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publicado em 22/02/2010 por Maria Augusta Orofino  

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Compartilho o desenho que ganhei de Frank Maia, esse chargista adorável que tem um trabalho maravilhoso. Essas características que ele evidencia mostra um lado meu, bem real. Meu sorriso é de rosto inteiro, fecho os olhos quando rio mas continuo vendo, tenho uma “covinha” do lado e minha risada é franca e aberta. Segundo Ivan Lins, “escandalosa”. Quem quiser conhecer melhor o trabalho de Frank Maia, acesse o seu blog http://xinelao.blogspot.com/.  Disponibilizo também um link com um resumo dos seus trabalhos publicados no Jornal A Noticia de Joinville.
Frank, meu querido amigo. Adorei.

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Categoria: Augusta
Tags:Avatar, Charge, Frank Maia
publicado em 20/02/2010 por Maria Augusta Orofino  

Reflexões sobre a vida

Retorno aqui, com um sentimento  mais reflexivo.
De novo. Mas se é novo, é outro, então
Venho outra vez, mas se é outra, não é a mesma vez.
Assim, não sou mais a mesma de minutos atrás.

Não pretendo contrapor ou manter aquela atitude desesperadora de quem sempre quer alterar o outro em função da limitação da sua mente.
Não posso desconsiderar alguns aspectos muito evidentes prá mim.
Ficar atenta a esse movimento que independe do meu querer e me manter tranqüila, tem sido um grande aprendizado.
Observar o movimento das pessoas com as quais convivo é outro ponto do olhar.
Dormir e ler os sonhos (nãos os nublados) mas aqueles vívidos, também me ajudam.
Quando escrevo é porque quero estar junto de quem me lê. Não fisicamente. Isso não me cabe decidir, mas do seu pensamento, sim. Junto à essência e da verdade.
Ter essa conexão contigo tem me levado a refletir sobre meus sentimentos e que existe uma razão porque minha singular pessoa está aqui.
Não quero uma vida sem enredo, só uma narrativa, um eu vagando no deserto de experiências esgotadas.
Não quero ser só mais uma estatística aleatória das pesquisas do mercado ou dos políticos.
Assim, prefiro considerar minha vida como um romance, tomando para isso a beleza, o mistério e o mito. Isso com certeza que trará novas palavras, me trará a visão e a minha vocação.
Qual o meu “daimon” aqui e agora? Qual a minha imagem inata, qual o meu caráter? Do que fui forjada e porque estou aqui e agora neste planeta?
Qual o meu propósito?
Isso tem permeado o meu existir, a minha vida. Sem pressão do tempo, sem  o antes ou o depois. Por vezes gosto de ler a minha vida ao contrário. De trás prá frente. Retornar no tempo. 
Poderia dizer que ter te encontrado seja um mero acidente do destino. Uma casualidade. Uma causalidade, mas prefiro sinceramente acreditar em outra dimensão, algo como um milagre, dito por ti mesmo em outra ocasião.
Para defender esse querer me vejo como uma criança, que precisa defender seu ponto de vista, e prá isso esperneia, grita, esbraveja.
Mas vou seguir com mais calma. Revi esse “nosso” texto de trás prá frente. Quase um script. É muito interesse! Vou deixar quieto.
Ficar nessa conexão tem me ajudado e me apresentado grandes reflexões.  Elimino aqui as cobranças e as exigências de minha parte, para manter o contato.
As respostas não serão necessárias. Elas estão ai. No dia a dia. Na minha frente. Isso tem sido um belo exercício para resgatar meu propósito, meu daimon nessa existência.
Quero considerar as novas possibilidades de conhecimento.
As perguntas sem respostas, aquelas que me lançam para frente.
Não quero ter mais certeza de nada.
Certeza é quando a idéia cansa de procurar e pára.
Quero continuar caminhando.

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Categoria: Augusta
Tags:Filosofia, idéias em movimento, Vocação
publicado em 20/02/2010 por Maria Augusta Orofino  

Poemeu Dito Cujo

Quem precisa de outro para viver
ter alguém como “sua razão de viver”….
Não encara seu próprio processo.
Despreza aquilo que o faz ou
possibilita crescer….

Ignora os
enfrentamentos
os desafios
as oportunidades de
ruptura.

Continuará com problemas  nos relacionamentos
até a morte lenta
gradual
insignificante
tudo para chamar a atenção
daquele que não o quer
mas que fica por piedade
consolo prá solidão.

a dita cuja
acabará culpando
o dito cujo
os filhos
os genros
as noras
os netos
o governo
a novela das oito
a rede globo
pela sua falta de razão em viver

eta vidinha sem uma razão substantiva
triste vida
por isso tanto cancer no mundo
tanto caos
a ordem inversa
do paraíso

Onde estão os homens
com coragem
para andarem ao lado
ancorarem
serem o suporte parceiro
das verdadeiras
mulheres ?

Onde estás tu,
dito cujo
que tens um lado Q^
Mas não resolve sua vida?

Onde estás tu,
dito cujo
Que não sabes o que queres?

Quem és tu,
dito cujo
que camuflas teu pensamento
teu querer
teu gostar?

Não sabes tu
que isso mata?
Mutila?
Aniquila.
Te tira do centro.

Em que ponto ficou a alegria
o desafio
o novo
o merecimento
a coragem?

tanta filosofia
tanta teoria
mataram as árvores
as flores
ficaram
só
as
idéias.

E um grande vácuo
um grande buraco.
Nada

E o verdadeiro amor?
Agora não sabe mais
onde localizar.

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Categoria: Augusta
Tags:Filosofia, idéias em movimento
publicado em 16/02/2010 por Maria Augusta Orofino  

Dicas para dar nome a uma empresa

Extraido do blog How to Change the World de Guy Kawasaki (via@produzindo no Twitter). Sua empresa será para seus clientes o que seu nome diz. Guy Kawasaki sugeri 6 dicas:

1. Comece com uma letra do início do alfabeto: sua empresa ou produto estará listada em guias de exposições, sites na internet e planilhas, todas elas geralmente ordenadas em ordem alfabética. Você prefere aparecer no começo ou no final da lista?

2. Evite usar X e Z (esta dica é mais aplicável à língua inglesa): além de estarem no final do alfabeto, são difíceis de soletrar e pronunciar. A própria Xerox (um caso a parte), que abrasileirado virou “cheroquis”, na verdade se lê como se fosse com “Z” (zer0x). Potencial de cair na boca do povo: as pessoas começaram a tirar Xerox ao invés de cópia, a comprar Maizena ao invés de amido de milho e Gillete ao invés de lâmina de barbear. Já se fala também em “googlar”, “orkutar” e “photoshopar”. Nomes pequenos facilitam a “verbalização”. Seu nome tem esse potencial?

3. Soe diferente: a Google conseguiu ser diferente em sua época, mas o que aparecer agora como Zoogle, Mingle, Bing, dificilmente conseguirá destaque.

4. Tenha lógica: se uma fábrica se chama Sapataria Monte Azul, ela provavelmente produz sapatos e não sorvete.

5. Cuidado com tendências: elas são perigosas. Hoje uma tendência tem um significado, amanhã significa algo totalmente diferente. E nem toda tendência funciona para todo tipo de empresa ou produto (é o mesmo problema que encontramos na  criação de logomarcas.

6. Bônus – Pense no logotipo (dica adicionada por Mauro): um nome sonoramente agradável não significa necessariamente que ele é visualmente bonito. Escreva o nome num papel e imagine as possibilidades do logotipo. Seu nome não será apenas ouvido, mas também lido e mentalizado.

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Categoria: Empreendedorismo
Tags:Empreendedorismo, Empresas, Nome para empresas
publicado em 11/02/2010 por Maria Augusta Orofino  

Nelson Mandela, Invictus

Sincronicidade ou coincidências, não importa. Ocorre que desde dezembro de 2009, alguns fatos têm me levado a Nelson Mandela. Em uma das minhas madrugadas sem sono, resolvi ligar a televisão e estava passando um filme sobre a vida dele. Ou melhor, estava inicia o filme, o que me fez ficar e ver até o final. Não conhecia a vida deste homem em detalhes. Observar o seu grau de obstinação e determinação me levou a querer estudar mais sobre a sua vida e obra.

Em dezembro, procurando um livro para dar de presente para a minha mãe no Natal, me deparei com uma publicação especial sobre a biografia autorizada de Nelson Mandela. Ela tem particular interesse pelos livros de biografias. Evidente que comprei o livro na hora e dei a ela de presente com segundas intenções.

Hoje, dia 11 de janeiro de 2010, ao abrir a internet, a primeira mensagem que surgiu na tela do computador, foi um twitter de um jornalista que sigo, falando exatamente que fazia 20 anos que Nelson Mandela havia deixado a prisão após 27 anos de cativeiro. Fiz um post remetendo a esse assunto e segui minha agenda e a minha vida normalmente.

Por volta das 16h, depois do corre-corre do dia, fui a um dos shoppings de minha cidade para resolver um problema com uma conexão sem fio para a internet. Fui a três operadoras e todas estavam lotadas. Resolvi deixar isso para outro dia e segui o caminho do estacionamento que fatalmente passa pela área dos cinemas. Resolvi assistir INVICTUS. Sabia de relance que se tratava de algum episódio da vida de Nelson Mandela, mas  nada além disso. Acreditem. Eu nunca fui a um cinema, em dia de semana, durante o meu horário de trabalho, apesar de trabalhar como autônoma há 20 anos. Mas hoje me senti à vontade para aceitar o meu próprio convite.

O filme começa assim: 11 de janeiro de 1990, Nelson Mandela é libertado…. A mesma data que havia comentado neste blog pela manhã, a mesma data de hoje. Comecei a ver o filme já emocionada.

O filme de Clint Eastwood, baseado no livro “Conquistando o inimigo”, de John Carlin. Trata de como Mandela (Morgan Freeman) utiliza o time de rugby – Springbooks para  unir um país à beira da desagregação. Não sei se o fato ocorreu como é dito no filme, não entendo de rugby, não considerei o lado romântico de uma família branca criticando um líder negro. Fiz como Clint Eastwood e Morgan Freeman: concentrei-me no lado humano de Mandela – o Madiba como é chamado.  Se o que é colocado é verdadeiro, ver o lado humano de Mandela me deixou impressionada. O chamar as pessoas pelo nome, as aproximações estratégicas, a busca em mesclar o negro com o branco, as frases de estímulo para que as pessoas não desistissem.  Um líder cujo objetivo estava acima do seu querer mas focado em construir uma nação.  A garra e a obstinação em realizar seu sonho é muito bem mostrado.

Compartilho aqui o poema INVICTUS que o acompanhou durante o período em que esteve preso e que é citado no filme “Eu sou o mestre de meu destino; Eu sou o capitão de minha alma”.

“Invictus”
por William Ernest Henley

Out of the night that covers me
Black as the pit from pole to pole
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.      

In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed. 

Beyond this place of wrath and tears
Looms but the horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds, and shall find, me unafraid.   

It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate
I am the captain of my soul.     

 Invictus (tradução)

Noite à fora que me cobre
Negra como um breu de ponta a ponta,
Eu agradeço, a quem forem os deuses
Por minha alma incansável. 

Nas cruéis garras da circunstância
Eu não fiz cara feia ou sequer gritei.
Sob as pauladas da sorte
Minha cabeça está sangrenta, mas não rebaixada.                    

Além deste lugar de raiva e lágrimas
É iminente o horror da escuridão,
E ainda o avançar dos anos
Encontra, e me encontrará, sem medo. 

Não importa o quão estreito seja o portão,
O quão carregado com castigos esteja o pergaminho,
Eu sou o mestre de meu destino;
Eu sou o capitão de minha alma.

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Categoria: Augusta, Liderança
Tags:Invictus, Nelson Mandela
publicado em 11/02/2010 por Maria Augusta Orofino  

Nelson Mandela

nelson mandela

 

Hoje faz 20 anos desde que as autoridades sul-africanas aceitaram conceder a liberdade a Nelson Mandela após 27 anos de prisão política. Este homem que lutou pela paz com a política do seu país de segregação racial, criou uma democracia multi-racial e foi o seu primeiro presidente negro. Confirma reportagem da BBC News.

 

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Categoria: Augusta
Tags:Nelson Mandela
publicado em 8/02/2010 por Maria Augusta Orofino  

Corrente do bem

Vi no twitter do @frankmaia que recebeu do amigo @OneLag e que colocou o título “Prá desarmar a raiva” no blog Xinelão.  Eu optei pelo título “Corrente do Bem“. Passe adiante.

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Categoria: Augusta
Tags:Filosofia, Redes Sociais, Resiliência
publicado em 7/02/2010 por Maria Augusta Orofino  

Twitter como sala de estar

No início, por não conhecer a ferramenta e não ter pessoas agregadas, o Twitter soa estranho. Responder à pergunta: “what’s happening”? parece coisa de criança que não tem o que fazer ou pior, que é controlada pela mãe. Mas na medida em que outras pessoas começam a te seguir e tu começas a seguir outras pessoas, inicia-se uma troca de informações que pode ser bem interessante. O segredo é saber a quem seguir. A qualidade das pessoas, o que as mesmas têm a acrescentar, que tipo de informação é importante etc. Tudo isso e mais um pouco irá configurar o “teu” Twitter.

Tenho a felicidade te ter muitos amigos, conhecer muitas pessoas, gostar de ouvir, saber mais. Aprendi a usar o Twitter com a minha filha Marina (aliás, que sempre me coloca em contato com as novidades das redes sociais).  Gradativamente e até um pouco tímida, comecei a seguir algumas pessoas. Algumas retribuiram e passaram a me seguir. Outras pessoas surgem, novas informações são citadas e aos poucos um rede de pessoas é formada.

O que se pode constatar é que este ambiente diferente de um Facebook ou Orkut, lembra muito uma sala de estar. Surgem todos os tipos: os que sabem tudo, os intelectuais, os revoltados, os que só repetem o que outras pessoas falam, os engraçados, com presença de espírito e divertidos.  Conforme o perfil das pessoas “seguidas” e da frequencia com que as mesmas contribuiem com informações, esse ambiente virtual pode chegar a viciar também. A troca de informaçoes, as respostas, os re-twitters, os links etc podem provocar uma necessidade em ficar conectado 24 horas por dia para saber o que está acontecendo. Mas como tudo na vida, é preciso saber desligar, desconectar ou quem sabe, como acontece na casa da gente, sair da sala e mudar de ambiente.

1 comentário

Categoria: Augusta
Tags:networking, Redes Sociais, Twitter
publicado em 2/02/2010 por Maria Augusta Orofino  

Erros e fracassos

Quem me conhece sabe que eu sempre afirmo que a única constante na minha vida é a mudança. Não gosto de rotina, de saber de antemão o que irá acontecer, previsibilidade, constância. Gosto de desafios, do novo, inusitado. Acho que por conta disso eu goste tanto de organizar um evento. Nunca sabemos no que vai dar, como estará o tempo, quem serão os participantes. Um mesmo evento repetida vezes, sempre será um outro evento.

Inerente a quem muito faz e executa são os erros e fracassos. Evidente. Quem muito se arrisca, tem mais chances de acertos mas também de derrotas e aparentes fracassos. A lituratura empresarial pouco evidencia isso. Todas as revistas e publicações enfatizam os sucessos, os casos ganhos, os milionários, personagens de “Caras” e matérias da EXAME. Mas vejo que no dia a dia, o processo é outro. Erramos muito, caimos muito, fracassamos muito. Diariamente temos que retomar a nossa vontade interior de seguir em frente e mudar. Precisamos constantemente insistir no sonho e acreditar que é possivel.

Compartilho um video postado no YouTube sobre isso e que finaliza que errar é viver. Como diz o ditado: um aparente azar pode ser um grande golpe de sorte. Persista!

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Categoria: Empreendedorismo
Tags:idéias em movimento, vida, Vocação
publicado em 31/01/2010 por Maria Augusta Orofino  

Perspectivas Tecnológicas para o Ensino e a Economia

 Seguidora que sou de Ethevaldo Siqueira, tanto em seu blog como nos comentários diárias na CBN Rádio, compartilho esse texto publicado no jornal O Estado de São Paulo e em seu blog (em 24/01/2010) onde apresenta as tecnologia que mudarão o ensino, as universidades e consequentemente a a economia.

Seis tecnologias mudarão a universidade e a economia

 por Ethevaldo Siqueira [de Berkeley, EUA] – acesso em 31/1/2010

Seis tecnologias emergentes podem fazer uma verdadeira revolução na universidade, na pesquisa científica e na economia dos países nos próximos cinco anos. São elas: computação móvel, conteúdo aberto (open content), livros eletrônicos (e-books ou e-readers), realidade aumentada, computação baseada em gestos e, por fim, a análise de dados visuais.

No curto prazo, ou seja, nos próximos 12 meses, a computação móvel e o conteúdo aberto deverão alcançar seu ponto máximo de utilização. Em três anos, assistiremos à explosão dos livros eletrônicos e da realidade aumentada. Num horizonte mais distante, de cinco anos, estarão amadurecendo a computação baseada em gestos e a análise de dados visuais.

Essas são as conclusões básicas do Horizon Report 2010, em sua sétima publicação anual. (Link para download do documento em inglês, no formato pdf, no pé deste texto.) Esse relatório de tendências descreve o trabalho continuado do Projeto Horizon, num esforço colaborativo entre o Consórcio New Media (NMC, na sigla em inglês) e a Educause Learning Initiative (ELI), que têm contado com a contribuição de mais de 400 líderes nos campos de indústria, negócios, tecnologia e educação, ao longo dos últimos sete anos.

Comecemos pelos grandes fatores de transformação da universidade. O primeiro deles é a necessidade de ampliação da interdisciplinaridade. Testemunhei um dos melhores exemplos dessa nova postura ao visitar, há pouco mais de uma semana, a Universidade da Califórnia em Berkeley.

O brasileiro Jean Paul Jacob, cientista emérito e professor, diz que em seu laboratório, na Universidade de Berkeley, denominado Citris, trabalham lado a lado mais de uma centena de cientistas das mais diversas formações: engenheiros, físicos, sociólogos, economistas, psicólogos, filósofos, artistas e muitos outros. O Citris (sigla de Center for Information Technology Research in the Interest of Society) é uma unidade de pesquisa de vanguarda dentro da Universidade de Berkeley.

Esse centro é apenas um exemplo do que já acontece em toda a Universidade de Berkeley, que “visa mudar o perfil do cientista do modelo I para o modelo T”. No primeiro caso, o cientista domina em profundidade apenas um segmento cada vez mais estreito de determinada ciência ou campo do conhecimento. Nesse segmento, ele sabe tudo, em grande profundidade, mas quase nada sobre áreas vizinhas.

No modelo T, o cientista continua a ser um especialista com conhecimentos profundos em um segmento, mas tem grande familiaridade com muitas áreas vizinhas. Assim, o novo engenheiro, por exemplo, além de maior competência em sua especialidade, conhece muitas áreas ligadas à engenharia em geral, e está preparado e motivado para o relacionamento com problemas sociais, culturais, políticos, econômicos e até artísticos.

GRANDES TENDÊNCIAS

Segundo o Horizon Report 2010, a abundância de recursos e relacionamentos que se tornaram viáveis e acessíveis pela internet nos desafia de forma crescente a rever o papel do educador, como formador do caráter e facilitador do processo de qualificação dos futuros cidadãos.

A universidade, por sua vez, deve considerar a importância do valor, único e precioso, que pode e deve acrescentar a um mundo em que a informação está em todo lugar e no qual lhe compete contribuir para desenvolver no estudante o bom-senso e a capacidade de avaliação da credibilidade da informação, entre outras competências essenciais.

Curiosamente, nestes novos tempos, torna-se ainda mais relevante o papel clássico da universidade de orientar e preparar o jovem para o mundo em que ele vai viver – ou seja, o mesmo papel central da universidade quando ela alcançou sua forma moderna no século 14.

Milhões de pessoas buscam hoje o conhecimento, mas enfrentam as restrições formais, bem como o excessivo conservadorismo das velhas instituições. Esses obstáculos acabam impedindo a realização das aspirações dessa multidão de seres humanos que gostaria de poder trabalhar, aprender e estudar em qualquer momento e em qualquer lugar.

Neste novo mundo cada vez mais congestionado – em que os jovens devem aprender a equilibrar suas demandas de casa, trabalho, escola e família –, a vida cria um conjunto de desafios logísticos com os quais os estudantes têm de lutar cada dia mais.

Que fazer diante das necessidades de milhões de pessoas, jovens ou adultas, que querem e precisam de acesso fácil ao conhecimento e no tempo certo? A maior disponibilidade de informação tem implicações profundas para a aprendizagem informal, assim como as noções de aprendizagem no tempo certo (just-in-time) e a aprendizagem não buscada (found). Ambas as formas podem maximizar o impacto da aquisição de conhecimento, de forma eficaz e no tempo adequado.

O PODER DA NUVEM

As tecnologias que usamos, ressalta o Horizon Report 2010, são a cada dia mais baseadas na nuvem, isto é, na internet (cloud-based) e nossas noções de apoio da tecnologia da informação (TI) são, também, sempre mais descentralizadas.

A aceitação contínua e a adoção de aplicações e serviços baseados na nuvem estão mudando não apenas os meios com que configuramos e usamos o software e os arquivos de armazenamento, mas também como conceituamos aquelas funções. Não importa onde nosso trabalho é armazenado. O que importa é que a informação de que precisamos esteja acessível onde quer que estejamos, seja qual for o dispositivo que usemos.

Globalmente e a grosso modo, estamos usando cada dia mais um modelo de software baseado em browsers, independentemente do dispositivo utilizado.

COLABORAÇÃO

O trabalho dos estudantes e acadêmicos está sendo visto cada dia mais como colaborativo por natureza, e há mais cooperação entre os departamentos e mesmo entre as diversas universidades.

Enquanto esta tendência não se amplia, tanto quanto outras listadas no relatório Horizon, os resultados ainda são modestos. Mas suas perspectivas são animadoras. Assim, naquelas escolas que já criaram um clima que permite a estudantes e professores trabalharem juntos em busca dos mesmos objetivos, a pesquisa torna-se um trabalho altamente estimulante, mesmo para estudantes de primeiro ano.

NOVA UNIVERSIDADE

O mundo precisa de uma nova universidade. Por isso, o papel da academia e o modo de preparar os jovens para a vida futura estão mudando. Em 2007, a American Association of Colleges and Universities recomendou entusiasticamente o emprego das tecnologias emergentes e seus aplicativos pelos estudantes, a fim de que eles ganhem sempre maior experiência em “pesquisa, experimentação, aprendizagem baseada em problemas, e outras formas de trabalho criativo”, em especial nos campos de estudo que eles escolheram.

Cabe à academia adaptar o ensino e as práticas de aprendizagem não apenas à satisfação das necessidades de hoje dos alunos, mas enfatizar a investigação crítica e a flexibilidade mental, dar aos estudantes as ferramentas necessárias à execução de suas tarefas, conectar os estudantes às questões sociais mais amplas, mediante o engajamento cívico, e encorajá-los a aplicar sua aprendizagem na solução de problemas complexos em larga escala.

Novas formas educativas de programação, editoração e pesquisa continuam a emergir, mas os meios apropriados para medi-las e avaliá-las estão cada dia mais distantes.

A alfabetização digital – ou seja, o conhecimento e a utilização eficaz de todos os meios e tecnologias digitais da comunicação e da informação – continua a ganhar importância cada dia maior, como competência ou habilidade básica em cada disciplina e profissão. Mas isso não pode ser levado ao extremo ou ser considerado norma rígida, pois a tecnologia evolui continuamente.

Essa habilidade no uso das tecnologias digitais deve ser menos voltada para ferramentas e bem mais para os seus fins, o modo de ver e pensar, de elaborar a narrativa. E está comprovado que as habilidades e padrões baseados em ferramentas e plataformas são algo efêmero e difícil de sustentar-se.

A cada dia, no entanto, as instituições têm estreitado mais seus objetivos, como resultado da redução dos orçamentos no cenário da atual crise econômica mundial.

CELULAR E LAPTOP

As duas maiores tendências tecnológicas no curto prazo, ou seja, nos próximos 12 meses, são computação móvel e conteúdo aberto.

Entendida como uso de dispositivos pessoais com capacidade de conexão à rede de que os estudantes já dispõem, a computação móvel já é utilizada em muitas universidades. Antes que seu uso se espalhe ainda mais, no entanto, há preocupações sobre algumas questões, como a da privacidade, da administração das salas de aula e do acesso.

Virtualmente, todos os estudantes de universidades levam consigo algum tipo de dispositivo móvel. Assim, se esses jovens já dispõem de meios de conexão móvel à rede – como celulares e laptops –, a oportunidade de ampliar sua utilização é excelente. E a conectividade da rede celular torna-se cada dia maior. Todas essas formas de computação móvel favorecem o aproveitamento no maior grau de colaboração e comunicação.

Dispositivos que vão de smartphones a netbooks são ferramentas portáteis que elevam a produtividade, auxiliam a comunicação e oferecem uma gama crescente de atividades inteiramente apoiadas em aplicações projetadas especialmente para dispositivos móveis.

CONTEÚDO ABERTO

Para muitos educadores, o acesso amplo e gratuito ao conteúdo do conhecimento equivale a um processo gigantesco de democratização do conhecimento a ser conduzido pela maioria das universidades do mundo, graças à internet e aos meios de comunicação em geral.

O mundo caminha para essa realidade. Quando visitava Berkeley há poucos dias, vi em diversos monitores a repetição de aulas da universidade, livremente oferecidas a quem quiser aprender, estudar remotamente ou atualizar-se. Isso significa que todo o conteúdo das aulas de Berkeley está disponível na internet, em IPTV, para acesso gratuito, a qualquer pessoa, dentro e fora da universidade.

Esse movimento de abertura do conteúdo começou há cerca de 10 anos, quando escolas como o Massachusetts Institute of Technology (MIT) passaram a permitir que suas aulas e cursos se tornassem disponíveis, gratuitamente, a qualquer cidadão. Hoje, há dezenas de outras universidades que adotam o mesmo procedimento em todo o mundo. A abertura desse conteúdo 24 horas por dia representa uma mudança profunda no modo como os alunos estudam e aprendem. No Brasil, a Escola de Administração da Fundação Getúlio Vargas já oferece esse conteúdo aberto, mas apenas em alguns cursos, gratuitamente a quem quiser. A maioria das universidades brasileiras, no entanto, ainda resiste à ideia do open content.

Muito mais do que uma coleção de materiais para cursos online, o conteúdo aberto transforma-se na resposta aos crescentes custos da educação, ao desejo de acesso de muitos cidadãos ao conhecimento e à informação em áreas onde tal acesso é difícil.

HORIZONTE DE 3 ANOS

Os livros eletrônicos e a realidade aumentada são duas outras tecnologias que, muito provavelmente, começaremos a ver adotadas de forma cada vez mais ampla, apoiadas em duas tecnologias já consolidadas que decolaram através das redes celulares globais e da internet.

Progressivamente, e-books e realidade aumentada estão, de fato, caindo no gosto e na cultura populares. Ambos já são usadas na prática num surpreendente número de universidades. E espera-se que sejam ainda mais utilizados num horizonte de dois a três anos.

Os livros eletrônicos não são novos, mas hoje são muito mais evoluídos e dispõem de muitos recursos. Foram lançados diversas vezes ao longo de aproximadamente quatro décadas. Mas o que ocorreu nos últimos 12 meses é algo diferente quanto à aceitação e ao uso. Os melhores projetos combinam não apenas a capacidade da leitura eletrônica, da comunicação sem fio, do armazenamento muito maior, da ampliação do tamanho dos textos, da possibilidade de anotações nos próprios textos digitais, das telas de LED orgânico (OLED) de alta resolução, da aquisição de dezenas ou centenas de outros textos de digitais.

E muito importante: eles prometem baixar os custos editoriais, poupar o estudante de carregar quilos de livros de texto e ainda reduzir o consumo de papel, dando uma contribuição muito positiva à preservação de recursos naturais e do meio ambiente.

A realidade aumentada, por sua vez, é uma das mais recentes inovações na indústria eletrônica, que sobrepõe gráficos, áudio e outros melhoramentos das telas dos computadores sobre o ambiente real. Muito mais rica de possibilidades do que os gráficos estáticos da tecnologia de TV, ela pode arranjar e empilhar gráficos para cada perspectiva e ajustar as imagens a cada movimento da cabeça e dos olhos do usuário.

O desenvolvimento da tecnologia exigida pelos sistemas de realidade aumentada, entretanto, ainda está em curso nos laboratórios tanto de universidades quanto de empresas. Nos próximos 10 anos, ou menos, deverão chegar ao mercado os primeiros sistemas de realidade aumentada produzidos em massa.

No passado, a realidade aumentada exigia o uso de equipamentos especializados, nenhum deles portátil. Hoje, as aplicações para laptops e smartphones cobrem a informação digital no mundo físico rápida e facilmente. Em mais dois ou três anos, ela começará a espalhar-se pelos campus universitários e chegar ao mercado de consumo doméstico e profissional.

PRÓXIMOS 5 ANOS

Finalmente, mais duas tecnologias que poderão viabilizar-se num horizonte de quatro a cinco anos: a computação gestual, ou seja, baseada em gestos (gesture-based computing) e a análise de dados visuais. Nesse horizonte, elas deverão estar em pleno uso por milhões de pessoas, mas já podem ser utilizadas hoje mesmo, em casos isolados.

Embora exista grande interesse no desenvolvimento de ambas as tecnologias e enormes volumes de recursos estejam sendo investidos em pesquisa em ambas as áreas, nenhuma delas chegou a disseminar-se ou estar presente nas universidades.

A computação gestual tem sido mostrada em diversos protótipos no mercado de eletrônica de entretenimento, com um bom número de aplicações em treinamento, pesquisa e estudo, embora esta tecnologia ainda não tenha chegado praticamente às escolas. Seus dispositivos são controlados por movimentos dos dedos, da mão, do braço e do corpo.

Há diversas aplicações na área de jogos. Na computação gestual, os dispositivos reconhecem e interpretam gestos e movimentos do usuário como comandos e controles. É claro que o uso dessa tecnologia exige treinamento prévio para que o usuário aprenda como funciona o sistema.

A análise de dados visuais é uma mistura de estatística, data mining e visualização, um campo emergente que promete tornar possível a qualquer pessoa examinar cuidadosamente, exibir e entender conceitos complexos e interrelações.

Como meio para descobrir e entender padrões em grandes conjuntos de dados via interpretação visual, a análise de dados visuais está sendo usada para análise científica de processos complexos. À medida que as ferramentas para interpretar e exibir os dados se tornam mais sofisticadas, modelos podem ser manipulados em tempo real e os pesquisadores podem navegar e explorar dados por meios que não eram possíveis anteriormente.

 Copyright 2010 – O Estado de S. Paulo – Todos os direitos reservados

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Categoria: Gestão do Conhecimento, Inteligência Competitiva
Tags:conhecimento, Ethevaldo Siqueira, midia, tecnologia
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Quem é Maria Augusta Orofino

Sou um ser em busca de aperfeiçoamento constante, aberta à mudança. Estudei Administração na ESAG e conclui em 1982. Sou especialista auto-didata em comunicação e marketing e atualmente sou mestranda em Engenharia e Gestão do Conhecimento, na UFSC. leia mais

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