Hoje faz 110 anos da data de nascimento de meu avô. Quando criança era um dia de festa. Dia de São João. Dia do aniversário do meu avô. Cedo quando acordávamos já se sabia que não importava que dia da semana fosse, teríamos festa a noite. Durante o dia a casa era preparada pelos meus tios e tias. Bandeirinhas eram colocadas em todas as partes da casa e no quintal. Balão de papel de seda com 16 gomos era meticulosamente montado em uma época em que nada era proibido. Como eu era pequena, tudo se agigantava. Era enorme. Minha mãe preparava um bolo de milho com côco especialmente para ele. Não era para a festa. Era para o meu avô. No inicio da noite, nós colocávamos os trajes típicos ou as “roupas de jeca”. Tudo a caráter. Com direito a chapéu de palha e trancinha nos cabelos com fitas coloridas de diferentes cores e seguíamos para a festa.
A casa do meu avô ficava no centro de Florianópolis, na av. Mauro Ramos em frente a antiga Escola Técnica (perto dos Canudinhos) como ele costumava chamar. Centro da cidade, mas ali ele tinha uma casa com uma pequena chácara, com muitas árvores frutiferas e bichos de várias espécies. Ali ele fazia uma fogueira, cozinhava o pinhão na brasa e o milho verde era preparado em uma lata grande, também no quintal. Ao chegarmos na festa, ganhávamos um kit festa junina que consistia em uma caixa de fósforos coloridos (chamávamos – fosfrinho de cor – que brilhavam quando acessos (algo como essas velinhas de aniversário de hoje em dia) e umas caixinhas de estalhinhos (umas trouxinhas que faziam barulho quando jogadas ao chão). Para os adultos tinha foguete, busca-pé, vulcaozinho e outros mais. A música era especial, em discos da época. A comida era toda voltada para uma típica festa junina. Nada além disso. Mesa farta e saborosa com muita “bergamota”. Se estive doce, ele comentava em tom humorado: “Maio mijou em cima”.
A criançada ficava na rua, normalmente noite seca sem chuva, brincando com os fogos, com as estripulias e esperando a hora de soltar o balão. Meu avô cuidava do fogo do pinhão e do milho verde além da fogueira. A vizinhança aparecia não se sabe da onde no momento de soltar o balão. O processo acontecia no meio da avenida Mauro Ramos, hoje uma das maiores da cidade e grande área de escoamento de veículos. Mas naquela época era somente nossa. O momento era de confraternização e muita alegria. A noite terminava e tinhamos que voltar pra casa e guardar tudo até o ano seguinte.

