Um final de semana, folga, descanso, nada prá fazer. Certo? Não, errado. Há muito tempo não tenho essa divisão sincrônia de dias úteis e dias inúteis. Há muito tempo não sei o que são férias, pernas pro ar e nada prá pensar. Não pensem que sou “workholic”. Não sou. Apenas faço o que gosto e prá isso não existe entre o hoje e o amanhã, ou se é segunda, terça ou domingo. Ou que preciso ter um mês específico para viver em plenitude.
Ao escrever domingo, pensei – interessante – parece um trocadilho – dó de mim, vá embora. Go! Isso mesmo. Descobri que fazer o que a gente gosta, não existe sábado, domingos e dias feriado. Todos os dias são dias úteis. Não no sentido lato da palavra, aquela que causa a dor e amargura. Mas resgata o que de significativo existe nas nossas vidas. Atualmente com a internet, isso fica ainda mais simples. Sentei à minha mesa de trabalho ou quem sabe de inspiração e ao abrir meus emails, tive liberdade para ver aquelas mensagens que amigos queridos me enviam sempre com bons fluidos e positividade. Respondi a outros emails que ontem não tive tempo. Escrevi cartas comerciais e que a priori deveriam ser respondidas somente amanhã, segunda feira.
Aproveito um domingo de muito frio e chuvoso para colocar minha casa em ordem, organizar meus arquivos, pegar um livro na estante e simplesmente ler o quanto que der vontade. Se o sono chegar, me deito sem remorsos e durmo o necessário para descansar meu corpo e minha mente até acordar sem despertador ou por obrigação. É num domingo que sistematizo a minha semana. Gosto de ajustar meus arquivos mentais e físicos. Estruturar o que for necessário para evitar o stress normal do nosso dia a dia. Na medida em que organizo fisicamente meus papeis e compromissos, eu abro espaço para entrar o “nadismo“. O aqui e agora. O viver o “eterno retorno”, dito por F. Nietzsche.
Saber viver cada dia e cada momento como se o mundo e a vida estivem acabando naquele exato momento. Viver o presente e nada deixar por vir. Organizar as idéias para que ao acontecê-las estejamos plenos e inteiros, vivendo aquela realidade, é uma forma que encontro para ter meus dias sempre úteis, proveitosos e capazes de nos fazer felizes. Apenas porque estamos vivos. Simples como a vida deve ser.


Na chegada, a recepção de sempre. Não preciso descrever do que se trata um encontro de família. Quem tem uma sabe do que falo. Os tios e tias a cada dia mais velhos mas com as piadas de sempre. As crianças que crescem, os adolescentes que surgem, o cachorro que late. Sempre tem uma prima que vende alguma coisa, outra que está grávida e uma tia que faz tricô. Drama maior é a hora de lavar a louça. Sempre caio fora e vou brincar com a meninada. Mas sempre são momentos que nos resgata a amizade, o espírito de solidariedade e da certeza que temos com quem contar.


