Organizações Exponenciais

Negócios disruptivos: modelos eficazes “antienvelhecimento”

O que faz uma empresa se manter no topo e por que algumas organizações, então líderes em seus segmentos, não sobrevivem ao mercado atual? É certo que muitos pensarão na palavra inovação como resposta, afinal, é a presença da inovação que contribui para a sobrevivência de um negócio e a falta dela que leva muitas organizações à falência. Essa é a palavra de ordem nos modelos de negócios disruptivos que estão dispostos a criar e recriar as formas de gestão que conhecemos.

Sem medo de mudar e com grandes ambições

Uma das principais contribuições dos negócios disruptivos é encarar mudanças, pequenas ou radicais, como oportunidades de melhorias ou de expansão. À primeira vista, as empresas inovadoras podem parecer ambiciosas demais, mas é o pensar grande que as motiva a buscar soluções, ou até mesmo criá-las. Ambição é um dos atributos comuns às empresas inovadoras, segundo estudo da Singularity University (EUA) que compõe o livro Exponential Organizations. No caso do Google, o seu pensar grande – ou Propósito Transformador Massivo (PTM) – é “organizar a informação do mundo”.

O que os negócios disruptivos têm em comum?

Esqueça a estrutura fechada e a centralização de poder. Os modelos de negócios disruptivos são conhecidos como plataformas colaborativas que conectam pessoas para criar produtos únicos e cada vez melhores. Se você já usou, por exemplo, o Waze e o Airbnb consegue perceber isso. Ambos sobrevivem da união da tecnologia com a colaboração dos usuário e oferecem apps sem precedentes e com crescimento exponencial. O Airbnb viu as suas receitas aumentarem em mais de 80% a partir de 2016. O Waze, 5 anos após seu lançamento, virou um produto Google em 2013, após uma negociação de quase US$ 1 bilhão.

Ok, estamos falando de startups que já nasceram para serem inovadoras. Mas como utilizar esses modelos para reinventar padrões tradicionais? Acredito que o ponto de partida de negócios disruptivos seja a adoção de processos não-lineares, afinal, o apego à hierarquia é ainda muito forte. Negócios dinâmicos precisam também de flexibilidade, algo complicado de se ter em estruturas conservadoras. Mas a vontade de recriar processos e de modernizar a cultura empresarial precisa vir de cima.

Para alguns, organização e controle não combinam com um ambiente não-linear. Quem cobra quem ou controla horários? É realmente difícil pensar em produtividade dentro de um processo que quebra paradigmas criados há mais de 200 anos pela era industrial. No entanto, engana-se quem pensa que os negócios disruptivos não investem em métodos eficientes de controle. Muito pelo contrário: a gestão de equipes existe e é feita em tempo real. Metas individuais, status de projetos, dados, transparência e feedback. Se tem algo que as empresas inovadoras fazem bem é organizar as suas informações, escolher os indicadores de performance (KPIs) que realmente importam e medi-los frequentemente para confirmar tendências ou mudar rotas. Eis a flexibilidade e o dinamismo sendo auxiliados pela tecnologia.

Tecnologia a serviço de negócios disruptivos

Negócios disruptivos são heavy users da tecnologia. A inovação está presente de ponta a ponta da cadeia, seja para avaliar a produtividade dos times, analisar dados (graças ao Big Data), modernizar produtos, buscar canais de distribuição ou colaboradores. Um ponto a favor dos negócios disruptivos é, sem dúvida, utilizar a tecnologia de maneira inteligente para desenvolver um produto inédito, como o iPhone, recriar mercados (Uber e Airbnb são bons exemplos disso) ou para usar o tão popular smartphone como canal, caso do Waze e de tantos outros apps.

Esse é só o início da discussão sobre o mundo maravilhoso dos negócios disruptivos e organizações exponenciais. Deixo um estudo interessante da Deloitte sobre o assunto e a análise em português desse estudo você encontra aqui.

Como implantar uma cultura para a inovação?

Um grande diferencial em relação às demais empresas do mercado é a inovação, que vem mostrando-se, cada vez mais, importante em todas as organizações. Por isso, o seu estímulo vem aumentando em ritmo acelerado. Nenhum gestor quer ver o seu negócio estagnado, enquanto seus concorrentes desenvolvem novas ideias e atingem patamares superiores.

Porém, não basta desejar soluções inovadoras sem que seja criado um ambiente corporativo propício. A implantação de uma cultura para a inovação, dentro de uma organização, precisa partir de quem já possui poder de decisão e ser estendida para os demais colaboradora. Veja como:

Alinhamento dos valores com os objetivos

Uma empresa com valores extremamente conservadores, que já estão largamente refletidos em sua cultura organizacional e sua estrutura, dificilmente conseguirá implantar um modelo voltado para a inovação, a partir da simples criação de objetivos com este foco. Para isso se tornar possível, será preciso mudar a filosofia que já está consolidada em seus processos. Mas como fazer isso?

O primeiro passo é alinhar os valores da empresa com os objetivos, ou seja, planejar como se dará a mudança em todos os patamares e áreas da corporação. Deve-se incluir neste planejamento desde os conceitos mais básicos da empresa, como a missão e a visão, passando por todos os processos internos até, finalmente, definir um propósito que justifique a existência daquela organização para então gradativamente mudar a forma de pensar de seus colaboradores.

A inovação vem de cima

É notório a importância que possuir colaboradores que pensem e ajam com um propósito da inovação tem em uma empresa. Mas isso somente não basta. Faz necessário aplicar essa nova cultura na prática, que deve partir de deve ocorrer a partir da mais alta liderança corporativa.

É preciso criar um ambiente propício

Imagine uma empresa que está procurando aplicar uma cultura voltada para a inovação. Porém, ela é dirigida por gestores rígidos, que gostam que tudo seja feito da maneira ditada por eles e em momentos pré-determinados. Não bastasse isso, os colaboradores, que não respeitam as regras impostas, são punidos. Apesar de, na teoria, a inovação ser incentivada, esta não parece ser a atitude de uma administração, que realmente apoia a inovação.

É por meio de condutas, que incentivam o desenvolvimento individual de seus colaboradores que a empresa torna-se, gradualmente, um local estimulante, onde os colaboradores se sentem a vontade para tentar novas possibilidades. Além disso, deve-se estimular a troca de informação entre os colegas, setores e também entre os gestores e os demais membros da organização. Só com a posse de informações é possível pensar de maneira inovadora e tomar as melhores decisões. A cultura da inovação é vital para o crescimento das empresas em um mercado muito competitivo, mas a sua implantação ainda é um verdadeiro desafio.

Como você avalia o nível de incentivo à inovação na sua empresa? Ainda há espaço para esta prática? Deixe seu comentário!

O DNA das empresas socialmente inovadoras

Captura de Tela 2015-08-18 às 12.40.13Neste artigo adaptado do livro recente de Jerry Davis e Chris White, você saberá como algumas empresas conseguem ser mais férteis para a inovação social. Ou seja, que colocam ações de impacto social positivo em curso, favorecendo a missão principal de seu negócio. Continue lendo e confira:

No decorrer da pesquisa realizada por Jerry Davis e Chris White (dois importantes nomes na área de estudos sobre negócios) ficou claro que algumas indústrias intensivas em conhecimento são, consequentemente, mais receptivas à inovação social em comparação às outras. As empresas de contabilidade e consultoria são, muitas vezes, altamente sensíveis às demandas sociais de seus empregados. Por exemplo, estagiários na PWC – PricewaterhouseCoopers têm defendido uma prática de auditoria social. Os profissionais consultados da Accenture, em escritórios de três continentes, elogiaram a empresa de forma consistente por sua disponibilidade em apoiar inovações, a partir das parcerias com programas profissionais dos primeiros povos no Canadá e apoio aos centros de atendimento em comunidades nativas. Isto se encaixa com a ideia de que muita inovação é impulsionada por uma guerra de talentos. Empresas que necessitam de profissionais com habilidades para elevadas demandas são praticamente obrigadas a abraçar as preferências desta nova geração.

Os traços da inovação social nos negócios

As empresas com uma marca forte para proteger também são inovadoras sociais muitas vezes receptivas aos intraempreendedores. A Nike, por exemplo, enfrentou a reação dos consumidores na década de 1990, quando as práticas de trabalho análogo ao escravo exercido por alguns dos seus fornecedores se tornaram amplamente conhecidas. Uma das histórias mais notáveis foi publicada na revista Life, distribuída com uma foto de uma criança paquistanesa costurando bolas de futebol da marca, intitulada “seis centavos por hora”. Vários protestos e pedidos de boicotes começaram a colocar a Nike no centro de batalhas em torno da globalização.

A marca, posteriormente, se tornou inovadora na prestação de contas da cadeia de abastecimento e estabeleceu um código de conduta para seus fornecedores de forma rigorosa, com inspeções nas fábricas terceirizadas. No início de 2013, quando as condições da fábrica em Bangladesh com trabalho precário vieram à tona, a empresa cortou laços com alguns fornecedores cujas fábricas foram consideradas inseguras, mesmo às custas de suas margens de lucro e em face da diminuição da rentabilidade em relação aos concorrentes. Defensores internos de segurança e os direitos trabalhistas na cadeia de fornecimento tornaram-se concorrentes poderosos dentro da Nike. Por causa da sua atenção no evento de Bangladesh, a Nike já não estava presente entre as marcas ocidentais, que foram envolvidas no colapso trágico do trabalho de fábrica em Dhaka, em abril do mesmo ano.

Outros cases de inovação social

Em bens de consumo embalados, a SC Johnson trabalha com matérias-primas de agricultores em Ruanda, em parceria com os fornecedores locais para melhorar a higiene e saneamento em comunidades urbanas de baixa renda no Quênia. Também passou a eliminar substâncias químicas nocivas de seus processos de produção. No varejo, a Whole Foods eliminou sacos de plástico para desenvolver fornecedores locais e abriu lojas com produtos a preços acessíveis em comunidades de baixa renda com acesso limitado a produtos frescos.

Cascade Engineering é o exemplo de uma organização que evoluiu a partir de um fornecedor industrial para a indústria automobilística a uma corporação B: certificado importante de Michigan. Ela gerou uma ampla gama de inovações de gerenciamento de funcionários, como programas de bem estar na carreira. Já para os produtos, a empresa desenvolveu soluções como o Filtro Hiydrai BioSand Água, um filtro de água com alta capacidade para uso doméstico de baixo custo destinado aos países de baixa renda. Essas inovações, muitas vezes, surgiram a partir de ideias geradas por empregados e até mesmo por meio de iniciativas lideradas pelo colaborador.

Uma mudança no topo também pode ser transformadora para a inovação social no seio das empresas. Quando William Argila Ford Jr. tomou posse como presidente da Ford, ele sinalizou que a empresa quase centenária foi aberta à mudança a partir de suas iniciativas ambientais de programas premiados para combater o HIV/AIDS, na África do Sul.

Os impactos dos inovadores sociais

Os novos líderes não precisam ter seu nome de família na porta para incentivar a inovação social. Em 2003, quando Ramón de Mendiola assumiu o cargo de CEO da Florida Ice & Farm Company, líder na produção de cerveja e de bebidas da Costa Rica, a empresa enfrentava o desafio para encarar a concorrência iminente e em classe mundial. Mendiola lançou uma campanha para aumentar a eficiência e reduzir custos, seguido por outra campanha para introduzir novos produtos e aumentar as receitas e lucros, culminando com a aquisição do negócio – a Pepsi Co na Costa Rica. Depois de construir credibilidade dentro e fora da organização, em 2008, Mendiola criou uma ampla iniciativa de refazer a Flórida como um negócio dedicado ao planeta e as pessoas. Ele afirmou que a maioria das empresas são lagartas, que somente comem, e ele queria ser uma borboleta, que encanta e poliniza, combinando o desempenho dos negócios com o progresso social. Abordagens assim tem tido uma série de benefícios tangíveis, incluindo o aumento da fidelização e retenção de clientes e colaboradores.

Há uma série de exemplos de empresas que adotam a inovação social e, agora, cabe a você transformar as inspirações desses grandes nomes em realidade para que seu negócio também seja gerenciado de forma econômica, ambiental e socialmente sustentável.

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Esse post é uma adaptação da Harvard Business Review Press Livro:  Changing Your Company from the Inside Out: A Guide for Social Intrapreneurs.