lean startup

Como a inovação aberta se conecta com a metodologia Lean Startup?

Se antes os empreendedores seguiam uma fórmula padronizada para o lançamento de novos negócios, atualmente, é possível perceber um movimento diferente no mercado. A metodologia Lean Startup chega com a proposta de equilibrar e diminuir os riscos e desperdícios, de qualquer natureza, na criação de uma empresa ou modelo de negócio. lea

Organizações inovadoras que buscam integrar boas práticas de gestão com foco na eficiência, a exemplo das Startups, aderem ao movimento Lean. Isso se deve ao fato da metodologia Lean Startup ser considerada uma abordagem com capacidade de transformar profundamente empresas de qualquer setor para que consigam se reinventar e se adaptar em tempos de mudanças exponenciais, promovendo a inovação contínua. 

Em "Por que o movimento lean startup muda tudo", Steve Blank, contextualiza o antes e depois da metodologia. Em um processo tradicional, há, de antemão, um plano de negócios, uma apresentação da ideia para os investidores, a estruturação da equipe, sobretudo da equipe de inovação, o lançamento de um produto e, por fim, um esforço final e gigantesco em sua venda. Tudo isso, sem nenhuma garantia de sucesso. 

Companhias e empresas com diferentes modelos de negócios tem tentado transformar suas formas de atuação, buscando acompanhar o ritmo de mudanças que o mercado vem exigindo. Essa não é uma tarefa fácil, mas com adaptações primordiais pode-se alcançar mudanças de pensamentos tornando os negócios cada vez mais velozes e adaptáveis em um contexto complexo e de incertezas. 

Com a metodologia Lean Startup, passa-se a enfatizar o padrão de gerar negócios adotado por Startups, que consiste em fazer de uma forma enxuta aquilo que é necessário sem desperdício de recursos.

O que é a metodologia Lean Startup?

Identificar problemas e saber como resolvê-los é a premissa da metodologia Lean Startup. O objetivo é, acima de tudo, promover mais eficácia, otimizar custos, reduzir desperdícios com entregas a curto prazo. A metodologia foi baseada no "Lean Thinking", que é um framework mental que busca pensar nos recursos de maneira eficiente e orientada. Potencializando, assim, os resultados a partir de melhorias contínuas. 

A metodologia Lean Startup vai ao encontro da experimentação, da opinião do cliente e de projetos interativos. Isso significa tirar de cena os planejamentos robustos e pormenorizados e a concepção de que, desde o começo, o ponto de partida deve estar ancorado em um produto pronto. 

Por isso mesmo, em contrapartida ao pensamento tradicional, é que se passa a trabalhar com os MVPs, ou os produtos mínimos viáveis, ou seja, com a necessidade de “pivotar”. Incluindo novos processos, tecnologias, e, principalmente, a mentalidade de trabalho da organização e do time.

Princípios da metodologia  Startup Enxuta

No livro A Startup Enxuta, Eric Ries explica que a Lean Startup, ou startup enxuta, tem origem na revolução ocasionada pela manufatura enxuta, um sistema desenvolvido na Toyota conduzido por Taiichi Ohno e Shigeo Shingo. Além disso, o pensamento enxuto tem impactado drasticamente tanto os sistemas de produção quanto as cadeias de suprimento. 

Entre os princípios do lean, estão: 

O autor afirma que o lean é o responsável por apresentar ao mundo que há uma distinção entre as atividades criadoras de valor e desperdício. A metodologia faz com que todos possam analisar sua própria produtividade por uma ótica diferente. Por exemplo, quando se desenvolve algo que ninguém realmente deseja e, por isso, pouco importa se está dentro do orçamento e do prazo pré-estabelecido.

A metodologia Lean Startup é, acima de tudo, uma forma de alcançar o principal objetivo das startups: descobrir, no menor tempo e com maior velocidade possível, qual o produto certo em que se deverá empregar esforços e investimentos. Em outras palavras, o produto que o público deseja e, sendo assim, pagará por ele.

Conexão entre lean startup e inovação aberta


Assim como o lean, a inovação aberta também oferece uma promessa de menor desperdício, redução de tempo e mais agilidade para fazer com que as ideias cheguem ao mercado. A inovação aberta promove a busca de fora do ambiente organizacional por soluções inovadoras para aperfeiçoar os processos internos.

Derivando do caminho “de fora para dentro”, fazendo parcerias ou a partir da colaboração com agentes externos, é possível, como alguns autores chamam: “começar no meio” e não no início.

A metodologia Lean Startup contribui para os processos de inovação aberta porque, como aponta Steve Blank, faz com que as startups parem de agir “na surdina”. Antes, o medo de potenciais concorrentes para uma oportunidade de mercado impedia que ocorresse um verdadeiro processo de feedback entre a empresa e o cliente. Hoje, com a adoção da metodologia lean startup, entende-se que esse processo de feedback é mais valioso do que uma exposição cadenciada e sigilosa.

Esse começar pelo meio, na verdade, quer dizer que a startup ou o inovador pode fazer uso daquilo que já foi desenvolvido e, inclusive, demonstrado por um parceiro-colaborador, em vez de simplesmente começar do zero. Assim, não é preciso reinventar a roda, ou aquilo que existe, é mais “lean” utilizar inovações bem sucedidas.

Nesse contexto, a inovação aberta é um meio para obter soluções mais rapidamente, acelerando o tempo de lançamento de mercado e fazendo com que as startups possam ter acesso ao conhecimento de especialistas que estão em outras organizações e instituições.

Obtendo, dessa forma, a validação do produto e mercado, o compartilhamento de riscos e a soma de expertises. Somando as práticas e processos da inovação aberta com a metodologia lean, há um grande terreno a ser conquistado no que diz respeito a inovar rápido e sem desperdícios.

Um ponto importante é que Lean Startup e inovação aberta não estão restritas ao âmbito da tecnologia, apesar de suas origens. São abordagens que têm sido implementadas por organizações dos mais variados portes e segmentos e transformado a forma como se inova.

Quer saber mais sobre como a inovação aberta e a metodologia Lean Startup se conectam ou ficou com alguma dúvida?

Entre em contato conosco e aproveite para deixar seu comentário e compartilhar suas impressões e perguntas.

 

Esg E Inovação

ESG e Inovação: como as duas práticas impactam no sucesso dos negócios?

Todas as organizações geram impacto socioambiental, independente de sua área de atuação, mas ainda são poucas que atuam de maneira estratégica, buscando inovar a partir da aplicação dos princípios do ESG (Ambiental, Social e Governança) no seu dia a dia.  

Nos últimos tempos, o ESG tem ganhado visibilidade, sendo amplamente adotado no mundo corporativo. O termo foi cunhado em 2004 em um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), elaborado após um Pacto Global. O relatório destacou a necessidade de integrar fatores ambientais, sociais e de governança que geram, não apenas a rentabilidade de negócios, mas também sua sustentabilidade a longo prazo.

O estudo inédito sobre a evolução do ESG no Brasil, promovido pela Rede Brasil do Pacto Global e a Stilingue, revela a evolução do ESG entre as principais empresas do país e destaca os impactos desse movimento com intuito de engajar mais companhias a aperfeiçoarem suas práticas sustentáveis.

Se enquadrar aos critérios ESG permite que as organizações minimizem os impactos negativos e potencializem os positivos, promovendo, consequentemente, melhores resultados na performance do negócio. Ao adotar práticas inovadoras do ESG, as empresas conseguem criar novos modelos de negócio em tempos de mudanças complexas.   

Afinal, inovar vai muito além de colocar em prática uma ideia nova. Um processo inovador precisa ser aplicável, viável e romper com velhas práticas, de acordo com Joseph Schumpeter, economista, cientista social e um dos pais da inovação.

O que é ESG?

ESG (do inglês Environmental, Social and Governance) diz respeito ao conjunto de práticas e informações socioambientais e de governança que apoiam a tomada de decisão nas organizações para orientar investimentos, ações e projetos.

Incorporar as práticas de ESG à estratégia das empresas amplia a competitividade do setor empresarial, independente do setor de atuação do negócio. Entenda como aplicar práticas de ESG promove a inovação nas organizações

Aplicar práticas de ESG promove a inovação nas organizações

Segundo Joseph Schumpeter, as inovações podem surgir na sociedade através de novos bens, novos métodos de produção, descobertas científicas e tecnológicas, novos arranjos comerciais e, consequentemente, alteram o equilíbrio da economia.

Já o Manual de Oslo (2018) considera inovação todo produto ou processo novo ou melhorado (ou combinação deles) que difere significativamente dos produtos e processos anteriores. Independentemente da definição, inovar é uma estratégia de sobrevivência no mundo que conhecemos hoje.

O primeiro passo para inovar é identificar uma necessidade que não está sendo servida ou está sendo mal servida. A segunda fase da inovação é testar uma ideia promissora na prática. É nesta fase em que as ideias mostram seus defeitos, são aprimoradas e evoluem.

Seguido disso, ainda podemos pensar na adaptação e aprendizagem, que nada mais é o que as empresas vêm buscando fazer ao criar modelos de negócios. Na atualidade não existe mais espaço para negócios que não pautem suas estratégias a partir do princípio da sustentabilidade. 

Adotar as práticas de ESG inspira a inovação nas organizações. Em uma economia sustentável, a atuação focada apenas em métricas financeiras se torna ultrapassada e uma nova visão de negócio se torna a regra de mercado. 

O propósito guia modelos de negócios ESG

Quando uma empresa tem claro qual o propósito pelo qual trabalha, as decisões estratégicas são baseadas nesse propósito. Nesse aspecto, os princípios do ESG acabam permeando o modelo de negócio de empresas atentas a esse movimento que passam a considerar práticas com impactos sociais, ambientais e de governança mais positivos. E tal consistência gera credibilidade para a empresa.

No Brasil, atualmente, existe uma grande oferta de investimentos ESG — seja por meio de fundos, renda fixa ou crédito. Há uma grande  demanda de investidores e empresas que vem buscando atender as expectativas do que o mercado exige. 

Segundo a pesquisa realizada pelo Global Network of Directors Institutes (GNDI), 85% dos conselheiros entrevistados acreditam que as questões ESG e de sustentabilidade serão o foco para os stakeholders.

Como adotar práticas de ESG na minha empresa?

Uma forma de começar a adotar práticas de ESG é aderir os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) às causas e objetivos de um negócio. Eles estão diretamente ligados ao impacto positivo. Aprovados em 2015 pela ONU, os ODS foram desenvolvidos a partir de uma negociação mundial e, como resultado, nasceu o documento “Transformando o Nosso Mundo: A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”. 

O objetivo principal é preparar as organizações para transformar o mundo, incentivando uma atuação mais consciente e sustentável que contribui para o cumprimento das metas da Agenda 2030, reduzindo desigualdade, fome, poluição, corrupção e dentre as 169 metas definidas. 

Cada vez mais, é preciso aumentar a sinergia dos modelos de negócio com práticas sustentáveis comprovando, assim, que uma atuação consciente é capaz de gerar soluções inovadoras e absolutamente necessárias para o sucesso dos negócios.

Quer saber como a sua empresa pode passar a incorporar as práticas de ESG para o sucesso da organização? Entre em contato! 

 

Estratégia Lean

Estratégia Lean: como preparar a sua empresa para transformar o mundo

Estratégia Lean é uma metodologia que surgiu no Japão, no período logo após à Segunda Guerra Mundial, com objetivo de promover a eficácia operacional de produção: entrega de qualidade em curto prazo, com baixo custo e com redução de desperdício. 

O criador foi Aiichi Ohno, chefe de produção da Toyota que, ao longo de 10 anos, liderou também um sistema de gestão que ficou conhecido globalmente como Toyota Production System (TPS). Baseado em dois pilares principais o Just-in-time, que monitora o tempo de produção) e o Jidoka, que remete a automação com inteligência humana.

O TPS virou tema de livro do Massachusetts Institute of Technology (MIT), em 1990. A obra The Machine that Changed the World de James P. Womack, Daniel T. Jones e Daniel Roos inspirou líderes de empresas de diferentes segmentos ao redor do mundo a mapear em uma folha de papel A3, o que chamaram de A3 Thinking e considerar a descrição do problema, os benefícios e custos do projeto, metas, cronograma de ação, plano de implementação e a equipe responsável pela execução. Tudo isso para garantir a eficácia operacional por meio do Lean manufacturing, conhecido no Brasil como “produção enxuta”.

No entanto, por mais que esse modelo tenha assegurado a eficácia operacional ao longo dos anos e, ainda predomine nas formas com que trabalhamos, a produção enxuta foi pensada para um ambiente estável em um mundo onde as mudanças não ocorriam com a velocidade e complexidade que acontecem hoje.

Dessa forma, abre-se espaço para uma nova estratégia lean. Focada em empresas que visam inovar de forma bem sucedida e que olham para as suas engrenagens como um organismo vivo: feito por pessoas que entregam valor para outras pessoas.

A liderança inovadora que hoje está à frente dessas organizações querem, sim, atingir a eficácia operacional, mas também abrindo espaço para flexibilidade, criatividade e cooperação tão fundamentais em organizações ambidestras.

Quer saber mais sobre a estratégia lean e como criar um ambiente que transforme a empresa em direção ao novo? Continue a leitura do artigo!

O mundo mudou, a estratégia lean também

Depois do pós-guerra o mundo se transformou intensamente. Passamos por quatro revoluções industriais que mudaram completamente a nossa forma de se comunicar, e consumir. Além da pulverização da internet e de dispositivos inteligentes, passamos também por um período intenso de convergências tecnológicas, nas quais deram suporte para inovações radicais, inclusão de robôs nos processos produtivos, a intensa utilização de metodologias ágeis, Design Thinking e adoção de outras ferramentas sem precedentes históricos.

Tudo isso exigiu das empresas alta capacidade de adaptação e agilidade nas tomadas de decisão. Um exemplo disso, foi a transformação que a pandemia de 2020/21 exigiu das empresas, acelerando em alguns segmentos a transformação digital de 10 anos em 1 mês. 

A área da saúde foi uma dessas áreas bastante impactadas, que exigiu rápida adaptação para assegurar a saúde dos pacientes, principalmente aqueles que fazem tratamento para doenças pré-existentes. Telemedicina, adoção de múltiplos canais para agendamento, confirmação e envio de exames, além da intensificação do uso do prontuário eletrônico.

Para o varejo, as transformações foram ainda mais intensas. Lojas físicas que não contavam com atendimento digital ou vendas on-line tiveram que colocar novas estratégias para rodar às pressas. Nesse período, o omnichannel virou prioridade nas empresas. Afinal, em casa, as pessoas ficaram mais impacientes e oferecer atendimento onde o cliente quer ser atendido é fundamental para que as lojas físicas e virtuais sigam complementares  no mercado.

A estratégia lean e os pilares da produção enxuta alinhada aos pilares da inovação foi fundamental para reduzir os impactos da crise e até mesmo aproveitar as oportunidades surgidas nesse período. Um exemplo disso é que o e-commerce aumentou a receita em vários segmentos, inclusive abraçando os consumidores que nunca haviam feito uma única compra on-line.

Mas, afinal o que é ser lean?

  • Encontrar e resolver os problemas certos;
  • Fazer melhor do que a concorrência;
  • Mudar os paradigmas de sucesso de um setor da economia;
  • Buscar valor nas melhorias de produtividade e qualidade;
  • Produção de valor a longo prazo.

Uma nova cultura lean

Vivemos em uma era em que a satisfação do cliente deu lugar ao Customer Experience (CX). O CX impacta positivamente os resultados dos negócios à medida que as experiências positivas dos clientes são ampliadas. Nessa era em que a gestão da experiência do cliente está no centro da estratégia e precisa ser positiva em todos os pontos de contato, as várias etapas do CX são de responsabilidade de todos na organização e, portanto, passa também por uma transformação cultural.

Além disso, fala-se também entre maior colaboração e integração entre as equipes, independente dos colaboradores estarem alocados no marketing, vendas, RH, operações ou tecnologia.

Para tanto é fundamental conhecer a jornada do cliente, entender quais são suas decisões racionais e emocionais, em quais canais essa base de cliente quer ser atendida e como assegurar a eficácia da operação de uma empresa pautada pelas experiências positivas dos clientes.

Quer saber mais? Leia o artigo: Inovação organizacional: por que a cultura é o centro da estratégia?

 

Organizacao Inovadora

O que as organizações inovadoras têm em comum? Conheça casos reais

A criação de valor de muitos negócios tem como base a inovação. É o que afirma Rodolfo Barrueco, empresário e especialista em inovação e tecnologia. Com a pandemia do novo coronavírus, vimos muitos negócios acelerando a transformação digital e a inovação, fazendo com que as empresas desafiassem diversos conceitos pré-estabelecidos pelo próprio mercado em seus nichos de atuação. É preciso inovar para garantir o futuro. Mas, afinal, qual é o ponto em comum das organizações inovadoras?

A China, por exemplo, já tinha a pauta de inovação presente em muitos setores de negócios. Há diversos modelos de negócios que ainda estão sendo discutidos ao redor do mundo que já estão maduros por lá, como explica o especialista. O que faz com que a oferta de inovação tenha sido ainda mais intensificada. Entre cases de sucesso, temos a Beike, plataforma on-line de locação imobiliária, que oferece um tour virtual com o auxílio de realidade virtual. Durante a pandemia, foram mais de 10 milhões de exibições de propriedades por meio dessa tecnologia para potenciais compradores.

Também há outro caso de destaque, o da plataforma de recrutamento Veryeast.cn. Durante o período de isolamento, a plataforma permitiu que empresas de turismo, que foram bastante impactadas pelo cenário da pandemia, compartilhassem temporariamente seus funcionários com outras organizações, principalmente com aquelas que tiveram um crescimento considerável a partir das necessidades geradas pelo contexto, como as do setor de logística. Fazendo com que, por um lado, houvesse redução de custos e, para as outras empresas, tivesse um ganho com profissionais qualificados e que agregam com novos conhecimentos.

Com tudo isso, vemos surgir outro ponto em comum nas organizações inovadoras. Elas estão abertas para a inovação. Ou seja, muitas têm optado pela inovação aberta, adotando uma abordagem colaborativa e somando os pontos fortes de todos envolvidos para inovar e crescer.

Inovação aberta e organizações inovadoras

Linus Dahlander e Martin Wallin, professores com foco em inovação, apontam a inovação aberta como um movimento dos últimos tempos, em que as empresas passaram a se unir para trabalhar em conjunto, priorizando a criação de valor acima de tudo. Como exemplo recente, durante a pandemia do novo coronavírus, a Siemens, multinacional alemã, abriu sua Rede de Fabricação de Aditivos para quem precisasse de auxílio em projetos de dispositivos médicos.

Já a Scania e o Hospital Universitário de Karolinska, na Suécia, estabeleceram uma parceria para converter reboques em estações de testes móveis, além de direcionar profissionais para localizar, adquirir e entregar equipamentos de proteção individual para profissionais da saúde. Nesses casos, a inovação aberta e a colaboração podem, sim, salvar vidas, e também agregar muito valor para as empresas.

As organizações inovadoras e a inovação aberta possuem um relacionamento com um imenso potencial, independentemente do cenário. A inovação aberta é capaz de ampliar o espaço para que a criação de valor ocorra, com novos parceiros e habilidades complementares ou, ainda, com a descoberta de um potencial oculto de parcerias de negócios.

Quando pensamos em uma crise, como a que estamos passando em 2020 e neste início de 2021, a inovação aberta pode atuar como suporte para as empresas encontrarem formas de solucionar problemas urgentes e, paralelamente, construírem parcerias para colaborações futuras. É uma maneira de fazer com que surjam relacionamentos de confiança que perdurem e que proporcionem trocas estratégicas entre ambos em tempos futuros.

Organizações inovadoras: uma nova realidade

Em "Innovation in a crisis: Why it is more critical than ever", Jordan Bar Am, Laura Furstenthal, Felicitas Jorge e Erik Roth afirmam que priorizar a inovação nos tempos atuais é a chave para desbloquear um movimento de crescimento em um amanhã do pós-crise. Em sua pesquisa, os especialistas constataram que há ações extremamente estratégicas a serem tomadas:

  • adaptação do núcleo para atender mudanças que ocorreram nas necessidades dos clientes;
  • identificação e abordagem rápida de novas áreas de oportunidade que foram criadas em decorrência do cenário de mudança;
  • reavaliação do portfólio de inovação para assegurar a alocação de recursos da melhor forma;
  • construção da base para um crescimento no pós-crise, garantindo a competitividade quando houver um período de recuperação.

Já, no Brasil, observamos empresas que estão tomando os caminhos indicados pelos especialistas e se tornando referência no quesito organizações inovadoras. Em decorrência das demandas surgidas com a pandemia, elas têm acelerado processos e projetos de inovação. Uma lista recente da Forbes trouxe algumas daquelas que têm se destacado, como, por exemplo:

  • Magazine Luiza: grande adepta da digitalização do varejo, a Magazine Luiza anunciou em outubro a aquisição de uma plataforma de cursos voltados para e-commerce e performance digital, a ComSchool. Também adquiriu as startups AiQFome, HubSales e Stoq, assim como a Inloco e o Canaltech. Investe na projeção e exercícios de cenários futuros, tendo como base o Luizalabs, laboratório de tecnologia e inovação da empresa. Foi bastante ágil no início da pandemia, lançando rapidamente o Parceiro Magalu, permitindo que varejistas pudessem utilizar a plataforma para vender. Neste artigo, comento mais sobre a estratégia da Magazine Luiza.
  • Unilever: lançou o programa Futuro Limpo, refletindo o novo propósito da empresa, junto ao investimento de € 1 bilhão para financiar pesquisas relacionadas com a área. A sua estratégia é tornar a sustentabilidade cada dia mais presente no dia a dia das pessoas, inclusive trazendo marcas como a The Vegetarian Butcher (produção de alimentos com base vegetal) para o Brasil. Entre seus diferenciais estão o ambiente colaborativo, o incentivo à experimentação, a utilização de metodologias ágeis e programas de inovação aberta e intraempreendedorismo.

Acompanhar e entender o que as organizações inovadoras estão fazendo é importante para compreender os movimentos do mercado e quais ações são apostas de sucesso. Porém, para aplicá-las em seu próprio negócio, é fundamental analisar a sua estrutura, processos atuais e a liderança. Quer saber mais sobre como colocar em prática ações inovadoras? Continue acompanhando o Blog.

 

Modelo Negocios

Mudanças em modelos de negócios para sobreviver à crise

Quando uma crise acontece, como o próprio cenário desencadeado pela pandemia do novo coronavírus, é natural que o mercado comece a analisar uma série de fatores, em conjunto com as suas lideranças, como os modelos de negócios ou a maturidade digital das suas empresas. Dentro disso, é necessário, ainda, um olhar para o hoje, para o amanhã e também para o longo prazo.

Para iniciar uma análise dos modelos de negócios mediante uma crise, Thomas Ritter e Carsten Lund Pedersen, professores e especialistas em negócios, indicam uma avaliação daquilo que chamam de as quatro principais dimensões:

  • clientes;
  • propostas de valor;
  • demonstrações de valor;
  • recursos.

Com uma avaliação das quatro dimensões, depois cabe uma outra análise, agora de como se dá a conexão entre cada uma delas. Já, como terceiro passo, os especialistas recomendam a definição de objetivos - importante enfatizar - realistas. Objetivos para durante e pós-crise.

Análise das 4 dimensões dos modelos de negócios

Para adentrarmos um pouco mais na análise das quatro dimensões dos modelos de negócios, vamos entender primeiro a questão dos clientes. Sendo assim, como ponto de partida, as empresas deverão avaliar o que a crise significa e impacta na demanda do cliente: aumentará? Diminuirá?

Outro ponto relacionado com os clientes é a questão do comportamento do consumidor e os padrões de consumo, será que estão investindo mais em um serviço do que outro? Por exemplo, estarão consumindo mais delivery do que compras físicas? É necessário considerar novos grupos de clientes? Há preocupações de segurança geradas pelo novo cenário? Como as vendas físicas serão afetadas?

Também, como dito, é fundamental que se tenha clareza sobre como será afetada a proposta de valor atrelada aos modelos de negócios. Ritter e Pedersen exemplificam a questão ao trazer o contexto do ensino superior durante a pandemia do novo coronavírus. Ou seja, as necessidades dos clientes não foram alteradas, os alunos ainda querem ser educados. Mas, se escolas e campus precisarem ficar fechados por um longo período, é essencial repensar em como criar valor como uma instituição on-line e quais podem ser os diferenciais perante os concorrentes.

Na dimensão seguinte, quando se fala em demonstração de valor dentro da análise dos modelos de negócios, estão os canais de vendas e marketing que fazem parte da empresa. Por sua vez, na crise do coronavírus, com restrições relacionadas com interações sociais e pessoais, canais típicos de demonstração de valor não puderam mais ser utilizados, como feiras, eventos e reuniões presenciais com os clientes. Dentro desse cenário, como conseguir  encontrar novas maneiras de demonstrar valor?

Por último, a quarta dimensão que deve ser analisada dentro dos modelos de negócios para sobreviver à crise, os recursos de uma organização são aquilo que impulsionam uma organização, inclusive para a criação de valor para os clientes. Em uma crise, é natural que ocorra uma sobrecarga e, por isso, há igualmente a necessidade de uma repriorização das capacidades.

Por exemplo, o suporte para TI para recursos de trabalho remoto e videoconferência foi mais exigido. Além disso, os níveis de produtividade e desempenho acabaram sofrendo uma queda, pelo menos inicial, com as mudanças ocasionadas pela saída do escritório físico para o home office.

A conexão entre todas as dimensões

Por fim, após a avaliação das quatro dimensões dos modelos de negócios, é possível planejar como mudanças potenciais podem ocorrer em uma dimensão e impactar nas outras. Por exemplo, grupos de clientes que valorizam determinadas ofertas e como isso mudará por conta crise. É fundamental adotar um mindset de oportunidade. Afinal, mais do que desafios em cada uma das dimensões, haverá chances para modificá-las em si, assim como a forma que se relacionam.

La Roche-Posay: transformando o modelo de negócio

Em artigo divulgado pela própria marca, a La Roche-Posay, que integra o grupo da L'Oréal, anunciou que passou a investir fortemente em iniciativas com foco na saúde e no planeta, transformando o seu modelo de negócio por meio da sustentabilidade. De acordo com a La Roche-Posay, os alertas que vêm sendo recebidos por cientistas não são poucos e, ao mesmo tempo, bastante decisivos. Dessa maneira, é preciso mudar a forma de fazer negócios e, por sua vez, alinhá-la com o meio ambiente.

É inevitável trazer para o contexto provocado pela pandemia do coronavírus a necessidade de mudanças rápidas e expressivas nos modelos de negócios. Nesse caso, em específico, a marca traz como mote a importância das ações lideradas pelas empresas e que podem ser utilizadas de forma positiva na produção e consumo de bens. Por conta disso, utiliza como âncora para os seus princípios - e para o próprio modelo de negócio - a transformação de vidas por meio da Dermatologia. Também se conecta com o programa do grupo, o L’Oréal para o Futuro.

Em 2020, cem por cento dos produtos lançados já tiveram como pano de fundo a causa ambiental ou social em uma de suas etapas, seja na produção, na formulação, nas embalagens ou no impacto que geram na sociedade, trazendo  a "ciência verde" para dentro da marca e trabalham com ativos orgânicos e naturais e materiais de origem vegetal, sem aditivos químicos. A meta para até 2030 é ter 90% das fórmulas de higiene e limpeza completamente biodegradáveis.

A mudança no modelo de negócio e o impacto social positivo foram impulsionados pela pandemia do coronavírus. Maíra da Matta, diretora da La Roche-Posay no Brasil, afirma que como a saúde, o core do negócio, se tornando prioridade no mundo todo, observaram um agravamento em desigualdades sociais. Com isso, vieram efeitos devastadores para comunidades vulneráveis e profissionais de saúde. O que serviu como ponto de virada para a marca.

Vale sempre analisar como grandes empresas estão se portando frente a questões que envolvem cenários de crise e, da mesma forma, como lidam com as quatro dimensões dos modelos de negócios.

 

novos modelos de negócio

Novos modelos de negócio e a estratégia do ponto, linha e plano

Certamente, a transformação digital acelerada tem impactado de diferentes formas os negócios de diversos segmentos. E não é de hoje. As consequências vão desde as mais palpáveis, como as ferramentas tecnológicas, até as mais decisivas e elementares, como o próprio posicionamento estratégico. 

Se, antes, nos deparávamos com conceitos e modelos tradicionais de estratégia, hoje já não é mais suficiente se guiar pelo que embasou a construção de inúmeras empresas que estão no mercado. Pelo contrário, novos modelos de negócios e respostas rápidas às mudanças vêm sendo exigidas como fatores de sucesso. E é nesse contexto que encontramos as definições de ponto, linha e plano. 

Em seu relatório de resultados do último trimestre de 2019, o Magazine Luiza começa com uma mensagem da diretoria trazendo justamente esse argumento. A revolução digital não passou despercebida, houve e há consequências nos mais variados setores. São parâmetros, modelos de negócios e regras inteiramente novos, diferente daquilo que conhecíamos como sendo as boas práticas vencedoras. Por isso mesmo, a empresa passa a detalhar as mudanças que fizeram no seu posicionamento estratégico.

Antes de mais nada, é importante salientar que o Magazine Luiza, fundado em 1957, no interior de São Paulo, vem escrevendo sua história ao longo dos anos a partir da inovação. Em 2011, com a abertura de capital da empresa, a estratégia adotada pela família Trajano, ganhou ainda mais destaque, angariando reconhecimentos e prêmios. 

Em consonância com seu discurso e objetivos, a companhia fundou ainda o Luiza Labs, laboratório de tecnologia e inovação. Com esse histórico, o Magazine Luiza se tornou uma empresa que definitivamente está no radar das outras organizações. Principalmente, no que está relacionado com as estratégias inovadoras que pretendem adotar.

Ponto, linha e plano: os conceitos do Alibaba 

Para entender o discurso do Magalu, é preciso antes entrar no conceitos de ponto, linha e plano. Primeiramente, cabe dizer que é natural que os empreendedores e líderes se questionem sobre o seu próprio futuro dentro dos ecossistemas e redes. Ming Zeng, que ocupou o papel de Estrategista-Chefe do Alibaba por mais de uma década, afirma que cada vez mais a atividade econômica ocorre dentro de algum tipo de rede inteligente. Por essa razão, as empresas precisam reconhecer qual sua posição dentro dessas redes ou teias interligadas. 

No Alibaba, são utilizadas metáforas geométricas para se referir às três posições estratégicas básicas do ecossistema: ponto, linha e plano. Na definição de Zeng, os pontos são os indivíduos ou empresas com habilidade especializadas, mas que sozinhos não sobrevivem. Essencialmente, os pontos prestam serviços funcionais. 

Já as linhas podem ser entendidas como empresas que combinam funções produtivas e funcionalidades para criar produtos e serviços, fazendo uso de serviços prestados pelos pontos e planos. Por fim, os planos são as plataformas que auxiliam novas linhas a se formarem e crescerem, oferecendo serviços de infraestrutura e estimulando o crescimento dos pontos. Zeng faz ainda a seguinte diferenciação: 

1- Ponto: 

A proposta de valor do ponto é vender uma função ou funcionalidade e sua vantagem competitiva está na especialização. A capacidade organizacional é simples, sem operações complexas. A estratégia principal é avançar para o próximo plano em ascensão e encontrar seu nicho numa linha de crescimento rápido. 

2- Linha:

Na linha, a proposta de valor é criar um produto ou serviço e a vantagem competitiva está no valor, custo e eficiência. Já a capacidade organizacional está em racionalizar e otimizar o fluxo de trabalho. A estratégia principal é utilizar os recursos de planos robustos para incorporar pontos fortes.

3- Plano:

Sua proposta de valor está em interligar participantes relacionados e a vantagem competitiva é a de combinar eficiências. A capacidade organizacional reside em projetar sistemas e instituições para mediar relacionamento. A estratégia principal é capacitar o crescimento de pontos e linhas.

O novo posicionamento estratégico do Magalu 

Se, como o próprio Magalu alega, as opções estratégicas são um apanhado de buzzwords de um dialeto digital, é mesmo difícil reconhecer o quão autêntica é uma estratégia. No entanto, algo é certo, não há um modelo único, por isso, é preciso acompanhar as transformações e entender qual é o caminho mais adequado para cada um.  

Sendo assim, o Magalu traz o ponto, linha e plano de Zeng. Durante 18 anos, o Magalu montou um bem-sucedido modelo de linha. Uma empresa multicanal e lucrativa de bens duráveis. Porém, em 2018, decidiram mudar para plano, se transformando em um ecossistema, com foco em varejo, alinhado com o propósito da empresa da democratização do acesso, da inclusão digital de empresas e consumidores brasileiros. 

Para os próximos passos, a Magalu segue com a estratégia de plano. Buscando conectar os clientes às melhores soluções disponíveis, se transformando em um centro de ofertas que pretender prover aos consumidores aquilo que precisam ou desejam, de forma legal e ética. 

Em 2019, o foco foi o aumento da escala, adquirindo outras empresas, como a Netshoes, a Época Cosméticos e a Estante Virtual. Em 2020, até o começo do ano, a empresa pretendia focar na integração das empresas adquiridas, além dos lançamentos como o MagaluPagamentos, MagaluPay e MagaluEntregas. Vale analisar, para além do contexto atípico de 2020, como está sendo a aplicação do ponto, linha e plano nos resultados do Magazine Luiza.

Quer saber mais sobre ponto, linha e plano? Deixe seu comentário ou entre em contato comigo!