Diante da necessidade de consumir menos e ter uma postura austera com os recursos finitos do nosso planeta, há algum tempo passei a utilizar a chamada “precisar, precisa?” Isso nos leva a um estado momentâneo de consciência e nos faz refletir sobre a real necessidade de uma compra ou de uma aquisição seja ela qual for.
É uma forma indireta de combater também o desperdício ou o acumulo de coisas desnecessárias. Fui educada na infância a colocar no prato aquilo que seria ingerido, evitando as sobras. Além disso, sempre esta orientação vinha acompanhada de um ditado da minha bisavó “quem come e guarda põe a mesa duas vezes”. O consumo de energia também sempre era na medida. Uma casa com sete crianças, certo controle era necessário. A máxima que seguia a recomendação era “não somos sócios da ELFA” (na ocasião, a empresa responsável pelo fornecimento de energia na cidade). O repasse de roupas e objetos que podiam ser re-utilizados também era estimulado. Assim, o livro passava sempre para o irmão mais moço. Da mesma forma, as roupas eram ajustadas para o tamanho menor.
Atualmente o tema do desperdício e consumo consciente tem sido amplamente discutido. Mas vemos ainda muita coisa sendo descartada antes mesmo de ser consumida. Em um supermercado que freqüento, existe na porta de saída uma caixa para recolher as embalagens de papel que aumentam o volume dos pacotes e que não terão serventia na casa do consumidor. Vendo essa cena, imagino quanta energia desperdiçada. Primeiro, a agência de propaganda que criou a arte da peça, depois a fábrica da embalagem, seguido do processo de empacotamento no fabricante do produto, sem contar os transportes que permeiam todas as etapas, a energia para geração do processo, criatividade humana, horas de trabalho, tempo extra para cumprir prazo.
Quanto que deixamos de viver para produzir esse lixo que sequer chega à casa do consumidor. Horas de convívio em família, horas de leitura, tempo de sono e descanso, horas de lazer e prática de um esporte. Tantas coisas que devem ser repensadas e reprogramadas, a fim de que possamos ter qualidade de vida sem exaurir os recursos naturais do nosso planeta.
Poderia ampliar muito este post, mas vou terminar aqui, estimulando que na próxima compra o leitor também se pergunte: “Precisar, precisa?”.


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