O significado de “inércia”, para a física é a propriedade que os corpos têm de persistir no estado de repouso (ou de movimento) enquanto não intervém uma força que altere esse estado. Tal princípio, formulado pela primeira vez por Galileu e, posteriormente, confirmado por Newton, é conhecido como primeiro princípio da Dinâmica (1ª lei de Newton) ou princípio da Inércia.

Costumo dizer que em todo início de planejamento de um evento existe uma inércia natural que será alterada somente com movimentos intencionais e determinados e que conduzirá ao resultado pretendido. Explico-me. Quando iniciamos o processo de planejamento de um evento, muitos aspectos ainda não estão definidos porque não dispomos de informações essenciais tais como: local do evento; palestrantes que serão convidados e que aceitarão o convite; a procedência e temática dos palestrantes convidados; patrocinadores e potenciais parceiros que responderão afirmativamente ao convite formulado e assim por diante.

Tal qual a primeira lei de Newton, um evento permanecerá em repouso ou não até que uma força venha interferir nesse estado. Esse momento inicial de “repouso” é extremamente importante para que ao darmos inicio efetivamente, tenhamos as diferentes variáveis devidamente pautadas e identificadas.

Esse estado de “inércia” acontecerá até que os organizadores tenham a certeza que devem imprimir um movimento e dar inicio ao processo de organização propriamente dito. E como tal deverá ser respeitado. Sempre afirmo isso ao ver que alguns promotores ou “donos” de eventos insistem em eliminar etapas e não consideram que existe uma dinâmica própria do processo a ser respeitada. Ilustro com uma mensagem que recebi via email e cujo autor desconheço sobre a borboleta e o casulo. Aqui utilizo este exemplo como uma metáfora do processo inercial de organização de um evento.

Um dia, uma pequena abertura apareceu em um casulo, um homem sentou e observou a borboleta por várias horas conforme ela se esforçava para fazer com que seu corpo passasse através daquele pequeno buraco.  Então pareceu que ela parou de fazer qualquer progresso. Parecia que ela tinha ido o mais longe que podia, e não conseguia ir mais longe. O homem decidiu ajudar a borboleta. Pegou uma tesoura e cortou o restante do casulo. A borboleta saiu facilmente, mas seu corpo estava murcho e tinha as asas amassadas. O homem continuou a observar a borboleta porque ele esperava que, a qualquer momento, as asas dela se abrissem e esticassem para serem capazes de suportar o corpo, que iria se afirmar a tempo. Nada aconteceu!  Na verdade, a borboleta passou o resto da sua vida rastejando com um corpo murcho e asas encolhidas. Ela nunca foi capaz de voar.

O que o homem, em sua gentileza e vontade de ajudar, não compreendia era que o casulo apertado e o esforço
necessário para a borboleta passar através da pequena abertura eram o modo com que Deus fazia com que o fluido do corpo da borboleta fosse para as suas asas de modo que ela estaria pronta para voar uma vez que estivesse livre do casulo.

Minha experiência em planejar e organizar eventos, tanto científicos como empresariais, diz que esse momento de espera e de definições via de regra, é comparável a passagem da borboleta pelo casulo. Não adianta querer reduzir o trajeto e imaginar que “uma tesoura” irá favorecer o resultado final. Há que viver o paradoxo da espera e da paciência diante da emergência da organização de um evento.