Nos últimos meses tive a oportunidade de participar de algumas cerimônias de casamento. Em eventos familiares normalmente quem são convidados são pessoas próximas às famílias ou amigos dos noivos. O que pude constatar é que o setor de eventos está engessando esse congraçamento familiar. Vejamos.

Um dos casamentos que assisti,  minha família é amiga da família da noiva há três gerações. Nos deslocamos para a cidade em que aconteceria a festa com o propósito de promover o encontro das “avós”, visto que o inicio da amizade começou por elas há uns 50 anos. Mês de março, cidade entre vales e montanhas, tempo úmido e quente,  nos hospedamos no hotel recomendado visando encontrar o grupo nos intervalos e horários de café da manhã. Primeiro equivoco. O cerimonial do evento decidiu que noivos e famílias ficassem em um hotel específico e isolado. Não houve o encontro. Na hora determinada, nos dirigidos para o local do evento onde ocorreria tanto a cerimônia religiosa como as comemorações posteriores.

Novamente a decoração e o cerimonial prevaleceram. Por um detalhe estético, não havia cadeiras para dos os convidados. Não importava a idade ou a ordem de preferência, cadeira era para quem tivesse sorte de chegar antes. Felizmente um amigo cedeu seu lugar para a minha mãe, uma senhora de oitenta anos. Quem havia nos convidado estavam isolados em uma sala esperando as ordens do cerimonial. Não tivemos novamente a oportunidade de promover o encontro das duas senhoras, uma que havia se deslocado de São Paulo e outra de Florianópolis. Aguardamos o término da cerimônia religiosa, ansiosos em abraçar os amigos, cumprimentar a família do noivo, conhecer novas pessoas, mas fomos novamente barrados pelo cerimonial.

Todos os padrinhos e madrinhas, avós, tios, pais e noivos foram conduzidos a um reduto exclusivo e fechados para a produção das fotos e registros em filmes. Isso durou cerca de uma hora, no mínimo. Os convidados, recepcionados pelo cerimonial foram conduzidos às mesas com lugares marcados e feitos refém de um ridículo roteiro. Tivemos que nos contentar com as pessoas que nos foram designadas como acompanhantes naquela noite. Mas ainda esperávamos pelos noivos, pais e avós no desejo de cumprimentá-los, pelo menos.

Quando a cessão de fotos terminou, abriu-se uma porta, novamente pelo cerimonial, que ao som de uma música estridente e com cara de “night”, adentrou ao recinto os que haviam sido isolados para as fotos bem como os noivos, dançando, pulando e fazendo a festa deles. Os convidados? Bem ainda aguardavam um sinal.

O jantar foi servido, a sobremesa chegou, “os bem-casados” foram distribuídos e saímos da festa sem cumprimentar quem nos interessava.  O cerimonial não permitiu que amigos de longa data tivessem um momento singelo de abraços e recordações. Para não perder a viagem, furei o cerco, fui à mesa das “autoridades”, chamei a avó da noiva (amiga da minha mãe) e coloquei as duas em contato. E o noivo? Acho que as fotos ficaram bonitas, porque no dia seguinte já preenchiam o site do casal e o Orkut da noiva.

Mas continuarei a contar em outra momento, outros casamentos engessados por cerimonias desnecessários.