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Diferente do meu caso que troquei o nome da minha filha na mesa de parto, o meu nome foi escolhido muito antes de minha mãe imaginar quando eu nasceria. Recebi o nome de Maria Augusta em homenagem a minha bisavó e acho que por isso sempre fui muito esperada. Sempre tive um excelente relacionamento com a minha mãe. Ela desde menina sempre gostou muito dessa avó e prometia que quando tivesse uma filha daria o mesmo nome. Sou a terceira filha do casal Dilma e Miguel que ao todo tiveram sete filhos. Mas fui a primeira menina e tive a honra de receber a dita homenagem. Na primeira gravidez da minha mãe, meu pai enviou a ela um cartão e no texto fazia referência ao bebê, já chamando de Gugu. Por que inicio esse texto com essas lembranças? Porque sinto que quando desejamos algo e o amamos, as consequências dos nossos atos são mais leves e fluidas.

Mesmo menina e adolescente nunca tive os rompantes de rejeitar pai e mãe ou de criar conflito. E olha que nunca fui passiva ou complacente. Tenho um temperamento muito forte e determinado e quem me conhece sabe do que estou falando. Mas o convivio com a minha mãe sempre foi de parceria e amizade. Filha mais velha de uma familia grande e em épocas não muito favoráveis, eu sempre me impressionava com a capacidade que ela tinha em fazer todas as tarefas de uma casa, sem empregada doméstica, e ao mesmo tempo, supervisionar as atividades da escola de cada filho, acompanhar o marido nas funções profissionais e de grupos de casais e espiritualidade, ser boa filha e irmã, além de cultivar inúmeras amizades. Tinha tempo para fazer um casaco de lã para cada um dos filhos além do marido e tricotar centenas de casaquinhos para os bebês que nasciam na familia, na redondeza, no lar de crianças abandonas. Isso ainda inclua a leitura diária de um bom romance. Sua habilidade permitia fazer tudo em pouco tempo e sempre estar bem arrumada, com um batonzinho discreto nos lábios.

Ficou viúva aos cinquenta e um anos, com todas as funções para concluir a educação dos filhos que ainda estavam na sua guarda e supervisão. Meu pai era um grande parceiro e se incumbia de fazer determinadas tarefas em casa. Ela sequer sabia dirigir um carro quando ficou viúva. Pois diante do ocorrido, tomou as rédeas da sua vida nas mãos e foi a luta, com leveza e ternura. Soube cultivar e angariar admiração e respeito ao longo dos seus oitenta anos, completados em janeiro. Amiga dos filhos e dos netos, parceira da bisneta Luana, tia de muita gente em Floripa, essa é minha mãe, amiga e parceira de todas os momentos. Moca querida, hoje a homenageada és tu. Te amo muito, adorada.