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Quais são os modelos de negócios inovadores que surgiram na pandemia

A pandemia do coronavírus fez com que as empresas precisassem repensar diversos pontos que sustentavam seus negócios. Diante dos bloqueios, do distanciamento e de outras normas que alteraram o que, até então, era rotineiro, muitas delas precisaram fechar fisicamente suas portas e lidar com as novas prioridades e contexto dos seus consumidores. Essencialmente, o mundo não era mais o mesmo. Por sua vez, a maneira de fazer negócios e os interesses do público também sofreram mudanças. Por isso, modelos de negócios inovadores se fizeram não só necessários, mas urgentes. 

Foi preciso entender qual era o valor que estava sendo gerado e se ele era condizente com aquilo que os consumidores necessitavam e queriam. Já que todos estavam refletindo tanto sobre o que consumiam quanto a respeito da forma como consumiam. Também os próprios colaboradores e processos internos tiveram que ter uma atenção especial, pois foi fundamental reorganizar a estrutura e enxergar as equipes e suas ofertas a partir de um novo olhar.

Com isso, muito se fez, muito se criou. Inclusive, modelos de negócios inovadores. Conheça um pouco mais daquilo que surgiu, foi transformado ou acelerado em virtude da pandemia.

Modelos de negócios inovadores: empresas que se reinventaram 

Replanejar e adotar modelos de negócios inovadores se mostraram duas habilidades primordiais para as empresas durante a pandemia do coronavírus. Mais do que inovar, em muitos casos, foi preciso mudar radicalmente. Reajustando ou transformando completamente. Fato é que muitos precisaram passar por um processo de reconstrução. E alguns negócios fizeram isso muito bem, com criatividade. 

1. Hotel de luxo sem sair de casa 

Proporcionar a experiência de estar em um hotel, porém, sem precisar entrar em um avião e viajar. Ou, até mesmo, sem sair de casa. Entre os modelos de negócios inovadores que surgiram na pandemia, está a mudança realizada pelo Mandarin Oriental Hotel Group, um dos exemplos citados em "5 businesses that pivoted to new business models creatively during the pandemic", da Fortune. Criativamente, eles utilizaram das instalações e serviços que já possuíam e redirecionaram para uma nova necessidade que surgiu diante de um novo público. Assim, em vez de focar em atrair os turistas, eles se concentraram em pessoas da sua própria cidade.

Assim, se você quer dar uma pausa na rotina e passar um período aproveitando as comodidades de um hotel de luxo, não precisa percorrer grandes distâncias. Se houver um hotel do grupo na cidade, basta fazer o check-in em um programa específico e usufruir de benefícios como café da manhã, garrafas de vinho e créditos em compras.

Além disso, caso não queira nem se hospedar, em alguns locais, a pessoa pode simplesmente ligar e solicitar o serviço de quarto em sua própria casa. Eles levam comida, suprimentos de spa e outras mercadorias. É uma nova experiência de um hotel de luxo.

2. Uma nova forma de fazer eventos

O setor de produção de eventos foi um dos que tiveram um grande impacto durante a pandemia do coronavírus. Com as recomendações de distanciamento em vigor, diversas empresas precisaram pensar em novas soluções e pivotar seus negócios. Um exemplo é a Festalab, startup de São Paulo, com foco na produção de eventos. A solução da startup se propõe a organizar tudo virtualmente, com direito a convite e confirmação de presença.

No entanto, a pandemia derrubou em cerca de 80% a receita da Festalab. Para sobreviver ao momento e diversificar as ofertas, eles elaboraram novas linhas de receita. Fizeram uma parceria com uma plataforma de videoconferência para organizar festas online, trazendo para o digital tudo o que era antes feito no físico. 

Outro exemplo é a mobLee, startup catarinense especializada em criar aplicativos para eventos corporativos e feiras de negócios. Por conta do isolamento, a startup desenvolveu uma plataforma online em que os participantes conseguem assistir mesas redondas e palestras, participar do happy hour e fazer networking, como em uma rede social fechada. Tudo 100% virtual. 

3. Tecnologia antiviral 

Entre as startups brasileiras, um dos cases de sucesso é a Insider Store que, durante a pandemia, pivotou sua atividades. Anteriormente, os dois sócios focavam na venda de camisetas e moda íntima antibacterianas. No entanto, por conta da demanda de peças que também pudessem auxiliar no combate ao coronavírus e passassem mais segurança aos usuários, a startup desenvolveu uma linha de máscaras e camisetas antivirais. 

As peças são produzidas com tecidos tratados com íons de prata que conseguem inativar vários tipos de vírus em até 5 minutos, com uma eficácia de 99,9%.  

Novas formas de ver e se organizar 

Em "How Businesses Have Successfully Pivoted During the Pandemic", Mauro F. Guillén,  professor da Wharton School, avalia que muitas empresas estão lidando com a crise se baseando em modelos de negócios inovadores que conduzem à sobrevivência de curto prazo, juntamente com resiliência e crescimento de longo prazo. Por isso, pivotar tem se mostrado um movimento que consegue criar valor para consumidor e organização.

Neste sentido, utiliza como exemplo o Spotify, líder em streaming de música. Na teoria, com os ouvintes em casa e procurando por entretenimento, parecia um negócio que possuía tudo que era preciso para funcionar em meio a pandemia. Porém, a empresa sueca precisou superar o seguinte problema: o que era gerado a partir dos anúncios escutados pelos usuários gratuitos. 

Com a pandemia, muitos anunciantes cortaram seus orçamentos. A saída do Spotify foi a oferta de conteúdo original, no formato podcast. Artistas e usuários fizeram o upload de milhares de podcasts somente em um mês, além da empresa assinar acordos exclusivos de podcasts com celebridades e realizar curadoria de playlists. 

Mas, nem todos os pivôs ou testes são bem-sucedidos. Para que eles funcionem, Guillén recomenda três condições:

  • alinhamento da empresa com tendências de longo prazo criadas ou intensificadas pelo contexto, como trabalho remoto, distanciamento social e uso aprimorado de tecnologia; 
  • ser uma extensão natural de capacidades existente da empresa, consolidando uma intenção estratégica;
  • oferecer um caminho sustentável para a lucratividade, que preserva e aumenta o valor da marca para os consumidores.

Com isso, é possível fortalecer modelos de negócios inovadores que prosperarão frente a particularidades de uma nova realidade, como o home office ou “anywhere”, inteligência artificial e novas tecnologias, distanciamento e introspecção do consumidor e outras características que a pandemia influenciará no pós-normal

Quer saber mais sobre modelos de negócios inovadores e como as empresas podem construí-los? Deixe um comentário ou entre em contato! 

 

horizontes inovacao

Horizontes da inovação: o que é preciso mudar para inovar

Em "Alquimia do crescimento", Mehrdad Baghai, David White e Stephen Coley, consultores da McKinsey, analisaram empresas que começaram de patamares mais baixos, mas que alcançaram um gráfico positivo de crescimento. Após dois anos de pesquisa, os especialistas chegaram ao que hoje se conhece como sendo os três horizontes de inovação. Na época, a metodologia serviu de embasamento para diferentes estratégias empresariais. E, mesmo sabendo que não há uma receita pronta para obter sucesso, ainda assim é uma estrutura que comprovadamente gerou resultados e, certamente, poderá provocar insights importantes para as organizações. 

De 1999 pra cá, ano de lançamento da obra, os horizontes se tornaram ponto de partida para inovar nas empresas. Steve Blank, explica que eles foram os encarregados de mostrar para a alta administração o que era e como seria uma organização ambidestra. O modelo descreve a inovação em:

  • Primeiro horizonte: as ideias que estão dentro do primeiro dos horizontes de inovação são as responsáveis por possibilitar a inovação contínua dentro de um modelo de negócio existente.
  • Segundo horizonte: dentro dos três horizontes de inovação, é no segundo que as ideias estendem o modelo de negócios existente e os principais recursos a novos clientes, mercados ou alvos.
  • Terceiro horizonte: no horizonte número três, temos a criação de novos recursos e novos negócios com o intuito de tirar proveito ou responder a oportunidades disruptivas ou, ainda, para combater a interrupção. 

No segundo dos três horizontes da inovação, o foco está nas ideias disruptivas que trabalharão em cima de negócios existentes inseridos em modelos no quais há um conhecimento prévio, mesmo que fracionado. É aqui que falamos da construção de negócios emergentes. É quando a inovação faz com que sejam criados negócios internos que, com o passar do tempo, poderão se tornar novas e futuras unidades da organização. Há um potencial imenso no segundo horizonte, contando inclusive com a possibilidade de mudar e transformar a principal fonte de renda da companhia. 

Além disso, o segundo horizonte está exatamente no meio. Mas mais do que uma ordem numérica lógica, é preciso pensar no desenrolar das três etapas. O que significa que ele está entre a melhoria da eficiência operacional e da entrega do valor já existente do primeiro e antecipa as oportunidades e possibilidades que farão parte da visão de futuro do terceiro. É no segundo que ocorre o momento de explorar novas perspectivas, ampliando o negócio atual, como, por exemplo, ao expandir para mercados diferentes. 

Se dentre os três horizontes de inovação, o primeiro é orientado para o core business e o segundo para os negócios emergentes, é no terceiro que encontramos oportunidades inteiramente novas. Por isso, passam a ser trabalhadas ideias e hipóteses, que precisam ser testadas e ter sua viabilidade validada, consolidando a etapa da experimentação. 

Cabe, no entanto, trazer a ressalva de Steve Blank sobre a questão do tempo de cada horizonte. De acordo com o especialista, não há uma limitação quanto a isso. Agora, ideias disruptivas de cada um dos horizontes de inovação têm uma capacidade de rapidez na entrega semelhante. Ainda mais quando pensamos na integração entre os três horizontes e os princípios da inovação aberta.

O que é preciso mudar para a inovação acontecer 

Após conhecer os três horizontes de inovação, ao que você acredita que é possível atribuir o declínio de muitas empresas até então consolidadas? E o sucesso de outras? Henry Chesbrough, em “Inovação aberta: como criar e lucrar com a tecnologia”, explica que a forma com a qual promovemos a inovação de ideias promissoras e, por sua vez, como as lançamos no mercado, não é mais a mesma de pouco tempo atrás, por conta do acontecimento de uma transformação fundamental. Ou seja, saímos de um paradigma de “inovação fechada”, no qual o sucesso está baseado no controle, onde não é possível ter a certeza da capacidade das ideias do outro e “se quiser que algo dê certo, somente fazendo você mesmo”. 

A inovação aberta, de outra maneira, pressupõe que as empresas podem e devem utilizar ideias externas da mesma forma que utilizam as internas, combinando ambas as possibilidades para gerar valor. Nessa linha, Chesbrough destaca alguns dos princípios da inovação aberta:

  • nem todos os melhores profissionais da área trabalham na empresa e está tudo bem, é possível dispor do  conhecimento e experiência deles a partir de trocas e parcerias. O essencial é poder contar com os melhores dentro e fora da organização;
  • P&D externo pode criar valor;  P&D interno é fundamental para conquistar uma porção desse valor;
  • mais do que ser o primeiro a chegar no mercado, o que é realmente útil é construir um modelo de negócio melhor;
  • alcançar o sucesso está relacionado diretamente em fazer o melhor uso tanto das ideias internas quanto das ideias externas;
  • devemos produzir receita pela utilização de nossas patentes por terceiros e devemos adquirir patentes de terceiros sempre que isso fizer sentido e aperfeiçoar o modelo de negócio. 

São princípios que mudam a mentalidade interna, que preconizava a descoberta e produção de produtos e serviços unicamente pela empresa, além do controle da propriedade intelectual, que poderia vir a ser utilizada pela concorrência, gerado lucro a outros.  A nova lógica da inovação está relacionada com a difusão do conhecimento, permitindo o acesso e integrando os conhecimentos externos. 

A partir da convergência entre os horizontes de inovação e os princípios da inovação aberta, cada uma das três etapas tem um acréscimo de valor e novas possibilidades a serem exploradas. Além da potencialização de ideias promissoras, ganha-se agilidade e recursos, fazendo com que a inovação aconteça agora mesmo, com a estrutura que a empresa já possui. 

Caso tenha ficado alguma dúvida sobre os horizontes de inovação e a inovação aberta, entre em contato ou deixe um comentário.

 

Inovação aberta

Inovação aberta: prepare-se para as novas formas de trabalho

Por que, mais do que em qualquer outra hora, agora é o momento da inovação aberta? Não só a transformação digital foi acelerada durante a pandemia do novo coronavírus. Outro movimento bastante exemplar passou a acontecer, empresas que antes se fechavam em si, começaram a se unir e trabalhar abertamente de uma forma nunca vista anteriormente. Além disso, passaram a colocar acima de tudo, inclusive da oportunidade de aumentar seus lucros e a capacidade de criar valor. 

É assim que Linus Dahlander e Martin Wallin abordam o tema em “Why Now Is the Time for Open Innovation. Os autores trazem o exemplo da Siemens, multinacional alemã, que abriu sua rede de fabricação de aditivos para a produção de equipamentos médicos. Outro caso é o da Scania, no qual cerca de 20 especialistas de compras e logística da empresa estão ajudando o Hospital Universitário Karolinska a adquirir equipamentos de proteção para profissionais de saúde. Os reboques da Scania também foram convertidos em estações móveis de teste.

São iniciativas que além de salvar vidas, podem modificar inteiramente a forma que as empresas operam e o futuro do trabalho. Embora, em muitos casos, não sejam o modus operandi padrão em circunstâncias consideradas normais. No entanto, testemunhar ações como aquelas que estão acontecendo ao redor do mundo por conta do atual contexto, comprova o gigantesco potencial da inovação aberta e da ampliação de espaços para criação de valor. 

Mas, afinal, o que é inovação aberta?

A forma como muitos dos negócios atuais estão operando não conseguirá garantir sua sobrevivência por um longo período. As mudanças estão acontecendo em alta velocidade no outro lado da janela e nem sempre todos estão preparados para reagir ao que está acontecendo. Pelo contrário, uma da primeiras reações instintivas tende a ser, justamente, a proteção e a defesa. Ou seja, construir um ambiente seguro e sem riscos.

O que muitas empresas podem acabar se esquecendo é que focar na proteção e na defesa impedirá que se tire o melhor daquilo que está acontecendo, do que as mudanças estão provocando. O cenário inverso está em olhar para aquilo que as organizações que são referência estão fazendo e adotar mecanismos semelhantes. E é aqui que entra a inovação aberta.

Se há alguém que entende de inovação aberta, certamente é Henry Chesbrough, já que o próprio termo foi lançado em sua obra "Open Innovation: The New Imperative for Creating and Profiting from Technology". Em 2009, em entrevista, o especialista explicou sobre o que é inovação aberta. Ele começou ressaltando que o modelo anterior, a chamada inovação fechada, era baseada na autossuficiência. E o que isso significa? Algo que ainda se vê atualmente, faz-se muito por conta própria e sem falar com mais ninguém.

Porém, basta olhar para o lado que nos deparamos com novos conhecimentos. É papel das empresas fazerem um bom uso das ideias externas. Por mais que a tentação de fazer tudo sozinho possa ser grande, pois a confiança e a vulnerabilidade são matérias novas na grade curricular dos profissionais, não é algo necessário e nem uma ótima estratégia. Pois, cada vez mais é fundamental trabalhar mais árduo e com maior rapidez para recuperar investimentos. A inovação aberta funciona para poupar recursos, tempo e dividir riscos.

Uma das das ressalvas de Henry Chesbrough, entretanto, é que a inovação aberta deve funcionar sempre como uma via de mão dupla. Não basta servir apenas para a entrada de ideias na empresa, ela deve operar, inclusive, na saída delas. Fazendo com que as ideias de cada organização saiam pela porta da frente e possam ser utilizadas em outros negócios do mercado. 

O papel dos ecossistemas de inovação 

Os ecossistemas de inovação são ambientes colaborativos, compostos por startups, incubadoras, aceleradoras, governo, universidades e outros agentes. Eles têm proporcionado interação entre empresas e setores, fazendo com que haja um crescimento acelerado e estimulando a cooperação, promovendo trocas e construindo redes. Se há colaboração, a tendência é que as empresas que estão em sinergia possam superar os desafios e adquirir vantagens competitivas com maior rapidez. 

Se a inovação trabalha em uma progressão que combina elementos internos e externos, é importante que exista um alinhamento com o ecossistema de inovação. Assim, há uma promoção das ideias “de dentro” da empresa, a partir de experimentação e prototipagem, mas também um acompanhamento das ideias que estão “fora”, se permitindo guiar por práticas de quem está na ponta. 

É natural que exista um receio de compartilhar ideias e projetos e isso pode travar a inovação aberta e a colaboração necessária aos ecossistemas de inovação. Porém, se tem visto o quanto empresas como IBM e Intel, por exemplo, tem trabalhado em parceria com pesquisadores e universidades. Isso quer dizer que há sim uma abertura para parceiros, que em contrapartida auxiliam na criação da valor, mas mantendo aquilo que permite a rentabilidade e sustentabilidade do negócio.

Se há uma grande lição na inovação aberta é o equilíbrio no compartilhamento. É preciso colaborar, ser aberto para criar valor, mas também se manter fechado quando é necessário guardar uma parte para si. Passada pela fase de reconhecimento de valor, as organizações, em geral, se encontram mais preparadas para analisar onde devem se manter fechadas. Sendo assim, não significa que não existe um modelo fechado, mas que ele está dentro de um modelo de inovação aberta. 

Ainda temos muito para falar sobre inovação aberta, principalmente ao olhar para o presente e planejar os próximos passos. Novas formas de inovar permitirão flexibilidade e agilidade necessárias para se adaptar ao que o mercado e as pessoas demandarão no futuro. É uma nova forma de trabalhar e precisamos estar preparados para isso. Vamos conversar mais sobre isso? Deixe sua opinião nos comentários!

 

Design Organizacional e inovação

Design organizacional e inovação: como os dois conceitos se relacionam?

O design organizacional está intimamente ligado ao modo que as empresas se portam diante dos desafios da inovação. E vamos falar sobre como isso funciona na prática. Mas agora, antes de entrarmos na relação entre os dois conceitos, pare e pense: qual seria sua reação se alguém dissesse que a sua empresa já possui os recursos para inovar muito mais do que está sendo feito hoje e ainda ganhar velocidade e agilidade? 

Pedro Waengertner, CEO e cofundador da ACE, em seu livro  “A estratégia da inovação radical”, diz que é justamente essa situação que ele mais se depara sempre que se encontra com empresários. Mas, então, qual seria a grande dificuldade? A questão está nas estruturas que não favorecem que a inovação ocorra. A forma com que os colaboradores trabalham, a autonomia que têm ou não e, até mesmo, a maneira com que sua performance é mensurada. 

Não raro, mesmo em um grupo de pessoas com alta capacidade de entendimento, curiosidade e entusiasmo, nem sempre encontramos os objetivos da empresa como a principal preocupação. Acabam que projetos individuais se sobressaem. Ou, ainda, nem todos os colaboradores possuem uma visão clara do seu desempenho, pois sua performance está atrelada com metas qualitativas que são associadas com objetivos abstratos. E é essa a maneira que grande parte das pessoas está acostumada a trabalhar. 

É aqui que entra o design organizacional, na maneira das empresas repensarem sua estrutura e funcionamento para criar circunstâncias que estimulem a inovação. 

Entendendo o design organizacional 

É possível pensar no design organizacional como o desenho que mostra como acontecem as relações e, principalmente, o modelo hierárquico adotado. Waengertner diz que se consegue até mesmo sentir o design da organização. Para isso, propõe que: feche os olhos e relembre as empresas que já teve contato. Visualize os corredores, como era a organização das mesas e as expressões faciais daqueles que encontrou. Tudo isso não gerou uma sensação de como era o clima e o funcionamento das organizações? 

As percepções geradas nesse exercício de visualização são o que o especialista chama de sintomas do design organizacional. 

E por que isso é tão importante? Muitas empresas quando procuram inovar, priorizam uma mudança do ambiente físico, inspiradas nas sedes do Google, Facebook ou outro escritório famoso. Entram pufes, mesas de jogos e entretenimento, além de novas cores para compor o visual. No entanto, sabemos que isso não responde verdadeiramente à pergunta sobre o que torna uma empresa inovadora

Entendendo que o design organizacional é o conjunto de “processos, estruturas, pessoas e modelo de liderança utilizados em determinada empresa”, a forma como tais fatores é combinada é que determinará o comportamento da empresa frente aos desafios da inovação. 

Otimizando estruturas para inovar 

Não existe uma receita mágica para estruturar uma empresa, afinal, existem diversos modelos de negócios, produtos e mercados com suas próprias particularidades. Contudo, em “A estratégia da inovação radical”, há um desmembramento dos fatores “processos, pessoas, estruturas e modelos de liderança”, que pode servir como um guia para que a organização consiga otimizar cada um deles com foco em inovação. Vamos ver mais na sequência:

1. Processos:

  • Em uma empresa tradicional: o cerne dos processos está na rigidez e na pouca variabilidade. 
  • Em uma estrutura para inovação: deve-se entender que a inovação trabalha com o incerto e com experimentação, mas que exige métodos claros. 

2. Pessoas:

  • Em uma empresa tradicional: novamente, há uma rigidez nas funções e na compartimentalização das atividades. Como resultado, há pouca ou nenhuma autonomia e tudo funciona dentro de uma hierarquia.
  • Em uma estrutura para inovação: vemos times multidisciplinares trabalhando em conjunto, inclusive, com troca de papéis. 

3. Estruturas:

  • Em uma empresa tradicional: criação de silos e departamentos com limites tão claros que dificultam a comunicação entre áreas. 
  • Em uma estrutura para inovação: times pequenos e com diferentes especializações organizados através de metas da organização, podendo ser refeitos e criados de acordo com projetos e objetivos. 

4. Modelo de liderança:

  • Em uma empresa tradicional: modelo top-down, com desenho clássico de presidência, diretoria, gerência e operacional. A liderança está focada em supervisionar e garantir os processos. 
  • Em uma estrutura para inovação: modelo bottom-up, com autonomia da equipe que está na ponta para tomar decisões sobre o projeto. A liderança tem o papel de estruturar o time e garantir as melhores condições para obter os resultados.

Quando as empresas passam a focar no design organizacional como meio para alcançar um nível elevado de inovação, os resultados podem ser surpreendentes. Entretanto, é fundamental que exista comprometimento da liderança e planejamento para organizar as mudanças. Não é saudável querer mudar os processos mais importantes primeiros. A dica é inovar em processos de apoio antes de tudo. 

Descentralização 

Outro assunto que está relacionado com o design organizacional e mudanças para inovação é a descentralização. Vemos que somente dando autonomia para quem está na ponta é que a organização adquirirá a velocidade que precisa para reagir às necessidades do mercado. E, para isso, é preciso cortar etapas e camadas decisórias. 

Um exemplo de descentralização é o que ocorre no Spotify. Lá foi adotado o modelo de squads, onde times pequenos e multidisciplinares têm autonomia para a tomada de decisão. Dentro disso, existem chapters, que reúnem pessoas com competências em comum, como o marketing e vendas. E ainda há as guildas, com aqueles que possuem os mesmos interesses, como o atendimento ao cliente. 

É um modelo que diversas outras empresas passaram a estudar e aplicar. Mas isso, não significa que deve ser reproduzido totalmente em um primeiro momento. Empresas de grande porte podem realizar outros tipos de mudanças que envolvam a descentralização e tudo isso passa por uma transformação cultural.

Para realizar tais mudanças e estimular a inovação, há uma verdade máxima: é indispensável o apoio completo e irrestrito da liderança, principalmente uma liderança focada em inovação. Mais do que isso, o líder deve ser o exemplo. Olhar para a liderança, para a estrutura e para as pessoas é o que fará diferença na hora de repensar sobre o design da sua organização. Quer mais informações sobre design organizacional e inovação organizacional? Entre em contato conosco!

 

 

Inovação e liderança

Tipos de inovação: entenda as diferenças e dê o primeiro passo!

Não raro, quando uma empresa, ou uma equipe desta, precisa trazer alguma solução diferente, é marcada uma reunião de brainstorming que, certamente, contará com muitos post-its coloridos. Quem já participou de algo semelhante, consegue até mesmo visualizar a sequência de atividades, incluindo frases como: “não existe ideia ruim”, “não vamos julgar as ideias dos outros” ou “escreva tudo que passar pela sua mente”. Mas será que, realmente, isso faz parte de um dos tipos de inovação? 

Dando um passo atrás, é preciso entender de forma objetiva o que é inovação. E isso quer dizer fugir de lugares-comum e conceitos abstratos. Em "Dez tipos de inovação", obra escrita por um grupo de pesquisadores e liderada por Larry Keeley, encontramos definições de impacto sobre o assunto, que conseguem ir além de uma primeira impressão e formar um entendimento mais claro do que a inovação é (ou que também não é). São elas: 

  • Não estamos falamos simplesmente em invenção: a inovação pode incluir invenção, mas é preciso mais do que isso. É necessário que exista uma compreensão, por exemplo, sobre as necessidades e desejos dos clientes relacionadas com a invenção.
  • O produto é só uma ponta do que estamos tratando: o produto (ou serviço) em si não é o bastante. Os tipos de inovação podem envolver novas formas de negócio, de lucro e até de envolvimento com o cliente.
  • Há pouco do que é "novo" em inovação: toda a inovação parte de algo anterior, Não é preciso ser inteiramente novo para o mundo inteiro, foque no mercado ou setor.
  • A inovação precisa se sustentar: deve haver um retorno de valor para que, inclusive, possam existir inovações no futuro.

Entendendo que se trata de algo que é mais do que somente uma tempestade de ideias, deve-se ainda ter em mente que não se trata de uma matéria exclusiva de uma área ou de uma equipe específica. Qualquer pessoa pode e deve desenvolver competências para inovar. Então, voltando para a primeira questão, quais são os tipos de inovação que podemos explorar?

Os 10 tipos de inovação sugeridos por Larry Keeley 

Imagine que você está em um teatro, aguardando a peça começar. Por trás das cortinas, nos bastidores, sem que você consiga ver, estão acontecendo determinados tipos de inovação. E, quando o espetáculo se inicia, ocorrem outros tipos, que são visíveis para todo o público. 

É assim que explica Larry Keeley e seu grupo de especialistas. Dentro dos dez tipos de inovação propostos, e não inventados por eles, há ainda uma categorização que se assemelha ao paralelo entre bastidores e palco. As três categorias são: configuração, ou os trabalhos mais internos; oferta, com foco no produto e serviço central; experiência, que está voltado para o cliente.

Lembrando que as categorias não são um cronograma ou estão hierarquizadas, as possibilidades de combinações entre elas são inúmeras. Ainda dentro das categorias, temos dez tipos de inovação elencadas pelos especialistas: modelo de lucro, rede, estrutura e processo (que estão dentro de configuração). Desempenho de produto e sistema de produto (que fazem parte de oferta). Por fim, serviços, canal, marca e envolvimento do cliente (que  constam em experiência).

  1. Modelo de lucro: são as novas formas de obter lucro, tal qual o nome propõe. Aqui cabe o exemplo da Gillette, que ao perceber a rotina do público, ofereceu um aparelho de barbear com preço especial. Entra a grande sacada, as lâminas que eram vendidas separadamente e com preço mais baixo. Isso fez com que o consumidor não precisasse mais afiar suas lâminas antigas constantemente, pois ele pode ter seu pacote por um pequeno pagamento, gerando recorrência.

Em modelo de lucro, é importante enfatizar que não existe só uma forma de precificar e vender o produto. Os pacotes freemium e de assinatura são outros exemplos.

  1. Rede: é quando você modifica seu modelo de negócio para criar conexões com parceiros e trazer benefícios a todos. Por exemplo, a loja de aplicativos da Apple permite que os parceiros possam oferecer suas criações, o que colabora com a qualidade do local em si onde é disponibilizado o produto. A inovação não acontece sozinha, é preciso de uma rede, de fornecedores e parceiros.
  1. Estrutura: é a forma como a empresa organiza seus recursos e ativos internos. Como quando há uma estratégia para reduzir custos, otimizar operações e capacitar lideranças.
  1. Processos: é um dos tipos de inovação bastante popular, tendo como exemplo a produção enxuta com origem no sistema Toyota. É como são realizadas as atividades, reduzindo custos e aumentando a lucratividade e produtividade da empresa.
  1. Desempenho de produto: está relacionado ao produto em si, ao que ele oferece de valor. Acaba sendo um dos principais focos das empresas, pois a busca pelo desempenho e qualidade do produto deve ser um consenso.
  1. Sistema de produto: quando há uma interdependência entre os produtos oferecidos. Sendo assim, ao obter diferentes produtos de uma mesma empresa, o consumidor consegue aproveitar ao máximo determinados benefícios que não conseguiria obter caso optasse por outros.
  1. Serviços: é um dos tipos de inovação que está atrelada ao serviço entregue, mesmo que seja um produto, pois está associada com toda experiência de compra. O suporte e atendimento ao cliente, por exemplo, não são o que está sendo fisicamente comprado, mas agregam valor para o cliente.
  1. Canal: por onde a venda é realizada e chega até o cliente. Podendo ser via e-commerce, rede de franquias, mundo digital, marketing de rede, entre outros. A questão é levar o produto até as pessoas de forma diferente. 
  1. Marca: quando os clientes pensam na empresa, quais são os valores que eles reconhecem? Aqui, trata-se de novas formas de passar a visão da empresa para o público e gerar a identificação com ele.
  1. Envolvimento do cliente: como é o contato com o cliente? Como é o diálogo estabelecido entre empresa e público? É sobre como promover novas maneiras de se comunicar. 

É comum que as empresas possuam mais de um dos tipos de inovação. Os autores discorrem que para gerar um impacto significativo, é preciso ocorrer inovação em cinco ou mais dessas áreas. 

Também é fundamental entender que a inovação é imprevisível e deve ser uma cultura que deve permear toda a empresa, independente de setor ou da hierarquia. Quer continuar a nossa conversa sobre tipos de inovação? Entre em contato conosco!

 

pense diferente

Inovação cultural: o que você precisa saber sobre culturas empresariais inovadoras

Quando falamos em inovação cultural, estamos dizendo que é preciso ir além de engajar a equipe com novas ideias. A necessidade que todos já sabemos que existe é de uma cultura que incentiva a adoção de novas tecnologias, que alimenta a paixão pelo conhecimento e também seja um terreno propício à criatividade e aos avanços ou mudanças inesperadas. 

Essa necessidade de transformação da cultura empresarial vinha surgindo em alguns setores e, com a pandemia, foi acelerada e se tornou essencial para as empresas que desejam continuar crescendo.

A inovação cultural também humaniza e traz mais profundidade tanto nas relações profissionais como nas entregas de resultados. E isso é exatamente o que o momento nos pede.

Mas os líderes precisam estar constantemente atentos a algumas questões para evitar que inovação cultural acabe colocando uma “pressão desnecessária” em um ambiente que deveria se tornar mais agradável.

Antes de mais nada, listamos aqui cinco práticas mais comuns em uma cultura inovadora:

  1. Tolerância ao erro; 
  2. Abertura para a experimentação;
  3. Segurança psicológica;
  4. Ambiente altamente colaborativo;
  5. Quebra da hierarquia.

Mantenha-os em sua mente. Todos esses comportamentos são encontrados no dia a dia de uma empresa com alto desempenho inovador. 

No entanto, não podemos achar que tudo isso é criado em um simples processo ou que é algo muito fácil de se alcançar. Criar e sustentar um ambiente que promove a inovação cultural é um trabalho que requer tempo e esforço constante.

O outro lado da moeda 

Para implementar e manter as práticas que citamos acima, sempre há uma contrapartida: para tolerar falhas é preciso afastar a incompetência. Para a experimentação, é preciso uma forte disciplina. Já a segurança psicológica vem de um cenário onde há conforto mas ao mesmo tempo há uma franqueza total e que pode ser muito dura em alguns casos. A colaboração é construída em equilíbrio com a responsabilidade individual.  

E como nivelar todos esses pontos? Promover a inovação cultural em uma empresa é um trabalho paradoxal. E aqui entra, mais uma vez, o papel de uma liderança forte que seja capaz de gerenciar as tensões causadas por esses paradoxos.

Dicas para promover a inovação cultural equilibrando os paradoxos

Liberdade para a criação com disciplina

Sejamos sinceros: os prazos, metas e orçamentos travam qualquer processo criativo. Isso não quer dizer que toda a empresa trabalhará sem regras. Previamente deverão ser selecionados os responsáveis por cada projeto e determinados os quesitos e KPIs para cada atividade. 

Se levada longe demais, a vontade de experimentar pode se tornar uma permissão para assumir riscos mal concebidos. Ao mesmo tempo que a disciplina excessivamente rigorosa pode esmagar boas ideias se mal formatadas. 

Isso também aplica-se ao processo de brainstorming. Por mais absurdo que possa parecer um comentário ou uma pergunta, não devem ser barrados. Muitas vezes, é a partir do extraordinário que surgem possibilidades e propostas  que jamais seriam cogitadas de outra forma. Liberam a necessidade de julgamento, neste momento. 

Hierarquia

Quanto mais evidenciados são os níveis hierárquicos dentro de uma organização, mais longe ela está da inovação cultural. Comportando-se e interagindo independentemente da sua posição oficial, as pessoas possuem maior amplitude para agir, tomar decisões e expor suas ideias.

Um benefício de não haver decisões centralizadas, é a rápida ação quando existem mudanças no cenário, como as que enfrentamos com a pandemia do coronavírus. Assim, a diversidade de ideias em empresas culturalmente planas é muito mais rica do que no modelo hierárquico. Pois, utilizam o conhecimento, a experiência e as perspectivas de uma comunidade mais ampla de colaboradores.

No entanto, a falta de hierarquia não significa falta de liderança. Novamente, temos um paradoxo: as organizações planas geralmente exigem uma liderança mais forte do que as hierárquicas, principalmente diante da necessidade de estabelecer prioridades e orientações estratégicas claras.

Lidar com as falhas

Saber gerenciar as falhas comuns ao processo de experimentar não é sinônimo de tolerar habilidades técnicas rasas, pensamento desleixado, maus hábitos de trabalho e má administração. Uma característica comum às empresas inovadoras são os altos padrões de desempenho estabelecidos para os funcionários. Basta ver o exemplo da Amazon e do Google. Eles recrutam os melhores talentos do mercado. E embora isso possa parecer óbvio, muitas empresas não dão a devida importância a essa questão.

Os líderes devem comunicar as expectativas de forma clara e periodicamente. Ao mesmo tempo, em que se preza pela competência, também é fundamental valorizar o que se extraiu daquela experiência. Explorar ideias arriscadas que acabam fracassando é bom, mas não quando elas não trazem nenhum aprendizado.

Manter um equilíbrio saudável entre tolerar falhas produtivas e eliminar o baixo desempenho não é fácil. É preciso saber dosar. Afinal, para promover a inovação cultural em um ambiente não podemos esquecer do terceiro ponto que citamos lá no início: a segurança psicológica.

Estar aberto ao mundo externo

Construir e manter uma boa rede de contatos com outras empresas, especialistas e pesquisadores da área é outro passo fundamental para a inovação cultural.

Considerar o conhecimento de outras pessoas, no que está sendo estudado e desenvolvido pela área de inovação da sua empresa, pode trazer retornos inimagináveis. Essas conversas, em certos casos, podem levar a junção de equipes de diferentes empresas, mas com o mesmo objetivo: a inovação. Isso pode gerar acordos de co-inovação ou desenvolvimento de um produto ou serviço de forma conjunta. 

Promover a inovação cultural um trabalho árduo. Com combinação dos comportamentos aparentemente contraditórios (e paradoxais), corre-se o risco de criar confusão. Outro ponto que dificulta essa mudança é que ela envolve em diversos momentos, o comportamento das pessoas e a mudança do mesmo. Porém, todo esse esforço será recompensado no futuro. 

Seguindo os pontos acima, fortalecendo as lideranças, mantendo o equilíbrio e comunicando os benefícios dessas mudanças para todos, é possível vencer o desafio para, então, colher os seus frutos. A sua empresa está pronta para essa transformação? Aproveite para ler também nosso artigo sobre empresas ambidestras:Ambidestria e inovação: como os dois conceitos contribuem para o futuro do mercado