3 ameaças para quem desconsidera o Business Design uma oportunidade de negócio

Por que se tem comentado sobre Business Design? Anteriormente, comentamos sobre os motivos para as empresas apostarem suas fichas no conceito. Na ocasião, mostramos que uma oportunidade de negócio do futuro – não muito distante – só virá se estiver baseada, principalmente, em duas vertentes: a partir de um profissional que consiga agrupar os princípios norteadores do design e da gestão  de empresas. Não se trata somente de um único conhecimento, mas de uma série de habilidade reunidas que ajudarão a entrar nas características que o mercado está exigindo mais fortemente.

 

Mas, afinal, quais são as características que mudaram – e estão transformando cada dia mais – o mercado? Estamos vivendo “o mundo VUCA. VUCA é um acrônimo, em inglês, que traduzido fica: volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade. O que isso significa:

 

  • Volatilidade: O mundo muda rápido.  Volatilidade refere-se à natureza volátil e à dinâmica da mudança, bem como à velocidade das forças inconstantes que provocam a mudança e seus catalisadores.
  • Incerteza: com as transformações ocorrendo em milésimos de segundos, não há mais espaço para estagnação. As incerteza precisam ser consideradas numa oportunidade de negócio e é preciso saber como agir diante disso. Refere-se à falta de previsibilidade, às probabilidades de surpresa e ao senso de perplexidade e hesitação na compreensão das questões e eventos.
  • Complexidade: o inesperado gera complexidade e as mudanças trazem mais significados, soluções ou necessidades que antes não faziam parte das nossas rotinas. É preciso aprender a decifrar o que está neste contexto e aplicar a multidisciplinaridade. Refere-se às múltiplas forças, às questões indistintas, ao caos e à confusão que cercam o ambiente organizacional.
  • Ambiguidade: não há mais 8 ou 80. Uma oportunidade de negócio deve lidar com os dois lados de uma situação. A clareza não está presente nos eventos, mas o desconhecido também não pode ser visto como um inimigo. É  encontrar as soluções nas entrelinhas.

 

Diante disso, o Business Design se mostra uma opção para atender aos anseios dessa situação. Além de lidar com as novas características do mercado que proporcionarão oportunidade de negócio ou uma solução disruptiva, ele incorpora  a abordagem do Design Thinking. Ou seja, foco no usuário, mas dentro de uma proposta sustentável. David Schmidt, business designer e empreendedor, ressalta que com as mudanças promovidas pela evolução tecnológica e o surgimento de startups, há uma necessidade de abandonar  o modelo tradicional. De acordo com o profissional, é possível visualizar a aplicação do Business Design das seguintes formas:

 

  • aplicação de métodos e processos de design para auxiliar a desenvolver e inovar numa oportunidade de negócio;
  • criação e captura de valor;
  • transformação de uma proposta de valor em algo real para os negócios;
  • dar sentido aos novos valores que são criados com foco nas relações.

 

O que se perde em uma oportunidade de negócio sem Business Design?

1. Não saber como enfrentar problemas

 

Como vimos, há um novo mercado e anseios dos profissionais. Por sua vez, o inesperado surge de duas formas, para o bem e para o mal. Olhar para os problemas e desafios de forma tradicional fará com que os resultados sejam sempre os mesmos ou, ainda pior, não exista uma resolução efetiva. Se não entender o cliente e se preocupar com os propósitos que ele valoriza, a inovação passa longe, assim como qualquer oportunidade de negócio.

2. Enxergar o ato de “falhar” como negativo

 

Os princípios do design  consideram a possibilidade de falhar como oportunidade para aprender. Aliás, falhar rápido e aprender com isso. É preciso que exista um planejamento dentro de uma oportunidade negócio, mas para que seja realmente disruptiva, as pessoas precisam perder o medo de errar. O sentimento de “tentar algo novo pode ser perigoso” acaba minando qualquer pensamento criativo ou cultura de inovação de uma empresa.

3. Focar apenas em uma disciplina e esquecer da outra

 

Como Michael Eales, business designer e sócio da Business Models Inc., empresa global de inovação, alerta: um business designer precisa fazer uma fusão de disciplinas para que ocorra uma inovação sustentável. Assim, se traz o melhor do Design Thinking para criar uma oportunidade de negócio que esteja dentro de uma gestão  realista. Quando se consegue fazer essa aliança, outras formas de lidar com os desafios acabam surgindo e vencendo uma das características do VUCA, que é a incerteza. A união das duas abordagens proporciona formas operacionais de criar e oferecer valor ao cliente.

 

Quer saber mais sobre como criar uma oportunidade de negócio dentro do Business Design? Entre em contato conosco!

Business design: apostem suas fichas nessa abordagem

Nos textos sobre Gestão do conhecimento falamos que um uma empresa inovadora não se faz apenas com tecnologia de ponta, mas também pela mente das pessoas que estão dispostas a promover a mudança. Esse combo alinhado a metodologias que auxiliam na coleta e análise de dados impulsiona o desempenho da equipe, otimiza os resultados e cria soluções para facilitar o dia a dia nas empresas, além de entregar valor ao cliente. Se esses objetivos juntos fizeram você lembrar dos artigos sobre Design Thinking e também no processo produtivo das organizações exponenciais, hoje ainda vamos relembrar  um novo conceito: o business design.

A própria palavra design já explica boa parte do trabalho de um business design. Em tradução livre, o termo significa “desenho” e vem do verbo designare que nada mais é do que traçar, marcar ou mostrar uma direção. Nas palavras de Michael Eales, business designer da Business Models Inc., um profissional que atua neste segmento está preparado para aplicar princípios tanto do design quanto da administração de negócios. Ou seja, é utilizar o conhecimento das duas áreas para criar novas abordagens operacionais e desenvolver processos mais fáceis de executar, principalmente quando se tratar de projetos complexos.

Um profissional do business design pode ser contratado sempre que um novo produto ou serviço for lançado ou ainda quando surgir necessidade de reinventar os que já estão no mercado. Isso porque os profissionais da área partem do princípio que as várias etapas de um negócio, desde a ideia inicial até o lançamento, são hipóteses que podem ser prototipadas e melhoradas depois de vários testes.

Business design, governo e atendimento aos cidadãos

Michael Eales e sua equipe conseguiram bons resultados ao trabalhar com algumas agências governamentais da Austrália. Eles partiram da premissa de que os problemas que o governo tentava resolver precisava de uma abordagem diferente das que levaram à situação atual. Para tanto, Eales convidou os líderes para olhar a questão com a mentalidade de um iniciante, o que muitas vezes levou a administração pública a passar um tempo com os cidadãos entendendo as suas reais necessidades.

Em entrevista ao Singularity Hub, ele contou que o Departamento de Indústria da Austrália passou por alguns problemas financeiros que obrigou duas áreas diferentes do departamento a se agruparem: uma era mais voltada para o financiamento de empresas e a outra estava focada no crescimento dos negócios. Dessa forma, enquanto os primeiros tendiam a dizer “sim” para ajudar os empresários; a segunda dizia “não” por conta do orçamento limitado. Esse cenário é ou não é uma boa oportunidade para contratar um business designer? Foi então  que a equipe de Eales entrou em ação. Eles colocaram os dois grupos para conversar diretamente com os empresários e entender como esses gestores se viravam para conseguir o financiamento, mas sem deixar de se preocupar com os outros recursos oferecidos pelo governo.

O resultado desse trabalho foi o surgimento na Austrália do the Entrepreneur’s Infrastructure Programme (em tradução livre: Programa de infraestrutura do empreendedor). Nele, o governo primeiro concede suporte para as organizações se tornarem mais competitivas para só depois falar sobre financiamento. Entre os auxílios oferecidos podemos citar: assessoria de negócios, ajuda para pequenas e médias empresas para comercializar novos produtos e disponibilização de mentores para ajudar esses profissionais a identificar quais os entraves que impedem o crescimento dos negócios.

Eales e sua equipe por meio da abordagem do do business design conseguiu com que as agências e escritórios públicos dialogassem diretamente com as empresas e reduzissem a complexidade que norteiam os financiamentos. É uma forma arrojada de recriar um modelo de negócio que ainda rendeu o prêmio Design Pioneer award para eles.

Gostou de saber mais sobre o business design? Veja aqui como estamos aplicando esse conceito no desenho de novos modelos de negócios. Ficou interessado? Faça um contato conosco.

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Organizações exponenciais são sinônimo de empresas inovadoras!

Como as organizações exponenciais têm criado inovação num cenário tão ágil e repleto de mudanças? Justamente por se tratar de um modelo disruptivo. Não é fácil imaginar como elas podem existir, afinal, estamos ainda muito imersos em gestões conservadores e que, apenas aos poucos, estão começando a procurar por ferramentas e metodologias que vão além dos livros clássicos de administração. Mas, a principal resposta está no chamado propósito transformador massivo. É ele que será o responsável por assumir o timão do navio. Por sua vez, a cultura de inovação criará um ambiente que estimule mudanças e muita criatividade.

A cultura da inovação é um dos pilares das organizações exponenciais e, por outro lado, uma é consequência da outra. Vamos explicar melhor. Um negócio disruptivo, que fuja de processos burocráticos ou funções engessadas, precisa de bastante criatividade e propósito por trás. Mas como adquirir isso em uma empresa? A partir de reflexões que vão desde o relacionamento entre as pessoas até o cenário profissional. É um comportamento que se torna um exemplo e que, na sequência, se transforma em inspiração. Para isso, é preciso de desapego. Assim como arrumar o armário, ao adotar uma cultura de inovação é preciso tirar teias de aranha e se desfazer das roupas que não servem mais.

Nesse processo de arrumação, há algumas boas práticas que podem ajudar a cultura de inovação a se disseminar, tomando conta de pensamentos, atitudes e, como resultado, modificando ambientes profissionais. O aperfeiçoamento pode estar logo ali, em uma ação estratégica. Aqui, entram alguns itens importantes e que precisam de comprometimento da empresa. Não adianta nada querer ser uma das organizações exponenciais inovadoras e não adotar as seguintes propostas:

  • descentralização de decisões, autonomia nem sempre é fácil de lidar para os chefes. Lembre-se, aqui, estamos falando de líderes;
  • outro posicionamento relevante é formar lideranças autônomas entre os próprios colaboradores;
  • comunicação transparente, para todos e em diversos momentos. O conhecimento só se dá com confiança e trocas. Por essa razão, a informação deve ser crível e proporcionar o desenvolvimento do time;
  • o processo está indo bem? Hora de reavaliar. Pode parecer sem sentido, mas a acomodação é um dos maiores inimigos da inovação. Em um mundo em que as transformações acontecem em segundos, os modelos de negócios precisam passar por processos de análise e correções de percurso a todo instante.

Quais os diferenciais das organizações exponenciais?

Nas organizações exponenciais, você pode esquecer daquele fluxo sem fim: demandas que passam por colaboradores, para supervisores, depois até gestores e, talvez, consigam a atenção do CEO. Há um empoderamento do profissional. Isso funciona muito bem quando focamos na capacidade de transformação das pessoas. As mudanças são dinâmicas. Nisto é que mora um dos destaques do crescimento exponencial: cada um se torna parte de um crescimento que não envolve somente a empresa, mas a si próprio.

Quando as organizações exponenciais colocam o indivíduo no centro de suas preocupações, tornam os processos mais colaborativos e democráticos. Além disso, as estruturas homéricas e grandiosas de equipes não são mais uma vantagem, mas um obstáculo a ser superado. O modelo de negócio é dinâmico e, portanto, precisa de alternativas que fogem do convencional: criar redes de profissionais autônomos ou terceirizados, movimentar o ecossistema do setor, receber, de forma preditiva, as informações dos clientes .

Falhar também não é mais um problema nas organizações exponenciais. Falhar traz conhecimentos poderosos. Só erra com sabedoria quem pode testar e, isso significa, reduzir custos com desenvolvimento e lançamento de produtos e serviços fadados ao fracasso. Testar é um verbo que deve entrar nesse novo mindset de forma consistente. Experimentar faz com que os envolvidos consigam coletar dados de usuários betas e promover melhorias nos lançamentos que não serão rejeitados pelo mercado. Na verdade, a maior possibilidade é de que seja gerada uma experiência satisfatória. Por qual razão? Porque antes existiram falhas e, na sequência, correções e aprimoramento. Não é o erro pelo erro mas sim gerar o aprendizado. Ou o que comumente de chama “learning by doing”

O que faz das organizações exponenciais negócios disruptivos?

Arriscar não é para todos. O mesmo serve para inovar. Em razão disso, as organizações exponenciais se destacam como negócios disruptivos. Elas sobrevivem porque acompanham a transformação digital, os novos comportamentos e conseguem, com fluidez, modificar-se para atender o indivíduo. Agora, aqueles que nadaram, conseguiram certo lugar ao sol, mas depois tiveram que se retirar do mercado, possuem algo em comum: não acreditaram e investiram nas inovações.

Para simplificar, quais seriam os pontos-principais dessa dupla de inovação e organizações exponenciais? Alguns deles:

  • mudar não é motivo para medo. Independentemente do seu tamanho, as mudanças são vistas como oportunidades e não como dor de cabeça. Pensar grande é uma das motivações para mudar para (muito) melhor;
  • a hierarquia perdeu seu reinado. Flexibilidade, processos que não seguem uma “linha padrão” e que passam longe de fluxos conservadores;
  • gestão de equipes e controle passam longe da visão tradicional do chefe “acima de tudo”, há o uso de ferramentas para tais fins, mas com flexibilidade, autonomia e agilidade promovidos pelo suporte da tecnologia;
  • tecnologias são amigas. Nada de ficar com medo de novas tecnologias: de forma inteligente, é fundamental identificar como as soluções tecnológicas sozinhas ou combinadas podem otimizar, criar e inovar.

Quer conhecer mais sobre organizações exponenciais e outros assuntos que tratam de inovação e negócios disruptivos? Acesse ao blog ou deixe uma mensagem com sua dúvida ou sugestão! Conheça os nossos cursos presenciais clicando aqui

Foco no cliente: do planejamento ao feedback

Ao realizar uma busca rápida no Google com o termo “foco no cliente”, em apenas
70 segundos é possível ter acesso a mais de 2 milhões de páginas sobre o tema com dicas para colocar o conceito em prática e também inúmeras literaturas sobre o assunto. Se você ainda não está muito familiarizado com o termo, podemos resumi-lo como sendo “uma forma de repensar a relação com o público-alvo, investindo tempo e recursos não apenas para entender o que eles precisam, mas também para entregar o que eles desejam”.

No entanto, o objetivo final de quem trabalha com foco no cliente não é muito diferente de quem atua com o produto ou serviço no centro da estratégia, ou seja, gerar lucratividade de forma sustentável a longo prazo. Mas, se a meta é a mesma por que as empresas devem empregar recursos nesta metodologia? Trabalhar essa visão despende mesmo mais tempo? Continue a leitura do artigo e entenda essas e outras questões

Quais são os desafios de trabalhar com o foco no cliente?

O professor de marketing Peter Fader no livro Foco No Cliente Certo – Como Repensar A Relação Com o Cliente e Dedicar-se Àqueles Mais Valiosos quebra o paradigma de que os clientes têm sempre razão. Para ele, trabalhar com a visão do “client first” exige que as empresas entendam que nem todos os clientes são iguais, tenham um compromisso de identificar quais são os mais importantes e, principalmente, saibam empregar recursos para entregar o que esses clientes desejam.

Em resumo: enquanto os gestores que trabalham com o foco no cliente conseguem identificar a diversidade da sua base, quem trabalha com o produto no centro da estratégia entende que todos os consumidores são iguais. E isso está longe de ser uma afirmação verdadeira. Afinal, toda empresa quer ser reconhecida como uma corporação amigável e de credibilidade que, não apenas declara que o cliente tem sempre razão, mas que realmente acredita nisso. Correto? Não necessariamente.

Fader é enfático ao afirmar que “Os clientes certos têm sempre razão” e que, portanto, existe uma forma diferente de trabalhar com cada grupo de consumidores: uns necessitam mais e, consequentemente, outros menos. Não se trata apenas de ser amigável com as pessoas, mas de criar uma estratégia em que os produtos e serviços estejam alinhados com as necessidades dos cliente mais valiosos com o objetivo de gerar lucro de forma sustentável. Saber direcionar o recurso financeiro e intelectual da empresa para identificar esses grupos e personalizar a experiência de compra é o grande desafio de quem faz negócios com a premissa do “cliente first”.

Cases de sucesso de empresas que trabalham como foco no
cliente

No livro, Peter Fader apresenta ainda cases como a Amazon, IBM e Netflix que têm conseguido bons resultados trabalhando com foco no cliente. Ele explica como essas empresas colocaram o consumidor como centro da estratégia para melhorar seus rendimentos e também como outras organizações como a Costco, que embora ajude os seus clientes a economizar dinheiro, não atua com a visão do “Client first”. Assim como a Apple.

Inclusive o autor lembra que o iTunes levou bastante tempo para incluir a ferramenta de recomendação. Por outro lado, a Amazon já utilizava o histórico de compras para sugerir livros e outros produtos há muito mais tempo.

E por falar na varejista online, ela é um grande case de sucesso de empresas que trabalham com foco no cliente. Na Amazon, todo o processo tem como ponto de partida a necessidade do consumidor. Não estamos falando apenas de uma boa experiência de compra com uma entrega eficiente, mas na confiança que os consumidores depositam na empresa. Eles sabem, por exemplo, que podem usufruir de benefícios como frete grátis para contas prime, ter acesso a avaliações positivas e negativas dos produtos, utilizar ferramentas de pesquisa dentro dos livros, entre outros.

Existe um caminho para chegar neste patamar e o primeiro passo é decidir qual é o cliente principal do seu negócio.

Estratégia da Amazon para atuar com foco no cliente

Não é verdade que a Amazon conta apenas com um grupo de clientes, não é mesmo? Além dos consumidores diretos, também podemos citar vendedores, empresas e fornecedores de conteúdos. No entanto, a estratégia da varejista está claramente direcionada em ser a organização mais focada no consumidor de toda a rede. Embora haja reclamações (e até processos) de vendedores que contam com vitrines hospedadas na plataforma, a fidelidade dos consumidores diretos têm contribuído para a valorização cada vez maior das ações da loja online.

Definir qual o cliente certo é um grande desafio para as empresas. Há inclusive aquelas onde o grupo mais importante gera receita muito baixa e, portanto, a gestão opta por tratar todos com a mesma importância. No entanto, trabalhar dessa forma pode ser um problema no futuro.

Quando uma organização decide não direcionar a estratégia do negócio para um público principal está assumindo um risco: de que uma nova empresa surja com estratégias voltadas para seus clientes e acabe ficando para escanteio.

Abaixo, confira quatro passos para iniciar um planejamento com foco no cliente.

1. Identifique um cliente principal

É preciso focar em um público que não apenas gere lucro, mas também que esteja alinhado com a visão da organização. Em resumo, o cliente principal deve ser escolhido de acordo com três dimensões básicas: perspectiva – que engloba a cultura de inovação; capacidade – os recursos produtivos da empresa; e o potencial lucrativo, a receita gerada por cada cliente.

2. Entenda o que cliente principal valoriza

Analisar dados que possam levar a gestão a conhecer as necessidades dos clientes também é um grande desafio para quem trabalha com foco no cliente. Isso porque nem sempre ele sabe do que precisa. Em uma mesma fatia de mercado há quem prefira o menor preço, aprecie o bom relacionamento entre empresa e consumidor e ainda aqueles que valorizam mesmo as ferramentas tecnológicas utilizadas.

Como atender essas pessoas com eficácia? A resposta “monitorando suas compras e preferências” pode até ser meio óbvia, mas a verdade é que o estudo desses dados é apenas o começo. É essencial ainda observar o hábito de consumo, enviar pesquisas para os consumidores e ficar de olho em estudos de mercado, como os publicados pelo Think with Google.

3. Adote o modelo de negócio com foco na necessidade do cliente

As duas etapas anteriores vão nortear o modelo de negócio da sua empresa. Se o cliente principal valoriza preços mais baixos, deve haver uma preocupação constante em negociar com fornecedores, além de olhar com muita cautela para a comercialização e distribuição dos produtos. A rede de supermercado Walmart trabalha dessa forma.

Já se os consumidores valorizam a especialização do conhecimento, uma empresa para se observar como modelo é o Google. Lá a divisão de pesquisa e desenvolvimento do produto recebe mais recursos, enquanto as demais áreas atuam como setores de apoio. Embora existam muitas centrais de P&D pelo mundo, elas não são responsabilizadas pela receita da empresa. Para assumir esse compromisso existe o departamento de vendas.

4. Crie um fluxo de trabalho interativo

Não importa quão bom e lucrativo seja o seu modelo de negócio, os hábitos de compras e necessidades dos clientes uma hora ou outra vão mudar, novas tecnologias chegarão e o processo da sua empresa deve facilmente se adaptar a essas alterações. Assim, a análise das forças e ameaças devem ser constantes, afinal são elas que identificam os desejos dos clientes principais e também os lucros que eles geram para o negócio.

Manter um espaço interativo e aberto para toda equipe facilita e muito edições no planejamento empresarial com foco no cliente. Não importa se você vai contratar um sistema de ponta ou utilizar planilhas no excel, o que não pode faltar é um time direcionado para o mesmo objetivo e indicadores de desempenho.

A sua empresa está preparada para trabalhar com foco no cliente? Divida a sua experiência conosco nos comentários!

Reunião de pessoas - Maria Augusta

Empatia organizacional: desafios e poder das relações interpessoais

Precisamos falar sobre empatia. Para alguns, essa palavra significa colocar-se no lugar do outro. Nada errado com isso, no entanto, podemos ampliar tal significado para chegar ao calcanhar de Aquiles de muitas empresas: a falta de comunicação e desenvolvimento de talentos. A empatia organizacional só é possível com uma comunicação personalizada e eficiente. Com uma gestão de pessoas focada nas aptidões humanas e em seus contextos de vida. Com um ambiente que favoreça a cooperação. Afinal, como compreender o outro e extrair-lhe o melhor, sem ter um meio de se comunicar com ele?

Quantas oportunidades a sua empresa oferece para você expor suas ideias, dúvidas e ambições? Como promove o diálogo entre as pessoas? Em que pilares baseia a gestão de equipes e lideranças? As respostas para essas questões mostram não somente o nível da empatia organizacional nas empresas, como também pontos importantes para evolução do modelo de negócio.

Isso porque, quando trabalhamos em modelos de negócios colaborativos, conseguimos linkar mais facilmente aptidão, comportamento e reação das pessoas com suas vivências. Cada um precisa ser compreendido dentro de seu contexto, que inclui não somente o que está nos currículos, mas também estrutura familiar, valores e itens ainda mais subjetivos.

Porém, infelizmente, a maioria das organizações ainda engatinham quando o assunto é empatia organizacional. De um lado, existe a ideia equivocada de que ser empático é “passar a mão na cabeça” dos menos favorecidos em determinadas situações. De outro lado, há o entendimento da empatia como a habilidade de tratar o outro como você gostaria de ser tratado.

Porém, o viés principal dessa discussão é saber como o outro gostaria de ser tratado. É valiosa, portanto, a percepção dos gestores sobre o universo de cada membro de sua equipe. Isso facilita o relacionamento interpessoal e ações estratégicas, como direcionar atividades, estimular habilidades e, inclusive, propor posições mais coerentes com as aptidões de cada um.

Eis, portanto, o xis da questão: a empatia organizacional é um diferencial na gestão de negócios, pois consegue identificar perfis certos para liderança, além de antecipar conflitos e reter talentos. É também o caminho para uma comunicação de grande alcance e clareza no ambiente corporativo.

Empatia organizacional não é paternalismo, nem gentileza

Inteligência emocional é um termo já bastante utilizado no mundo dos negócios. Quem possui autocontrole, especialmente em situações de crise, autogerenciamento e um bom ‘feeling’ para a convivência em grupo está um passo à frente dos demais. Parte dessa inteligência é feita de empatia. Mas não vamos confundir empatia organizacional com paternalismo ou com privilégios. Inclusive, falamos sobre a importância desse equilíbrio no post líder do futuro.

Quando se trata de ambiente profissional, precisamos lidar com critérios igualitários e justos para todos. É aqui que entra o equilíbrio emocional, já que a empatia está em um limiar bem sutil entre a habilidade de perceber o outro e o paternalismo. Na prática, muitas vezes o gestor reconhecido pela empatia é aquele que beneficia determinado grupo, passando por cima de critérios já estabelecidos. Mas empatia organizacional não é gentileza, nem “apego”emocional.

Aliás, uma das grandes armadilhas da empatia é exatamente o envolvimento emocional profundo que impede o gestor de tomar certas decisões, que faz com que sua atuação tenha muitos pesos e medidas.

Como iniciar uma sensibilização para empatia organizacional?

Essa pergunta rende muitas respostas! O início, sem dúvida, faz parte de uma mudança cultural que prioriza a colaboração e promove a comunicação em diversas vias. Isso inclui perfis diferentes de liderança (no lugar de chefões) e estruturas pró-autonomia.

Há muitas ferramentas e técnicas de gestão para incentivar um maior envolvimento entre as pessoas e, consequentemente, testar a empatia e o equilíbrio emocional. Quando trabalhamos com modelagem de negócios, por exemplo, usamos a abordagem Design Thinking que tem entre seus princípios a empatia. Pensar como o cliente/usuário para criar algo relevante ou entender o impacto de certas mudanças na vida de um colega são alguns exemplos práticos desse trabalho.

Como a sua empresa lida com o relacionamento interpessoal? Compartilhe experiências interessantes sobre o assunto.

Líder do Futuro - Maria Augusta

Líder do futuro: 6 características que geram grandes resultados

Líder do futuro: 6 características que geram grandes resultados

Muito já se falou sobre o líder do futuro, aquela pessoa que consegue absorver as mudanças e adaptá-las muito bem para promover resultados cada vez melhores para empresa e seus liderados. Esse líder, no entanto, não está mais em um futuro tão distante, ele já existe em diversas organizações, especialmente as que trilharam o caminho da inovação.

No post sobre cultura de inovação, comentei sobre descentralização de decisões e autonomia, dois itens essenciais para a prática de uma liderança inovadora. Em contextos mais conservadores, fica difícil imaginar um ambiente onde diversas pessoas possam resolver conflitos de uma maneira simplificada, sem burocracia. O líder do futuro prega exatamente isso: uma gestão baseada na competência e na confiança, afinal, descentralizar é reduzir tempo e ter visões diferentes sobre os processos empresariais.

Quando iniciamos no blog a conversa sobre inovação, falamos muito sobre essa mudança do papel do chefe tradicional, até então pouco presente e nem um pouco aberto a intervenções da sua equipe. Presenciamos, com a evolução das organizações, a preferência por lideranças mais adeptas ao processo colaborativo e abertas à feedback.

Afinal, quais as características do líder do futuro?

Equilíbrio entre o ser e o dever: nem chefão, muito menos amigão. O líder responsável por resultados exponenciais tem uma postura equilibrada. Sabe perceber sua equipe, tem empatia (tanto em questões profissionais, quanto pessoais) e propõe direcionamentos de acordo com cada pessoa e situação. O equilíbrio emocional é uma qualidade desse perfil, que precisa conviver diariamente com diversas pessoas, incentivando-as a dar o melhor de si.

Sem vaidade: o líder sabe dialogar com todos e está disposto a aprender. Não tem todas as respostas. Quem ocupa um cargo de liderança em uma empresa inovadora, está mais preocupado em se cercar de talentos do que saber tudo.

Encorajador: o líder do futuro aprende constantemente, pois incentiva seu liderado a buscar sempre mais conhecimento. Com uma equipe preparada, a liderança se sente confiante em suas decisões. Além de encorajar o aprendizado, permite um ambiente livre para questionamentos, contribuições e feedback. Inclusive a sua gestão é passível de críticas, que devem ser consideradas e respondidas sempre. A liderança não está acima dos outros, pois o próprio desenho de hierarquia não existe em organizações inovadoras.

Atento aos dados: informação é tudo! Os dados mostram problemas, tendências, oportunidades. O líder do futuro é um profissional que acompanha toda a movimentação de mercado e de consumo, mudanças de comportamento dos consumidores, tendências que surgem no exterior e que podem ser adaptadas para o seu país. A habilidade de enxergar novos caminhos é outra grande qualidade desse perfil de liderança. Para isso, no entanto, ele precisa de outras habilidades importantes para colocar suas ideias em teste.

Domina técnicas de resolução de conflitos: não é só de alegrias que vive o líder do futuro. O dinamismo dos negócios e a pressão por resultados faz com que esse profissional precise lidar com problemas complexos. Conhecer métodos, como Design Thinking e metodologias ágeis é primordial para envolver seus liderados em processos de melhorias constante.

Adepto à inovação: a liderança não é feita apenas de teoria. Se a ideia é buscar a inovação, o líder do futuro deve ser uma pessoa curiosa e atenta às novidades. A tecnologia precisa fazer parte de sua rotina. Estar próximo do que o mercado oferece é estar aberto a novas soluções. Nada como ser usuário apaixonado por novas tecnologias para pensar como tal e conseguir, por fim, pensar em soluções mais próximas dos seus clientes.

Antes de ir, compartilho esse artigo muito interessante sobre esse assunto, mas com uma visão do mercado exterior.

Gestão do Conhecimento - Maria Augusta

Gestão do conhecimento para a modelagem de um ambiente inovador

The beginning of knowledge is the discovery of something we do not understand.
Frank Herber

Um ambiente inovador não é feito apenas de soluções tecnológicas, nem de uma arquitetura moderna. Ele nasce da mente de pessoas que desejam promover mudanças necessárias no mundo corporativo. A inovação é realizada por pessoas e também por técnicas que desenvolvam o conhecimento, a integração e a evolução constante. É por isso que cada vez mais se fala sobre gestão do conhecimento (GC) dentro das empresas.

Informação é, sem dúvida, um bem valioso. As organizações exponenciais (ExOs) que o digam! Elas coletam, analisam e armazenam dados que são o combustível de seus negócios. Na era do conhecimento, organizar e administrar o saber adquirido, compartilhá-lo e mantê-lo vivo é um dos grandes desafios das empresas que buscam a inovação.

Na teoria, a gestão do conhecimento é exatamente isso: um conjunto de metodologias e tecnologias que ajuda as empresas a organizarem suas informações. Todo o know-how é capturado, estudado e disseminado para quem precisa. O objetivo é impulsionar desempenhos, melhorar resultados, criar e recriar soluções que façam a diferença para empresa e clientes.

Se você acompanhou os conteúdos sobre Design Thinking (DT), pode estar tendo um déjà-vu. Mas é isso mesmo: DT e gestão do conhecimento são abordagens complementares. Enquanto o DT busca o desenvolvimento e aprimoramento das soluções de uma empresa, a gestão do conhecimento quer garantir a difusão do conhecimento adquirido por todos os processos internos. Essas duas abordagens compõem um ciclo de novos conhecimentos e soluções.

Ficou confuso? Na prática, é mais fácil de entender. Mas na prática de verdade, feita com a reunião de pessoas em um ambiente aberto para questionamentos, ideias e criatividade. Em um ambiente que impulsione ideias para testes, testes para melhorias, melhorias para atender os desejos e necessidades dos clientes. Os resultados aparecem quando essas técnicas são aplicadas corretamente e com o compromisso de serem revistas. O processo de inovação é constante.

Para uma organização estudar novos bens e serviços, ela precisa primeiramente de informação. Como é feito hoje, como o mercado espera que seja feito, como a empresa pode melhorar? A partir dos dados, tão valorizados pela gestão do conhecimento, é que começam os estudos. Temos vários métodos para organizar esse processo criativo necessário para inovação das empresas, e um deles é o DT. Para acompanhar essa conversa, vale a pena resgatar nossos conteúdos sobre Design Thinking.

Gestão do conhecimento nas empresas: por onde começar?

A interação entre pessoas, tecnologias e processos é o suporte para uma organização executar novas e complexas tarefas. Ao gestor compete coordenar os diferentes níveis de conhecimento entre os integrantes de um grupo. Isso é feito com o compartilhamento da informação, considerando que é através de pessoas que a informação pode ser interpretada e transformada em conhecimento.

Dados, informação e conhecimento dependem do contexto em que se encontram. A perspectiva com que são observados pode apresentar diferenças no conceito, já que o significado é uma interpretação a partir de um paradigma pessoal. Ou seja, depende de cada indivíduo em particular. Dados são considerados fatos novos, a informação é um conjunto organizado de dados e, por sua vez, conhecimento é percebido como uma informação com sentido.

Sendo assim, a informação se torna conhecimento e recebe um significado quando é interpretada pelas pessoas em um contexto específico, tendo por base suas crenças e seus compromissos. Por sua vez, o conhecimento é fundamentado naquilo que é valor para os indivíduos, é intangível, subjetivo, sem limites e dinâmico. O conhecimento surge da interação entre as pessoas e acontece em um determinado ambiente.

Como todo processo de gestão, a transformação de dados em conhecimento tem um caminho a ser seguido. Para isso, usamos métodos e abordagens que facilitem a compreensão das pessoas, a organização das informações e a comunicação desses processos. Algumas etapas importantes para a gestão do conhecimento:

Problema em estudo: o que motiva a busca por novas soluções? Pode ser um problema, uma mudança repentina de mercado ou uma tendência que gera oportunidades.

Idealização: o momento de parar e pensar em ideias, no qual se aplicam abordagens como DT e Business Model Canvas. A idealização é colaborativa, requer a reunião de pessoas dispostas à criatividade.

Experimentação: é testando que se aprende, que se erra e se ajusta antes das soluções chegarem ao mercado. Testar economiza dinheiro e refações!

É claro que tudo isso só faz sentido quando existe um ambiente colaborativo. Como já comentei no texto sobre negócios colaborativos, quanto mais ousado o propósito de uma organização, mais ela precisará criar comunidades e parcerias para ter sucesso. Além disso, a gestão do conhecimento pede habilidades de união e comunicação para que os processos internos sejam coletados, estudados e melhorados.

Aqui neste link você pode obter o nosso ebook que aborda como Gestão do Conhecimento e o Design Thinking ajudam a sua vida e o aprimoramento do seu negócio.

Você já viveu alguma experiência interessante sobre esses assuntos? Compartilhe sua opinião conosco.

Negócios Colaborativos - Maria Augusta

Negócios colaborativos: como as ExOs formam comunidades

Um usuário que também é desenvolvedor. Um cliente que ora é hóspede, ora anfitrião. Um fã que não só divulga espontaneamente a marca, como contribui para melhoria de plataformas. As organizações exponenciais (ExOs) ampliaram o conceito de cliente ao colocá-lo no centro de seus negócios colaborativos. E a segmentação do público dessas empresas é ousada a ponto de considerar e, de fato, alcançar mercados novos e massificados.

Talvez você não saiba, mas o app UBER, que você chama para ir de um lugar a outro, também é usado para entrega de comida. Alguns hospitais, inclusive, utilizam o aplicativo para melhorar o acesso à saúde, transportando profissionais que coletam exames de sangue, aplicam vacinas e outros procedimentos feitos na casa do usuário. A plataforma que já foi uma comunidade de motoristas, hoje atrai centros de saúde e restaurantes.

No Brasil, o UberEats ainda está tímido e o UberHealth não chegou. No exterior, no entanto, esses dois projetos estão se fortalecendo. O interessante é ver que o Uber utiliza sua logística e seus dados para atender demandas tão diferentes ‒ transporte de passageiros, acesso à saúde e delivery de comida ‒, porém altamente necessárias no dia a dia de todos. Para isso, a plataforma conta com clientes que participam da sua evolução e que conduzem as novas soluções dentro das visões de seus mercados.

Os negócios colaborativos promovidos pelas ExOs definem muito mais do que potenciais clientes/usuários: detectam necessidades amplas e urgentes nos mercados de atuação. Isso torna essas organizações mundialmente populares e, consequentemente, elevam exponencialmente seu crescimento (de receita, de alcance, de negócios). Some a isso a habilidade de construir redes de parceiros e fãs e chegamos à um modelo de negócio altamente participativo e dinâmico.

Negócios colaborativos: clientes, parceiros ou fãs?

Ao assumir a missão de resolver problemas de massa, as organizações exponenciais sabem que não é possível cumprir tal objetivo sozinhas. Ainda mais quando seus modelos de negócios pedem dinamismo, menos custos e alcance global. Assim, voltamos ao início do texto, quando falamos que os clientes não são meramente clientes ou usuários. Os negócios colaborativos querem mais do que usuários. Querem pessoas dispostas a colaborar e com uma coisa em comum: a necessidade que precisa ser suprida.

No post anterior sobre modelagem de negócios, comentei sobre o caso do Slack que compartilhou uma versão piloto com diversas empresas para, a partir do feedback do seu público-alvo, chegar ao produto final. Essa aproximação permitiu a personalização das funcionalidades e a evolução do produto, pensado pelo e para o usuário. Resultado? Uma comoção que surpreendeu seus desenvolvedores e transformou a plataforma na queridinha das equipes de empresas renomadas.

Mas o que ganhamos com os negócios colaborativos?

Produtos e serviços cada vez mais próximos da nossa realidade ou de realidades que ainda vamos viver!

E o que leva um usuário a fazer parte de uma plataforma? Pode ser uma interface com gamificação, um sistema de recompensas ou simplesmente admiração. Essa admiração que transforma os clientes em fãs é construída desde o início, com desenvolvimento a partir do usuário, feedback constante, personalizações, soluções que acompanham a evolução do público no uso das tecnologias.

Também é visando formar uma comunidade de fãs que os negócios colaborativos buscam parcerias relevantes e indispensáveis para o funcionamento de seus sistemas. É a inovação por meio de pontes entre pontos aparentemente desconexos. Exemplo do Waze + GPS + dados de usuários + smartphones + desenvolvedores de apps + lab de ideias. Quanto mais participação, maior valioso o produto/serviço se torna. Quanto mais unimos pontos diferentes, mais inovador se torna.

Sabemos que o ecossistema criado por negócios colaborativos só é possível com a adoção da tecnologia, que permite processos automatizados e escaláveis. Afinal, não poderíamos imaginar um Google feito a partir de coletâneas Barsa! Para pensar grande, precisamos de novas ferramentas, conquistadas graças à inovação.

O que tecnologia e uma comunidade de fãs podem fazer pela sua empresa para ela alcançar um modelo de negócio exponencial? Comente aqui e compartilhe as suas ideias.

Business Model - Maria Augusta

Modelagem de negócios: 3 princípios para crescer 10x mais

O crescimento exponencial de algumas organizações começa na sua modelagem de negócios e pede um olhar completamente novo sobre a empresa e o mercado que ela está inserida. Tal modelo reinventa estruturas já existentes ou busca a inovação desde a concepção de uma empresa. Ou seja, o modelo de negócios moderno e disruptivo pode estar no DNA ou ser construído pouco a pouco, junto com a cultura de inovação.

Mas o que diferencia o modo de pensar o negócio no passado e atualmente? Ou melhor, o modelo de negócio tradicional do exponencial? Já comentei aqui no blog que uma das grandes mudanças é a ousadia de ir além e o foco em um propósito. Criar um produto revolucionário para a época, como um Ipod, ou organizar toda a informação do mundo, como tem feito o Google são exemplos do nosso dia a dia. Isso nos leva a perceber que a modelagem de negócios ‒ que busca um crescimento exponencial ‒ traz consigo uma imaginação também exponencial.

As organizações exponenciais atuam sob princípios que direcionam todos os seus processos. Podemos enxergar esses princípios no Canvas do Modelo de Negócios (Business Model Canvas), que auxilia o desenho das diferentes atividades e etapas de um negócio e de todas as suas relações, seja com o segmento de clientes, parceiros, fontes de renda e relacionamentos. No meu site compartilho um resumo de cada fase do Canvas, mas hoje quero compartilhar três princípios que se mostram um grande trunfo das empresas exponenciais.

Princípios da modelagem de negócios exponenciais

Provavelmente, um dos princípios que ajuda uma empresa a crescer 10x mais (média das ExO em relação aos seus concorrentes) é a adoção de processos simplificados e colaborativos, que priorizam a experimentação nas diversas fases de desenvolvimento de produtos, serviços e processos. Aqui podemos incluir o uso da abordagem Lean e do Design Thinking em empresas inovadoras, dois conceitos que buscam a redução dos riscos e desperdícios, por meio de validações, análises, repetições. Tudo no ritmo dinâmico, como pede o competitivo mercado das inovações.

Identificar parceiros (até um pouco improváveis). A maneira mais comum de fazer uma parceria, aquela que complementa um serviço que você não quer organizar internamente (nem gastar com isso), funciona muito bem com empresas exponenciais. Com duas empresas bem populares a gente explica isso: Uber possui como parceiros os motoristas (e seus carros), Airbnb “aluga a casa dos outros”.

Mas quando se desenha a modelagem de negócios exponenciais, podemos também considerar aquele aliado que não produz ou possui nada complementar. O time do Slack, por exemplo, recrutou como parceiras diversas organizações para usar as funcionalidades do produto durante as etapas do desenvolvimento. O feedback constante e a criação pensada no usuário resultaram em um software de comunicação de equipes avaliado em quase 3 bilhões de dólares e utilizado com muito entusiasmo por empresas renomadas, como Adobe e Spotify.

Outro exemplo interessante é a parceria puramente inovadora da centenária Mercedes-Benz com a jovem startup de drones Matternet na criação de vans elétricas para entregas rápidas de produtos. Uma união improvável que carrega um grande valor agregado para as duas empresas, traduzido em um veículo elétrico sustentável e sistema inovador de catalogação e entregas. Veja mais nesse link.

Informação é um bem valioso. Vamos pensar nos apps que você utiliza diariamente. O que eles têm de bom para lhe oferecer? O Waze te dá informações sobre o trânsito, as redes sociais trazem informações sobre seus amigos e marcas que você curte, aquele seu app de saúde registra suas informações de rotina médica e bem-estar, o de corrida acumula sua quilometragem e condicionamento físico.

Percebeu que a informação é um bem valioso das empresas exponenciais? Unir coleta de dados, armazenamento e análise tornou-se a missão de muitas empresas. Com a tecnologia a serviço dos dados, produtos e serviços se aproximam cada vez mais de seus usuários e oferecem soluções altamente relevantes.

Eu poderia falar sobre tanta coisa a respeito da modelagem de negócios exponenciais! Tem o incrível princípio do trabalho em rede, onde todos compartilham informações, socializam e participam dos processos produtivos. Aliás, o próprio Slack é uma ferramenta que possibilita a criação de comunicação em redes no ambiente corporativo. Falar de inovação e modelo de negócios parece não ter fim, afinal, somos surpreendidos diariamente com novas formas de consumir e, porque não, de conviver.

Que tal começar a revolução no seu modelo de negócios pensando nesses três princípios? O assunto continua, acompanhe o blog.

Organizações Exponenciais

Organizações exponenciais: DNA da inovação constante

Ao longo das últimas semanas, o crescimento exponencial de negócios inovadores foi o nosso tema central. Identificar a cultura de inovação nas organizações exponenciais (ExOs) e as características que as fazem precursoras da nova economia é um assunto quase inesgotável. Afinal, essas empresas, especialmente desenvolvidas com base tecnológica e modelos de negócio abertos e flexíveis, estão em constante evolução.

Uma peculiaridade realmente inovadora é o fim do modelo matricial. No lugar do organograma com níveis de subordinação, as ExOs experimentam com sucesso a autonomia e a liderança. E elevam esses termos a outros níveis! Há poucos anos, a Netflix virou case em gestão de pessoas ao promover a liberdade e responsabilidade. Façam o que acham melhor, mas assumam as consequências. Esse foi o recado. O texto da HBR resume bem o conceito.

Outro caso emblemático é do e-commerce americano de roupas e calçados Zappos. A empresa eliminou cargos de supervisão do setor de atendimento ao cliente. Sem script padrão de call center, cada funcionário assume o papel de resolver conflitos e, principalmente, de encantar o cliente.

Difícil pensar um ambiente corporativo com tamanha liberdade. No entanto, as organizações exponenciais trabalham com autonomia, porém sem abrir mão de controle e alto rendimento. A grande mudança é no tipo de gestão que prioriza resultados e o fortalecimento dos ecossistemas. A gerência pode ter ficado para trás, mas em seu lugar temos sistemas de acompanhamento e feedback constantes. Relatórios individuais, de equipes, dados brutos e numéricos ou abstratos de fidelização de clientes.

Some ao constante estudo de dados a velocidade de mudança, algo que um modelo de negócio conservador não possui. As ExOs estão abertas à inovação e compreendem que ela é feita de erros e de planos eficazes para acertos.

Destaques do DNA das organizações exponenciais

O indivíduo tem o poder. Indivíduos mudam muito mais rapidamente do que empresas. O foco na pessoa é, portanto, o combustível da mudança. O indivíduo é o consumidor, que precisa de soluções para suas dores e desejos. É também o produtor, que quer uma fatia desse crescimento exponencial. É o funcionário, que planeja crescer profissionalmente na mesma velocidade que a sua empresa.

Ao tentar cumprir todas essas expectativas, as organizações exponenciais promovem mais do que um ambiente de interação e colaboração com sua rede. Elas democratizam o acesso do indivíduo (consumidor, produtor, fornecedor) às informações e aos meios digitais. Tal abertura cria ecossistemas cada vez mais criativos e ágeis, que está, em grande parte, fora da estrutura física dessas empresas.

Imagine a Apple sem os apps disponíveis na sua store. Esses apps são desenvolvidos por uma rede de pessoas que quer a Apple ‒ e os usuários de seus dispositivos ‒ como vitrine. São atraídas pela possibilidade de escalar. O sucesso do app é o sucesso da Apple Store e vice-versa. Atualmente, essa fatia da empresa é responsável por cerca de 65% do seu faturamento.

Ter custa caro. Mais um paradigma deixado para o passado. Possuir grandes estruturas e grandes equipes é um peso que as ExOs não querem carregar. Inicialmente, livrar-se da estrutura padrão é essencial para quem não tem um grande capital. Ao longo do tempo, essas empresas compreenderam que não era possível crescer rapidamente tendo um modelo de negócios engessado. Qual foi a solução encontrada? Alugar, compartilhar, alavancar ativos. Criar uma rede de desenvolvedores, de produtoras de filmes, de anfitriões, de taxistas, de usuários dispostos a compartilhar informações.

Testar reduz custos. O desenvolvimento tradicional de produtos não tem a flexibilidade e o tempo necessários para adequar o produto ao mercado. Isso muitas vezes encarece a produção, que tem que lidar com fracassos de vendas ou retirar do mercado produtos recém-lançados. Por outro lado, a experimentação é um grande aliado das empresas exponenciais. Testar faz parte da rotina de desenvolvimento, desde a concepção de um MVP (Produto Mínimo Viável). Ao disponibilizar uma versão teste do produto, as ExOs conseguem fazer os ajustes conforme o feedback dos usuários. Como resultado, conseguem itens cada vez mais próximos das expectativas dos consumidores.

São tantas características a explorar! Quanto mais conhecemos o funcionamento das organizações exponenciais, mais conseguimos analisar o modelo de negócios para gerar oportunidades de inovação. É possível transferir o DNA inovador para empresas tradicionais? Sem dúvida, mas isso requer profundas transformações, principalmente na forma de pensar. Nosso principal problema não é o crescimento exponencial em si, mas o fato de que nossa intuição é linear. Temos imensa dificuldade de entender e aceitar isso, o que, consequentemente, torna nossa adaptação bem mais complexa.

O que você acha mais difícil de desapegar? Comente!