Beto Guedes e Ronaldo Bastos cantaram essa frase dizendo que as lições sabemos de cor, só nos resta aprender, na música Sol de Primavera.

Assim é a nossa vida e o nosso dia a dia. Sabemos o que temos que fazer, temos consciência das nossas responsabilidades e obrigações. Mas porque caímos sempre nas mesmas armadilhas que a mente nos impõe? Porque sempre retornamos ao local do crime e ficamos a remoer aspectos que nos causam tanta dor e sofrimento? Porque insistimos com assuntos que tanto nos prejudicam? Porque teimamos em manter relacionamentos que não nos agregam nem sorriso no rosto?

A vida tem alguns paralelos. Como na vida escolar, se não aprendemos a lição, vamos repetir a matéria, fazer uma segunda chamada, repetir a prova, assim também é a na vida diária. Vamos repetir e repetir o assunto até que ele seja apreendido e conhecido “de cor”.

Este post não tem um fim acadêmico ou científico razão pela qual não vou buscar fundamentos na gestalt terapia, ou na filosofia ou mesmo em outras escolas da psicologia humana. É apenas um pensar livre. Como diz Millor Fernandes: livre pensar, é só pensar.

Quando eu me deparo com esses círculos ou situações que teimam em voltar a minha mente, eu vou direto às perguntas para as minhas respostas. Algo como ter lançado uma flecha dentro de uma floresta e depois procurar onde caiu para que eu coloque o alvo. Às vezes, quando envolve outras pessoas, posso parecer insistente ou chata, mas na verdade quero apenas as perguntas para apaziguar a minha mente. Essa insistência persistente trás resultados e isso é que leva ao aprendizado.

Nesta semana vivi momentos que me trouxeram a tona essa questão. Resgatava um contato com uma pessoa que há muito tempo não tinha noticias. Insisti, bati, cavei até que tive uma resposta. Pode ser que a resposta não tenha me agradado, mas não importa. O que realmente significa prá mim, é a pacificação da minha mente. Saber que aquele assunto não tem mais solução, e desta forma, resolvido está. E ponto final. Tiro o assunto da cabeça, jogo fora o que não será mais necessário, guardo as coisas boas e sigo a minha vida.

Evidente que isso não acontece do nada.  Assim como na escola formal onde devemos ter cadernos, canetas, livros e exercícios, a escola da vida tem algumas técnicas também. Ela me ensinou algumas práticas de meditação, alguns mantras poderosos, cheiros e incensos, além de algumas orações que aprendi no convívio com minha mãe que são verdadeiros bálsamos para uma alma ferida ou machucada.

Clarissa Pinkola Estés, autora de “Mulheres que correm com os lobos, tem um livro chamado “A Ciranda das Mulheres Sábias”. Um livro fininho, aparentemente insignificante, mas como tudo na vida, guarda grandes ensinamentos. Ela coloca: … embora a película externa da alma seja magoada, arranhada ou chamuscada, ela se regenera de qualquer modo. Repetidas vezes, a pele da alma retorna ao seu estado primitivo e intacto”.

Essa é a forma que a vida nos dá para aprenderemos as lições. Saber pelo coração, aprender pela alma.