A palavra metáfora tem origem no grego “meta” [além] + phorein” ([transportar de um lugar para outro]. Literalmente, transporta o sentido de uma palavra ou frase para outro sentido figurado. A metáfora permite a comunicação entre os dois lados de nosso cérebro. Associa assim o lado esquerdo à mente consciente, lógica e racional, onde se encontram as estruturas corticais responsáveis pelo processamento da linguagem e o lado direito, à mente inconsciente, intuitiva, criativa, emocional e sábia. A metáfora usa uma linguagem simbólica que é característica da linguagem primária do inconsciente. A metáfora é o emprego da palavra fora do seu local habitual.

Um exemplo simples disso seria o conceito metafórico – o cérebro é um computador. Esse conceito metafórico tem a capacidade de estruturar e organizar as nossas percepções sensoriais, pensamentos e ações com relação ao cérebro em termos de um objeto mais familiar para a nossa experiência sensorial, isto é, um computador. A intenção dessa estrutura lingüística é ajudar o leitor ou ouvinte a entender e experimentar o cérebro em termos de uma estrutura mais comumente testada na vida diária pelos sistemas sensoriais do ser humano.

Usar uma metáfora implica um modo de pensar e uma forma de ver que permeia a maneira pelo qual entendemos nosso mundo em geral. Na área das organizações, um autor que explora bem este assunto é Garret Morgan no Livro A Imagem das Organizações. O autor fala que “nossas teorias e explicações da vida organizacional são baseadas em metáforas que nos levam a ver e compreender as organizações de formas específicas, embora incompletas. [p.16]. E continua dizendo que as organizações são fenônemos complexos e paradoxais que podem ser compreendidas de muitas maneiras diferentes e apresenta diferentes formas de analisá-las, passando pelas diferentes teorias organizacionais, as compara com máquina, sistemas vivos, cérebro, culturas, sistemas políticos, prisões psíquicas, como fluxo e transformação e como instrumento de dominação. Conclui que “qualquer abordagem realista da análise organizacional deve ser iniciada a partir da premissa de que organizações podem ser muitas ao mesmo tempo [...] caso alguém deseje realmente compreender as organizações, seria muito mais inteligente começar a partir da premissa de que organizações são complexas, ambíguas e paradoxais. [p.327,238].

Um filme para sentir as metáforas? Recomendo o Poeta e o Carteiro baseado no livro homônimo de Pablo Neruda. Segue o link de uma parte do filme que está no youtube.