Compartilho matéria apresentada no blog Planeta Sustentável sobre o Índice de Felicidade, escrito por Liane Alves na revista Vida Simples – 4/2009

A satisfação de uma pessoa, ou dos habitantes de um país, depende do contentamento que se tem em nove áreas diferentes. Esse cálculo, que produz o índice de Felicidade Interna Bruta (FIB), já está sendo usado para orientar políticas públicas, empresariais e até pessoas.

O QUE É AVALIADO
Mesmo num país de orientação budista, o bem-estar material está na base de tudo. É difícil ser feliz com o estômago vazio e sem um teto seguro. Mas a conquista da riqueza material – e esse é o segredo da interdependência dos itens – não pode afetar a saúde física ou emocional, comprometer o uso equilibrado do tempo ou interferir no tempo dedicado às práticas espirituais (incluídas no subitem “saúde espiritual”). “Chegamos à conclusão de que seis horas de trabalho são suficientes para manter ativa a economia do país sem prejudicar as atividades individuais das pessoas. Assim, elas têm tempo para dormir as horas de sono de que precisam, socializar-se com a família e com a comunidade ou exercitar-se fisicamente”, diz o ministro butanês.

As atividades econômicas, mesmo que rentáveis, também não podem prejudicar o meio ambiente ou causar danos sociais. “As pessoas se mantêm felizes quando há um equilíbrio entre todos os campos”, diz Karma Ura. Michael Pennock relata, por exemplo, que ao se priorizar demais a área da saúde no Canadá, com implantação de hospitais, ampliação do número de médicos e distribuição gratuita de remédios, as pessoas passaram a ficar mais doentes. “Isso porque diminuiu a criação de novos parques dedicados ao lazer, de espaços para atividades físicas ou de cursos educativos que estimulam a boa alimentação, todos setores promotores de saúde física e psicológica”, afirma. “Não adianta, as políticas públicas só funcionam bem quando estão integradas.”

As nove dimensões da felicidade de um país estão contidas nos seguintes itens:

1. Padrão de vida econômica

2. Educação de qualidade

3. Saúde

4. Expectativa de vida e atividade comunitária

5. Proteção ambiental

6. Acesso à cultura

7. Bons critérios de governança

8. Gerenciamento equilibrado do tempo

9. Bem-estar psicológico

Um ponto extremamente importante: os dados do FIB são constantemente atualizados. Assim é possível observar se as medidas adotadas em cima dos índices anteriores efetivamente surtiram efeito. Se elas funcionaram, as pessoas se tornam mais felizes. Simples assim. Uma boa providência. Atualizar o que nos traz felicidade, e ver se ela está aumentando ou diminuindo ao longo do tempo e de nossas experiências, é algo que todos nós podemos fazer, inclusive pessoalmente. Se o índice de felicidade estiver diminuindo, ou se não há um equilíbrio entre as diversas áreas da vida, é melhor agir. E rápido. Em outra direção.