Compartilho hoje algumas informações que pesquisei para “matar a curiosidade” de como aconteceu a queda do muro de Berlim, que hoje completa 20 anos. Esse assunto foi acompanhado por mim, na ocasião, mas à distância. Eu não era tão jovem assim para ficar fora das novidades, mas confesso que pouco estudei a respeito. Curiosamente esta semana, entender como os fatos aconteceram foi algo que me instigou a pesquisar. Vi filmes, assisti entrevistas e li muito sobre o assunto. Aproveito esse espaço para colocar alguns pontos. Sempre existe um tempo para tudo. Este post é para mim mesmo. Um registro ao evento sem pretender colocar algo inédito e que não possa ser acessado em sites mais apropriados. A fonte é a Folha de São Paulo on line, acesso em 9/11/2009.
As imagens da noite histórica quando os alemães orientais juntaram-se diante do Muro para atravessar a fronteira dominaram a programação da televisão alemã e capas de revistas e jornais. A construção da barreira que dividia a capital alemã despontou na paisagem da cidade em apenas uma noite –do dia 12 para o dia 13 de agosto de 1961. O Muro foi resultado de um decreto aprovado pela Câmara do Povo da República Democrática Alemã (RDA) em 12 de agosto.
Inicialmente construída com arame farpado e blocos, a barreira foi substituída por uma série de muros de concreto que chegavam a cinco metros de altura e 120 km de extensão. A segurança era fortalecida por arame farpado, torres de vigilância, um campo minado e muitos guardas. A medida drástica foi uma reação à fuga de alemães do oeste que ameaçava a estabilidade da RDA, com a perda de cerca de 3 milhões de pessoas –a maioria trabalhadores qualificados e intelectuais.
Segundo um estudo publicado este ano, ao menos 136 pessoas morreram na tentativa de cruzar o Muro entre 1961 e 1989. Milhares de pessoas efetivamente conseguiram atravessar a fronteira, utilizando túneis, aviões, compartimentos secretos em carros e outras fugas espetaculares. Na noite de 9 de novembro de 1989, o mundo assistiu incrédulo o espetáculo de milhares de alemães orientais apertando as mãos dos compatriotas no Ocidente, após a inesperada abertura das passagens com o anúncio equivocado de um porta-voz mal informado. Esta cena simbólica da história alemã guarda um capítulo curioso. Embora fosse iminente, a derrubada do Muro foi precipitada pelo equívoco do porta-voz do partido comunista, Gunter Schabowski, que mal chegou de viagem e foi encarregado de anunciar novas medidas sobre concessão de vistos para atravessar o Muro.
Embora a RDA já mostrasse sinais de enfraquecimento, assim como todo o mundo socialista, o governo do Partido Socialista Unitário (PSU) não estava preparado para a comoção causada pelo anúncio de Schabowski na noite de 9 de novembro de 1989 de que a limitação imposta pelo Muro caíra “imediatamente”.
A reunião
Diante da fuga em massa pelas fronteiras vizinhas recém-abertas e milhares de refugiados alemães nas embaixadas, o governo dá ao Conselho de Ministros a missão de desenhar uma regulação de viagens o mais rápido possível. A ideia é conceder visto permanente para a Alemanha Ocidental, mas apenas após a aprovação do pedido.
As visitas comuns, também submetidas a uma aprovação e com a documentação correta, serão permitidas por até 30 dias por ano. Tudo diante do prospecto de que apenas 4 milhões de alemães orientais tinham passaporte –documento essencial para o visto– e que qualquer pedido demoraria ao menos quatro semanas para ser avaliado.
Na noite de 9 de novembro, o politburo e o Comitê Central aprovam a regulamentação. O então líder comunista, Egon Krenz, entrega os documentos para Schabowski, que deve anunciá-la ao público em entrevista a jornalistas marcadas para às 18h.
A entrevista
Na entrevista a jornalistas, transmitida ao vivo pela TV estatal da RDA, Schabowski lê em voz alta o documento para os jornalistas. De férias, ele não estava presente na reunião do conselho e nem quando Krenz leu o documento para o Comitê Central.
“Quando vai entrar em vigor?”, pergunta um jornalista. Com olhar perdido, Schabowski diz que o prazo não havia sido discutido com ele.
Ele então coça a cabeça e folheia o documento, que diz que o press release não deve ser divulgado até o dia seguinte. Ele então observa as palavras “sem atraso” e “imediatamente” no começo do documento. Sua resposta é curta: “Imediatamente, sem atraso”. Poucos minutos depois, às 19h01, a entrevista acaba.
Manchete
O anúncio de Schabowski vira a principal história dos noticiários do horário nobre. Sem muitos detalhes, a imprensa do Ocidente preenche as lacunas com interpretação própria. Às 19h15, a manchete da agência Associated Press é “RDA abre as fronteiras”.
O governo está em um beco sem saída. Anunciada na televisão, a notícia da abertura da fronteira deixa a cidade em euforia. Depois de 28 anos, os alemães orientais saem de casa rumo ao outro lado de Berlim, muitos ansiosos para rever parte da família separada pela barreira. A declaração de Schabowski coloca o governo num beco sem saída.
Marcha ao Muro
As ruas lotam. As pessoas chegam a pé ou a bordo dos Trabants, os carros de produção local. Começam a se formar filas de carros para atravessar a fronteira, que chegam a mais de 100 quilômetros. Estimativas indicam que até 1 milhão de pessoas se aglomeram no lado oriental da fronteira.
Aproximadamente às 22h, diante da multidão e sem nenhuma orientação oficial sobre como reagir, os guardas que chegaram a matar quase 200 pessoas que tentaram fugir pelo Muro são obrigados a ceder e simplesmente abrir os portões. Primeiro, abrem o portão de Bornholmer Strasse, no subúrbio, e depois o portão central de Brandemburgo.
Picaretas
As pessoas sobem e dançam em cima do Muro. Com picaretas ou que estivesse às mãos, os alemães começam a destruir o Muro e muitos guardam pedaços como recordação de um momento que já se sabia histórico.
Trabalho longo
A barreira, contudo, só seria efetivamente destruída em 13 de junho do ano seguinte, quando o governo escala 300 soldados para o trabalho que leva seis meses. Alguns pedaços, contudo, são mantidos e hoje fazem parte do patrimônio histórico de Berlim.


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