O MOTIVO DO POST
Durante uns 3 anos mantive um contato muito próximo com uma pessoa a quem considero muito. Foram palavras animadoras, textos inteligentes, trocas emocionantes, momentos especiais. Por razões que desconheço, essa pessoa a quem tenho um grande apreço, me repudiou e tornou-se agressivo. Adotou uma postura defensiva e ameaçadora. Pensei muito nessas situações que ocorrem quase que diariamente. Por que nos tornamos agressivos? Por que nos sentimos ameaçados e esquecemos as palavras de gentileza?
Ao pensar em palavras de gentileza, automanticamente veio a minha mente a música de Marisa Monte. Resolvi compartilhar nesse espaço tanto a música, como a história que deu origem a ela. Este post é uma mensagem que registro como um simbolismo ao que foi excluido da minha vida ontem. Ao muro erguido por essa pessoa que citei. Registro meu perdão pela tinta cinza que foi pintada sobre toda a nossa vivência e sobre os nossos escritos. Resta o amor que nunca se apaga e meu sentimento de compaixão.
A ORIGEM INSPIRADORA DA MÚSICA
Essa música foi feita em homenagem a José Datrino, chamado Profeta Gentileza.
No dia 17 de dezembro de 1961, na cidade de Niterói, houve um grande incêndio no circo “Gran Circus Norte-Americano”, o que foi considerado uma das maiores tragédias circenses do mundo. Neste incêndio morreram mais de 500 pessoas, a maioria, crianças. Na antevéspera do Natal, seis dias após o acontecimento, José acordou alegando ter ouvido “vozes astrais”, segundo suas próprias palavras, que o mandavam abandonar o mundo material e se dedicar apenas ao mundo espiritual. O Profeta pegou um de seus caminhões e foi para o local do incêndio. Plantou jardim e horta sobre as cinzas do circo em Niterói, local que um dia foi palco de tantas alegrias, mas também de muita tristeza. Aquela foi sua morada por quatro anos. Lá, José Datrino incutiu nas pessoas o real sentido das palavras Agradecido e Gentileza. Foi um consolador voluntário, que confortou os familiares das vítimas da tragédia com suas palavras de bondade. Daquele dia em diante, passou a se chamar “José Agradecido”, ou simplesmente “Profeta Gentileza”.
O Profeta Gentileza tornou-se conhecido a partir de 1980 por fazer inscrições peculiares sob um viaduto na cidade do Rio de Janeiro, por onde andava com uma túnica branca e longa barba. Com o decorrer dos anos, os murais foram danificados por pichadores, sofreram vandalismo, e mais tarde cobertos com tinta de cor cinza. A eliminação das inscrições foi criticado e posteriormente com ajuda da prefeitura da cidade do Rio de Janeiro, foi organizado o projeto Rio com Gentileza, com o objetivo restaurar os murais das pilastras. Começaram a ser recuperadas em janeiro de 1999. Em maio de 2000, a restauração das inscrições foi concluída e o patrimônio urbano carioca foi preservado.
A LETRA DA MÚSICA
Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
A palavra no muro
Ficou coberta de tinta
Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
Só ficou no muro
Tristeza e tinta fresca
Nós que passamos apressados
Pelas ruas da cidade
Merecemos ler as letras
E as palavras de Gentileza
Por isso eu pergunto
À você no mundo
Se é mais inteligente
O livro ou a sabedoria
O mundo é uma escola
A vida é o circo
Amor palavra que liberta
Já dizia o Profeta

