No Lean Canvas, o foco do empreendedor deve ser entender o problema para, só depois, seguir com o desenvolvimento da solução. Essa prática evitaria o desperdício de tempo, dinheiro e esforços ao construir produtos que não respondem às expectativas e necessidades principais do público.

2. Solução

A solução buscada pelo empreendedor fica mais clara ao entender o problema. Por essa conclusão, Maurya definiu esse campo com um box menor.  Para Maurya, por ser a caixa de solução menor, a definição de um MVP (Produto Mínimo Viável) ficaria mais alinhada e objetiva.

3. Métricas

No Lean Canvas o empreendedor é orientado a focar em poucas métricas-chaves, e sempre optar por aquelas consideradas fundamentais, como o valor da solução apresentada.

4. Vantagem diferencial

Também chamado de “vantagem injusta”, esse campo é deixado em branco nos Lean Canvas em início de processo. Esse campo seria uma espécie de proteção do sucesso do negócio nos momentos de maturação da startup.

Para Maurya, esse campo serve como um incentivo de encorajamento ao empreendedor para que ele possa construir sua vantagem diferencial, em momentos em que a concorrência aperta ou mesmo busca copiar suas ideias.

De forma resumida, a vantagem injusta é a chave diferencial do negócio quando ele é copiado por outros empreendedores.

É importante destacar que o Lean Canvas não substitui o Business Model Canvas. Muito pelo contrário, eles são complementares em uma etapa fundamental para qualquer empreendedor: a aprendizagem do negócio.

Empresas de sucesso com Lean Canvas

O Lean Canvas surgiu em 2009, e desde então tem sido adotado por diversos empreendedores que conquistaram negócios de sucesso.

Fintechs como Nubank e Banco Neon são exemplos de empreendimentos que utilizaram o Lean Canvas em complemento ao Business Model Canvas e estão se destacando em seu mercado de atuação.

O Nubank é uma startup brasileira que reconheceu a cobrança de anuidades em cartão de crédito um problema a ser resolvido. Nasceu então uma solução que conquistou diversos brasileiros e chamou a atenção dos concorrentes.

Tanto é que outros bancos digitais, como o próprio Banco Neon, acabaram seguindo o mesmo modelo de negócios, que se baseia na mobilidade e em transações online.

A medida que o negócio do Nubank cresce e chama a atenção da concorrência, a startup utiliza de sua vantagem diferencial e lança soluções complementares a inicial, ganhando mais espaços e encantando mais clientes.

A ferramenta traz a tona uma ideia aparentemente simples, mas fundamental para o sucesso de qualquer empreendimento: o foco em buscar soluções que, de fato, respondam ao problema de um público alvo.

A visualização dessa estratégia permite aos empreendedores uma avaliação mais clara e objetiva das razões fundamentais do surgimento de uma nova empresa. Em resumo, é como se a startup já nascesse com um objetivo e uma funcionalidades estabelecidas: resolver problemas.

O empreendedorismo exige aprendizado constante, a observação e entendimento de modelos que são sucesso. E é justamente por isso que startups de sucesso abraçaram o Lean Canvas em seu processo de criação.

Agora é com você: complemente o Business Model Canvas com o modelo Lean Canvas e identifique de forma mais clara e eficiente a real razão do surgimento de uma nova startup e da aplicabilidade de suas ideias empreendedoras.

Modelo de negócio e estratégia: você sabe qual a diferença?

No mundo dos negócios uma das palavras mais utilizadas em reuniões, networking e meetups deve ser estratégia: de negócios, vendas ou marketing. Não importa o tipo, na maioria dos casos, o verbete é apresentado como tudo que é importante ou desafiador. Outro ponto que também gera bastante confusão é a palavra ser empregada como sinônimo para modelo de negócio.

E não é por menos, já que os dois termos estão bastante conectados. Mas, a grande verdade, é que eles contam com significados distintos. Estratégia tem a ver com o posicionamento da empresa para ganhar vantagem competitiva. Já o modelo de negócio descreve a forma com que uma empresa opera para criar valor, resolver as necessidades e, consequentemente, entregar valor para os clientes e também a forma com que lucram e se mantém firme no mercado.

O objetivo tanto de estratégias competitivas quanto repensar o modelo de negócio é um só: gerar lucro para os stakeholders e entregar valor ao resolver as necessidades dos clientes.

Quer saber mais sobre as diferenças entre os dois termos? Continue a leitura do artigo e entenda a importância de reinventar o modelo de negócio.

Termo antigo que se reinventou com a tecnologia

Tudo hoje é chamado de Modelo de negócio, apesar de ser tão antigo quanto o mundo corporativo. Ficou popular com o surgimento das primeiras empresas virtuais (no post Business Model You conto essa história) e trago uma visão integrada e criteriosa de propósito, processos, custos, clientes, relacionamento e fontes de receita.

Um modelo de negócio eficaz é amparado em boas estratégias organizacionais que, por sua vez, avaliam questões internas – que também fazem parte do negócio – e externas, especialmente o que se refere à concorrência e às tendências do mercado. O que está sendo feito por meus concorrentes, o que o meu cliente está esperando, como posso me destacar? As respostas podem dar origem a grandes estratégias organizacionais.

As Organizações exponenciais, por exemplo, crescem dez vezes mais ao investir em equipes por demanda, cultura de inovação e holocracia. Já as plataformas de negócios movimentam bilhões de dólares e transformaram várias startups em unicórnios. Tudo isso porque empreendedores criativos pegaram uma ideia antiga (conectar consumidores e empresas que vendem produtos, como os shopping centers), alinharam a inovações tecnológicas e desenvolveram aplicativos de delivery de comida, transporte e aluguel de quartos mais baratos em viagens, facilitando assim a vida de empresas e consumidores que pedem ou aceitam serviço com apenas um click.

Para saber mais sobre o sucesso das empresas que investiram no modelo de negócio plataforma, leia o artigo: Plataforma de negócios: o que são e como impactam o mercado.

Estratégia e modelo de negócio em sintonia

Com a estratégia definida, olhamos para o modelo de negócio: os dois conceitos estão em harmonia? Muitas vezes, a estratégia requer custos inviáveis para a realidade da empresa. Precisamos contar, portanto, com a flexibilidade para fazer ajustes e correções. Aqui temos uma semelhança: modelo de negócio e estratégia precisam ser maleáveis e mutáveis para acompanhar as mudanças do mercado, hábitos de consumo e expectativas da própria companhia. O processo é contínuo e permanente.

Por isso, é essencial pensar, simultaneamente, em objetivos e nos caminhos para atingi-los. É comum, nesta fase, utilizarmos ferramentas de análises ambientais e de planejamento, como benchmark, desk research, matriz GUT (análise da Gravidade/Urgência e Tendência, Design Thinking, Análise de Dados e o Canvas. Há uma variedade de técnicas e abordagens, revistas e recriadas com frequência por especialistas, para auxiliar as etapas de criação, validação e execução de estratégias e modelos de negócios. Saber usá-las já é um diferencial competitivo.

A estratégia pode dar errado?

Sem dúvida! Assim como o caminho para a inovação, a criação de estratégias é repleta de altos e baixos. Afinal, estamos falando de hipóteses que podem alavancar vendas, mudar posicionamentos, oferecer algo pioneiro ao mercado. Se até mesmo o estrategista militar precisa lidar com o fracasso de uma operação, um gestor preparado deve encarar os riscos de sua tática. Como falei anteriormente, a barreira pode ser o orçamento, mas também a cultura corporativa, o despreparo dos gestores ou a falta de dados sobre mercados e consumidores.

Outro ponto essencial é compreender que a estratégia deve ser testada, assim como qualquer outra hipótese que pode impactar seu negócio. Lembra dos conteúdos sobre Design Thinking, que abordavam ideias, empatia, aplicações e resultados? Pois bem, execução e avaliação também estão presentes aqui.

Tudo está conectado e faz parte de uma realidade empresarial que prioriza cada vez a capacidade de inovação e o poder de transformação.

Você está pronto para essa conexão?

 

Modelo plataforma multilateral: saiba mais sobre esse negócio altamente escalável

Modelo plataforma multilateral é um modelo de negócio que promove o encontro entre consumidores e empresas dispostas a fechar uma relação comercial, tendo a plataforma como facilitadora desta transação. O multilateral vem justamente do fato de que nesta relação os dois lados são beneficiados: tanto os clientes que solucionam uma necessidade ao adquirir um produto ou contratar um serviço, quanto as empresas que lucram ao fechar uma venda.

Tudo isto sem contar no rendimento gerado para o empresário que investiu no modelo plataforma multilateral. Essas organizações são conhecidas pelo seu caráter altamente escalável e por gerar unicórnios no mundo das startups: Uber, Rappi e 99 são alguns exemplos.

O segredo do sucesso no modelo plataforma multilateral está justamente em diminuir o atrito na transação comercial: prospectar o cliente, negociar preços, criar ofertas, entre outros. Sai na frente quem consegue promover o melhor ambiente (sites e aplicativos) para que consumidores e vendedores interajam, pois um grupo não existe sem o outro.

O modelo plataforma multilateral versus modelos de negócio tradicionais

O modelo de negócio no qual se promove o encontro entre alguém interessado em vender com alguém interessado em comprar é antigo. Aqui no blog, já contamos como uma plataforma de negócio é similar a estrutura de marketplaces e shopping centers. No entanto, gerenciar um modelo plataforma multilateral não é a mesma coisa que administrar um shopping center. As regras em empresas de base tecnológica e nas startups são diferentes dos modelos mais tradicionais: um empresário mais tradicional jamais venderia um produto abaixo do preço de custo, mas quando o objetivo de uma startup é aumentar o efeito de rede, vale inclusive “pagar” para ter um cliente.

Você já se perguntou de onde vem os cupons de frete grátis de empresas como o Rappi ou os créditos que são gerados sempre que um amigo utiliza o seu código de compartilhamento para fazer a primeira viagem com a Uber? Todas essas ações têm o objetivo de aumentar o efeito de rede, pois no modelo plataforma multilateral quanto mais usuários ativos (consumidores e motoristas, no caso do Uber) maiores são as chances do negócio escalar e se transformar em novo unicórnio, ou seja, ser avaliada no mercado por mais de US$ 1 bilhão.

3 empresas brasileiras que decolaram com plataformas multilaterais

99

A 99 foi a primeira startup brasileira a ser avaliada em mais de US$ 1 bilhão no mercado. A escalada da principal concorrente da Uber no Brasil em direção ao reino das startups unicórnios ocorreu depois do aporte de US$ 1 bilhão que recebeu da plataforma chinesa Didi Chuxing. Aliás, os investidores chineses estão apostando suas fichas no mercado tecnológico brasileiro. Isso tem ocorrido não apenas pelo potencial das empresas, mas também pela fácil aceitação do brasileiro em novas tecnologias.

Os serviços de alimentação, transportes e fintechs são os que ganham mais destaque no mercado brasileiro. Além da 99, também temos a Cabify como plataformas digitais envolvendo passageiros e motoristas. Já a Yellow, embora não utilize o modelo plataforma multilateral é uma forte candidata a se tornar um unicórnio, graças as suas bicicletas e patinetes amarelos, que além de ser acessível ainda ajuda a fugir do trânsito das grandes cidades.

Movile e Ifood

O ano de 2018 foi intenso para a Movile não apenas por adentrar no mundo das startups unicórnios como também por outra empresa do seu grupo de holding receber um aporte de US$ 500 mil e entrar também para o grupo mítico. No entanto, engana-se quem acredita que a história da Movile é recente.

Com mais de 20 anos de mercado, a empresa iniciou seus serviços como Intraweb e explorava o mercado de ringtones. Foi a disrupção digital da Apple que fez com que a empresa revisse o seu modelo de negócio e procurasse aplicativos para investir: até chegar na fórmula do sucesso, empregou recursos sem sucesso em aplicativos de música e até de vídeos de comédia.

Hoje, o foco da Movile é o mobile e investe em plataformas como iFood, SpoonRocket e Sympla, além de ser proprietária da PlayKids, Wavy e Rappido. A empresa conta com 15 escritórios, espalhados na América Latina (Brasil, Colômbia, Argentina e Peru), Estados Unidos, México e França.

O valor movimentado mensalmente pelas empresas do grupo chega a US$ 1 bilhão. Nesta entrevista para o Estadão Fabrício Bloisi, CEO da Movile, foi enfático ao afirmar que “É pensar pequeno falar em se tornar unicórnio, o mercado brasileiro tem potencial para desenvolver empresas de tecnologia que valem cerca de US$ 100 bilhões. Da mesma forma que acontece nos EUA e na China”.

Cargo-X

A Cargo-X cresceu 750% em um ano e o segredo para o sucesso da Uber dos caminhões foi perceber o potencial do mercado. A maioria das produtos no Brasil é transportado via estrada e existia um gargalo gigantesco no setor, uma vez que 40% dos caminhões rodam vazios a maior parte do tempo. Isso acontece porque o motorista entrega uma carga em alguma região e não tinha outro produto para transportar de volta.

Os empresários encontraram a brecha e investiram em um modelo plataforma multilateral para conectar caminhoneiros e empresários por meio de um aplicativo com geolocalização e de fácil usabilidade. Esse encontro gerou economia para ambos os lados: os motoristas, que ampliaram a capacidade de carga, reduzindo a carga ociosa e gerando mais receita no final do mês; e os empresários, que conseguiram otimizar a logística e economizar até 20% com transporte de mercadorias.

Para a empresa esse crescimento foi a combinação de seis grandes fatores. Além do potencial do mercado e da economia gerada para os dois grupos, a empresa também abriu 15 escritórios em locais estratégicos – ao chegar no Centro Oeste, ganhou novos clientes e ampliou o seu valor de mercado. Tudo isso sem contar nas rodadas de investimentos que recebeu para aumentar sua área de atuação. Os principais aportes vieram da Goldman Sachs, Oscar Salazar e Qualcomm Ventures.

Outros pontos que a empresa gosta de destacar são o respeito aos motoristas e aumento da segurança de quem utiliza a plataforma. Já são mais 11 mil caminhoneiros utilizando o aplicativo e esse número não para aumentar.

Todo esse crescimento faz com que a empresa seja uma forte candidata a se tornar uma startup unicórnio que utiliza o modelo plataforma multilateral para entregar valor aos clientes.

E você conhece outra empresa que utiliza o modelo plataforma multilateral e que tem se destacado no mercado? Deixe sua opinião nos comentários!

Empresas digitais: 5 negócios que nasceram e prosperaram com a internet

Um olhar de relance para trás pode fazer com que a história das empresas digitais possa parecer linear e óbvia. Afinal, há um valor bastante perceptível nas entregas promovidas por essas organizações. É difícil negar que a evolução da televisão aberta, por exemplo, são os serviços de streaming on-line, com entregas em tempo real, personalizadas e sem interrupções indesejadas.  Ou ainda, pensando que as locadoras de filmes sucumbiram em virtude das inúmeras possibilidades de visualização de novos filmes e opções de entretenimento visual, inclusive pelos próprios streamings on-line. Há um certo saudosismo em alguns serviços e produtos, no entanto, os tempos atuais exigem rapidez e transformações que nem sempre são tão fáceis de se acompanhar.

É natural que uma mudança venha acompanhada de receios e riscos. Seja em qualquer época, o empreendedorismo sempre teve que lidar com todas as questões que envolvem o “novo”, como novos mercados, novas demandas, novos serviços e novos produtos. A passagem de um modelo de negócio tradicional para um digital não exclui a necessidade de conseguir trabalhar com incertezas e com criação de experiências diferenciadas. A questão é que as empresas digitais estão tratando com um cenário que não é mais o mesmo. O comportamento das pessoas está mudando, as inovações digitais estão criando demandas que antes não existiam e há mais ferramentas para produzir um modelo de negócio mais eficiente, com uma força operacional mais produtiva e oferecer uma experiência mais satisfatória aos clientes.

Os negócios em plataformas são um exemplo de como as empresas digitais podem se reinventar e das possibilidades do empreendedor digital. Os líderes de mercado, como aqueles que estão no comando da Amazon, Facebook, Uber, Google acabam por redefinir aquilo que se tem como uma ótima experiência, impactando, inclusive nas expectativas atuais e futuras dos usuários. Mais do que pensar em algoritmos que irão gerar o “match” entre comprador e vendedor, há uma criação de valor. A questão das empresas digitais e, principalmente, dos mercados de plataformas é que existe uma valorização da capacitação do usuário, mais do que reduzir custos de uma transação. Um modelo de “matchmaking” vende, sim, custos de transação reduzidos, assim como negócios tradicionais vendem produtos e/ou serviços. Porém, o modelo de investimento em plataforma cria mais valor para vender.

As plataformas são uma forma de se pensar e visualizar as possibilidades das empresas digitais. Contudo, ao falar do empreendedor digital é possível ganhar uma abertura ainda maior no conceito, pois trata-se de quem planeja e cria um negócio que utiliza uma base digital, funcionando dentro deste contexto. É ali que se dará, inclusive, grande parte dos processos e fluxos necessários para que a empresa digital consiga se manter operando. Para entender melhor o que são negócios e empresas digitais e o que é sucesso para elas, selecionamos alguns exemplos que nasceram e prosperaram com a internet.

5 negócios e empresas digitais de sucesso

  1. Trello: é empresa que fornece uma ferramenta on-line para gestão de processos e tarefas. É bastante utilizada por empresas que possuem, inclusive, equipes remotas. Sua organização é bastante visual e permite que várias pessoas tenham acesso a informações simultaneamente. A ferramenta permite criar listas e organizar as tarefas dentro delas, além de ter um formato calendário. A empresa fornece acesso a versões diferentes, gratuita e paga para os usuários.
  1. Slack: a Slack surgiu como uma opção de ferramenta de comunicação entre as equipes das empresas. É uma plataforma que permite desde troca de mensagens até arquivos, seja em grupo ou individualmente. É uma forma de centralizar a comunicação. Em 2019, a IPO, ou oferta inicial pública de ações, da Slack começou com a empresa alcançando uma avaliação de mercado de US$ 23 bilhões, sendo que eram esperados somente US$ 16 bilhões.
  1. Amaro: marca brasileira lançada em 2012 que comercializa acessórios e roupas para o público feminino. Entre os diferentes estão ser um e-commerce monomarca e o investimento no mercado omnichannel. Possui cerca de 400 funcionários atualmente e, apesar de não divulgar o faturamento, tem planos de dobrar as receitas em 2019.
  1. Evino: e-commerce brasileiro que atua com vinhos, comercializando os produtos com preços mais acessíveis e vendas especiais com descontos. Trabalha ainda com um setor de vinho premium. Em 2017, a empresa faturou 265 milhões de reais. Atualmente, apostam em sua manutenção no mercado a partir da popularização de vinhos mais caros.
  1. Contabilizei: plataforma online brasileira de contabilidade com foco em micro e pequenas empresas, já atraiu grandes investidores e anunciou recentemente um aporte de 75 milhões de reais. Possuem 245 funcionários e atendem cerca de 10 mil clientes.

Vamos conversar mais sobre como as empresas digitais podem se estabelecer no mercado e alcançar o sucesso? Deixe sua opinião!

economia digital

Economia digital: o que muda com os novos postos de trabalho?

Não é nada improvável pensar que daqui a algum tempo, as cédulas de dinheiro e as moedas atuais se tornarão um registro de como “funcionava antigamente”. Com a transformação digital, o mercado financeiro e a economia digital não são mais os mesmos. O mundo está em transição e os dados comprovam. Em 2013, o Banco Central constatou que 78% das pessoas apontavam o dinheiro (físico) como forma de pagamento principal. Em 2018, o número caiu para 60%. E, se em 2013, as pessoas inevitavelmente consideravam o dinheiro para pagar compras, em 2018, já houve mudanças: 4% dos entrevistados afirmaram que nunca usam dinheiro ou moedas.

Outro dado que mostra o caminho que a economia digital está tomando é relacionado com as fintechs (startups com soluções inovadoras para o mercado financeiro). O Google fez uma análise entre bancos tradicionais e as fintechs. Boa parte dos usuários ainda usa as instituições tradicionais como meio principal (46%), mas o que chama a atenção é o grau de satisfação entre ambos. Sete para dez clientes das fintechs (71%) diz estar satisfeito, já quatro em cada dez (42%) dos que preferem instituições tradicionais afirmam o mesmo. De 2017 para 2018, de acordo com o Radar FintechLab, houve um crescimento de 23% de startups financeiras operando no Brasil.

Nas informações sobre cartão de crédito e fintechs, é possível ver uma mudança em andamento e o futuro dela. Os tradicionais cartões de plástico estão se tornando uma preferência e o próximo passo é substituí-los pelos smartphones e pagamentos online. É uma evolução natural considerando o contexto em que as pessoas vivem e o impacto da transformação digital. Usar a tecnologia para alavancar os resultados e aumentar o desempenho é abrir as portas para um novo ritmo de mudanças e uma nova forma de interação.

O dinheiro, a priori, se adapta ao que o ser humano precisa. Desde o escambo até as moedas de metal. Imagine um comerciante com várias moedas de ouro e prata, alguém teria que cuidar delas. Surgem os bancos. Agora, o que está acontecendo é uma resposta de como a tecnologia se tornou parte de hábitos de consumo e passou a exigir muito mais agilidade. E é aí que entra a economia digital.

Economia digital: de criptomoedas a fintechs

Se a transformação digital ampliou fronteiras, o semelhante aconteceu com a economia digital. O que pode trazer ainda mais possibilidades. Entenda o que se está discutindo sobre o assunto e como irá influenciar os novos postos de trabalho.

Criptomoedas

Por trás das criptomoedas há uma grande revolução, as pessoas não precisam mais de bancos. A ideia é que com as criptomoedas, que utilizam criptografia, qualquer um possa realizar transações financeiras de forma segura e sem burocracia. E o mercado de trabalho com criptomoedas está atrás de talentos. Segundo um relatório publicado pela Glassdoor, existiam, na ocasião, quase 2 mil anúncios de vagas online nos Estados Unidos com as palavras “bitcoin”, “criptomoeda” e “blockchain”.

Fintechs

No Reino Unido, as vagas de emprego em fintechs têm crescido mais do que nos bancos tradicionais. Em um período de 12 meses, as vagas de trabalho em fintechs cresceram 9%, ao contrário, os bancos reduziram em 3%.

Economia digital, criativa e colaborativa

A economia criativa e colaborativa é uma forma diferente de enxergar o mercado. A intenção da economia criativa, de acordo com o conceito original, é transformar criatividade em resultado pensando nas relações em comunidade. Dentro disso, a economia colaborativa destaca-se. Com a inovação ganhando notoriedade, os negócios precisam se reinventar e valorizar a criatividade e o setor criativo, o que era deixado de lado por não estar vinculado diretamente com gestão de negócios. Você deixa de se preocupar com as horas trabalhadas e começa a pensar na verdadeira produção dentro das horas trabalhadas.

Por fim, um ponto importante é sobre as relações de trabalho. Além da criação de novas vagas no setor financeiro, a tendência é que ao invés do operacional, o valor estará no pensamento estratégico. Com a automatização e a criação de softwares que quebram com padrões de comportamento, as empresas estarão atrás de quem cria e potencializa o uso das soluções. Da mesma forma, se empresas digitais estão surgindo, as tradicionais ganham no aumento do poder de alcance, ultrapassando barreiras físicas, e em dados, que devem guiar suas ações.

Quer entender mais sobre economia digital, mercado financeiro e novos postos de trabalho? Continue nos acompanhando, dê sua opinião e faça suas perguntas.

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Cultura da inovação: como se preparar para a disrupção digital

Cada vez mais os termos disrupção digital e cultura de inovação se tornam um denominador comum em empresas de sucesso. Na prática, os dois estão absolutamente conectados, sendo um a base para o outro. O futuro, um que não está tão longe assim, tem se mostrado promissor para quem vem adotando modelos que prezam por ambos. Mas o que eles significam dentro da realidade dos negócios? Primeiro, é preciso entender como a disrupção digital está provocando inúmeras mudanças em formatos já consolidados no mercado.

A disrupção digital traduz um conceito que está bem distante do abstrato ou de buzzwords utilizadas pelo mercado. É uma realidade nas organizações. Em pesquisa da Forbes Insights/Treasure Data, mais de um terço dos executivos entrevistados afirmaram que estão sendo impactados estrategicamente e de forma direta pelo surgimento de uma concorrência de players digitais e experientes. Além disso, 51% descreveram um alto nível de risco em participação de mercado e receita para seu negócio para os próximos cincos anos, um cenário motivado pela disrupção orientada pela tecnologia, em grande parte startups ou demais inovações.

Por sua vez, a ideia da maioria dos executivos é, justamente, estar do lado da disrupção digital e não atrás das outras empresas. Para isso, existem maneiras de se preparar, como ao investir em uma cultura de inovação. Dentro disso, a mesma reportagem da Forbes, traz uma série de dicas para quem está no processo de transição e quer sair do lugar comum. Uma bastante importante é:

  • o poder da informação para transformar. Com os dados dos clientes, atualmente, se consegue demonstrar claramente correlações entre comportamento do consumidor e fidelização. Um exemplo é a Fitbit, provedora de aplicativos de acompanhamento de condicionamento físico. No caso, a empresa lançou uma campanha com histórias de usuários, enfatizando o viés de que os dispositivos trazem um valor muito maior do que serem contadores de passos. Uma ação iniciada pela análise do grau de fidelidade das pessoas e os aspectos que mais engajam.

As informações são essenciais para que a disrupção digital saia do imaginário e faça parte de uma empresa. Utilizar os dados para propor um novo olhar de mercado é uma das práticas comuns em uma cultura da inovação. Entenda mais sobre isso.

A relação entre cultura da inovação e disrupção

A disrupção digital está ancorada na cultura da inovação. Anil Cheriyan, sócio-gerente da Phase IV Ventures, empresa de consultoria, relata que há 3 chaves-mestras para a inovação: colaboração, arquitetura e cultura. Ou seja, um contexto em que as pessoas certas estarão reunidas colaborando e trocando dados e informações, uma arquitetura guarda-chuva e uma cultura de abertura, aprendizado e rejeição do status quo. Sobre cada uma delas:

  1. Colaboração: somente acontece uma cultura da inovação quando diferentes partes da organização estão trocando conhecimento e envolvidos na identificação de ideias de maneira ágil.
  2. Arquitetura: a empresa deve articular com clareza qual será o plano para a arquitetura de negócios e tecnologia. Deve ser algo aberto e que irá permitir uma flexibilidade dos negócios para integrar parceiros internos e externos no ecossistema digital.
  3. Cultura: uma cultura da inovação relaciona-se com a liderança, mindset de crescimento e o desejo de mudar. As pessoas devem estar insatisfeitas com o status quo. Cultura é sobre aprender.

Como criar um ambiente inovador

Se a cultura da inovação é imprescindível para a disrupção digital, como criar um ambiente propício? No artigo “4 dicas para criar um ambiente inovador”, há aprendizados que podem ser absorvidos neste sentido, principalmente ao propor a análise do quanto sua organização tem despendido investimento e atenção para esse aspecto. As 4 dicas consistem em:

  1. Diversidade: nada de individualidade ou a solidão de uma mente genial. A troca de dados e conhecimento aparece novamente para criar ideias diferentes.
  2. Mais do que trabalho: é comum que inovações nasçam fora da rotina corporativa. Por isso, é recomendado estimular momentos de descontração e oferecer ambientes desconectados das funções operacionais.
  3. Nada de muros: as barreiras impedem a cultura da inovação. O tráfego de pessoas e ideias deve ser livre e sem burocracia.
  4. Home office: equipes remotas são o presente e o futuro. Então, desenvolver metodologias de gerenciamento que permitam a integração e o diálogo entre colaboradores é fundamental para a inovação.

Sua empresa está preparada para a disrupção digital? Como está a sua cultura da inovação? Deixe suas dúvidas e sugestões!

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Plataformas digitais e o futuro dos negócios, como não ficar para trás?

As empresas de plataformas digitais têm despertado olhares atentos. Afinal, quais são seus diferenciais de mercado? Elas costumam ser bastante distintas, mas, independente disso, têm alcançado um estrondoso sucesso. Por conta dessa razão, há uma grande expectativa para o futuro. Quem se tornará o próximo Uber ou Facebook? Tais indagações estão causando um movimento entre os executivos de negócios estabelecidos, no qual estão priorizando as plataformas digitais dentro de suas estratégias. A partir disso, o principal é saber como não ficar para trás e quais são os primeiros passos.

De acordo com os economistas Richard Schmalensee e David S. Evans, agora é a melhor hora para investir em plataformas digitais. É o caminho para o sucesso. Porém, para trilhar a estrada rumo a um novo modelo de negócios, é importante seguir o aviso dos especialistas: não é tão fácil criar um negócio plataforma, é preciso preparo. Em uma das publicações de Schmalensee, há o conceito de um modelo que conecta diferentes grupos. O que, segundo ele, não é novidade, mas em uma era de transformação digital, ficou mais fácil estabelecer interações. Uma facilidade que precisa entendimento para gerar inovação.

A transformação digital é um dos temas que empresas que pretendem migrar para o modelo de negócio das plataformas digitais precisam conhecer. É uma realidade que inclui a necessidade constante de inovação de um mundo acelerado e conectado. Para entender sobre o novo ecossistema e saber se a sua empresa está preparada para dar o próximo passo, confira o e-Book Como preparar a empresa para a transformação digital.

As oportunidades estratégicas, de acordo com o professor Michael Schrage, requerem a participação (ou, até mesmo, a criação) de ecossistemas. Ou seja, é vital promover a transformação digital, mas é, igualmente importante, ir além de produtos e serviços e abraçar as plataformas digitais. O especialista cita o mantra do mercado atual: “vá para a plataforma ou vá para casa”, afirmação do CEO da Amazon, Jeff Bezos. Schrage ainda explica que re-imaginar o negócio é apenas o começo (que deve ser estudado e implementado), mas a criação de recursos baseados em plataformas é que alçará a empresa para a conquista do mercado.

Etapas da implementação de plataformas digitais

Os modelos de negócios de plataformas digitais não são exclusivos da área da tecnologia. Atualmente, têm sido replicados e aparecido em diversos setores. Nicholas D.Evans, consultor de inovação e transformação digital, separou o processo de implementação, pensando nas diferentes áreas, em quatro etapas iniciais. São elas:

  1. Estabelecer a base comercial e técnica: quais são os serviços principais da plataforma que sustentarão seu ambiente de serviços?
  2. Alinhar equipes internas e demonstrar o valor das plataformas digitais: é imprescindível uma definição nítida do que é a plataforma e o que está dentro do escopo. Aqui, é possível contar com palestras, como: diferentes formas de inovar, transformação digital e impacto nas organizações, novas formas de organização de trabalho, liderança para inovação, entre outros.
  3. Oferecer os primeiros serviços para clientes: com isso, a empresa obterá feedbacks antecipados e poderá ajustar a abordagem comercial e técnica com base em informações do “mundo real”.
  4. Dimensionar o ecossistema: escalar por meio de aplicativos de terceiros, parceiros e serviços associados, proporcionando mais opções dentro do catálogo de ofertas.

São passos imensos rumo a era das plataformas digitais. Cada uma das etapas, mesmo estando no começo da transformação do modelo de negócio, requer uma revolução entre as pessoas, sistemas e a própria empresa. Mas, não é preciso fazer tudo sozinho. Consultorias especializadas podem guiar as organizações de maneira eficiente e organizada. Quer saber mais sobre as possibilidades de workshops in company, palestras e trilhas? Converse conosco!

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Plataformas: você está pronto para investir em uma?

Em um mercado tão baseado na oferta de produtos, pode parecer estranho falar que é preciso procurar por um novo viés. Mas, quem quiser continuar prosperando, terá que urgentemente voltar seu olhar para as plataformas. São elas que serão o futuro dos negócios, como afirma Marshall Van Alstyne, professor da Boston University. Para conseguir entender com clareza, pense que o Uber é mais valioso que a BMW, uma marca tradicional e consolidada. Outro dado impressionante: o Facebook tem um valor 2 vezes superior ao da Disney. A magia está nas plataformas.

Como que gigantes de diferentes mercados estão sendo rapidamente superados por novas empresas? A resposta do professor americano é simples: todos os negócios que estão crescendo foram estabelecidos em cima de plataformas. Aqueles que estão ficando para trás são construídos em cima de produtos. E, por melhor que um determinado produto seja, a plataforma sempre sairá campeã. Tendo isso em vista, o presente começa a fazer sentido e o futuro fica mais claro: o segredo está no gerenciamento de plataformas e na mudança do modelo de negócio.

Falar sobre é bastante diferente de fazer e, de fato, colocar em prática pode não ser tão simples. Afinal, é fundamental parar de avaliar o mercado por conta dos produtos de uma marca. A mudança para o conceito de plataformas rompe barreiras e deve ser feita cuidadosamente, com o auxílio de uma consultoria profissional. Não estamos discutindo sobre um processo novo, mas um foco completamente diferente de um negócio. Hoje, por exemplo, a inovação não está em um design mais bonito, como salienta Alstyne, mas na interação com o cliente, na criação de um ecossistema próprio.

O novo valor das plataformas

Em “Ubernomics e a eficiência das plataformas digitais”, são elencados três pilares para o sucesso das plataformas, com foco no case do Uber. O público preza por: qualidade, valor e conveniência. E, o mais curioso, é que analisando profundamente, estamos tratando de uma empresa que, basicamente, desenvolveu um aplicativo, uma plataforma. Não há carros ou motoristas próprios. O que há, na verdade, é a conexão. Novamente, a possibilidade de interação entre quem precisa ir e quem pode levar, os passageiros e os motoristas.

Agora, pensando em fatores econômicos, a análise sobre plataformas resume o serviço do Uber como: eficiente. Ou seja, dão um ótimo resultado com menos consumo ou desperdício de recursos. Entre as diversas vantagens levantadas: menor tempo de espera, menor tempo de chegada ao destino, menor consumo (de combustível), veículos circulando com mais pessoas (diminuição do tráfego sem clientes ou passageiros), priorização do conforto e bom atendimento, valor considerado adequado pelo serviço oferecido e a garantia social, por meio da qualificação, da qualidade do motorista.

Os erros da mudança para plataformas

Voltando para o especialista Marshall Van Alstyne, há alguns cenários que o professor identifica como grandes erros das empresas, principalmente quando tentam inovar sem planejamento e acabam eliminando o efeito de rede, tão valorizado pelas plataformas. Por isso, quando a IBM produziu contratos específicos do uso do Watson houve uma adesão bem abaixo do normal, pois entre as cláusulas constava a apropriação pela empresa do que fosse criado pelo usuário. Fica a primeira lição: antes de monetizar, garanta seu ecossistema.

Na ânsia de inovar e aderir as plataformas, muitas vezes as empresas não colocam a qualidade em primeiro lugar. Erro grave. Como reforça Alstyne, de nada adianta estruturar uma base, crescer e acabar por oferecer algo que fará os usuários fugirem. Exemplo de uma estratégia inteligente, o Facebook garantiu a retenção e interação das pessoas ao abrir a possibilidade dos desenvolvedores ofertarem seus jogos casuais. E, quando houve games que começaram a desagradar o público, a plataforma expulsou as empresas que não agregam valor.

O caminho para o sucesso 

O sucesso da migração para plataformas envolve determinados fatores-chave: consultoria organizacional, planejamento e treinamentos. A partir disso, será possível vencer os desafios, como o apontado por Steve Mezak, fundador e CEO da Accelerance, Inc., a adesão dos usuários nas plataformas. Para garantir bons resultados, o especialista ainda dá dicas do que evitar:

  1. Filtragem ineficaz: os participantes devem receber das plataformas aquilo que eles consideram relevante. É recomendável pensar em processos de curadoria.
  2. Falta de foco central nas interações: o excesso de informações dispersas pode, igualmente, diluir a presença dos usuários nas plataformas.
  3. Usabilidade e design não-amigáveis: as plataformas precisam ser intuitivas, pois em um mundo cada vez mais dinâmico, as pessoas não têm tempo a perder com opções confusas e que não fornecem a informação de forma fácil.
  4. Atrair o participante errado: receber o tipo errado de participante é atrair o público que não terá adesão a sua plataforma. É o mesmo que tentar vender um valor para quem não precisa ou não quer.

Todos os pontos acima podem ser evitados e superados quando se tem um treinamento adequado para a virada nos negócios. Uma consultoria será capaz de estabelecer planos e metas para o investimento em plataformas. Está preparado?