Como a inovação aberta se conecta com a metodologia lean startup?

Se, antes, os empreendedores seguiam uma fórmula para o lançamento de novos negócios, agora é possível perceber um força diferente no mercado. É assim que Steve Blank, em “Por que o movimento lean startup muda tudo”, contextualiza o antes e depois da metodologia. Basta lembrar a conhecida receita preconizada durante anos a fio, onde há um plano de negócios, uma apresentação da ideia para os investidores, a estruturação da equipe, o lançamento de um produto e, seguindo a linha natural, um esforço final e gigantesco em sua venda. Sem nenhuma garantia de sucesso. 

No desenrolar de toda essa história, poderia existir um ou mais pontos que desencadeariam um infortúnio irreversível, colocando em xeque todo o processo e, por sua vez, o próprio novo negócio. Por conta disso, a metodologia “lean startup” chega justamente com a proposta de equilibrar a balança e diminuir os riscos e desperdícios, de qualquer natureza, na criação de uma empresa. Em um processo tradicional, estaríamos falando sobre plano de negócios e uma fundação em cima de implementação. Já, em lean startup, passamos a enfatizar o modelo de negócio e as hipóteses.

A metodologia lean startup vai ao encontro da experimentação, da opinião do cliente e do projeto iterativo. O que, por consequência, significa tirar de cena os planejamentos robustos e pormenorizados e a concepção de que, desde o começo, o ponto de partida deve estar ancorado em um produto que pode ser considerado acabado. Por isso mesmo, em contrapartida ao pensamento anterior, é que se passa a trabalhar com os MVPs, ou os produtos mínimos viáveis, e com as guinadas nos negócios, ou seja, com a necessidade de “pivotar”.

Em “A Startup Enxuta”, Eric Ries explica que lean startup, ou startup enxuta, tem origem na revolução ocasionada pela manufatura enxuta, um sistema desenvolvido na Toyota conduzido por Taiichi Ohno e Shigeo Shingo. Além disso, o pensamento enxuto tem impactado drasticamente tanto os sistemas de produção quanto as cadeias de suprimento. Entre os princípios do lean, estão: utilização do conhecimento e da criatividade dos colaboradores, tamanho de lotes reduzidos, produção e controle de estoque just-in-time e intensificação na velocidade dos tempos de ciclo. 

Eric Ries afirma que o lean é o responsável por apresentar ao mundo inteiro que há uma distinção entre as atividades criadoras de valor e desperdício. A metodologia lean startup faz com que todos possam analisar sua própria produtividade por uma ótica diferente. Como, por exemplo, em diversos casos, onde acaba-se desenvolvendo acidentalmente algo que ninguém realmente deseja e, por isso, pouco importa se está dentro do orçamento e do prazo pré-estabelecido. 

Para o autor, a metodologia lean startup é uma forma de alcançar o principal objetivo das startups, o de descobrir, no menor tempo e com maior velocidade possível, qual o produto certo em que se deverá empregar esforços e investimentos. Em outras palavras, o produto que o público desejará e, sendo assim, pagará por ele. 

Conexão entre lean startup e inovação aberta

Em primeiro lugar, a metodologia de lean startup já nasce contribuindo para os processos de inovação aberta porque, como aponta Steve Blank, faz com que as startups parem de agir “na surdina”. Antes, o medo de potenciais concorrentes para uma oportunidade de mercado impedia que ocorresse um verdadeiro processo de feedback entre a empresa e o cliente. Hoje, com a adoção do método lean startup, entende-se que esse processo de feedback é mais valioso do que uma exposição cadenciada e sigilosa.

Somado a isso, em “The Interplay between Open Innovation and Lean Startup, or, Why Large Companies are not Large Versions of Startups”, Henry Chesbrough e Christopher L. Tucci apontam que a inovação aberta é bastante consistente com o pensamento enxuto. Sendo assim, acaba se encaixando muito bem com o que está por trás da metodologia lean startup. Como o lean, a inovação aberta também oferece uma promessa de menor desperdício, redução de tempo e mais agilidade para fazer com que as ideias cheguem ao mercado. Derivando do caminho “de fora para dentro”, fazendo parcerias ou a partir da colaboração com agentes externos, é possível, como os autores chamam, “começar no meio” e não no início. 

O começar pelo meio, na verdade, quer dizer que a startup ou o inovador pode fazer uso daquilo que já foi desenvolvido e, inclusive, demonstrado por um parceiro-colaborador, em vez de simplesmente começar do zero. Assim, não é preciso reinventar a roda, ou aquilo que existe, é mais “lean” utilizar uma ótima roda criada por outra pessoa. Como dizem Chesbrough e Tucci, em um período anterior à inovação aberta, o laboratório era o “seu mundo”. Hoje, com a inovação aberta, o mundo se torna o seu laboratório. 

A inovação aberta é um meio para obter soluções mais rapidamente, acelerando o tempo de lançamento de mercado e fazendo com que as startups possam ter acesso ao conhecimento de especialistas que estão em outras organizações e instituições. Entre os benefícios, estão a validação do produto e mercado, o compartilhamento de riscos e a soma de expertises. Com a intersecção entre as práticas e processos da inovação aberta com a metodologia lean, sem dúvidas, há um grande terreno a ser conquistado no que diz respeito a inovar rápido e sem desperdícios. 

Outro ponto importante é que lean startup e inovação aberta não estão restritas ao âmbito da tecnologia, apesar de suas origens. São abordagens que têm ganho o mundo e transformado a forma como se inova. 

Quer saber mais sobre como a inovação aberta e a metodologia lean startup se conectam ou ficou com algumas dúvida? Entre em contato conosco e aproveite para deixar seu comentário e compartilhar suas impressões e perguntas. 

 

A inovação aberta e o papel dos ecossistemas de inovação

Se pessoa alguma  é uma ilha, nenhuma empresa também deve ser. Em um cenário no qual é preciso simultaneamente evidenciar pontos fortes, responder rapidamente às mudanças e explorar oportunidades, o desenvolvimento precisa ir além de uma perspectiva única. Ele deve acontecer em colaboração. Em ecossistemas de inovação.

Falamos continuamente sobre a importância da construção de um mindset colaborativo, e de como fazê-lo. Cada vez mais, as organizações procuram a sinergia entre equipes multidisciplinares, com o objetivo de reunir os conhecimentos necessários para alcançar melhores resultados, superar desafios, promover mudanças e explorar novas oportunidades. E se ampliarmos e utilizarmos o mesmo raciocínio nas relações entre as empresas?

Grande parte das mudanças reais e de grande impacto, nascem de uma soma de esforços em prol da comunidade. Por que não pensar na inovação de maneira igual? A Open Innovation, ou inovação aberta, conceito criado por Henry Chesbrough, invoca justamente o uso de fluxos de conhecimento diversos, internos e externos, com o intuito de estimular e acelerar a inovação interna, além de expandir os mercados para, da mesma forma, fazer o uso externo da inovação. Ou seja, de forma descentralizada, diferentes agentes, como empresas, universidades e consumidores, colaboram entre si para inovar. 

Isso significa substituir a crença de que as realizações devem ser individuais e dentro dos limites das empresa. Sendo assim, o que vemos, na verdade, é uma troca positiva para ambas as partes. Se, por um lado, o conhecimento produzido em parceria e de forma aberta é aplicado no desenvolvimento e criação de novos serviços e produtos, por outro, a comunidade, o mercado e demais agentes possuem a mesma experiência construída para fazer uso. Importante dizer que a inovação aberta não é sinônimo de acesso livre e irrestrito às tecnologias e aos conhecimentos de uma organização. 

A importância dos ecossistemas de inovação

Assim como definimos na inovação aberta, em que as trocas de duas vias entre players constitui no sucesso da criação de novos produtos e serviços, os ecossistemas de inovação também são compostos por diferentes atores. Entre eles, estão: universidades, parques tecnológicos, governo, aceleradoras, incubadoras, investidores, empreendedores, mentores e fundações, por exemplo. Sendo que, os ecossistemas de inovação são os responsáveis pela criação de um fluxo de conhecimento, tecnologias e recursos entre os agentes envolvidos. Por meio disso, é possível viabilizar a concretização de ideias em novas possibilidades de negócios ou, até mesmo, em transformações internas, como culturais e digitais, nas empresas envolvidas. 

O crescimento dos ecossistemas de inovação acontece na mesma medida que o dos seus envolvidos. Sendo assim, as empresas e, principalmente, suas lideranças precisaram rever a própria abrangência de suas atuações, pois além dos colaboradores e times que já faziam parte dos processos internos, foi necessário incluir a presença e as contribuições de parceiros externos de outras organizações. Desta forma, as empresas se utilizam da inovação aberta para, a partir do somatório de esforços e conhecimento, criarem valor. 

Entre os pontos positivos proporcionados pelos ecossistemas de inovação, a potencialização do aprendizado, sem dúvidas, está no topo da lista. Com mudanças acontecendo de forma contínua, a necessidade de se adaptar e aproveitar as oportunidades é primordial. Para alcançar isso, trocar ideias e aprender continuamente é o melhor caminho. Em ecossistemas de inovação, há um ambiente propício para a construção destes relacionamentos de  contribuição mútua. 

Também vale destacar que o crescimento próximo e recíproco dos parceiros faz com que estar dentro dos ecossistemas de inovação seja, por si só, um fato relevante. Os seres humanos são gregários e, por conta disso, é natural que se valorize o contato, que a construção das redes seja imprescindível. Portanto, estar imerso em um espaço que promova a inovação aberta, gera um senso de pertencimento aos participantes, assim como uma determinada notoriedade perante ao mercado e a comunidade ao qual se está inserido. 

Por fim, quando há um caminho sendo traçado em cooperação, é natural que se estabeleça uma relação de confiança. E a confiança é intrínseca ao mindset colaborativo. Os ecossistemas de inovação permitem, dessa forma, que as empresas estabeleçam interna e externamente, iniciativas que visam verdadeiramente a colaboração.

Benefícios da inovação aberta para as empresas dos ecossistemas

As empresas que integram os ecossistemas de inovação têm muito a ganhar com a implantação da inovação aberta. Afinal, ambientes inovadores têm sido fundamentais para a sobrevivência e, mais ainda, para a prosperidade nos tempos atuais. É uma maneira de ir além do que é possível alcançar quando se conta somente com os recursos internos, usufruindo daquilo que há de melhor, em quaisquer quesitos, como conhecimento e tecnologia, independente da sua proveniência. 

No artigo “Inovação Aberta: o que é e os benefícios para a empresa”, o Distrito, um ecossistema de inovação independente, elencou alguns dos principais ganhos que se tem a partir da inovação aberta corporativa. Destaco três deles: 

  1. Pode ser a porta de entrada para a adoção de um processo inovador interno. As empresas que fazem parte de ecossistemas de inovação e adotam a inovação aberta, podem estar no começo de um jornada de inovação interna, abrindo-se para um relacionamento com startups ou investindo em ambientes que promovem trocas e compartilhamentos com esses mesmos negócios.
  2. Menor tempo entre as etapas de desenvolvimento e comercialização. Se há uma divisão de trabalho envolvendo outros parceiros, os recursos que antes eram somente internos, se ampliam e passam a dar conta de mais demandas, inclusive as que são relacionadas com pesquisas e desenvolvimento de produtos simultaneamente.
  3. Redução de custos nos mais variados momentos. O custo para inovar não estagnou, já que a inovação se tornou cada vez mais essencial e, por sua vez, mais desafiadora de ser realizada. Estamos em um nível considerável de avanço e encontrar o novo não é tão simples. Com a associação a outros players, há uma divisão de investimento nas etapas de pesquisa e desenvolvimento, por exemplo.

Lembrando que são apenas alguns dos itens que compõem as vantagens oferecidas pela inovação aberta. Há ainda benefícios como a criação de novos mercados, a redução dos riscos de aceitação de produtos ou serviços, a utilização de diversas fontes de conhecimento elevando o nível da geração de inovação, a conquista de novas perspectivas de negócios, a inovação em produtos e serviços que já existem e não são inteiramente novos, a potencialização do networking, a democratização do acesso ao conhecimento e às ideias, entre outros.

Em uma realidade em que inovar se faz um pré-requisito, os ecossistemas de inovação exercem  definitivamente um grande protagonismo. Quer conversar mais sobre o assunto? Estamos à disposição para ampliar o debate e trocar ideias.

 

Inovação cultural: o que você precisa saber sobre culturas empresariais inovadoras

Quando falamos em inovação cultural, estamos dizendo que é preciso ir além de engajar a equipe com novas ideias. A necessidade que todos já sabemos que existe é de uma cultura que incentiva a adoção de novas tecnologias, que alimenta a paixão pelo conhecimento e também seja um terreno propício à criatividade e aos avanços ou mudanças inesperadas. 

Essa necessidade de transformação da cultura empresarial vinha surgindo em alguns setores e, com a pandemia, foi acelerada e se tornou essencial para as empresas que desejam continuar crescendo.

A inovação cultural também humaniza e traz mais profundidade tanto nas relações profissionais como nas entregas de resultados. E isso é exatamente o que o momento nos pede.

Mas os líderes precisam estar constantemente atentos a algumas questões para evitar que inovação cultural acabe colocando uma “pressão desnecessária” em um ambiente que deveria se tornar mais agradável.

Antes de mais nada, listamos aqui cinco práticas mais comuns em uma cultura inovadora:

  1. Tolerância ao erro; 
  2. Abertura para a experimentação;
  3. Segurança psicológica;
  4. Ambiente altamente colaborativo;
  5. Quebra da hierarquia.

Mantenha-os em sua mente. Todos esses comportamentos são encontrados no dia a dia de uma empresa com alto desempenho inovador. 

No entanto, não podemos achar que tudo isso é criado em um simples processo ou que é algo muito fácil de se alcançar. Criar e sustentar um ambiente que promove a inovação cultural é um trabalho que requer tempo e esforço constante.

O outro lado da moeda 

Para implementar e manter as práticas que citamos acima, sempre há uma contrapartida: para tolerar falhas é preciso afastar a incompetência. Para a experimentação, é preciso uma forte disciplina. Já a segurança psicológica vem de um cenário onde há conforto mas ao mesmo tempo há uma franqueza total e que pode ser muito dura em alguns casos. A colaboração é construída em equilíbrio com a responsabilidade individual.  

E como nivelar todos esses pontos? Promover a inovação cultural em uma empresa é um trabalho paradoxal. E aqui entra, mais uma vez, o papel de uma liderança forte que seja capaz de gerenciar as tensões causadas por esses paradoxos.

Dicas para promover a inovação cultural equilibrando os paradoxos

Liberdade para a criação com disciplina

Sejamos sinceros: os prazos, metas e orçamentos travam qualquer processo criativo. Isso não quer dizer que toda a empresa trabalhará sem regras. Previamente deverão ser selecionados os responsáveis por cada projeto e determinados os quesitos e KPIs para cada atividade. 

Se levada longe demais, a vontade de experimentar pode se tornar uma permissão para assumir riscos mal concebidos. Ao mesmo tempo que a disciplina excessivamente rigorosa pode esmagar boas ideias se mal formatadas. 

Isso também aplica-se ao processo de brainstorming. Por mais absurdo que possa parecer um comentário ou uma pergunta, não devem ser barrados. Muitas vezes, é a partir do extraordinário que surgem possibilidades e propostas  que jamais seriam cogitadas de outra forma. Liberam a necessidade de julgamento, neste momento. 

Hierarquia

Quanto mais evidenciados são os níveis hierárquicos dentro de uma organização, mais longe ela está da inovação cultural. Comportando-se e interagindo independentemente da sua posição oficial, as pessoas possuem maior amplitude para agir, tomar decisões e expor suas ideias.

Um benefício de não haver decisões centralizadas, é a rápida ação quando existem mudanças no cenário, como as que enfrentamos com a pandemia do coronavírus. Assim, a diversidade de ideias em empresas culturalmente planas é muito mais rica do que no modelo hierárquico. Pois, utilizam o conhecimento, a experiência e as perspectivas de uma comunidade mais ampla de colaboradores.

No entanto, a falta de hierarquia não significa falta de liderança. Novamente, temos um paradoxo: as organizações planas geralmente exigem uma liderança mais forte do que as hierárquicas, principalmente diante da necessidade de estabelecer prioridades e orientações estratégicas claras.

Lidar com as falhas

Saber gerenciar as falhas comuns ao processo de experimentar não é sinônimo de tolerar habilidades técnicas rasas, pensamento desleixado, maus hábitos de trabalho e má administração. Uma característica comum às empresas inovadoras são os altos padrões de desempenho estabelecidos para os funcionários. Basta ver o exemplo da Amazon e do Google. Eles recrutam os melhores talentos do mercado. E embora isso possa parecer óbvio, muitas empresas não dão a devida importância a essa questão.

Os líderes devem comunicar as expectativas de forma clara e periodicamente. Ao mesmo tempo, em que se preza pela competência, também é fundamental valorizar o que se extraiu daquela experiência. Explorar ideias arriscadas que acabam fracassando é bom, mas não quando elas não trazem nenhum aprendizado.

Manter um equilíbrio saudável entre tolerar falhas produtivas e eliminar o baixo desempenho não é fácil. É preciso saber dosar. Afinal, para promover a inovação cultural em um ambiente não podemos esquecer do terceiro ponto que citamos lá no início: a segurança psicológica.

Estar aberto ao mundo externo

Construir e manter uma boa rede de contatos com outras empresas, especialistas e pesquisadores da área é outro passo fundamental para a inovação cultural.

Considerar o conhecimento de outras pessoas, no que está sendo estudado e desenvolvido pela área de inovação da sua empresa, pode trazer retornos inimagináveis. Essas conversas, em certos casos, podem levar a junção de equipes de diferentes empresas, mas com o mesmo objetivo: a inovação. Isso pode gerar acordos de co-inovação ou desenvolvimento de um produto ou serviço de forma conjunta. 

Promover a inovação cultural um trabalho árduo. Com combinação dos comportamentos aparentemente contraditórios (e paradoxais), corre-se o risco de criar confusão. Outro ponto que dificulta essa mudança é que ela envolve em diversos momentos, o comportamento das pessoas e a mudança do mesmo. Porém, todo esse esforço será recompensado no futuro. 

Seguindo os pontos acima, fortalecendo as lideranças, mantendo o equilíbrio e comunicando os benefícios dessas mudanças para todos, é possível vencer o desafio para, então, colher os seus frutos. A sua empresa está pronta para essa transformação?

 

Ambidestria organizacional: qual o caminho para a excelência operacional

O gestor de qualquer empresa, independentemente de seu porte, deve estar atento não só aos processos internos, mas também precisa acompanhar um pouco de tudo que acontece na concorrência. Só assim, será possível manter o negócio crescendo, oferecendo produtos ou serviços que sejam competitivos no mercado. 

E quem acompanha as tendências, sabe que já passou do tempo em que a inovação era vista como um “algo a mais” ou um diferencial. Hoje, o investimento nessa área é quase que obrigatório para quem não quer ficar para trás. Mas, é neste momento que surgem muitas dúvidas e equívocos: ao pensar em criar uma nova estrutura, muitas empresas acabam abandonando todos os processos antigos e deixam de tirar proveito do que já estava dando certo. 

Para ajudar com este problema, surge o conceito de ambidestria organizacional. Mas agora, você deve estar se perguntando, o que é ambidestria organizacional? Como é utilizada? Quais são os benefícios?

Aqui apresentamos algumas respostas para essas e muitas outras perguntas. Confira a seguir:

liderança inovadora

O que é ambidestria organizacional?

Para entender o que é ambidestria organizacional, você precisa saber que, essencialmente, uma empresa ambidestra possui o foco voltado para dois pontos principais: a inovação e a excelência operacional.

Porém, encontrar o equilíbrio entre essas duas áreas para que ambas evoluam sem complicações é o grande desafio na maioria das empresas. Soma-se a ele a necessidade de prever também no planejamento, quais serão os objetivos a longo e a curto prazo para cada projeto e acompanhar as tendências do mercado e a concorrência, sem deixar de lado as metas de vendas, é claro. 

Tendo isso em mente, é o momento de começar a organizar a casa, definindo quais pessoas serão designadas para cada projeto, onde serão alocados, como serão executados e por quanto tempo. 

Para compreender o que é ambidestria organizacional e como colocá-la em prática, também é preciso entender que existem diferentes caminhos. Estes dependem do modelo de negócio de cada empresa, do mercado e do momento econômico em que ela está inserida e também do seu estágio de desenvolvimento.

Outro ponto importante é ter em mente que, com o passar do tempo e o desenvolvimento da área de inovação, esta pode ser integrada à unidade regular da empresa, gerando mudanças na estrutura e nas equipes. Por isso, se você está pensando em implementar esse modelo de gestão no seu negócio, não deixe de considerar todas essas variáveis!

Abaixo, reunimos as principais informações sobre os três diferentes modelos de gestão ambidestra que podem ser encontrados. Com eles, além de entender de uma forma melhor o que é a ambidestria e como ela pode ser aplicada, você conseguirá identificar qual deles é o mais indicado para o seu negócio. 

Já sabe o que é ambidestria organizacional? Veja as três diferentes maneiras de implementá-la


Ambidestreza estrutural

Nesse modelo, os dois projetos acontecem separadamente mas ao mesmo tempo. As equipes, voltadas para as unidades de eficiência e inovação, atuam de maneiras diferentes e são lideradas de acordo com o objetivo final. 

Nesse caso, é necessário também prever os momentos de integração entre as equipes para que exista a troca dos conhecimentos adquiridos ao longo do processo e também a união de aprendizados. Com as equipes em sintonia, torna-se mais fácil otimizar as entregas finais.

Ambidestreza cíclica

A principal característica desse formato de ambidestria organizacional é a definição dos períodos em que cada projeto será priorizado. Assim, inovação e excelência receberão total atenção em momentos diferentes.

O respeito e cumprimento dos prazos é fundamental para que esse modelo dê certo. Por isso, é muito importante criar o planejamento tendo em vista o tempo real que será gasto em cada ciclo.

A ambidestria cíclica é o modelo de gestão mais complexo entre os três, pois devido a quebra no modelo operacional tradicional, exige também muita maturidade e experiência dos colaboradores. Por outro lado, as principais vantagens são: evitar a ruptura de linhas de raciocínio e a divisão dos esforços, garantindo maior interação entre todos os membros da equipe.

Ambidestreza simultânea

Nesse modelo de gestão mais dinâmico, os processos acontecem ao mesmo tempo e na mesma unidade. A diferença dele é que existem dois lideres, cada um preparado para uma estratégia. Eles deverão tomar conjuntamente as decisões que envolvem tanto a produção como o desenvolvimento da empresa. Para isso, é preciso que os profissionais envolvidos conheçam bem as rotinas e processos da empresa, estejam constantemente informados, estudando melhorias e testando novos produtos e serviços. Tudo isso sem deixar de lado a qualidade nas entregas obrigatórias e de rotina.

Agora que você já sabe o que é ambidestria organizacional e quais são os diferentes formatos que podem ser implementados, compartilhe suas impressões conosco! Você acha que a implementação desse modelo de gestão é o que está faltando na sua empresa? Qual você considera ser a maneira ideal de executar os projetos? Deixe sua opinião aqui nos comentários. 

 

Ambidestria e inovação: como os dois conceitos contribuem para o futuro do mercado

No primeiro artigo sobre ambidestria e inovação falamos como a disrupção digital obrigou as empresas a repensarem não apenas seus modelos de negócio, mas também a forma de liderar e repaginar os vários processos internos. Para que isso aconteça de forma gradual, empresas que já operavam focadas na eficácia operacional passaram a investir também em novas ideias e diversificação dos produtos e serviços.

Na prática, organizações que investiram em ambidestria e inovação trabalham com dois tipos de inovação para entregar valor de duas formas sem onerar a empresa:

Inovação incremental: voltadas para os projetos de melhorias contínuas para desenvolver os processos organizacionais e que não geram grandes impactos no modelo de negócio. Esse tipo de inovação é bastante utilizado para manter ou melhorar a percepção de um produto em um mercado que já existe. Ela é, portanto, mais barata e menos arriscada.

Inovação radical ou disruptiva: é um processo mais complexo e nada discreto. Uma vez que vencer a disrupção digital requer assumir riscos e estar disposto a investir um pouco mais em recursos para ter um retorno maior no futuro. Ela costuma redefinir a rota da empresa. Um bom exemplo de inovação radical é clássica “oceano azul”, no qual a empresa não precisa brigar por uma parcela de mercado, já que cria um mercado totalmente novo para comercializar seu produto e/ou serviço.

É fácil pensar que empresas investem em inovação incremental por ser mais fácil de executar e menos onerosa para as organizações. Mas, a disrupção digital já mostrou para o que veio e, é justamente por isso que quem apostou em ambidestria trabalha tanto com inovação incremental quanto radical. Como essas empresas entregam o melhor dos dois mundos tendem a ser mais competitivas do que as concorrentes?

E se você está pensando que a gestão ambidestra é exclusiva de empresas de tecnologia, continue a leitura do artigo e veja os resultados das vinícolas brasileiras que resolveram apostar neste tipo de gestão.

Ambidestria e inovação nas vinícolas brasileiras

Seth Godin foi enfático ao proferir a frase “O trabalho não é chegar ao status quo; o trabalho é reinventar o status quo”. Se você é amante de vinhos deve pensar que é um produto já consolidado e que não precisa de muito esforço para entregar valor ao cliente final, correto?

Sim e não. Sim, porque de fato é um produto com boa penetração de mercado, mas em tempos de mudanças exponenciais e disrupção, a inovação veio para quebrar as regras. Ou seja, os executivos precisam criar estratégias para continuarem competitivos no mercado sem perder de vista o ambiente altamente inovador e transformador que o mercado vem passando. Quem não modernizar a produção e/ou a gestão pode não mais existir em 20 anos como vimos acontecer com várias empresas que já foram líderes de mercado.

No artigo Comportamento Estratégico e Ambidestria: um estudo aplicado junto às empresas vinícolas brasileiras  os pesquisadores analisaram dados de mais de 150 empresas do setor para medir o impacto da gestão ambidestra no resultado da empresa. Entre as várias hipóteses levantadas no estudo foi identificado que no setor há quem acredite nos efeitos positivos da ambidestria e inovação nos números da empresa, mas também os que são céticos em relação a esses ganhos.

Quem acredita na ambidestria como promotora do negócio apontou questões, como:

  • Os produtos e serviços que são oferecidos aos clientes são mais bem caracterizados como inovadores e estão constantemente mudando e ampliando sua área de aplicação;
  • Uma das metas mais importantes da empresa é a dedicação e o compromisso com a garantia de que pessoas, recursos e equipamentos necessários para desenvolver novos produtos/serviços e novos mercados estejam disponíveis e acessíveis;
  • Uma dos pontos que protege a empresa de outros concorrentes é o fato de ser capaz de desenvolver novos produtos/serviços e novos mercados de maneira consistente;
  • Os procedimentos que a organização usa para avaliar seu desempenho são mais bem descritos como descentralizados e participativos, encorajando todos os membros da organização a se envolverem.

Por outro lado; quem é reativo em relação a ambidestria e a inovação tem opiniões como:

  • O crescimento ou a diminuição da demanda se deve muito provavelmente à prática de responder às pressões do mercado, tendo poucos riscos.
  • As competências e habilidades que os funcionários da empresa possuem podem ser mais bem caracterizadas como fluidas: as habilidades estão relacionadas às demandas de curto prazo do mercado;
  • O gerenciamento da empresa tende a se concentrar em atividades ou funções de negócio que mais necessitam de atenção, dadas as oportunidades ou problemas que enfrenta atualmente.

A conclusão deste trabalho é que os gestores que olham a ambidestria e a inovação de forma positiva pensam a organização com foco na entrega de valor para o cliente final. Portanto, tendem a apostar em inovações incrementais para continuarem competitivas no mercado.

Já os céticos pensam a organização de dentro para fora e estão mais dispostos a atuar de forma reativa. Ou seja, uma das metas mais importantes da empresa é a dedicação e o compromisso com a proteção contra ameaças críticas, tomando todas as iniciativas necessárias.

Não precisamos ressaltar que a percepção de investir em uma liderança inovadora e apostar em inovações, sejam elas incrementais ou radicais é o primeiro passo para a empresa reduzir os efeitos da disrupção digital. Isso pode acontecer tanto em um mercado totalmente ligado a tecnologia, como foi o caso da Kodak e da Nokia, como também em indústrias tradicionais e com boa aceitação de mercado como a de vinhos e outras bebidas.

O mercado cervejeiro também se transforma a cada dia

Você quer ver como não precisamos ir muito longe? O consumo de cerveja artesanal no Brasil disparou nos últimos anos. Não precisa beber muita cerveja para perceber que, aos poucos, as gôndolas de supermercados foram tomadas por rótulos coloridos e garrafas de diferentes estilos e graduações alcoólicas. E da mesma forma que as grandes empresas foram impactadas pelas startups de garagem, as gigantes do ramo de bebidas se viram ameaçadas por cervejeiros que começaram a produção em casa ou em sociedade com amigos e foram ganhando cada vez mais mercado.

Hoje, podemos ver grandes marcas apostarem em produtos puro malte, em diferentes estilos e até migrado para diferentes tipos de produtos. Tudo isso para continuarem competitivas em seus respectivos mercados.

Gostou desse conteúdo e quer saber mais sobre ambidestria e inovação? Inscreva-se em nossa newsletter e continua acompanhando a nossa série.

 

Lean Canvas: como modelar uma plataforma de negócios multilateral

Indicado para startups e ideias em desenvolvimento, o método Lean Canvas é uma variação do Business Model Canvas.  Se antes o modelo buscava renovar as formas de criar e analisar modelos de negócio, o Lean Canvas surge com o propósito de compreender as fundamentações de um empreendimento de sucesso.

Esses fundamentos  passam pela proposta de valor, os canais de atuação e o relacionamento com o cliente. Confira neste artigo como o Lean Canvas  tem auxiliado empreendedores a construir novos negócios e conheça exemplos de sucesso que abraçaram e exploraram esse modelo.

O conceito por detrás da ferramenta

O Lean Canvas é considerada uma adaptação do modelo Business Model Canvas e foi criado pelo engenheiro elétrico Ash Maurya. Maurya desenvolveu o modelo a partir da leitura do best seller Business Model Generation, que o levou a questionamentos como:

  • O que se deu na trajetória até o sucesso de empresas como Apple e Skype?
  • O que aconteceu com essas empresas antes de adotarem o modelo Business Model Canvas?

Esses questionamentos levaram a criação de um modelo com foco no desenvolvimento de startups.   Isso significa que o Lean Canvas leva em consideração o aprendizado inicial e o desenvolvimento da ideia com base nos conceitos vistos no Business Model Canvas.

Business Model Canvas x Lean Canvas

A principal diferença entre os dois modelos está na estrutura. Enquanto o Business Model Canvas possui é composto por oito conceitos, o Lean Canvas foi reduzido a quatro:

1. Problema

No Lean Canvas, o foco do empreendedor deve ser entender o problema para, só depois, seguir com o desenvolvimento da solução. Essa prática evitaria o desperdício de tempo, dinheiro e esforços ao construir produtos que não respondem às expectativas e necessidades principais do público.

2. Solução

A solução buscada pelo empreendedor fica mais clara ao entender o problema. Por essa conclusão, Maurya definiu esse campo com um box menor.  Para Maurya, por ser a caixa de solução menor, a definição de um MVP (Produto Mínimo Viável) ficaria mais alinhada e objetiva.

3. Métricas

No Lean Canvas o empreendedor é orientado a focar em poucas métricas-chaves, e sempre optar por aquelas consideradas fundamentais, como o valor da solução apresentada.

4. Vantagem diferencial

Também chamado de “vantagem injusta”, esse campo é deixado em branco nos Lean Canvas em início de processo. Esse campo seria uma espécie de proteção do sucesso do negócio nos momentos de maturação da startup.

Para Maurya, esse campo serve como um incentivo de encorajamento ao empreendedor para que ele possa construir sua vantagem diferencial, em momentos em que a concorrência aperta ou mesmo busca copiar suas ideias.

De forma resumida, a vantagem injusta é a chave diferencial do negócio quando ele é copiado por outros empreendedores.

É importante destacar que o Lean Canvas não substitui o Business Model Canvas. Muito pelo contrário, eles são complementares em uma etapa fundamental para qualquer empreendedor: a aprendizagem do negócio.

Empresas de sucesso com Lean Canvas

O Lean Canvas surgiu em 2009, e desde então tem sido adotado por diversos empreendedores que conquistaram negócios de sucesso.

Fintechs como Nubank e Banco Neon são exemplos de empreendimentos que utilizaram o Lean Canvas em complemento ao Business Model Canvas e estão se destacando em seu mercado de atuação.

O Nubank é uma startup brasileira que reconheceu a cobrança de anuidades em cartão de crédito um problema a ser resolvido. Nasceu então uma solução que conquistou diversos brasileiros e chamou a atenção dos concorrentes.

Tanto é que outros bancos digitais, como o próprio Banco Neon, acabaram seguindo o mesmo modelo de negócios, que se baseia na mobilidade e em transações online.

A medida que o negócio do Nubank cresce e chama a atenção da concorrência, a startup utiliza de sua vantagem diferencial e lança soluções complementares a inicial, ganhando mais espaços e encantando mais clientes.

A ferramenta traz a tona uma ideia aparentemente simples, mas fundamental para o sucesso de qualquer empreendimento: o foco em buscar soluções que, de fato, respondam ao problema de um público alvo.

A visualização dessa estratégia permite aos empreendedores uma avaliação mais clara e objetiva das razões fundamentais do surgimento de uma nova empresa. Em resumo, é como se a startup já nascesse com um objetivo e uma funcionalidades estabelecidas: resolver problemas.

O empreendedorismo exige aprendizado constante, a observação e entendimento de modelos que são sucesso. E é justamente por isso que startups de sucesso abraçaram o Lean Canvas em seu processo de criação.

Agora é com você: complemente o Business Model Canvas com o modelo Lean Canvas e identifique de forma mais clara e eficiente a real razão do surgimento de uma nova startup e da aplicabilidade de suas ideias empreendedoras.

Modelo de negócio e estratégia: você sabe qual a diferença?

No mundo dos negócios uma das palavras mais utilizadas em reuniões, networking e meetups deve ser estratégia: de negócios, vendas ou marketing. Não importa o tipo, na maioria dos casos, o verbete é apresentado como tudo que é importante ou desafiador. Outro ponto que também gera bastante confusão é a palavra ser empregada como sinônimo para modelo de negócio.

E não é por menos, já que os dois termos estão bastante conectados. Mas, a grande verdade, é que eles contam com significados distintos. Estratégia tem a ver com o posicionamento da empresa para ganhar vantagem competitiva. Já o modelo de negócio descreve a forma com que uma empresa opera para criar valor, resolver as necessidades e, consequentemente, entregar valor para os clientes e também a forma com que lucram e se mantém firme no mercado.

O objetivo tanto de estratégias competitivas quanto repensar o modelo de negócio é um só: gerar lucro para os stakeholders e entregar valor ao resolver as necessidades dos clientes.

Quer saber mais sobre as diferenças entre os dois termos? Continue a leitura do artigo e entenda a importância de reinventar o modelo de negócio.

Termo antigo que se reinventou com a tecnologia

Tudo hoje é chamado de Modelo de negócio, apesar de ser tão antigo quanto o mundo corporativo. Ficou popular com o surgimento das primeiras empresas virtuais (no post Business Model You conto essa história) e trago uma visão integrada e criteriosa de propósito, processos, custos, clientes, relacionamento e fontes de receita.

Um modelo de negócio eficaz é amparado em boas estratégias organizacionais que, por sua vez, avaliam questões internas – que também fazem parte do negócio – e externas, especialmente o que se refere à concorrência e às tendências do mercado. O que está sendo feito por meus concorrentes, o que o meu cliente está esperando, como posso me destacar? As respostas podem dar origem a grandes estratégias organizacionais.

As Organizações exponenciais, por exemplo, crescem dez vezes mais ao investir em equipes por demanda, cultura de inovação e holocracia. Já as plataformas de negócios movimentam bilhões de dólares e transformaram várias startups em unicórnios. Tudo isso porque empreendedores criativos pegaram uma ideia antiga (conectar consumidores e empresas que vendem produtos, como os shopping centers), alinharam a inovações tecnológicas e desenvolveram aplicativos de delivery de comida, transporte e aluguel de quartos mais baratos em viagens, facilitando assim a vida de empresas e consumidores que pedem ou aceitam serviço com apenas um click.

Para saber mais sobre o sucesso das empresas que investiram no modelo de negócio plataforma, leia o artigo: Plataforma de negócios: o que são e como impactam o mercado.

Estratégia e modelo de negócio em sintonia

Com a estratégia definida, olhamos para o modelo de negócio: os dois conceitos estão em harmonia? Muitas vezes, a estratégia requer custos inviáveis para a realidade da empresa. Precisamos contar, portanto, com a flexibilidade para fazer ajustes e correções. Aqui temos uma semelhança: modelo de negócio e estratégia precisam ser maleáveis e mutáveis para acompanhar as mudanças do mercado, hábitos de consumo e expectativas da própria companhia. O processo é contínuo e permanente.

Por isso, é essencial pensar, simultaneamente, em objetivos e nos caminhos para atingi-los. É comum, nesta fase, utilizarmos ferramentas de análises ambientais e de planejamento, como benchmark, desk research, matriz GUT (análise da Gravidade/Urgência e Tendência, Design Thinking, Análise de Dados e o Canvas. Há uma variedade de técnicas e abordagens, revistas e recriadas com frequência por especialistas, para auxiliar as etapas de criação, validação e execução de estratégias e modelos de negócios. Saber usá-las já é um diferencial competitivo.

A estratégia pode dar errado?

Sem dúvida! Assim como o caminho para a inovação, a criação de estratégias é repleta de altos e baixos. Afinal, estamos falando de hipóteses que podem alavancar vendas, mudar posicionamentos, oferecer algo pioneiro ao mercado. Se até mesmo o estrategista militar precisa lidar com o fracasso de uma operação, um gestor preparado deve encarar os riscos de sua tática. Como falei anteriormente, a barreira pode ser o orçamento, mas também a cultura corporativa, o despreparo dos gestores ou a falta de dados sobre mercados e consumidores.

Outro ponto essencial é compreender que a estratégia deve ser testada, assim como qualquer outra hipótese que pode impactar seu negócio. Lembra dos conteúdos sobre Design Thinking, que abordavam ideias, empatia, aplicações e resultados? Pois bem, execução e avaliação também estão presentes aqui.

Tudo está conectado e faz parte de uma realidade empresarial que prioriza cada vez a capacidade de inovação e o poder de transformação.

Você está pronto para essa conexão?

 

Modelo plataforma multilateral: saiba mais sobre esse negócio altamente escalável

Modelo plataforma multilateral é um modelo de negócio que promove o encontro entre consumidores e empresas dispostas a fechar uma relação comercial, tendo a plataforma como facilitadora desta transação. O multilateral vem justamente do fato de que nesta relação os dois lados são beneficiados: tanto os clientes que solucionam uma necessidade ao adquirir um produto ou contratar um serviço, quanto as empresas que lucram ao fechar uma venda.

Tudo isto sem contar no rendimento gerado para o empresário que investiu no modelo plataforma multilateral. Essas organizações são conhecidas pelo seu caráter altamente escalável e por gerar unicórnios no mundo das startups: Uber, Rappi e 99 são alguns exemplos.

O segredo do sucesso no modelo plataforma multilateral está justamente em diminuir o atrito na transação comercial: prospectar o cliente, negociar preços, criar ofertas, entre outros. Sai na frente quem consegue promover o melhor ambiente (sites e aplicativos) para que consumidores e vendedores interajam, pois um grupo não existe sem o outro.

O modelo plataforma multilateral versus modelos de negócio tradicionais

O modelo de negócio no qual se promove o encontro entre alguém interessado em vender com alguém interessado em comprar é antigo. Aqui no blog, já contamos como uma plataforma de negócio é similar a estrutura de marketplaces e shopping centers. No entanto, gerenciar um modelo plataforma multilateral não é a mesma coisa que administrar um shopping center. As regras em empresas de base tecnológica e nas startups são diferentes dos modelos mais tradicionais: um empresário mais tradicional jamais venderia um produto abaixo do preço de custo, mas quando o objetivo de uma startup é aumentar o efeito de rede, vale inclusive “pagar” para ter um cliente.

Você já se perguntou de onde vem os cupons de frete grátis de empresas como o Rappi ou os créditos que são gerados sempre que um amigo utiliza o seu código de compartilhamento para fazer a primeira viagem com a Uber? Todas essas ações têm o objetivo de aumentar o efeito de rede, pois no modelo plataforma multilateral quanto mais usuários ativos (consumidores e motoristas, no caso do Uber) maiores são as chances do negócio escalar e se transformar em novo unicórnio, ou seja, ser avaliada no mercado por mais de US$ 1 bilhão.

3 empresas brasileiras que decolaram com plataformas multilaterais

99

A 99 foi a primeira startup brasileira a ser avaliada em mais de US$ 1 bilhão no mercado. A escalada da principal concorrente da Uber no Brasil em direção ao reino das startups unicórnios ocorreu depois do aporte de US$ 1 bilhão que recebeu da plataforma chinesa Didi Chuxing. Aliás, os investidores chineses estão apostando suas fichas no mercado tecnológico brasileiro. Isso tem ocorrido não apenas pelo potencial das empresas, mas também pela fácil aceitação do brasileiro em novas tecnologias.

Os serviços de alimentação, transportes e fintechs são os que ganham mais destaque no mercado brasileiro. Além da 99, também temos a Cabify como plataformas digitais envolvendo passageiros e motoristas. Já a Yellow, embora não utilize o modelo plataforma multilateral é uma forte candidata a se tornar um unicórnio, graças as suas bicicletas e patinetes amarelos, que além de ser acessível ainda ajuda a fugir do trânsito das grandes cidades.

Movile e Ifood

O ano de 2018 foi intenso para a Movile não apenas por adentrar no mundo das startups unicórnios como também por outra empresa do seu grupo de holding receber um aporte de US$ 500 mil e entrar também para o grupo mítico. No entanto, engana-se quem acredita que a história da Movile é recente.

Com mais de 20 anos de mercado, a empresa iniciou seus serviços como Intraweb e explorava o mercado de ringtones. Foi a disrupção digital da Apple que fez com que a empresa revisse o seu modelo de negócio e procurasse aplicativos para investir: até chegar na fórmula do sucesso, empregou recursos sem sucesso em aplicativos de música e até de vídeos de comédia.

Hoje, o foco da Movile é o mobile e investe em plataformas como iFood, SpoonRocket e Sympla, além de ser proprietária da PlayKids, Wavy e Rappido. A empresa conta com 15 escritórios, espalhados na América Latina (Brasil, Colômbia, Argentina e Peru), Estados Unidos, México e França.

O valor movimentado mensalmente pelas empresas do grupo chega a US$ 1 bilhão. Nesta entrevista para o Estadão Fabrício Bloisi, CEO da Movile, foi enfático ao afirmar que “É pensar pequeno falar em se tornar unicórnio, o mercado brasileiro tem potencial para desenvolver empresas de tecnologia que valem cerca de US$ 100 bilhões. Da mesma forma que acontece nos EUA e na China”.

Cargo-X

A Cargo-X cresceu 750% em um ano e o segredo para o sucesso da Uber dos caminhões foi perceber o potencial do mercado. A maioria das produtos no Brasil é transportado via estrada e existia um gargalo gigantesco no setor, uma vez que 40% dos caminhões rodam vazios a maior parte do tempo. Isso acontece porque o motorista entrega uma carga em alguma região e não tinha outro produto para transportar de volta.

Os empresários encontraram a brecha e investiram em um modelo plataforma multilateral para conectar caminhoneiros e empresários por meio de um aplicativo com geolocalização e de fácil usabilidade. Esse encontro gerou economia para ambos os lados: os motoristas, que ampliaram a capacidade de carga, reduzindo a carga ociosa e gerando mais receita no final do mês; e os empresários, que conseguiram otimizar a logística e economizar até 20% com transporte de mercadorias.

Para a empresa esse crescimento foi a combinação de seis grandes fatores. Além do potencial do mercado e da economia gerada para os dois grupos, a empresa também abriu 15 escritórios em locais estratégicos – ao chegar no Centro Oeste, ganhou novos clientes e ampliou o seu valor de mercado. Tudo isso sem contar nas rodadas de investimentos que recebeu para aumentar sua área de atuação. Os principais aportes vieram da Goldman Sachs, Oscar Salazar e Qualcomm Ventures.

Outros pontos que a empresa gosta de destacar são o respeito aos motoristas e aumento da segurança de quem utiliza a plataforma. Já são mais 11 mil caminhoneiros utilizando o aplicativo e esse número não para aumentar.

Todo esse crescimento faz com que a empresa seja uma forte candidata a se tornar uma startup unicórnio que utiliza o modelo plataforma multilateral para entregar valor aos clientes.

E você conhece outra empresa que utiliza o modelo plataforma multilateral e que tem se destacado no mercado? Deixe sua opinião nos comentários!

Empresas digitais: 5 negócios que nasceram e prosperaram com a internet

Um olhar de relance para trás pode fazer com que a história das empresas digitais possa parecer linear e óbvia. Afinal, há um valor bastante perceptível nas entregas promovidas por essas organizações. É difícil negar que a evolução da televisão aberta, por exemplo, são os serviços de streaming on-line, com entregas em tempo real, personalizadas e sem interrupções indesejadas.  Ou ainda, pensando que as locadoras de filmes sucumbiram em virtude das inúmeras possibilidades de visualização de novos filmes e opções de entretenimento visual, inclusive pelos próprios streamings on-line. Há um certo saudosismo em alguns serviços e produtos, no entanto, os tempos atuais exigem rapidez e transformações que nem sempre são tão fáceis de se acompanhar.

É natural que uma mudança venha acompanhada de receios e riscos. Seja em qualquer época, o empreendedorismo sempre teve que lidar com todas as questões que envolvem o “novo”, como novos mercados, novas demandas, novos serviços e novos produtos. A passagem de um modelo de negócio tradicional para um digital não exclui a necessidade de conseguir trabalhar com incertezas e com criação de experiências diferenciadas. A questão é que as empresas digitais estão tratando com um cenário que não é mais o mesmo. O comportamento das pessoas está mudando, as inovações digitais estão criando demandas que antes não existiam e há mais ferramentas para produzir um modelo de negócio mais eficiente, com uma força operacional mais produtiva e oferecer uma experiência mais satisfatória aos clientes.

Os negócios em plataformas são um exemplo de como as empresas digitais podem se reinventar e das possibilidades do empreendedor digital. Os líderes de mercado, como aqueles que estão no comando da Amazon, Facebook, Uber, Google acabam por redefinir aquilo que se tem como uma ótima experiência, impactando, inclusive nas expectativas atuais e futuras dos usuários. Mais do que pensar em algoritmos que irão gerar o “match” entre comprador e vendedor, há uma criação de valor. A questão das empresas digitais e, principalmente, dos mercados de plataformas é que existe uma valorização da capacitação do usuário, mais do que reduzir custos de uma transação. Um modelo de “matchmaking” vende, sim, custos de transação reduzidos, assim como negócios tradicionais vendem produtos e/ou serviços. Porém, o modelo de investimento em plataforma cria mais valor para vender.

As plataformas são uma forma de se pensar e visualizar as possibilidades das empresas digitais. Contudo, ao falar do empreendedor digital é possível ganhar uma abertura ainda maior no conceito, pois trata-se de quem planeja e cria um negócio que utiliza uma base digital, funcionando dentro deste contexto. É ali que se dará, inclusive, grande parte dos processos e fluxos necessários para que a empresa digital consiga se manter operando. Para entender melhor o que são negócios e empresas digitais e o que é sucesso para elas, selecionamos alguns exemplos que nasceram e prosperaram com a internet.

5 negócios e empresas digitais de sucesso

  1. Trello: é empresa que fornece uma ferramenta on-line para gestão de processos e tarefas. É bastante utilizada por empresas que possuem, inclusive, equipes remotas. Sua organização é bastante visual e permite que várias pessoas tenham acesso a informações simultaneamente. A ferramenta permite criar listas e organizar as tarefas dentro delas, além de ter um formato calendário. A empresa fornece acesso a versões diferentes, gratuita e paga para os usuários.
  1. Slack: a Slack surgiu como uma opção de ferramenta de comunicação entre as equipes das empresas. É uma plataforma que permite desde troca de mensagens até arquivos, seja em grupo ou individualmente. É uma forma de centralizar a comunicação. Em 2019, a IPO, ou oferta inicial pública de ações, da Slack começou com a empresa alcançando uma avaliação de mercado de US$ 23 bilhões, sendo que eram esperados somente US$ 16 bilhões.
  1. Amaro: marca brasileira lançada em 2012 que comercializa acessórios e roupas para o público feminino. Entre os diferentes estão ser um e-commerce monomarca e o investimento no mercado omnichannel. Possui cerca de 400 funcionários atualmente e, apesar de não divulgar o faturamento, tem planos de dobrar as receitas em 2019.
  1. Evino: e-commerce brasileiro que atua com vinhos, comercializando os produtos com preços mais acessíveis e vendas especiais com descontos. Trabalha ainda com um setor de vinho premium. Em 2017, a empresa faturou 265 milhões de reais. Atualmente, apostam em sua manutenção no mercado a partir da popularização de vinhos mais caros.
  1. Contabilizei: plataforma online brasileira de contabilidade com foco em micro e pequenas empresas, já atraiu grandes investidores e anunciou recentemente um aporte de 75 milhões de reais. Possuem 245 funcionários e atendem cerca de 10 mil clientes.

Vamos conversar mais sobre como as empresas digitais podem se estabelecer no mercado e alcançar o sucesso? Deixe sua opinião!

economia digital

Economia digital: o que muda com os novos postos de trabalho?

Não é nada improvável pensar que daqui a algum tempo, as cédulas de dinheiro e as moedas atuais se tornarão um registro de como “funcionava antigamente”. Com a transformação digital, o mercado financeiro e a economia digital não são mais os mesmos. O mundo está em transição e os dados comprovam. Em 2013, o Banco Central constatou que 78% das pessoas apontavam o dinheiro (físico) como forma de pagamento principal. Em 2018, o número caiu para 60%. E, se em 2013, as pessoas inevitavelmente consideravam o dinheiro para pagar compras, em 2018, já houve mudanças: 4% dos entrevistados afirmaram que nunca usam dinheiro ou moedas.

Outro dado que mostra o caminho que a economia digital está tomando é relacionado com as fintechs (startups com soluções inovadoras para o mercado financeiro). O Google fez uma análise entre bancos tradicionais e as fintechs. Boa parte dos usuários ainda usa as instituições tradicionais como meio principal (46%), mas o que chama a atenção é o grau de satisfação entre ambos. Sete para dez clientes das fintechs (71%) diz estar satisfeito, já quatro em cada dez (42%) dos que preferem instituições tradicionais afirmam o mesmo. De 2017 para 2018, de acordo com o Radar FintechLab, houve um crescimento de 23% de startups financeiras operando no Brasil.

Nas informações sobre cartão de crédito e fintechs, é possível ver uma mudança em andamento e o futuro dela. Os tradicionais cartões de plástico estão se tornando uma preferência e o próximo passo é substituí-los pelos smartphones e pagamentos online. É uma evolução natural considerando o contexto em que as pessoas vivem e o impacto da transformação digital. Usar a tecnologia para alavancar os resultados e aumentar o desempenho é abrir as portas para um novo ritmo de mudanças e uma nova forma de interação.

O dinheiro, a priori, se adapta ao que o ser humano precisa. Desde o escambo até as moedas de metal. Imagine um comerciante com várias moedas de ouro e prata, alguém teria que cuidar delas. Surgem os bancos. Agora, o que está acontecendo é uma resposta de como a tecnologia se tornou parte de hábitos de consumo e passou a exigir muito mais agilidade. E é aí que entra a economia digital.

Economia digital: de criptomoedas a fintechs

Se a transformação digital ampliou fronteiras, o semelhante aconteceu com a economia digital. O que pode trazer ainda mais possibilidades. Entenda o que se está discutindo sobre o assunto e como irá influenciar os novos postos de trabalho.

Criptomoedas

Por trás das criptomoedas há uma grande revolução, as pessoas não precisam mais de bancos. A ideia é que com as criptomoedas, que utilizam criptografia, qualquer um possa realizar transações financeiras de forma segura e sem burocracia. E o mercado de trabalho com criptomoedas está atrás de talentos. Segundo um relatório publicado pela Glassdoor, existiam, na ocasião, quase 2 mil anúncios de vagas online nos Estados Unidos com as palavras “bitcoin”, “criptomoeda” e “blockchain”.

Fintechs

No Reino Unido, as vagas de emprego em fintechs têm crescido mais do que nos bancos tradicionais. Em um período de 12 meses, as vagas de trabalho em fintechs cresceram 9%, ao contrário, os bancos reduziram em 3%.

Economia digital, criativa e colaborativa

A economia criativa e colaborativa é uma forma diferente de enxergar o mercado. A intenção da economia criativa, de acordo com o conceito original, é transformar criatividade em resultado pensando nas relações em comunidade. Dentro disso, a economia colaborativa destaca-se. Com a inovação ganhando notoriedade, os negócios precisam se reinventar e valorizar a criatividade e o setor criativo, o que era deixado de lado por não estar vinculado diretamente com gestão de negócios. Você deixa de se preocupar com as horas trabalhadas e começa a pensar na verdadeira produção dentro das horas trabalhadas.

Por fim, um ponto importante é sobre as relações de trabalho. Além da criação de novas vagas no setor financeiro, a tendência é que ao invés do operacional, o valor estará no pensamento estratégico. Com a automatização e a criação de softwares que quebram com padrões de comportamento, as empresas estarão atrás de quem cria e potencializa o uso das soluções. Da mesma forma, se empresas digitais estão surgindo, as tradicionais ganham no aumento do poder de alcance, ultrapassando barreiras físicas, e em dados, que devem guiar suas ações.

Quer entender mais sobre economia digital, mercado financeiro e novos postos de trabalho? Continue nos acompanhando, dê sua opinião e faça suas perguntas.